filmow.com/usuario/sem_registro/
    Você está em
  1. > Home
  2. > Usuários
  3. > sem_registro
29 years, RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO (BRA)
Usuário desde Maio de 2011
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum

"Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente." - Zeitgeist Addendum
-
"O Homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre." - Denis Diderot
-
“There is a fear about sex in motion pictures, as if sex would undermine morality.” - Paul Verhoeven

Últimas opiniões enviadas

  • Jonathan Silva

    DOR E RESILIÊNCIA

    O cinema sul-coreano é um dos melhores do mundo neste começo de século XXI - e, embora não seja nenhuma obra-prima, "So-Won" (sem título em português) não foge à regra. Começa excelente e toma um rumo forte, duro, a partir do momento do estupro da garota de 8 anos de idade que ocorre logo aos 15 minutos do filme, numa cena tensa num beco chuvoso, apesar de curta e elíptica, sem mostrar violência gráfica (talvez porque os realizadores, corretamente, anteciparam que o filme seria do interesse de outras vítimas de estupro).

    Depois fica ainda mais contundente, na medida em que os pais se veem repentinamente jogados num quarto de hospital e a menina fisicamente destroçada, com sequelas que ficarão para o resto da vida. Uma cena em especial (a melhor do filme) com o pai, a menina e a maca suja, chegou a me dar nó na garganta.

    O diretor Lee Joon-ik acerta em concentrar muita atenção no pai e pouca no criminoso (o filme seria ainda mais pertinente e corajoso se retratasse um estuprador fosse de classe média ou rico), focando-se no processo amargo, porém recompensador, de resiliência e reconstrução da família em ruínas diante da irreversibilidade do trauma. Melhor ainda: o roteiro teve a inteligência de enfatizar seu drama numa família de classe média-baixa, encabeçada por um operário de chão de fábrica, que vê questões econômicas como custos do hospital, seguro de vida e o trabalho na indústria como parte do novo cenário de problemas que se assoma no horizonte. O pai, que tem importância crescente na narrativa, é vivido pelo ótimo Sol Kyung-gu (o mesmo do ousado e imprevisível romance "Oásis").

    Claro que nem tudo são flores. A trilha musical em piano do filme é ordinária e repetitiva e às vezes o filme quer ser didático demais sobre como a criança atingida precisa lidar com a socialização na escola, o reconhecimento do meliante no fórum, as sequelas físicas e emocionais que ficaram, a desconfiança com qualquer pessoa do sexo masculino e etc que às vezes acabam beirando um discurso de 'mensagem de auto-ajuda' (com direito a câmera enquadrando frases feitas em quadros), por pouco não caindo na pieguice.

    Felizmente, a cena do julgamento resgata o nível da primeira metade e traz novamente um ingrediente bastante comum ao cinema sul-coreano: a total descrença no aparelho repressor do Estado (seja polícia, seja Judiciário) em resolver as aflições dos cidadãos, com momentos dramáticos muito bons, mais uma vez interpretados com maestria por Kyung-gu e a garotinha. Boa pedida.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Jonathan Silva

    Faltam poucos dias para a divulgação da lista do Oscar - e esse longa de comédia dramática alemão é um dos favoritos a aparecer na lista 'melhor categoria estrangeira', com chance de levar a estatueta. Por conta disso, fui conferir pra ver se prestava.

    Felizmente, o filme é de fato muito bom e a diretora Maren Ade consegue a proeza de fazer as quase três horas de sessão passarem sem chatice, apesar de no final ficar um certo gosto meio duvidoso de uma comédia às vezes um pouco mais gélida (especialmente no retrato do personagem-título, que se pretendia mais alegre e extrovertido) do que deveria, talvez dando um certo sentido para o imaginário que temos aqui dos alemães como povo sem grande senso de humor.

    A atriz que faz a workaholic sisuda, Sandra Hüller, é a melhor coisa do filme de longe e está excelente na pele da filha séria, taciturna, quase frígida, de um velho bem mais carente, irresponsável e imprevisível do que ela. Peter Simonischek se sai razoavelmente bem, mas acaba compondo um resultado final meio esquisito para o personagem do pai, afinal, muitas vezes ele acaba sendo tão frio, distante e sobretudo triste quanto a filha, então não faria sentido ser ao mesmo tempo debochado e irreverente. Fica ainda mais estranho quando ele veste aquela peruquinha tosca e entra na pele do tal Toni Erdmann.

    Sorte que a direção competente e o roteiro preveem um monte de cenas tocantes e sobretudo divertidas, especialmente as ciladas em que o pai coloca a filha (como a da algema e a música acompanhada de piano) e sobretudo a desde já antológica cena da 'festa do cabide', com sustos e surpresas que de fato são hilários!

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Jonathan Silva

    COWBOYS VERSUS BANQUEIROS

    Excelente filme com fortíssimas entrelinhas de análise do atual status econômico dos Estados Unidos pós-crise de 2008, por trás da estética western/policial. Logo no (genial) primeiro plano do filme - um giro de 360 graus em algum lugar do Texas - somos apresentados aos elementos que farão parte da sessão: bancos, terra seca, conservadorismo religioso, assaltos. A partir daí somos mergulhados num 'deep south' (sul profundo) dos EUA na qual quem manda são os bancos, com outdoors oferecendo crédito fácil em todos os cantos, enquanto as casas exibem placas de 'vende-se'.

    A estrutura narrativa estilo "Onde os Fracos Não Tem Vez", alternando entre os irmãos fora da lei - ambos com motivações bem distintas para iniciar uma série de assaltos aos bancos - e a dupla de policiais (com um Jeff Bridges em estado de graça) no percalço deles. A população do interior do Texas vê os assaltos e conversa com os investigadores sem arroubos moralistas, quase como se torcessem para aqueles que "assaltam o banco que assaltou suas famílias". A frequente troca de insultos (de certa forma, amigáveis) entre o xerife de Bridges e o parceiro mezzo indígena/mezzo mexicano é um show a parte e estabelece uma relação que fica entre o desprezo pelo outro e uma parceria real e sincera.

    No final, fica a aparência de um jogo de gato e rato no qual, talvez, nenhum dos lados seja o vilão. Ou, o que faz mais sentido, o verdadeiro antagonista é o capital financeiro dos bancos, escondidos numa aparência 'polida' de velhos engravatados que agradecem protococalmente o freguês por terem 'fechado negócio'. "A Qualquer Custo" já é uma das boa surpresas do ano.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Mariane
    Mariane

    Obrigada Jonathan.

  • Mariane
    Mariane

    Olá, estou procurando o filme Denise está chamando e vi seu comentário na página dele, você tem ele ou algum link para baixar?

  • Podcast Filmes Clássicos
    Podcast Filmes Clássicos

    Bela lista Noir que vc criou.. Se gosta do genero, fica um convite: ouvir nosso podcast sobre o assunto. filmesclassicos. com.br/2015/01/01/episodio-6-film-noir/

    ABs!