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Últimas opiniões enviadas

  • Jonathan Silva

    O LOBO ATRÁS DE SEUL

    Mais um daqueles filmes obscuros que passariam batidos do reconhecimento internacional se não fosse o olhar atento de um dos pioneiros do cinema da "Nova Hollywood" - no caso, Martin Scorsese, que mexeu os pauzinhos pra restaurar o filme antes que ele se degradasse fisicamente e a película caísse no mais completo ostracismo. E temos mesmo que agradecer a ele, porque este "Hanyo" vem pra provar que o país que atualmente produz um dos melhores cinemas do mundo - a Coreia do Sul, a qual já nos brindou com gemas como "Oldboy" (melhor filme do século até agora), "Memórias de um Assassino", "Eu vi o Diabo", "Os Invencíveis" e tantos outros - chegou a produzir um produto cinematográfico de ótima linguagem em pleno ano de 1960, pouco tempo após a Guerra da Coreia.

    Muito do filme, aliás, retrata com precisão o contexto daquela era, para uma península recém dividida em dois países, com a do sul virando uma espécie de 'puxadinho' do Japão e, por tabela, dos EUA. Os hábitos de consumismo crescente (a televisão, a casa nova, etc) da classe média-alta local e outros traços, como algumas frases ditas em inglês, estão ali pra demarcar esse retrato. Nesse sentido, o filme é muito bom e de grande interesse histórico e político. Mas o que realmente cativa é sua dimensão estética e cinematográfica, narrada com brilhantismo pelo diretor Kim Ki-Young, numa direção estupenda, conduzida com elevado apuro em uma linguagem muito amadurecida, ótima no mise-en-scene e na movimentação da câmera (quase sempre no cenário da casa da família), apesar de ser apenas o segundo filme do diretor, lançado num país cujo cinema naquela época nem sonhava em ter a repercussão mundial de hoje.

    Se Henri-Georges Clouzot era o Hitchcock francês, posso arriscar dizer com tranquilidade que Kim talvez seja o Htichcock coreano - com alguns toques de Luis Buñuel. Seu cinema em preto e branco, todo focado em neuroses e apreensões claramente eróticas dos personagens, tem uma 'pegada' claramente hitchcockeana, com um mergulho imenso na psicanálise. Querendo bancar o Zizek aqui, tem algo de superego na figura da esposa 'pura' (mas nem sempre ingênua) do protagonista (o ego), bem como algo de id na figura da empregada/amante lasciva e imprevisível (Eun-shim Lee, brilhante). Fora as sacadas sensacionais como colocar a primeira sempre trajada de vestas brancas e a segunda, de preto. Claro que há certa dose de moralismo aí, mas a história é tão boa, tão hipnótica e tão atual que a gente nem liga. Pra se ter uma ideia da importância do filme no âmbito sul-coreano, chegaram a se dar ao trabalho de fazer uma refilmagem em 2010 - cinco décadas após a estreia do original.

    Sobre a história, também roteirizada pelo inspiradíssimo Kim Ki-Young, é de fácil imersão para cinéfilos brasileiros, já que a trama é praticamente uma tragédia sexual à la Nelson Rodrigues, sobre o professor de piano que arranja uma amante e a coisa vai saindo gradativamente do controle dele, com cada vez mais interesse em fazer de tudo pra 'salvar as aparências'. Me lembrou pra caramba - e não deve ser por acaso - justamente um longa-metragem recente brasileiro: o ótimo "O Lobo Atrás da Porta" (2013), com algo também de "Primo Basílio" da metade pro fim. Eu confesso que apesar de entender o drama da esposa, também gosto e entendo as motivações tanto da amante 'da criadagem' quanto do próprio marido, de modo que ficou difícil ter 'torcida' definida nessa tragédia anunciada entre os três - o que, óbvio, só serviu pra tornar o filme melhor e mais tenso.

    Infelizmente, nem tudo são flores em "Hanyo", embora tenha faltado pouco para ser um filme de cotação máxima. Há pelo menos três defeitos que, apesar de passarem longe de comprometer o resultado final, são graves. O primeiro é a morte de um personagem razoavelmente importante no meio do filme, sem causar reações mais exaltadas e contundentes dos que o cercam, o que tornou a reviravolta um tanto inverossímil. O segundo é a música quase onipresente, anacrônica e que tira um pouco o brilho de imagens ainda muito atuais, já que o compositor encarregado (um tal de Sang-gi Han) está looonge de ser um Bernard Herrmann - de modo que o filme melhora e fica mais gostoso de acompanhar quando tiram a música da narrativa, o que é sempre um mal indício sobre a trilha musical. Finalmente, há aquele epílogo tolo, covarde, desnecessário, estilo "Um Retrato de Mulher" do Fritz Lang, sem dúvidas pra tentar amenizar a tragédia corajosa do enredo principal, embora felizmente não comprometa o resultado dela.

    De todo modo, um filmaço com poucas máculas e muitos méritos. Vale demais a pena conhecer, principalmente pra quem já aprecia o cinema sul-coreano, ou pelo menos pra quem tiver a curiosidade de saber o que seria uma mistura de Hitchcock com Buñuel nascida na Coreia capitalista...

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  • Ccine10
    Ccine10

    Olá Jonathan

    Sou o fundador do site Ccine10 e estou buscando alguém de São Paulo para entrar para equipe do site.
    Essa pessoa irá nas cabines de imprensa que em geral acontece na parte da manhã e também poderá entrevistar, diretores e atores sobre os lançamentos dos filmes.
    Esse trabalho a princípio não é remunerado, mas o site que já existe a 9 anos serviu de vitrine para diversos amantes do cinema que hoje estão trabalhando em grandes veículos.
    Caso tenha interesse me avise para explicar em detalhes.

    Abraços.

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Azizam Parvane
    Azizam Parvane

    Olá, tudo bem?
    Nossa! Adoro os seus comentários. Você é um dos poucos que nota o lobby nojento e sionista em Hollywood. Bem, fora a sua lista. Chega nem perto da minha. E lendo alguns comentários seus sobre indicados ao Oscar, mais uma vez me convenço que a única categoria que de fato merece ser conferida, é a de melhor filme em língua estrangeira.