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Últimas opiniões enviadas

  • Jonathan Silva

    TRAGICOMÉDIA COM INGREDIENTES MAL MISTURADOS

    Chegou a hora de assistir um dos favoritos ao Oscar de melhor filme (e já vencedor do Globo de Ouro), "Três Anúncios Para um Crime".

    E a conclusão é que o longa do irlandês Martin McDonagh (de "Na Mira do Chefe") lembra um pouco a filmografia dos irmãos Coen, tanto pela presença do compositor Carter Burwell e da atriz Frances McDormand (de "Fargo"), quanto pelos méritos estéticos e narrativos de um drama/suspense em pequena cidade dos EUA, mas também por um defeito comum a grande parte do cinema dos irmãos: as tentativas de incursão cômica e dramática ao mesmo tempo podem soar intrusivas uma à outra.

    De modo geral, funciona bem como drama e razoavelmente como comédia, sendo mais competente no primeiro aspecto que no segundo. Ficou pra mim a impressão que se assumisse radicalmente só um desses ingredientes ao invés de tentar colocá-los na mesma panela, o prato servido não seria algumas vezes indigesto, parecendo que o filme quer ser as duas coisas ao mesmo tempo (o momento no qual um personagem se suicida usando um saco na cabeça com 'instruções' escritas, por exemplo, me deixou na dúvida se era pra rir ou pra chorar).

    Fora isso, é bem narrado, a direção se segura bem - o plano-sequência no qual um policial invade ensandecido o estabelecimento publicitário é sensacional e digno de aplausos - e tem pelo menos dois atores (McDormand e Woody Harrelson) em ótima performance. O elenco coadjuvante no geral é bom e inclui Peter Dinklage (o Tyrion de "Game of Thrones"), mas eu pessoalmente não consigo achar nada demais no suposto talento dramático daquele sujeito que atende por Sam Rockwell (de "Lunar"), cuja importância no enredo e tempo em cena são grandes.

    O roteiro, escrito por McDonagh, é legal, embora longe de ser a última coca-cola no deserto como alguns estão interpretando. Politicamente, me parece ser uma espécie de 'revolta contra os caipiras do sul dos EUA', com referências a preconceito contra negros e latinos, etc. Ou seja, é alfinetada dos 'esclarecidos da cidade grande' no eleitorado de Trump, o que fica mais evidente quando surge o novo delegado negro, momento no qual o filme tenta posar de "No Calor da Noite" (1967), porém que pra mim teve cheiro de hipocrisia e saudosismo velado do governo Obama - presidente nada fez pelos negros (pobres) de seu país.

    Apesar das limitações e de não ser nem metade do que estão dizendo, "Três Anúncios" vale sim a assistida e os elogios para direção e atriz são justificados. Mas faltou o filme sair do muro entre comédia e drama, ou então se assumir logo como sátira da 'caipirada', ao invés de misturar mal o suspense policial (que vai do nada a lugar nenhum) com o lado cômico.

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  • Jonathan Silva

    PREGAÇÃO ANTICOMUNISTA COM CARA TELEVISIVA

    Fui ver esse filme esperando uma pregação anticomunista caricata, pra ver a quantas anda o discurso de Hollywood sobre o assunto. E encontrei exatamente o que esperava ver, porém com defeitos adicionais muito sérios: é uma narrativa melodramática chororô, maniqueísta ao extremo, rasa, narrativamente chata e plasticamente televisiva - este último aspecto, sem dúvida, por obra e graça da Netflix, que produziu o filme com cara de episódio de série de TV (o que não deixa de ser uma decepção, porque "Beasts of no Nation" era bem melhor como cinema).

    É importante situar minha perspectiva política sobre o Khmer Vermelho encabeçado por Pol Pot. Analiso o filme a partir de uma perspectiva de esquerda, pró-socialista, mas que não reconhece nessa lambança anti-industrial e xenófoba (com os vietnamitas) feita pelo Khmer Vermelho quase nada de socialista, muito menos de marxista-leninista. E iessa é também a perspectiva de praticamente TODOS os países socialistas da época, com exceção da China (apenas por picuinha com a URSS) e só no começo - o resto dos países socialistas DE VERDADE, da União Soviética ao vizinho Vietnã, tendiam a não ter nenhuma identificação com o Camboja "socialista" e sua defesa do 'ultra-campesinato'.

    Sem dúvida, o próprio Marx, se pudesse ter visto o "socialismo" cambojano polpotista, reprovaria essa patacoada anti-industrialista - que desvaloriza o proletário, o 'chão de fábrica' que é (ou deveria ser) força-motriz de qualquer revolução. E se resta alguma dúvida, resta lembrar que esse engodo chamado Pol Pot recebia apoio velado do reaganismo-thatcherismo (porque era uma ameaça ao Vietnã, o qual acabou os derrotando pela via armada) e chegou a se refugiar na Tailândia, que era uma monarquia de direita. O uso que esse genocida picareta fez de Lênin e Stálin (como o filme que ora resenho, claro, faz questão de ressaltar pra tentar nivelá-los) é meramente estético e não tem nada a ver com as ideias dos soviéticos pioneiros, todos fortemente pró-industrialização. Ou seja, o anticomunismo do filme é um estelionato, já que tenta colocar no mesmo balaio socialistas de fato com o pseudo-socialismo do Khmer Rouge.

    Dito isso, "Primeiro, Mataram o Meu Pai" - o filme já começa forçando a barra e tentando causar comoção artificialmente logo no título - é só um desfile de cenas dramaticamente vazias e imagens clichês pra tentar provocar o choro do espectador, mal e porcamente contextualizando o que estava acontecendo, de modo que fica parecendo que os soldados do novo governo eram 'malvadões' que apareceram simplesmente do nada. Usam um recurso dissimulante também visto em "Argo" - colocam um prólogo tentando situar que o intervencionismo estadunidense na região também tem culpa no cartório - pra logo depois nem tocar mais nisso.

    Deram a direção para ninguém menos que a atriz Angelina Jolie, de modo que ao mesmo tempo o cinema da Netflix posa demagogicamente de 'empoderado e inclusivo' ("olha lá, é mulher dirigindo!") enquanto faz também o marketing pessoal da atriz/diretora que vive se projetando como supra-sumo da filantropia e 'humanismo' - no que não acredito de jeito nenhum. Mas a verdade é que ela teve uma performance pífia e banal atrás das câmeras, movendo pouco o enquadramento e com uma decupagem, repito, digna de episódio de TV. O único momento potencialmente bom dramaticamente era a cena das minas terrestres mais ao final, mas nem isso souberam aproveitar e filmar direito. E ainda arranjam espaço pra fazer entrelinha pró-religiosa, já que os (pseudo)comunistas 'malvadões' do Pol Pot decepam estátuas de Buda, enquanto só ao final, 'com a paz restaurada', a cândida fé das vítimas retorna. Patético, tsc tsc!

    É só um filme chato pra caramba que não acrescenta absolutamente nada ao que o cinema já apresentou sobre o assunto, independente do espectador ser de direita ou esquerda. Se for pra buscar uma perspectiva crítica do genocídio cambojano, é preferível assistir "A Imagem que Falta" (2013), que é conceitualmente a mesma coisa (com as mesmas limitações e maniqueísmos) mas pelo menos tem mais inovação estética, ou então o muito bom "Os Gritos do Silêncio" (1984), cuja narrativa e elenco são muito superiores e tem mais gosto de cinema do que de pasteurização televisiva.

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  • Jonathan Silva

    TECH-NOIR GENIAL QUE QUASE FOI MUTILADO

    Virei a madrugada vendo versões ainda desconhecidas pra mim do cinema tech-noir. Logo após a final cut "Blade Runner" (longa que esteticamente influenciou e muito o filme que ora resenho), tomei coragem de ver o que eu já sabia que encararia praticamente como um insulto pessoal: a anedótica versão "Love Conquers All" (ou 'o amor vence tudo') daquele que até hoje é meu filme favorito: "Brazil", de Terry Gilliam.

    Essa versão - a qual, graças a um longo combate travado com imensa coragem por Gilliam contra o executivo da Universal Pictures que atende por Sid Sheinberg, não foi aos cinemas - hoje é relegada ao ostracismo e quase ninguém conhece, sendo disponibilizada apenas em extras de DVDs sequer lançados aqui no Brasil. Mas o fato é que a versão "Love Conquers All" chegou perto de ser lançada nos cinemas no lugar da original e, se isso acontecesse, a situação seria exatamente a inversa: o tech-noir distópico de 1985, que influenciou várias gerações seguintes de cineastas, seria ele próprio apenas um extra de DVD a ser descoberto de modo tardio.

    Ou seja, faltou um tantinho de nada pra essa joia da sétima arte ser reduzida a uma aventura escapista com final feliz - e se isso acontecesse, talvez eu nunca fosse ter assistido aquela sessão do finado Intercine da Globo, em novembro de 2004, que mudou qualitativamente minha relação com a arte (não só a sétima) para sempre e gravou de modo irreversível na minha memória a experiência que foi ter assistido esse longa-metragem em seus irretocáveis 142 minutos da versão integral.

    Sobre essa versão de duas horas e meia, é melhor eu nem me arriscar a falar muito senão perigo escrever uma 'bíblia' de 200 parágrafos elogiando cada elemento artístico, técnico e narrativo daquele que, repito, é meu filme favorito. Só vou enfaticamente recomendar a você que veja o filme na montagem integral (caso ainda não conheça) e que - se quiser encarar a leitura em inglês - busque o ótimo livro "The Battle of Brazil", de Jack Mathews, bem como o documentário homônimo, os quais narram os pormenores dessa briga de Davi e Golias entre Gilliam e Sheiberg, no qual a valentia do primeiro representou um marco em Hollywood na luta pela preservação da visão do diretor sobre a de executivos gananciosos que nada entendem de arte. E pra mim individualmente, significou que esse filmaço - que praticamente mudou minha vida - chegou ileso. Obrigado, Terry Gilliam!

    Já sobre a versão "Love Conquers All", pra resumir o que a experiência de assisti-la teve de mais emblemático: está ali atestado o quanto a montagem é mesmo o fiel da balança da sétima arte, como desde os pioneiros do cinema (Griffith, Kulechov, Eiseinstein, etc) já era sabido, porém que na comparação entre as duas versões de "Brazil" tem a expressão mais didática do quanto essa diferença pode ser profunda. É praticamente outro filme!

    Sheinberg, à revelia do diretor e buscando o que achou que seria mais lucrativo, cortou - sem exagero - quase UMA HORA de filme. Só a primeira cena de sonho foi parcialmente conservada e TODAS as outras com o mesmo propósito foram simplesmente limadas, com direito de uma cena de sonho (na montagem do diretor) mais ao final sendo tratada como realidade, o que torna o filme ilógico e nonsense, principalmente no último momento de Harry Tuttle (vivido com grande carisma e talento por Roberto DeNiro) e o 'ataque da papelada'.

    A mutilação, todavia, vai muito além das cenas de sonhos e abrange vários momentos de interação entre o protagonista Sam Lowry (Jonathan Pryce, o alto pardal de "Game of Thrones", em performance soberba) e sua mãe, ou as críticas anticapitalistas à festividade natalina - embora tenham preservado aquele plano dos 'consumers for Christ'. Toda a ambiguidade entre sonho e realidade, um dos pontos-chave da versão integral de Gilliam, simplesmente inexiste aqui.

    Vários dos cortes abruptos e saltos na edição são resolvidos com aquela solução do 'fade out' pra cortar pra outra cena, algo intrusivo que deixa o filme parecendo episódio de TV (os quais usam esse recurso pra sugerir os cortes para intervalos comerciais). O mais prejudicado, todavia, é o finado compositor Michael Kamen, já que o brilhantismo de suas várias interpretações de "Aquarela do Brasil" e a faixa mais memorável da partitura ("Waiting For Daddy", com aquele saxofone noir que ficou ANOS onipresente na minha mente) são inexistentes na montagem clandestina feita pelo executivo.

    Sheiberg consegue estragar todo e qualquer mérito do filme? Por mais que ele se esforce, não. A fotografia e figurinos à la Blade Runner permanecem me pungindo em cheio, bem como a cenografia. Pryce segue tendo ótima performance, embora um bom tanto dela nem apareça nessa montagem. O elenco coadjuvante, com exceção de Kim Greist (que proporcionalmente tem mais tempo em cena), é imensamente prejudicado pela mutilação do filme - alguns mal aparecendo, como o ator que faz o "Mr. Helpmann".

    E, claro, há o o final da versão "Love Conquers All" - que, aliás, é o motivo da montagem de Sheinberg ser batizada assim. É a mudança mais comprometedora e que mais distancia essa edição apócrifa da integral. O clímax amargo e inesquecível de Gilliam dá lugar ao 'happy ending' imperdoável de Sheinberg, com uma breve cena na qual Kim Greist grava uns planos a mais, porém Pryce não gravou os takes adicionais (o que foi resolvido na edição de modo bisonho, reciclando tomadas já exibidas do ator).

    O resultado dessa experiência é que "Brazil" - a versão integral, claro - e principalmente seu diretor ganham em coragem e importância. Quantas vezes já vimos e ouvimos falar que só recentemente, por meio dos DVDs, é que estamos conhecendo versões do cineasta que foram mutiladas pelo estúdio? De "Alien 3" ao já referido "Blade Runner", a lista é longa e muitas dessas versões expandidas trazem mudanças substanciais no resultado final. "Brazil" é o caso inverso: seu diretor conseguiu impor na marra sua versão e relegou a mutilação que por pouco não tomou seu lugar à condição de mera curiosidade a ser descoberta só por alguns fãs que conheceram a versão intacta antes. E quem for ver a ridícula montagem "Love Conquers All" agora vai, como eu, respirar aliviado com a certeza de que ela não venceu essa queda de braço. Ufa!

    NOTAS:

    Versão Integral - ★ ★ ★ ★ ★ (e ainda é pouco!)

    Versão Love Conquers All - ★ ★ ½

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  • Ccine10
    Ccine10

    Olá Jonathan

    Sou o fundador do site Ccine10 e estou buscando alguém de São Paulo para entrar para equipe do site.
    Essa pessoa irá nas cabines de imprensa que em geral acontece na parte da manhã e também poderá entrevistar, diretores e atores sobre os lançamentos dos filmes.
    Esse trabalho a princípio não é remunerado, mas o site que já existe a 9 anos serviu de vitrine para diversos amantes do cinema que hoje estão trabalhando em grandes veículos.
    Caso tenha interesse me avise para explicar em detalhes.

    Abraços.

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Azizam Parvane
    Azizam Parvane

    Olá, tudo bem?
    Nossa! Adoro os seus comentários. Você é um dos poucos que nota o lobby nojento e sionista em Hollywood. Bem, fora a sua lista. Chega nem perto da minha. E lendo alguns comentários seus sobre indicados ao Oscar, mais uma vez me convenço que a única categoria que de fato merece ser conferida, é a de melhor filme em língua estrangeira.