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Últimas opiniões enviadas

  • Lucas

    Tendo como opção corajosa (porém sensata) de ignorar todas as sequências feitas após o primeiro filme (que pra mim, só se salvam Halloween II e H20), ''Halloween'' é uma continuação do filme original dirigido por John Carpenter e lançado em 1978, trazendo de volta Jamie Lee Curtis na pele de Laurie Strode (que aqui perde a relação familiar com Michael, coisa adotada a partir do segundo filme).

    O filme se passa 40 anos depois dos eventos acontecidos na data de 31 de outubro de 1978 em Haddonfield, nos trazendo 2 repórteres buscando respostas sobre uma possível humanidade de Michael, nos levando juntamente com eles à Laurie Strode, que com 58 anos vive paranoica, com medo e disposta à se for necessário, enfrentar seu maior pesadelo.

    A maneira que o roteiro de Jeff Fradley e Danny McBride abordam as personagens é bem interessante, a relação de Laurie com sua filha é conturbada, e vemos o que um trauma é capaz de fazer diante de uma criança inocente que acaba por perder a fé na humanidade por conta da relação materna. Com isso, sua filha evita o máximo ser um espelho da mãe com a neta de Laurie. Toda a relação é bem construída durante a trama (salvo uma pequena exceção com um diálogo extremamente expositivo), e é um acerto o filme ter dado a devida atenção às 3 personagens ao invés de uma só.

    Roteiro que também, apesar de ter os clássicos personagens ''kill count'' de slashers, não se demonstram estupidamente burros como a maioria da franquia Friday the 13th, e mesmo os com menor desenvolvimento, possuem certa característica básica marcante (destaco uma sequência inteira envolvendo uma babá cuidando de uma criança, algo divertidíssimo, mostrando que mesmo com pouco humor, esse quando existente funciona e bem para dar uma leveza no clima do filme).

    Clima esse que, é construído magistralmente pelo diretor David Gordon Green, diretor de fotografia Michael Simmonds, e o saudoso compositor John Carpenter. O clima da Haddonfield original setentista fica presente aqui, mas ainda sim é bem mesclada com um terror atual. O clima de suspense e tensão durante todo o longa é presente, deixando o espectador tenso e aflito até nos menores momentos. A fotografia é nauseante, seca e sufocante, com cores bem desgastadas que destacam toda essa densidade e desespero que afeta as personagens (principalmente Laurie, e também até ao nosso Michael). A trilha sonora de John Carpenter mescla composições originais de sua versão setentista com pitadas novas, aumentando todo o clima bizarro e tenso do longa, aumentando a imersão e nos causando desespero diante de uma situação onde não há saída.

    E por falar nele, Michael Myers se apresenta muito mais brutal nesse filme do que comparado ao original de 78. Nick Castle volta ao papel de ''the shape'' e, assim como Laurie, traz uma versão muito mais crua de seu personagem original. Ainda mantendo o misticismo e clima bizarro em cima de sua figura imponente e sua respiração ofegante.

    O elenco, por sua vez, se apresenta de maneira bem competente. Como havia dito, até os personagens mais secundários possuem atuações dignas. Porém, ao decorrer do longa acabei criando uma ressalva quanto ao personagem de Haluk Bilginer, que como Laurie o descreve em um momento do filme é o ''novo Loomis'', o que eu acreditava ser até o terceiro ato, que nos apresenta um plot twist um tanto quanto desnecessário (embora eu entenda o motivo, mas para isso seria necessário mais exploração em tela, vendo que seu desfecho foi curto), servindo apenas como um contratempo no decorrer da trama que, se deletado, não faria diferença no filme.

    O clímax é brutal, temos Jamie Lee Curtis a la Sarah Connor demonstrando todo seu preparo em anos de treinamento (embora eu tenha me empolgado mais com o combate ''mano a mano'' de H20, onde uma Laurie totalmente despreparada e instintiva nos motivava mais a torcer por ela), nos causando uma sensação claustrofóbica e nos recheando de homenagens à produção original. A união nesse clímax entre família é sincera diante do que nos foi apresentado diante das personagens e realmente torcemos por elas (apesar de amar o personagem Michael Myers, foi a primeira vez em que me vi torcendo para este levar a pior num filme). Salvo uma única exceção diante de um plano detalhe mais sutil que um elefante numa vidraçaria.

    Este ''Halloween'' é uma prova de que o terror atual pode e ainda funciona em cima de um clima de suspense bem construído, e não apenas de sustos fáceis em cima de uma trilha sonora alta ou de gore em cima de gore (ouviu bem, senhor Rob Zombie?), mas me leva à um receio sobre um plano detalhe no final do filme que me traumatizou só de me trazer em mente o que tentaram fazer em Halloween 4 e 5. Bem, é esperar para ver e torcer para estar errado.

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  • Lucas

    Depois do gosto azedo a respeito do Batman que o seriado sessentista deixou na boca do povo mainstream, chegou a hora da Warner Bros finalmente levar às telas uma nova versão do homem-morcego, que pudesse coincidir com o tom mais sério e sombrio das hq's da época. Com isso, o jovem diretor Tim Burton (de ''Edward Mãos de Tesoura'') foi contratado para tal tarefa, criando assim um marco no cinema de super-herói blockbuster (sério, se você gosta dos filmes da Marvel com seu universo compartilhado bem construído, foi Batman quem abriu os portões para os estúdios verem que isso pode render uma boa duma grana.)

    Porém, nem só de lucrar dinheiro vive a sétima arte, o filme apresenta problemas e o saudosismo de quem assistiu na época pesa muito mais para o julgamento de ''qualidade'' (e temos também os casos do contra de quem só quer colocar sua superioridade preferindo os 2 do Burton aos 3 do Nolan para parecer mais cult.)

    O longa começa com uma boa introdução, a trilha sonora de Danny Elfman (''MIB'', ''Homem-Aranha'', ''Marte Ataca!'') junto com a fotografia já criam o clima do filme logo de cara. Em seguida, somos apresentados à Gotham City, que de fato aqui é bem construída e bebe bastante do expressionismo alemão, sendo caótica, claustrofóbica, com bastante fumaça e uma fotografia nauseante (tanto de noite como de dia), destacando essencialmente um ''ar acinzentado'' (o cuidado com a direção de arte era tão grande, que em vários momentos podemos realmente ver o cuidado com tornar o ambiente real, como numa cena do telhado em que vemos um rodapé muito sujo e marcado).

    Que o design de produção do filme é bom isso não tem como negar, afinal, o filme ganhou o prêmio da academia de melhor direção de arte. O problema é que, fora essa estética absurdamente criativa e a trilha sonora envolvente em certas partes, o longa não se sustenta com quase nada.

    Por algum motivo, muitos consideram Keaton como a melhor encarnação do Batman (o que eu acredito ser puro saudosismo mesclado com nostalgia, ou novamente, vontade de parecer cult e ir contra o senso comum de que Bale é um Batman melhor), mas como Bruce Weird...digo, Wayne, seus maneirismos soam completamente exagerados, caricatos (a cena em que ele tenta fazer uma revelação para Vicky Vale causa vergonha alheia), e como Batman, se não fosse o ótimo uso de luz e sombra para destacar o capuz do traje, ficaríamos vendo seu rosto dançar loucamente dentro da máscara (repare em cenas com o primeiríssimo plano em como o rosto do ator não se encaixa bem e fica folgado dentro da máscara. Eu particularmente não me incomodo com o fato do Batman matar nesse filme, Tim Burton até coloca um plano do personagem em frente às palavras AXIS (sendo que o nome da indústria originalmente era ACE), mostrando que o próprio diretor o via como um fascista e sabia do que estava fazendo (diferente de Zack Snyder que simplesmente faz o Batman matar por achar que com isso acrescentará seriedade e um tom adulto para sua versão do personagem).

    Seu personagem e assim como seu romance com Vicky Vale soam extremamente desinteressantes por não criarmos vínculo tanto com seu personagem como com a de Kim Basinger (quando Knox pergunta para ela por que ela está em Gotham City, o máximo que ela responde é ''morcegos'', mostrando a superficialidade do roteiro de Sam Hamm e Warren Skaaren ao tentar desenvolver a personagem). O pior que um espectador pode esperar de um longa, é quando ele TORCE para o tempo passar, e isso aconteceu com minha última assistida ao filme, o que mostra realmente o quão tediosa uma construção ruim pode ser.

    O Coringa de Jack Nicholson de fato deita e rola (apesar de perder o rumo) e traz algumas das melhores cenas do longa (ver a ''gag'' de mão fritando pessoas é bem divertido). Quando ele é apresentado como Jack Napier, vemos Nicholson no seu piloto automático mostrando todo o seu cinismo. A sequência na indústria química é interessante, o figurino nos lembra muito um clima noir que o Burton adota certas vezes (repare nos sobretudos e chapéus largos dos gangsters), e assim como na cena da catedral, faz um bom uso de luz e sombra, destacando bem a silhueta do Batman (mais uma vez o expressionismo alemão em cena). Porém, seu personagem é construído em cima de uma motivação nula, e não me venha com a conversa de que ele é ''anárquico'', pois me soa muito mais como preguiça e desinteresse de criar um bom personagem, usando como muleta o ator que o interpreta (repare como o mesmo se contradiz ao querer usar sua aparência como o novo ''padrão'' de beleza mas logo no final do filme pinta seu rosto de cor de pele para discursar na televisão) . A própria Vicky Vale pergunta a ele o que ele queria, e esse responde algo fora de contexto. Sua risada é também fora de contexto, vendo que ela nunca tem um propósito fixo a não ser nos lembrar que estamos vendo o Coringa e que ele precisa rir o tempo todo para não perder o personagem. O covil do personagem é um caos visual, e infelizmente cria um paralelo com a construção deste, já que ambos não apresentam objetivo nenhum em sua definição.

    A narrativa é exaustiva, existem cenas em que o único objetivo aparente era colocar uma música do Prince para aumentar a vendas de ingressos e lp's. A montagem ainda por cima acaba por a todo momento voltar para o romance desinteressante que ronda todo o filme, se sentir entediado é infelizmente algo muito recorrente em Batman.

    Mas, de fato, podemos ver que em alguns momentos boas ideias foram jogadas, mas mal aproveitadas. Logo após Batman levar Vicky sem motivo para a batcaverna (é interessante notar na segunda vez que ela está lá sua reação ao saber que Wayne é o Batman, sendo quase nula, que é o que nós sentimos também por ambos), ele diz que Vicky é o que ele quer e ele não sabe o porquê, mostrando traços de sua personalidade perturbada e em como ele gostaria de ter uma vida normal. Algo interessante porém que não souberam utilizar, vendo que conflitos internos são características que podem render histórias focadas em perfis psicológicos (Nolan já soube usar isso muito bem).

    E o clímax do filme apesar de maçante, rende cenas legais com a câmera subjetiva na batwing, com a trilha sonora aumentando ainda mais a adrenalina. Pena que, após isso, o filme decai novamente ao ter uma valsa (que só serve para criar paralelo com a frase que o Coringa diz antes de matar uma pessoa, o que tristemente serve como um gatilho para uma coincidência muito forçada ao tentar criar uma conexão e vínculo entre os ''mocinho'' e o ''bandido'').

    De um modo geral, é um filme bonito de se assistir e uma pena que seja tão entediante na sua maior parte, já que o único personagem possível pelo qual sentimos afinidade é o doce Alfred de Michael Gough, pois de resto, nenhum sustenta a trama suficientemente para nos fazer torcer por eles.

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  • Lucas

    O texto do Pablo escrito em 2004, continua funcionando fortemente até hoje:

    ''O Sorriso de Mona Lisa é uma película que apresenta, caro leitor, uma mensagem relevante sobre a posição das mulheres em nossa sociedade: condicionadas a aceitarem o papel de lavadeiras, cozinheiras e arrumadeiras de sua própria família, nossas garotas têm seus potenciais produtivos desperdiçados, já que abandonam quaisquer ambições profissionais em prol de seu destino de donas-de-casa. Parabéns à Sra. Julia Roberts, que utiliza sua influência como grande estrela do firmamento de Hollywood para viabilizar uma fita como esta, que traz uma denúncia importante e polêmica`.

    Textos bastante parecidos com o que aparece logo acima provavelmente serviriam de introdução a muitas análises sobre O Sorriso de Mona Lisa caso estivéssemos na década de 40 ou 50 (aliás, é a primeira – e última - vez, nestes quase 10 anos como crítico de cinema, que utilizo a palavra `fita` como sinônimo de `filme`). Infelizmente, este novo trabalho de Julia Roberts foi produzido em 2003 – e, portanto, é um pouco difícil levá-lo a sério, já que sua postura de `filme-denúncia` soa, no mínimo, anacrônica. É claro que, ainda hoje, as mulheres são discriminadas em muitos meios profissionais, chegando a receber menos do que os colegas do sexo masculino que exercem funções semelhantes, mas o roteiro de Lawrence Konner e Mark Rosenthal (dois homens, vale notar), em sua tentativa desesperada de emocionar através da coragem de sua protagonista (uma pseudo-feminista), soa simplista e ultrapassado.

    Quando escrevi sobre As Loucas Aventuras de James West, propus que imaginássemos como havia sido a conversa entre os executivos que aprovaram o projeto; agora, sugiro darmos uma espiada no primeiro tratamento do roteiro de O Sorriso de Mona Lisa – ou, pelo menos, em uma hipotética versão do mesmo*:

    INT. SALA DE AULA (ESCOLA WELLESLEY) – DIA

    JULIA ROBERTS
    Bom dia, turma. Meu nome é Julia Roberts.
    Desde que ganhei o Oscar por Erin Brockovich,
    não protagonizei filme algum, preferindo dividir
    a cena com outros astros ou mesmo fazer pontas
    em algumas produções. Já estava passando da hora
    de voltar a ser estrela de algum longa.

    TURMA
    (em coro)
    Bom dia, sra. Roberts!

    JULIA ROBERTS
    Pois bem. Aceitei participar deste filme por julgar
    que ele terá um grande impacto dramático, contando
    com várias cenas emocionantes. Afinal, sou uma professora
    moderna em uma escola tradicional – e é uma honra lecionar
    na Welton Academy.

    TURMA
    (em coro)
    Mas este é o Colégio Wellesley!

    JULIA ROBERTS
    (confusa)
    Hein? Ora, de onde tirei o nome Welton Academy?

    TURMA
    (em coro)
    Este era o nome da escola de Sociedade dos Poetas Mortos!

    JULIA ROBERTS
    Errrr...
    Mudando de assunto: por que não se apresentam?

    KIRSTEN DUNST
    Bom dia. Eu sou o estereótipo da burguesa que só
    pensa em se casar e ter filhos. Inicialmente, o nome da
    minha personagem seria Susanita, mas o cartunista
    Quino ameaçou processar o estúdio caso copiássemos o nome
    da fútil amiga de Mafalda. Ah, sim: sou a vilã da história.

    DONNA MITCHELL
    E eu sou a mãe de Kirsten Dunst, e também sou vilã.
    Com isso, não me limito apenas a desejar sua demissão,
    Julia Roberts, mas também acho que as mulheres devem
    ficar em casa, cuidando do marido e dos filhos. Ah, sim:
    mais tarde, vou revelar que também sou anti-semita, embora
    isso não tenha nada a ver com a história, servindo apenas
    para frisar o quanto sou má.

    JULIA ROBERTS
    O quê? Todas as minhas alunas só pensam em se casar?
    Nenhuma delas possui maiores ambições?

    Revoltada, Julia Roberts invade a sala de aula do professor de italiano, DOMINIC WEST:

    JULIA ROBERTS
    Eu achei que fosse dar aula para futuros líderes
    do país, e não para as esposas destes! (Puxa, esta fala tem
    que ir para o trailer, pois é muito boa!)

    Ela fica constrangida ao perceber a sala está cheia de alunos.

    JULIA ROBERTS
    Estou constrangida por perceber que a sala
    está cheia de alunos!

    DOMINIC WEST
    É mesmo? Então por que entrou correndo em minha sala
    durante o período de aulas? Não dava para imaginar que
    isto aconteceria?

    JULIA ROBERTS
    Errrr...
    Mudando de assunto: preciso que me console! Estou muito
    decepcionada com a postura submissa de minhas alunas!

    DOMINIC WEST
    Tudo bem. Mas... não é meio estranho que você procure
    justamente o sujeito que, numa total falta de postura ética,
    costuma transar com as alunas, numa indicação clara
    de que as considera como meros objetos sexuais?

    JULIA ROBERTS
    Errrr...

    DOMINIC WEST
    Aliás, você não acha nosso envolvimento meio forçado?
    E por que trocar seu antigo namorado, um sujeito sensível
    e liberal, por um cara machista e mulherengo como eu?
    Será que os espectadores vão entender isso?

    JULIA ROBERTS
    Errrr...

    MIKE NEWELL
    Deixa que eu respondo essa, Julia! Como diretor, tive o cuidado
    de escalar um ator bem mais velho (e feio) para o papel do
    ex-namorado, enquanto o professor de italiano ganhou o
    rosto de um ator jovem e bonitão.

    DOMINIC WEST
    Uau! Muito inteligente!
    E obrigado por me chamar de bonitão.

    MIKE NEWELL
    Sem problemas. Agora, com licença. Tenho que
    rodar uma cena entre um casal de namorados e tive uma
    idéia bem original: vou mostrá-los correndo na praia e
    chutando a água do mar.

    MARCIA GAY HARDEN
    Vou aproveitar que o diretor deu uma saída e me
    apresentar: sou uma caricatura. Represento a típica mulher
    dos anos 50. Aliás, sou tão estereotipada que converso e
    me comporto como uma avó, e não como uma mulher solteira
    de cerca de 40 anos. Observem meus óculos, minhas roupas e
    a decoração de minha casa.
    E pensar que ganhei um Oscar recentemente...

    KIRSTEN DUNST
    Chega de conversa! É hora de bancar a vilã e
    escrever um artigo contundente que vai
    desmoralizar a heroína do filme! Aliás, é o que faço
    com qualquer professor que não se comporte apropriadamente!

    MAGGIE GYLLENHAAL
    Estranho... então por que você jamais denuncia o
    professor de italiano, já que sabe que ele
    dorme com as alunas?

    KIRSTEN DUNST
    Errrr...

    JULIA ROBERTS
    Ei! Essa fala é minha! Aliás, vou aproveitar
    para dar início à cena que vai me render uma
    indicação ao Oscar e emocionar o público:
    Carpe diem! Carpe diem!

    TURMA
    (em coro)
    Isso é de Sociedade dos Poetas Mortos!

    JULIA ROBERTS
    Hã? Bom, então vou fazer um discurso bobo
    sobre o papel da mulher na sociedade dos anos 50.

    KIRSTEN DUNST
    E, para provar que você está certa, vou ver
    meu casamento desmoronar. Para isso, meu marido
    vai se transformar em uma caricatura do machão:
    vai fumar cachimbo, conversar com impaciência,
    me beijar na testa e arrumar uma amante.

    JORDAN BRIDGES
    Ei, mas eu tenho pouco mais de 20 anos e nós nos casamos
    há menos de 3 meses. Não vai ficar um pouco falso?

    JULIA ROBERTS
    Não interessa. Para os roteiristas, não basta que eu
    esteja certa; meus inimigos têm que estar totalmente errados.

    KIRSTEN DUNST
    (chorando)
    Você tem razão, Julia Roberts! Você me convenceu!
    Obrigada por me mostrar a luz!

    MAGGIE GYLLENHAAL
    Por que você está chorando como se fosse a
    melhor amiga dela? Não é um pouco de exagero?

    KIRSTEN DUNST
    Não! Nós sempre tivemos uma ligação especial,
    embora ninguém visse isso!

    JULIA ROBERTS
    É mesmo?

    KIRSTEN DUNST
    Errrr....

    JULIA ROBERTS
    Eu já disse que esta fala é minha!

    FIM

    É claro que, depois disso, o roteiro passou por algumas revisões, mas pouca coisa mudou. Aliás, se você quiser assistir a um filme realmente interessante (embora melodramático) sobre o conservadorismo da sociedade americana na década de 50, uma boa opção é A Caldeira do Diabo, de 1957, que, por incrível que pareça, é bem mais corajoso e instigante do que esta bobagem inócua estrelada por Julia Roberts – que, depois de ver o resultado de O Sorriso de Mona Lisa, deve estar dizendo algo como `Errr...`.''

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