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Últimas opiniões enviadas

  • TADEU CASTRO

    O Norte Americano Michael Moore é, sem dúvida, o documentarista mais polêmico e mundialmente reconhecido dos nossos tempos. Com trabalhos de peso como “Tiros em Columbine” (2002 – Oscar de melhor documentário), “Fahrenheit 11 de setembro” (2004), “Capitalism: A Love Story” (2009), Moore expõe, usando de seu tom ácido e bem humorado, as feridas sociais do lado mais sombrio da sociedade Norte Americana e eu recomendaria muito seus documentários para a parte dos Brasileiros que veem nos EUA a terra das eternas maravilhas.

    Em minha opinião, seu trabalho mais genial e impactante é “Sicko – S.O.S. Saúde” de 2007. No documentário Moore traz à tona a origem da ideia dos chamados planos de saúde, que ainda na década de 70 foi vislumbrada pelo governo de Richard Nixon, como uma saída inteligente e lucrativa (extremamente lucrativa) de delegar a saúde dos Americanos para grandes corporações privadas. O documentarista viaja para o Canadá e para países Europeus para mostrar como o serviço universal de saúde funciona nesses lugares e constata, de forma jocosa, que ao contrário dos EUA, nesses países as pessoas não necessitam pagar pelos cuidados médicos para serem bem tratadas. Mas o ponto alto do filme é quando Michael Moore leva bombeiros e voluntários, que sofrem com problemas de saúde por consequência do socorro que prestaram quando do atentado de 11 de setembro de 2001, mas que não tinham condições financeiras de obterem o devido tratamento nos EUA (prestaram serviços em seu país e ainda assim não tiveram tratamento adequado), para Cuba e lá conseguem no sistema universal de saúde Cubano, tratamento médico gratuito de qualidade e medicações pelas quais pagaram valores simbólicos, muito mais baratos do que pagariam nos EUA.

    Ironicamente, como mostra o documentário, a argumentação dos conservadores do partido republicano dos EUA, contrários ao serviço universal de saúde, defende que a ideia se trata de um experimento socialista, que tiraria do cidadão a possibilidade de escolher o seu próprio médico, algo que seria imposto pelo Estado, numa linha de raciocínio um tanto exótica, visto que se partirmos dela, os grandes países Europeus, por exemplo, onde a saúde pública funciona de maneira bastante satisfatória, seriam nações de práticas socialistas, o que sabemos que obviamente não é o que ocorre. A ideia do serviço universal de saúde para os Norte Americanos, que surgiu no governo de Bill Clinton, sendo o projeto levado adiante pela então primeira dama Hillary Clinton, acabou só sendo colocado em prática mais recentemente, já com a Casa Branca sob o comando de Barack Obama. No entanto, até hoje, a resistência por parte dos conservadores republicanos, que com suas campanhas fomentadas pelo lobby das poderosas empresas de plano de saúde, associadas é claro, com a poderosa e não menos gananciosa indústria farmacêutica, continua sendo um problema para a colocação em prática do projeto efetivamente.

    No Brasil, como sabemos, temos o SUS – Sistema Único de Saúde e eu até imagino o que o caro leitor acaba de pensar: “Mas não funciona!”. Pois é, no nosso país o SUS não funciona como deveria e quem acha que isso se deve apenas a incompetência ou má gestão dos recursos públicos, não conhece o que realmente está por trás disso. Os planos de saúde no Brasil faturam milhões de reais e usam boa parte desse dinheiro em lobby político para que a saúde pública por aqui continue inoperante, afinal, quem pagaria mensalidades altas aos planos de saúde, se existisse um serviço público de qualidade??? É isso mesmo, o ramo em questão é enfestado por uma prática mafiosa (afinal que outro nome eu poderia dar a esse tipo de manobra?). Vocês sabiam que nos planos de saúde (e isso é mostrado no documentário de Michael Moore) existem profissionais com altos salários, especializados na busca de justificativas jurídicas para que os planos neguem procedimentos mais complexos (leia-se mais caros) aos seus segurados? Pois é, são profissionais que fazem essas empresas economizarem muito dinheiro e na prática, decretam a morte de muitas pessoas.

    Mas a coisa anda mudando de figura. Décadas se passaram e a dinâmica medicina / paciente mudou de patamar, hoje em dia existem procedimentos médicos sofisticados e as pessoas querem dispor disso tudo, daí que a conta não está mais fechando para essas grandes corporações. A recente falência da UNIMED PAULISTANA, uma das gigantes do setor por aqui, mostra que essas empresas não estão mais dando conta de atender a gama de pacientes que amealharam durante todos esses anos. Por outro lado o Estado continua com um serviço de baixa qualidade (salvo raras exceções) e o que se vê é o surgimento de grupos de pequenas clínicas populares privadas (onde se cobram preços mais acessíveis) que estão se tornando uma alternativa aos cidadãos que não conseguem mais pagar as altas mensalidades dos planos de saúde e que não querem se sujeitar aos serviços de baixa qualidade oferecidos pelo SUS. O fato é que não se vislumbra solução quando o assunto é saúde no Brasil, tal fato só ocorrerá quando o Estado tomar conta como deve da saúde de seus contribuintes. Eu, aliás, tenho a esperança (utópica talvez) de que chegue o dia em que seja proibido que exista qualquer empresa privada, que cobre das pessoas por serviços de saúde, educação e segurança, só assim teremos ricos e pobres vendo o tripé básico de sua existência social, sendo oferecido de forma igualitária, justa e definitiva. No fundo, é isso que brada, de forma brilhante, o documentário de Michael Moore.

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  • TADEU CASTRO

    Mesmo que de uma forma psicodélica (talvez não houvesse outra maneira melhor de faze-lo), o filme mostra como se constrói a relação dos brasileiros com o poder e toda a canastrice e canalhice com as quais vamos levantando diante de nós mesmos os monumentos que mostram exatamente aquilo que somos. Resumir a obra a polêmica que cerca a sua feitura é uma tolice superficialista, ela vai muito além disso e vale muito a pena ser vista e usada como um grande ponto de reflexão. Mas não serão muitos os de nós que terão a percepção para alcançar tudo isso de que falo... De qualquer modo, um salve a perseverança herculana de Guilherme Fontes!!!
    [NOTA 8.0]

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  • TADEU CASTRO

    A ENTREVISTA: QUE A POLÊMICA DE LUGAR A REFLEXÃO

    Nessa produção do cinema americano que virou pivô de um incidente diplomático que vem acirrando ainda mais o mal-estar que já existe nas relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, culminando inclusive no adiamento do lançamento do filme por alguns dias, por iniciativa da produtora e de seus distribuidores, temendo as ameaças recebidas (supostamente vindas de Norte Coreanos) quanto a possíveis atentados que ocorreriam nas salas de projeção, o roteiro se constrói basicamente na trama em que dois jornalistas Norte Americanos planejam assassinar o presidente Kim Jong Un durante a viagem que fazem para uma entrevista com o líder maior daquele país.

    O filme em si é tecnicamente muito bem realizado, fotografia e som que servem bem ao tipo de trabalho a que se propõem seus produtores, além de um ritmo dinâmico que não o faz cansativo em nenhum momento das quase duas horas de duração, destacando-se individualmente a bela atuação de Randall Park na pele do presidente Kim Jung Un. O humor da comédia, que em alguns momentos exagera no escracho escatológico e sexual (muito provavelmente aí o maior pecado do filme), passa também por momentos interessantes de uma crítica ácida que atinge não só o regime ditatorial que rege a Coreia do Norte, como também o sensacionalismo usado por boa parte do jornalismo Norte Americano na busca desesperada por audiência, equilibrando a direção do foco para as mazelas de ambos os lados (muito provavelmente aí o maior acerto do filme).

    No que diz respeito a toda polêmica que se desenrola desde o anuncio do lançamento do filme, acho que é preciso dar um passo atrás para não cairmos no lugar comum, empobrecendo o discurso e limitando-nos a defesa da liberdade de expressão contra o “terrível ditador” Norte Coreano. Fico imaginando se um país como o Irã por exemplo (ou qualquer outra nação que não mantenha relações muito amistosas com o ocidente), lançasse um filme em que fosse encenada a intensão de assassinar o presidente Norte Americano, qual seria então a posição daqueles que hoje criticam tanto o desagrado explicito do governo Norte Coreano para com os produtores de “A Entrevista”. Não se trata aqui de defender um regime ditatorial, que de fato é exercido Kim Jung Un, mas acho interessante que tentemos entender a posição de todos os lados envolvidos.

    Trata-se de um país fechado politica e culturalmente, sobre o qual portanto, sabemos pouco de como funcionam suas questões internas, então é interessante imaginar que provavelmente muitas das informações nos chegam sobre aquela nação, dando conta de um lugar extremamente atrasado e opressor, podem ser um tanto distorcidas. Recentemente me deparei com um vídeo rápido, de aproximadamente três minutos, o qual compartilho agora com vocês, que consegue nos mostrar em um plano geral a cidade de Pyongyang, capital Norte Coreana e o que podemos observar nele, ao contrario do que muitos imaginam, é um lugar limpo, organizado e seguro, que está longe de ser a cidade mais avançada do planeta, mas também esta longe, muito longe mesmo, de ser o pior lugar do mundo para se viver.

    Creio, mesmo sem muita esperança de que isso verdadeiramente ocorra, que esse filme, mais do que toda a polêmica que ainda deve gerar, deveria nos despertar para uma reflexão de que o mundo real não é feito de heróis e vilões, que as diferenças culturais devem nos levar para um debate mais rico e não simplesmente para um distanciamento entre as pessoas ou mesmo entre as nações. Repito que, não se trata aqui de defender um regime ditatorial (abomino a repressão armada), muito menos de lançar uma visão tola e romântica de um mundo de paz e amor (já vimos que nenhuma das duas vertentes logra êxito em longo prazo), mas de ampliarmos as possibilidades na direção de algo que represente verdadeiramente a evolução da raça humana sobre a terra.
    [NOTA DO FILME: 7.2]
    https://www.youtube.com/watch?v=CKRidQJQLrs
    http://musicaart.net/2015/01/02/filme-a-entrevista-por-tadeu-castro/

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Joana. Menezes
    Joana. Menezes

    Oi Tadeu,vi que você também é fã do ator Felipe Kannenberg. Fiz um fã clube dele no facebook. Convido você a curtir e participar. Abraço.

  • Wesley PC>
    Wesley PC>

    Eu assisti a este programa na TV ontem: obrigado pela indicação! (WPC>)

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