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Últimas opiniões enviadas

  • Thiago

    Clássico cultuado do gênero 'noir', "A Dama de Shanghai" é um filme paradoxal que, embora incomode pela sensação de ameaça sempre constante, mantém seu espectador hipnotizado pela curiosidade sobre o que, de fato, significa tudo aquilo que está testemunhando. Seu roteiro intrincado não facilita na entrega das peças do quebra-cabeças até ser tarde demais, e as atuações ambíguas e viperinas de praticamente todo o elenco (Rita Hayworth, em especial, esbanja talento como a 'femme fatale'), transforma o filme em um campo minado no qual não podemos confiar em ninguém. A ambientação - em sua boa parte tropical - também colabora para esta sensação de desconforto sufocante. Hoje, as resoluções da trama podem ser vistas como previsíveis, mas isso não nega o brilhantismo imagético de um dos melhores finais da história do cinema noir (e que, no futuro, viria a ser reverenciado e homenageado às pencas, como, por exemplo, no divertido "Um Misterioso Assassinato em Manhattan", de Woody Allen). Mais um excelente trabalho de direção de Orson Welles que ajudou a consolidar a grandeza lendária do diretor.

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  • Thiago

    Segundo filme de Orson Welles, "Soberba" agonizou - e ainda agoniza - pelos cortes sem piedade feitos durante a pós-produção pela MKO, que aproveitou-se da ausência do cineasta (Welles andava em terras tupiniquins, disposto a rodar um filme que nunca foi concluído) para moldar o longa-metragem a fim de torná-lo mais leve e palatável ao gosto do público. Assim, do drama pesado e sufocante sobre a derrocada social que Welles imaginara a princípio, restou um filme estrambótico, uma frágil e oscilante trama romântica que gira em torno de duas famílias da aristocracia ao final do século XIX sem peso, sem carisma e um tanto quanto maçante. A ideia do cineasta de abordar a modificação da sociedade e das elites urbanas que não conseguiram acompanhar a evolução social acabou quase que completamente ficando no chão da sala de edição (restando uma ínfima discussão sobre a invenção do automóvel que parece deslocada do núcleo central ao qual a narrativa se prende - qual seja, o romance entre os dois casais). Orson Welles é conhecido por sua predileção por protagonistas antipáticos, mas aqui ele se supera. O limitado Tim Holt é aborrecido ao extremo (apesar de saber que é proposital, isso não impossibilitaria-o de trazer um mínimo de empatia que o tornasse mais próximo do público e que lhe permitisse fugir da caricatura), Anne Baxter pouco pode fazer além de ser a mocinha simpática, mas é a coadjuvante vivida por Agnes Moorehead quem traz o mínimo de tridimensionalidade presente em todo o casting. "Soberba" ainda traz os enquadramentos belíssimos do cineasta, o que faz valer a pena sua conferida, mas a chatice da história combinado com uma periclitante coesão interna é o que garante que uma revisitada seja altamente improvável.

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  • Thiago

    Assistir à "A Marca da Maldade" é como ter uma aula de cinema. Tendo um dos melhores usos de 'McGuffin' em um filme não pertencente ao Hitchcock, esta obra-prima de Orson Welles já abre de maneira eletrizante através de um plano sequência excepcional de três minutos em que acompanhamos um carro com uma bomba no porta-malas, ao mesmo tempo em que esse cumpre a função de nos apresentar ao casal de protagonistas da história. Mas o que poderia se resumir a um thriller policial genérico do tipo 'quem é o assassino', sofre uma reviravolta surpreendente a partir de seu segundo ato, que o levam a trilhar um caminho diferente e muito mais ambicioso. "A Marca da Maldade" é um filme riquíssimo em conteúdo que trata de problemáticas sociais relevantes como xenofobia, a complicada política de fronteira norte-americana, a corrupção policial, a degradação das instituições, e, claro, o perigoso e nem sempre confiável senso de justiça individual. Apesar de Charlton Heston viver o protagonista, é inegável que o filme é sobre a derrocada do vilão, o detetive Hank Quinlan (interpretado pelo próprio Orson Welles), que, embora se porte de maneira desprezível, na verdade apenas possui um código moral próprio e extremado, oferecendo em certo momento a sua perspectiva e a justificativa de porquê age daquela maneira (algo que, se não o redime aos olhos do público, ao menos o atenua, e fortalece o grande antagonista que ele de fato é - sinal de um roteiro extremamente bem escrito). Aliás, o desenvolvimento de personagens é um grande trunfo desse longa-metragem, desde o - a princípio - pouco importante assistente Pete Menzies (Joseph Calleia) que de repente se vê entre a cruz e a espada, até a bela Susie (que, de forma curiosa, confirma que Janet Leigh e hotéis à beira da estrada nunca são uma boa combinação... ), e mesmo Marlene Dietrich com suas três ou quatro cenas consegue construir uma personagem que, se não é particularmente complexa, ao menos é intrigante. Já a caracterização de Charlton Heston como mexicano estereotipado - com direito a bronzeamento por maquiagem e bigode - é o ponto fraco do filme, mas compensa isso através do carisma que o personagem alcança com as suas convicções ideológicas. Tecnicamente, o filme é irrepreensível (e sua influência é sentida até hoje, como, por exemplo, em séries de TV como 'Breaking Bad' e 'Better Call Saul'), e seu maravilhoso trabalho de movimentação de câmera e enquadramentos (destaque para seus constantes contra-plongées que tornam a figura de Quinlan ainda mais ameaçadora), justificam o porquê de Orson Welles ter entrado para a história do cinema como um dos melhores realizadores cinematográficos já vividos. É uma obra de arte que faz valer a pena cada frame, e que, para melhorar, lança seu espectador para fora da sessão repleto de questionamentos sobre a real natureza da ética e da moral.

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