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Últimas opiniões enviadas

  • Thiago

    “Os Sonhadores” é, antes de mais nada, um filme feito para cinéfilos, e, como tal, funciona não só como uma catarse nostálgica, mas também como um convite extremamente sedutor para os amantes fiéis da Sétima Arte. Sendo um estudo de personagem brilhantemente conduzido por Bernardo Bertolucci, a película transborda reverência ao mesmo tempo em que fala sobre a juventude e sua inata necessidade de revolucionar, chocar, modificar a ordem vigente, desconstruir tabus e sempre buscar conhecer intimamente a si próprio – encarando, se preciso for, os próprios desejos e repressões sexuais. Tudo isso travestido em uma belíssima homenagem e declaração de amor à Arte e ao Cinema Clássico.

    A trama se passa em 1968 quando o jovem Matthew, estudando e morando em Paris, se depara com os protestos contra o fechamento da Cinemateca Francesa, principal reduto cultural da cinefilia parisiense. Sendo ele próprio um cinéfilo, o jovem acaba conhecendo em meio aos tumultos os irmãos gêmeos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel), com quem acaba travando uma amizade quase que imediata. Os irmãos acabam convidando Matthew a morar com eles durante o tempo em que seus pais estão viajando, e, enquanto dividem o mesmo teto, terão que lidar com suas diferenças de opinião, ideológicas, e, é claro, com a forte tensão sexual que se instala entre os três.

    Inspirado no romance escrito por Gilbert Aldair (que, diga-se de passagem, também recebe crédito pelo roteiro do filme), “Os Sonhadores” sustenta em seu triângulo amoroso errático a complexidade de uma juventude bombardeada por anseios e emoções intensas, mas despidos de experiências de vida suficientes para conseguir lidar com eles de forma madura. São jovens repletos de vida e energia, mas cegos sobre “no quê” e “como” devidamente emprega-las. No entanto, se falta a eles sinceridade sobre o que eles de fato são e o que aparentam, sobra, sem dúvida, uma genuína sede de viver, de se tornarem aquilo que sonham para si próprios. ‘Os Sonhadores’ é um retrato do sangue efervescente da juventude, que transmite uma vontade de... ser jovem, de fazer, de tentar, de lutar, mas, principalmente, de se permitir cometer erros.

    Na película, Isabelle e Theo são figuras trágicas que, apesar de constantemente esbanjarem arrogância, parecem completamente alheios ao mundo real que os cerca (como se tivessem vivido a vida inteira dentro de seu apartamento de classe alta e apenas conhecessem o exterior através do que o retroprojetor lhes apresenta... e uma prova disso, é claro, é a dinâmica incestuosa que parece sempre ter existido entre os dois irmãos). Quando conhecemos Isabelle, ela se esforça em remeter a uma imagem de ‘mulher moderna’ que não condiz com o que ela é na real, enquanto Theo se embriaga com seus instintos revolucionários de mudança, apesar de claramente nunca ter participado ativamente de um manifesto, e simplesmente parecer não compreender que violência e repressão são coisas que se retroalimentam mutuamente. Isabelle e Theo anseiam por sair do casulo e ganhar o mundo, mas erram em sua petulância adolescente de acreditar que encontrarão um mundo adaptado às particularidades deles, quando, na verdade, tomarão um choque quando descobrirem que são eles que devem se adaptar ao mundo (na vida real, o papai não chega na calada da noite para te deixar um cheque).

    No meio deles, temos Matthew que, apesar de constantemente censurá-los por claramente viverem em um mundinho só deles, simplesmente não consegue oferecer resistência pela alta carga de erotismo que os irmãos exercem sobre ele. E nesse contexto, é claro, é primordial que tenhamos em cena Eva Green (que, apesar de continuar estonteante, nunca esteve tão sensual quanto neste filme), bem como a direção acostumada com jogos de sedução de Bertolucci, que cria com eficiência não só a dinâmica de incesto platônico nunca consumado, como também sugere uma linha de homossexualidade na relação entre Matthew e Theo, refletida no constrangimento e na incerteza demonstrada pelos dois personagens em várias cenas.

    Repleto de momentos que certamente foram pensados para desafiar preconceitos e tabus sexuais, na medida em que podem (ou não) provocar respostas eróticas no espectador (como a cena da banheira, ou a da barraca), “Os Sonhadores” é uma obra audaciosa, em que retrata a efervescência plena da juventude em seus aspectos mais bonitos, mas também nos mais perigosamente tolos. Mas o mais bacana de tudo isso, é que Bertolucci faz esse registro sem necessariamente criticar ou tecer algum juízo de valor. Ele apenas a capta em sua película o temperamento de uma geração e a mostra de forma nua, enaltecendo-a de forma parecida com o que faz com à própria Eva Green. Se a jovem atriz se tornou a musa de inúmeros cinéfilos após esse filme, a Juventude por si só, com suas inúmeras qualidades e defeitos, pressa, fogo, e urgência em viver, é que se apresenta como a musa absoluta de Bertolucci, e aqui ele a reproduz com perfeição.

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  • Thiago

    Ícone dos filmes de monstro estilo ‘kaiju’, Godzilla retornou às telas de cinema em 2014 em seu mais novo filme dirigido por Gareth Edwards (que, posteriormente, viria a dirigir “Rogue One – Uma História Star Wars”) e que pretende iniciar um universo compartilhado de monstros gigantes da Sétima Arte. Depois de inúmeras versões em terras nipônicas e uma errática adaptação norte-americana dirigida por Roland Emmerich em 1998, o novo Godzilla ianque se mostra, infelizmente, tão problemático quanto o seu antecessor, ainda que consiga entreter moderadamente durante a sua projeção.

    Sacrificando toda a crítica armamentista que as demais versões traziam (lá, o Godzilla foi criado a partir dos testes de armas nucleares no Pacífico), aqui somos apresentados a empresa Monarch, um grupo que pesquisa enormes animais pré-históricos. Objeto de investigação de Joe (Bryan Cranston) por conta da morte da esposa em um misterioso vazamento radioativo em Tóquio, a Monarch se encontrará em apuros quando um gigantesco casulo eclode saindo de lá uma estranha, misteriosa e gigantesca criatura. A partir de então, as principais cidades do pacífico serão palco de uma terrível caça predatória entre titãs, que botará em risco a vida de milhares de pessoas.

    Com um primeiro ato realmente promissor, Godzilla tem em seus minutos iniciais a sua melhor parte. Trabalhando com calma os conflitos dramáticos dos protagonistas (Joe e seu filho Ford, vivido por Aaron Taylor-Johnson) e sempre adiando a entrada do personagem título na película, Gareth Edwards conquista um suspense e uma genuína empatia pelos humanos a quem teremos que acompanhar durante toda a película. Da mesma forma, ao rodear o filme de atores conhecidos e talentosos (Ken Watanabe e Elizabeth Olsen), o filme é econômico à medida que já oferece rostinhos conhecidos do público para facilitar uma conexão inconsciente, e evita que os personagens façam feio em papéis que já são vazios e unidimensionais por natureza (o cientista fascinado, a esposa a quem Ford precisa retornar).

    Infelizmente, à medida em que o filme vai avançando, porém, ele vai se tornando cada vez mais desequilibrado e mambembe. O roteiro se perde de forma brusca em seu segundo ato, em uma desesperada tentativa de dar o que fazer aos seus personagens enquanto cruzam o planeta (qual a utilidade para o filme daquele menininho do metrô, por exemplo?!). E, ainda que o filme tenha boas intenções na construção de uma atmosfera de tensão (o trem pegando fogo), e traga efeitos visuais competentes na construção de suas criaturas, o ritmo falho desse segundo ato prejudica a narrativa uma vez que a sensação crescente é de encheção constante e sonolenta de linguiça (tanto assim é, que um dos confrontos do Godzilla é cortado sem cerimônia alguma, sem vermos a sua real resolução).

    Mas é ao chegar no final que tudo desanda de vez e Godzilla se mostra como, infelizmente, mais um blockbuster descerebrado e tecnicamente problemático. O embate final de Godzilla é grandioso, sim, mas incompreensível em termos cinematográficos, haja vista que a fotografia extremamente escura e má-edição de Edwards não permita quase em nenhum momento que entendamos o que ocorre na película (como referência em termos de ação noturna, assistam “Círculo de Fogo”). E ainda que a direção acerte ao conferir um ar apoteótico na cena em que a criatura utiliza uma de suas habilidades mais clássicas, o roteiro fica seriamente comprometido a partir do momento em que cria a pergunta mais óbvia: ‘porque o Godzilla não usou isso antes, afinal?’.

    Conferindo ainda um final mais clichê impossível para o seu protagonista humano (e que envolve, claro, uma bomba com contagem regressiva), e um desfecho bastante insatisfatório do ponto de vista narrativo, “Godzilla” é um filme que, infelizmente, começa bem e vai desabando à medida que avança, resultando em uma obra bastante genérica, irregular e esquecível. Deixa o gancho para possíveis continuações (e que, eventualmente acabarão por vir), embora não seja, de forma alguma, o tipo de filme que ao chegar no final deixa o ‘gostinho de quero mais’. Tomara que suas sequências tenham mais sorte na receita... o “Gojira” é uma criatura icônica em demasia para ser tratada dessa forma.

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  • Thiago

    Vinte anos após a sua última aventura solo (vamos desconsiderar, é claro, os dois crossovers com a franquia ‘Alien’), o caçador alienígena mais conhecido da cultura pop retorna em um longa-metragem só seu em “Predadores”, terceiro filme da cinessérie. Na trama (que bebe da fonte do longa original de 1987 de forma quase desesperada), o soldado norte-americano Royce (Adrien Brody) desperta em meio a um salto de paraquedas, confuso e desorientado, sem ter a menor ideia de como chegara naquela situação. Pousando em uma misteriosa selva, e descobrindo ser apenas um de várias outras pessoas de diferentes nacionalidades que também chegaram ao local da mesma maneira (e que, diga-se de passagem, são vividos por Alice Braga, Louis Ozawa Changchien, Danny Trejo, Topher Grace, Mahershala Ali, Oleg Taktarov e Walton Goggins), Royce não demora a perceber que, não só está bastante distante de casa, mas que também passou a fazer parte de um sinistro jogo, no qual o singular grupo é a caça.

    Dirigido pelo relativamente desconhecido Nimród Antal, e com argumento e produção de Robert Rodríguez, “Predadores” não hesita em abraçar uma estrutura de roteiro clichê e batida para sustentar uma história que, seja na franquia ‘Predador’ ou em outra qualquer, já vimos em inúmeros filmes antes. De novo temos o grupo que precisa aprender a confiar uns nos outros para tentar sobreviver (o que, é claro, nem sempre dá certo), o veterano perturbado encontrado no meio da projeção que quase coloca tudo a perder, o herói de ação que tenta esbanjar virilidade fazendo cara de mal e se portando de forma marrenta, os tiros salvadores no último minuto, o cara que mostra a foto dos filhos (e que todo mundo está careca de saber o que irá acontecer com ele) e até mesmo o membro do grupo que cai, apenas para que outro volte e o resgate, têm lugar aqui. E, se nada no filme é particularmente novo, ao menos as suas ‘muletas’ funcionam em entreter pela forma com que são bem executadas, seja pela boa química de grupo entre os atores, seja no eficiente trabalho de produção do filme que se esforça em resgatar aquela sensação de tensão, urgência e verossimilhança tão presentes no filme original de 1987 (e quase alcançando em certos momentos).

    Ciente das características particulares da empreitada, Nimród Antal não tenta trazer ao público figuras desnecessariamente complexas ou profundas, mas se encarrega de trazer seres unidimensionais que marcam pelos contornos marcantes de suas caricaturas. Dessa forma, o herói vivido por Adrien Brody (ainda que com muitos músculos a menos do que aquele vivido por Arnold Schwarzenegger) com sua postura de bad boy e sua presença em cena consegue convencer ser tão durão quanto (e sua própria diferença física, curiosamente, acaba servindo bem ao filme, ao acentuar uma sensação de incerteza quanto ao seu destino). O mesmo ocorre com Alice Braga que, ainda que esteja visivelmente emulando o tipo consagrado por Michelle Rodriguez em filmes recentes, o faz com absoluta competência – vindo a ser a figura mais rica em cena. Todavia, é uma pena que o roteiro do filme exagere este ponto e leve isto a estereótipos tolos de forma praticamente comum durante a narrativa (como ao trazer o ‘oriental’ obviamente tentando vencer a criatura com uma ‘espada samurai’, ou o ‘africano’ como o mais apegado à metafísica e a espiritualidade, o ‘mexicano’ ser um personagem envolvido com cartéis de drogas e, é claro, o ‘americano’ que, obviamente, precisa ser o líder do grupo).

    Todavia, ainda que tenha personagens rasos, o filme trabalha a dinâmica entre eles de forma bem equilibrada, resultando no primeiro filme da franquia em que os personagens humanos se mostram mais interessantes do que a sua contraparte alienígena. O que também não é difícil, haja vista que os ‘predadores’ aqui, são tratados como vilões genéricos e sem personalidade, e, diferentemente de “Predador II” em que havia uma ampliação da mitologia dos vilões, pouco aqui é acrescentado ao que a gente já sabia sobre as criaturas (o papo furado de haverem duas raças de predadores acaba, no final, sendo irrelevante, uma vez que não há realmente uma diferença significativa para o grupo de sobreviventes entre uma ou outra, ambas dão na mesma). Por outro lado, o filme acerta na forma como trabalha o seu design de produção (a geografia do planeta dos Predadores é fascinante ao seu próprio modo pela sua variedade); a fotografia é eficiente em sua ausência de cores vivas, com um tom dessaturado que, involuntariamente ou não, foi seguido pela sua franquia-irmã ‘Alien’ nos filmes recentes; e ainda que as cenas de ação não sejam preciosidades, tampouco são ruins a ponto de comprometer.

    Na verdade, o filme resvala mesmo é no terceiro ato quando, apostando numa ‘reviravolta’ desnecessária e tola – e que pode ser vista chegando à quilômetros de distância – ainda é coroada pelo over-acting irritante do personagem a quem se refere e que destoa completamente da obra. Não obstante, é também em seu terceiro ato que o filme apresenta as suas maiores incoerências e falhas de continuidade (o mesmo personagem tem a perna ferida gravemente apenas para aparecer caminhando normalmente minutos depois), e o clímax do confronto dos heróis com a criatura, no geral, acaba por se apresentar pouco empolgante e até mesmo esquecível (diferente dos dois primeiros filmes da franquia).

    Apesar desses percalços, ao final, “Predadores” é uma atualização satisfatória da franquia para os moldes da ação contemporânea, cuja insistência em permanecer dentro dos clichês do gênero não chega a lhe tirar de todo a sua identidade. Não é inovador e tampouco amplia o universo da criatura, mas também não chega a decepcionar, e até consegue entreter de forma relativamente eficiente (com direito, inclusive, à referências gratuitas a “Apocalypse Now”). Cumpre de forma competente a sua pretensão de dar um novo gás às histórias da criatura caçadora espacial, ainda que em nenhum momento ouse sair da posição de conforto pré-estabelecida por praticamente todos os clichês possíveis do gênero da ação.

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  • Nayra Bastos
    Nayra Bastos

    Gostei do seu comentário sobre "O Último Grande Herói"

  • Vagner Henrique
    Vagner Henrique

    Oi Thiago muito obrigado por me aceitar como amigo. Abraço!

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/