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Últimas opiniões enviadas

  • tombiz

    Sabe aquele tipo de filme que consegue subverter completamente o que se espera dele? Moonlight é esse tipo de filme. E o melhor: faz isso com uma naturalidade quase sobrenatural, sem precisar recorrer a truques extravagantes ou exageros artificialmente colocados na trama apenas para chocar ou emocionar o espectador.

    Em três atos, acompanhamos a vida do pequeno Little, do jovem Chiron e do adulto Black. E, apesar dos nomes diferentes, todos são a exata mesma pessoa. Com personalidades diferentes, no entanto, porque nosso modo de agir sempre é moldado de acordo com as circunstâncias que nos levaram até aquele pontos nas nossas vidas. Ainda mais naquelas condições, em que a reinvenção é quase que parte do instinto de sobrevivência.

    O que é impressionante é a consistência na performance dos três atores que representaram Chiron na tela. Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes conseguem manter o mesmo olhar perdido, a mesma fala distante e a mesma delicadeza - embrutecida pouco a pouco - nas expressões com muita solidez. Excelente trabalho da direção na manutenção desse tom perfeito.

    Todos os atores coadjuvantes também conseguem trabalhar facetas dos personagens com uma humanidade fora do comum. Mahershala Ali é o destaque óbvio por ser praticamente o protagonista do primeiro ato. E ele consegue verbalizar lições que vão reverberar até o fim do filme com uma suavidade que consegue, curiosamente, não contrastar em nada com a aparência mais bruta do personagem.

    Da mesma forma, Naomie Harris também consegue humanizar com muita firmeza uma personagem que facilmente poderia ter caído nas armadilhas da estereotipagem nas mãos de uma intérprete menos capaz. Igualmente, os outros coadjuvantes também fazem trabalhos excepcionais.

    O maior triunfo do filme, no entanto, é conseguir ir contra a corrente de praticamente todos os outros filmes que abordam os mesmos temas. Filmes com temática LGBT muitas vezes não apostam na delicadeza apresentada aqui. Dramas focados na drogas, igualmente, muitas vezes resvalam para o sensacionalismo e o proselitismo antidrogas, o que também não acontece em Moonlight. Mais que tudo, o filme prova que é possível, sim, fazer um filme com um elenco totalmente negro e torná-lo tanto comercialmente viável quanto criticamente aclamado, ao contrário do que boa parte de Hollywood parece pensar.

    Com um roteiro fluido e sucinto, uma edição segura, apoiada numa trilha que aprofunda as sensações vividas na tela sem ser excessivamente melodramática, performances fenomenais por parte do elenco e, claro, uma direção mais que eficaz amarrando tudo, Moonlight é, certamente, um dos melhores filmes da década passada.

    Se, sob a luz do luar, garotos negros ficam azuis, foi bom perceber que, numa noite de 2017, sob as luzes dos holofotes da cerimônia de entrega do Oscar, esses garotos azuis receberam o tão merecido garoto dourado em mãos. La La Land ainda consegue promover surpresas agradáveis quando quer, afinal.

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  • tombiz

    Um retrato de uma geração que, pela primeira vez, teve tempo para decidir. Montado a partir de curtos momentos tirados de um longo ano das vidas daqueles jovens, acompanhamos as dúvidas, as indecisões e os conflitos criados a partir do momento de virada que é a chegada da vida adulta. E todos esses dramas surgem imbuídos, aqui, de um academicismo raso muitas vezes típico dessa faixa etária.

    Esta é a exata mesma fórmula que Noah Baumbach usou posteriormente em Frances Ha, por exemplo. Lá, com muito mais sucesso que aqui, aliás, até porque o principal problema de Tempo de Decisão é o excesso de personagens. Enquanto o foco de Frances Ha é muito bem delimitado, aqui a atenção fica espalhada em diversos personagens que, até pelo curto tempo de duração da peça, não são tão bem desenvolvidos.

    Em alguns momentos, determinados personagens simplesmente somem da narrativa. E não fazem qualquer falta. Sinal de que seus arcos poderiam, muito bem, ter sido transplantados para outros, de forma a desenvolvê-los melhor e criar mais solidez no desenvolvimento da trama.

    Grover (Josh Hamilton) e Jane (Olivia d'Abo) protagonizam os momentos mais memoráveis da obra justamente por serem os personagens mais bem trabalhados. Chet (Eric Stoltz) também se mostra extremamente necessário como o contraponto improvável aos amigos, tornando-se, de uma certa forma, o principal mensageiro do mote da obra.

    Os outros, no entanto, resvalam com facilidade para os arquétipos básicos que você encontra em todo grupo de amigos. Skippy (Jason Wiles), por exemplo, é até alvo de uma piada do tipo lá pelo meio do filme. Mas, se o propósito do personagem era, praticamente, ser só uma piada em alguma cena, é sinal de que não é lá tão necessário para a trama.

    Para um filme de estreia de baixo orçamento, é uma produção até interessante. Nada de outro mundo, infelizmente. Mas é sempre legal ver como o diretor conseguiu ir aprimorando essa mesma fórmula usada ao longo da sua filmografia.

    Como na vida, também no trabalho ele conseguiu ir evoluindo ao longo do tempo. Se, no começo, ele parecia estar "chutando e gritando" ao dirigir um filme, agora ele já está naquele estágio em que vive uma verdadeira "história de um casamento" com a indústria cinematográfica. E, pelo menos neste caso, esperamos que este casamento nunca acabe em divórcio, claro.

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  • tombiz

    Parece que alguns filmes epônimos sobre mulheres extraordinárias sempre caem na mesma armadilha: tentam recontar toda a vida da mulher com base num relacionamento, como se tudo relacionado a ela derivasse daquilo. Assim como, por exemplo, Amelia (2009) no passado, este filme comete o exato mesmo erro.

    No lugar de focar na mulher em si, a trama tenta relacionar todo o desenvolvimento dela enquanto personagem como algo derivado do relacionamento com um homem apenas porque isto gera um roteiro mais simples de ser trabalhado na tela. Mas, se por um lado este caminho é mais fácil de se trabalhar, também gera bem menos impacto para o espectador.

    Não à toa, o choque que Colette gerou na sociedade francesa aqui fica parecendo um tanto quanto tépido. Mais que apenas um desfile de personagens femininas, vestidas como Claudine e recitando trechos dos livros, ou a pletora de produtos inspirados na personagem mostrados a esmo, a impressão que fica é a de que muito mais poderia ser feito para trabalhar a verdadeira reverberação do trabalho da protagonista na Paris da Belle Époque.

    E, se assim não aconteceu, muito disso se deve à direção extremamente convencional para uma cinebiografia. Uma figura tão à frente do seu tempo merecia, também, um trabalho mais agressivo na tentativa de destoar do corriqueiro. Não era esta a essência da própria Colette que o filme tentou transmitir, afinal?

    Neste ponto, o trabalho de Keira Knightley é bom e seguro, mas é possível entender porque não foi lá tão intensamente elogiado. Já vimos a atriz tantas vezes com esse mesmo visual que as personagens chegam a se confundir. Quando ela é a "garota do interior", parece estar apenas emulando a imagem de Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito. Quando acaba por se tornar a "moça da cidade", vira Anna Karenina, usando chapéus igualmente belos, seja na Rússia ou na França. Mais pro fim, ao cortar as madeixas, parece uma versão algumas décadas adiantada da Cecilia de Desejo e Reparação, dobrando a meta de ser uma "mulher prafrentex".

    O que mais prejudica o filme é realmente a falta de ousadia na construção. Até os momentos mais ousados parecem quase que mecanicamente inseridos na obra só pelo "shock value". O filme não se torna necessariamente ruim por isso, mas é pouco marcante.

    Se a Colette real se estabeleceu figura tão extraordinária, não apenas como escritora, mas como uma verdadeira "entertainer" (mais de meio século antes de o termo ser cunhado, não menos), o filme falhou em demonstrar isto. E, no que ela precisaria apenas do seu monônimo estampado na capa de um livro ou no cartaz de uma peça para criar expectativa surreal para o público, o filme parece ter falhado na tentativa de recriar esta mesma experiência em 111 minutos de arte.

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  • Matheus Villa
    Matheus Villa

    me recomenda um filme aí cinéfilah. sem dramalhões pf.

  • Matheus Villa
    Matheus Villa

    Ai sim amg, tô in love com Parasita tbm... mas gostei de Joker e 1917 tbm, falta eu ver os outros ainda kkkkkk

  • tombiz
    tombiz

    Já fui mais, moreco. KKKKKKKKKK Mas ainda tento acompanhar, principalmente nessa época, quando aparecem inúmeros filmes maravilhosos. Parasita obra-prima mesmo. Melhor filme do ano passado que vi até agora. E acho difícil outro superar.

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