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Últimas opiniões enviadas

  • Victor Amirabile

    Birdman é uma obra prima e já se estabelece como um marco para o cinema. É inteligente, engraçado, bem escrito, muitíssimo bem dirigido e o elenco tá bem afiado. É um filme sobre o show business e tira sarro de todos os envolvidos: quem produz, quem vende, quem compra - só que o sarro é tão pertinente que ninguém nem se ofende.
    O final é aberto, o que ao mesmo tempo frustra e enriquece a experiência. A minha interpretação é a seguinte:

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Riggan é o retrato do fracasso. Já teve sucesso, mas nunca teve prestígio, "é uma celebridade, não um ator". Hoje vive na sombra do personagem que o levou ao estrelato, e sua carreira não tem relevância há muito tempo. As pessoas não botam fé nele: nem seus colegas, nem a crítica, nem sua filha - ninguém dá a mínima pra quem tá por baixo. O único resquício de sucesso que ele consegue vem do restinho do público que há 20 anos consumia a série Birdman, um pessoal que vai no cinema para se divertir, não para pensar em "baboseiras depressivas e filosóficas".

    Essa peça é a última chance de retomar a sua carreira, e a pressão é enorme. Em um surto psicológico, Riggan decide dar ao público o que ele realmente quer: sangue. Para isso ele leva seus monstros pro palco e comete suicídio junto com o seu personagem. Só que a tentativa é má sucedida e ele acaba apenas perdendo parte do nariz. Sua performance, no entanto, é louvada. Riggan finalmente sai do limbo e volta ao estrelado.

    Riggan tá livre de seus demônios, chegou onde queria estar. A filha passa a admirá-lo, a crítica o elogia, a mídia está fervorosa. As pessoas acreditam nele, acreditariam até que ele possa voar. Ele também acredita nisso - agora mais do que nunca - e se joga pela janela. Até nós, por um momento, acreditamos - mas sabemos que ele não pode.

    Quando Sam olha pela janela, ela encontra o pai morto. Mas ela o vê, pela primeira vez, da mesma forma como Riggan via a si mesmo, por isso olha para cima e sorri. Ela acredita no pai, agora que ele está por cima - ainda que esteja morto. Nós tendemos a louvar a tragédia dos que estão por cima e crucificar a dos que estão por baixo. Quando Riggan não tinha prestígio, suas alucinações eram vergonhosas (duas ou três vezes as pessoas evitam falar sobre isso, quando Riggan se refere à seus "poderes"), agora elas o tornam genial. Sam sorri para a morte do próprio pai assim como nós sorrimos para a morte de ídolos como Heath Ledger ou Marilyn Monroe.

    A citação no começo do filme é essencial:
    - E você conseguiu o que queria dessa vida, apesar de tudo?
    - Consegui.
    - E o que você queria?
    - Saber que sou querido, me sentir amado na terra.

    Em determinado ponto no filme, a ex esposa de Riggan lhe diz: "você confunde amor com admiração".

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