Você está em
  1. > Home
  2. > Usuários
  3. > viniw
25 years (ESH)
Usuário desde Abril de 2020
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum

Últimas opiniões enviadas

  • Vinicius

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Autumn é uma garota de 17 anos que descobre que está grávida. Ela tem uma relação distante com a família: sua mãe não a compreende e seu pai é moralista e tem traços de maníaco. A única pessoa que tem a seu lado é Skylar, sua prima de 20 anos. Desamparada e sem dinheiro, Autumn decide fazer um aborto. Insegura, viaja até Nova York com Skylar, onde as leis de aborto são mais avançadas que as da Pensilvânia, para concretizar a operação.

    As garotas, que tem sua relação baseada numa cumplicidade silenciosa, logo são confrontadas com o barulho e o fervor da capital. Os contatos expressos e as relações fluidas agravam a solidão de Autumn.

    Os desgostos, entretanto, nunca a abalam profundamente. Frente a eles, ela demonstra força ao se manter firme e determinada a levar a fundo sua decisão. Apesar da trama pesada, a proposta do filme é tratar do assunto de maneira simples e humana. Os tons pastéis, que predominam na grande maioria do filme, ajudam na criação de um ambiente frio, livre de exageros. Os diálogos e as emoções são minimalistas, o que confere à Autumn um vigor sério e quieto, expressando uma personalidade distintamente controlada.

    Um detalhe interessante é que a mala que as garotas carregam atrapalhadamente de um lado para o outro pode ser relacionada à história mítica de Sísifo. Sísifo é o mestre da malícia, condenado pelos deuses a carregar uma rocha até o topo de uma montanha, sendo que toda vez que a tarefa está prestes a ser concluída, a rocha rola novamente montanha abaixo. É um homem castigado pela falta de sentido em seu destino.
    A mala é a rocha de Autumn. É o símbolo de toda sua agonia, de todas as suas inquietações. É o fardo que ela está condenada a carregar: sua profunda carência afetiva.

    A história de Sísifo, assim como a de Autumn, tem tudo pra ser uma história sofrida. Mas a inversão do destino cruel de Sísifo, proposta pelo filósofo Albert Camus, está também no centro da história de Autumn. Essa inversão está na decisão extremamente humana tomada por Sísifo de negar os deuses e usar racionalmente o destino a seu favor. Frente ao absurdo de um destino fadado à morte, a resposta é a autonomia. A força silenciosa de Autumn reside exatamente nisso, em tomar controle do próprio destino. Nem seus pais, nem o moralismo religioso, nem o passado atroz. Nada mata a emancipação de Autumn. Sua autonomia nunca é anulada.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Vinicius

    Louis C.K. volta a aparecer em público em seu stand-up "Sincerely".

    Criador da ótima série "Louie", o comediante aparece nos palcos pela primeira vez após os escândalos sexuais em que se envolveu há dois anos atrás. Após um longo tempo longe dos Estados Unidos, ele volta e resolve falar sinceramente.

    Em sua comédia, Louie sempre foi provocativo e corajoso ao falar de temas que ninguém tem a coragem de tocar. E não é diferente nesse filme. Ele faz piada com vários tabus do humor americano: 11 de setembro, atentado na maratona de Boston, Auschwitz, pedofilia, retardados, inferiorização de cães etc. Foi essa ousadia pra tratar de assuntos pesados de forma simples que trouxe seu sucesso.

    Louie, que sempre debateu a hipocrisia humana, vem falar de tudo isso dois anos após ser acusado de abusar sexualmente de atrizes e colegas de trabalho. Ele acredita que que se não discutirmos nossos traumas, eles continuarão vivos, e a comédia seria uma forma de lidar com eles. Louie termina o show falando do seu próprio trauma e, um tanto quanto nervoso, brinca com aquilo também.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Vinicius

    Achei que ia rir a noite inteira e terminei o filme chorando de soluçar. É inspirador ver a arte te surpreender e ultrapassar seus próprios limites.

    Hannah Gadsby traz para a discussão dos limites do humor um ponto de vista que subverte a clássica dicotomia: de um lado, estão os que acreditam que se pode fazer piada com tudo, e de outro, os que acreditam que piadas devem servir ao oprimido, e não ao opressor. O que Gadsby traz de novidade é justamente expor a pretensão dessa discussão: a comédia não é remédio para o mundo.

    Ela é uma mulher lésbica que decidiu rir do conflito como forma de enfrentar o conflito. Toda sua carreira foi baseada na comédia da autodepreciação. Mas rir de si mesma só a deixou pior do que estava antes. Seu show se tornou sua personalidade, e a história engraçada se tornou a história oficial. As lembranças dos preconceitos se deturparam, e uma ficção foi criada para aliviar o trauma, mas isso só acabou abafando uma realidade opressiva que na realidade não foi totalmente superada.

    Esse show é a revolução individual de Hannah Gadsby. Ao mesmo tempo em que faz piadas com misoginia e heteronormatividade, a artista discursa de maneira cáustica sobre sua condição de mulher.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Nenhum recado para Vinicius.

Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.

Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade.