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Últimas opiniões enviadas

  • Vitor

    Joaquin Phoenix em seu novo filme, que lhe concedeu o prêmio de melhor ator no Cannes, interpreta um personagem paranóico, que não tem apenas cicatrizes pelo corpo todo, mas principalmente (e talvez até em maior número), cicatrizes em sua mente. Mais um papel de grande destaque para sua carreira junto de um realizador respeitável, um trabalho para colecionar junto a The Master e Her na sua prateleira.

    Como alguns têm dito, parece inevitável a comparação de You Were Never Really Here com Léon, ou Taxi Driver. Bem, eu diria que concordo muito mais com a segunda comparação. Pois assim como a obra de Scorsese, a imensa prioridade do filme, está na análise de seu conturbado protagonista acima de qualquer thriller ou ação. Entretanto, apesar de filmes sobre estudo de personagem não serem nada incomuns, posso dizer que Ramsay conseguiu trazer algo de inovador para esta "categoria", e sua inovação não está exatamente em O QUÊ o filme conta, mas COMO ele conta tal história.

    Desde "We Need To Talk About Kevin" (o filme que deu à realizadora mais destaque), Lynne tem sido reconhecida por dar poder para sua trama através dos detalhes. Em suas obras, as sugestões e os índices daquilo que não é visto, são o que dão a intensidade aos acontecimentos. Ela ruma numa trilha da mínima ao invés da máxima, e posso dizer com confiança, que a diretora escocesa, possui cenas de ausências, tão fortes quanto um diretor clássico como Robert Bresson.

    Aqui, Ramsay "exagera" nas suas elipses, de tal modo que a maioria dos acontecimentos da trama é subentendido pelo espectador. Sabemos que Joe tem algum trauma com a guerra, mas nunca vemos especificamente qual é este trauma, e apesar de acompanharmos um submundo sujo de garotas sendo prostituídas para políticos, momento algum nos é exposto a articulação deste esquema. Temos um filme repleto de vazios, que alterna repetidamente entre o passado e o presente, e é justamente essa a jóia da obra, porque o que experienciamos, é uma viagem íntima pela condição de Joe.

    Logo, o estilo da diretora rima com o tema de seu filme. E em vez de nos informar sobre o passado de seu personagem, para presenciarmos suas consequências no presente, apenas vemos fragmentos dos dois, que vão ficando simultaneamente mais violentos após o evento com Nina. E juntando isto as alegorias da obra, como o primeiro plano do filme e suas últimas cenas impactantes, temos um motivo visceral que explica porque Joe "nunca esteve aqui" (e porque ele vê Nina como seu espelho).

    Finalmente, por mais que possivelmente corra o risco de ser acusado de um filme demasiadamente pretensioso por alguns, estou certo que a nova obra de Lynne Ramsay é corajosa e possui uma ousadia tão diferente, que torna a experiência de assistir seu filme imperdível.

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  • Vitor

    Começando pelo título, Cinzas e Diamantes possui uma poesia das mais belas que já assisti no cinema, diversos símbolos líricos que permeiam o infeliz realismo de uma Polônia de ruínas e destroços ocasionados pela guerra. Mas o que torna o filme tão belo, não é simplesmente a inteligência de seus simbolismos, mas o quão humanista Wajda os faz ser. Além da atuação colossal de Zbigniew Cybulski como Maciek, que faz com que seja impossível não sentir a dor dos olhos sofridos por trás do óculos escuro.

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  • Vitor

    Apesar de ter momentos nitidamente datados, e performances que talvez corram o risco de serem chamadas de " canastronas “pelos mais desinformados. Na verdade, Dracula é um marco pra sua época, consolidando a clássica atuação de Lugosi, que seria re–utilizada, citada e parodiada milhares de vezes mais tarde.
    Não só a performance de Lugosi é algo marcante para o cinema, mas também as “regras” criadas para os vampiros aqui, além das cenas que viraram clichês com os anos, como por exemplo a tensão dramática da ignorante visita na moradia vampiresca.

    Tem uma direção bem executada, a qual sabe criar terror e fantasia nas cenas, considerando que o diretor fluidamente omite as cenas de assassinatos e transformações dos vampiros, deixando o trabalho para nossa imaginação, através de elipses ou apenas sugestões, um dos elementos do filme que não se torna datado. Além disso, o diretor se demonstra importante ao notarmos os diversos primeiros planos obscuros do olhar icônico de Lugosi, pois foram estes que provavelmente deram peso ao Dracula do filme, e brilho pra carreira do ator.

    Além da direção, o design do filme é algo a ser comentado, com cenários muito bem feitos, como a teia de aranha gigante, e uma fotografia sombria que provavelmente foi influenciada pelo expressionismo alemão.Mas não imáculo, Dracula apresenta alguns aspectos mais decepcionantes em seu ato final, com uma resolução simplista demais, uma manipulação barata em seus últimos minutos e um final feliz que perde peso pra história. Considero Nosferatu e outros filmes de terror, expressionistas, melhores que este Dracula.

    Senti também uma falta de sentimento em alguns momentos da história, considerando que acontecem assassinatos e situações mórbidas com as personagens, (como se transformar em um vampiro depois de morto) e todo peso sentimental é jogada apenas no casal principal, tirando este, nem o pai demonstra sentimentos. Mas considero algo normal da época, essa parcialidade dos sentimentos para o casal amoroso, além de não chegar a afetar a história.

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