O primeiro Godard a gente nunca esquece.
O agente secreto Lemmy Caution parte em missão para a cidade futurista de Alphaville (onde os sentimentos foram abolidos) com o objetivo de persuadir o professor von Braun a voltar aos planetas exteriores. Natacha, filha do professor, lhe serve de guia. Lemmy reencontra Henri Dickson, antigo agente secreto, que lhe envia uma mensagem para destruir Alpha 60 e salvar aqueles que choram. Lemmy presencia uma execução pública. Depois, é submetido a um interrogatório conduzido por Alpha 60, o computador que governa a cidade, e é condenado à morte. Natacha, aos prantos, lhe murmura as palavras proibidas.
Ideia central boa, execução péssima. Roteiro digno de pena, e a direção, pelamor hein, eu nem vi todo e já captei a ideia, que eu confesso ser boa, mas o filme em si é chato e ruim.
Algumas mentes estão, definitivamente, incontáveis anos à frente de seu tempo. Godard é uma dessas mentes brilhantes. E Alphaville nos faz pensar se é real a evolução da humanidade ou se é apenas a tecnologia que evolui. É muito fácil dizer exatamente como um computador ou um celular funcionam, trazendo a ideia pros tempos de hoje, mas ainda ninguém descobriu forma simples de explicar os sentimentos. Constantemente as pessoas buscam livrar-se deles, mas nunca buscam compreendê-los. E alguém, lá em 1965, conseguiu chegar o mais próximo possível de uma definição plausível sobre, principalmente, o amor. Resposta que nenhum gênio da tecnologia possui na ponta da língua, mas deveria ser de vital importância, tanto quanto saber que 1 + 1 é igual a 2.
Tá, a ideia de Godard pode ter sido legal e tudo mais, só que a execução dela através do filme pra mim foi enfadonha. E nem a ideia é tão original assim vai, vi muitas semelhanças com o romance 1984 do George Orwell. Mas as pessoas gostam de babar mais do que deve por ser de fulano, é uma coisa que infelizmente (ou não) sempre vai existir.
Assistir Alphaville foi uma experiência diferente, ao mesmo tempo que compreendia seus diálogos (elemento fundamental deste filme). Veio na minha cabeça um roteiro de um filme misturando Alphaville, Metropolis, Da servidão Moderna, 1984 e outros aí que com a velocidade do meu pensamento e sono misturados, não consegui fixar com a memória. E esse roteiro se impôs de uma forma tão autoritária na minha cabeça, que foi impossível assistir o filme sossegada :p
“O desespero não tem asas nem o amor. Mas estou tão vivo quanto meu amor e meu desespero.”
Godard fazendo poesia usando a ficção científica.
Uma crítica ao processo de desumanização da sociedade por via de seu auto-aperfeiçoamento.
O medo da instabilidade dos sentimentos é cortado pela exclusão do uso das palavras que os representam.
Me lembrou "admirável mundo novo" e "1984" com essa ideia de sociedade manipulada, se lembrarmos hoje em dia vendo o filme que ele foi feito 1965 algumas críticas ficam mais explícitas, já que foi feito em uma época situada em todo aquele discurso global de comunismo X capitalismo, no mesmo ano em que os USA entraram na guerra do Vietinã, o movimento hippie e mais tarde a censura. A mensagem de amor do filme e a importância de sua existência é muito melhor situada nos anos 1960, eu particularmente considerei o filme genial, e a Anna Karina como sempre puxando minha atenção, suas expressões são ótimas, aquela interpretação bem sutil e gostosa de assistir. É claro, como é comum em alguns filmes franceses é mais arrastado do que estamos acostumado, então entendo algumas críticas que fazem aqui.
A história é ótima, vanguardista, fazer um filme de ficção científica naquela época não devia ser nada facil e ele o fez, mas pra mim foi o mais fraco do godard que eu já assisti.
Nunca vi um filme de ficção científica tão atual e realista. É uma realidade possível e angustiantes, uma crítica assertiva e poética ao estilo de vida que vem se crescendo até então e que nos leva à uma desumanização caótica. Tudo isto realizado com o estilo único de Godard, que nos imerge em todo o caos da história, de modo que nos perdemos a princípio no sentido e sentimos o filme como expectadores ativos.
Obra-prima. Ficção científica como deve ser: não efeitos especias e explosões, mas ideias sobre como o futuro pode ser se continuarmos assim. Bebe nas melhores fontes: Huxley e Orwell.
Se isso já não é o bastante, o filme ainda é bem poético (acho incrível quem o vê como pura técnica) e tecnicamente muito bem feito.
Para ver e rever.
Alphaville: uma cidade controla por um computador onipresente, onde é proibido ter sentimentos, e aquelas que demonstram ter, ou fazem outra coisa que não sejá lógica são executadas, onde não existe amor, e a bíblia é um dicionário.
"Então, ninguém aqui sabe o que quer dizer a palavra consciência?"
“Na essência do denominado mundo capitalista, ou do mundo comunista, está o fato de que não é uma volição má sujeitar seu povo pelo poder do doutrinamento ou pelo poder das finanças, mas simplesmente ser a ambição natural de todas as organizações planificar todas as suas ações”.
Enfim, é o terceiro filme que vejo de Anna Karina e estou fascinada por ela: ela é linda e é tao única, tão particular....
Agora falando do filme, considerei ele cheio de mensagens e alertas a tod@s: ele é basicamente uma critica ao caminhar da tecnologia em prol do prazer instantâneo do ser, mostrando as consequencias mais brutais disso que é como a cidade se comporta. O interessante é que as mulheres são considerada totalmente objeto e não participam de nada, a não ser para servir aos homens tanto no sentido domestico como sexual.
Achei uma linda história de amor, mostra que o amor pode nos mudar para melhor. Enfim, é um filme que é lindo, crítico, um clássico! eu gostei MTO mesmo e recomendo :)
as respostas do protagonista às perguntas do Alpha 60 são incríveis.
o filme merece ser revisto e as falas, anotadas :)
Filosofia barata, um prato cheio aos hipsters. Esse filme devia vir de brinde um óculos de armação larga.
Afirmar que Alphaville é filosofia barata é, para mim, desacreditar que filmes possam carregar conteúdos filosóficos.
É uma ficção cientifica pensada e com uma ótima fotografia! Anna Karina é muito linda!!!!
"Nós temos que avançar
para viver.
Aponte diretamente para
esses que você ama.
Me escute, normais.
Nós vemos a verdade
que você já não vê.
A verdade é que a essência
do homem é amor e fé...
...coragem, ternura,
generosidade e sacrifício.
O resto é obstáculo criado..."
Viver em sociedade é ser manipulado. Esse fato torna-se tão aceitavel que pensamos ser impossivel viver de outra maneira, já que somos ensinados até mesmo a sentir.
confuso, cenas entediantes e outras cenas espetaculares. assisti mais pela anna karina ( :
Um homem citando Éluard, uma máquina citando Borges.Roberto Giannini Pithon aí pra baixo conseguiu dizer o que eu queria ter dito. Aliás, pra quem acha "filosófico demais", vai lá ver Transformers e tocar uma pra Megan Fox.
soigner l'insomnie.
Tal comentário idiota só poderia ter vindo do idiota-mor do filmow mesmo...
um show de argumentação vindo de um rapaz que é puro estilo e elegância. meus parabéns.
Godard é um dos mais autorais de todos, em tudo... isso eu devo reconhecer e admirar :)
Noir, distopia e nouvelle vague juntados por Godard em mais um grande clássico. Ficção científica inteligente, bem filmada, sem grandes truques nem grandes orçamentos.
o filme tem algumas partes entediantes mas também algumas cenas espetaculares como a do interrogatório e da perseguição no carro
Difícil e confuso, mas vale cada minuto pela engenhosidade das reflexões filosóficas presentes nos pensamentos narrados do homem e da máquina. O clima de guerra, a proibição da emoção humana e a supressão das palavras, dentre outros elementos presentes no filme, me fez lembrar muito de 1984, de George Orwell.
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Alphaville materializa em seu roteiro o temor experimentado pela consciência coletiva nos anos 60. Direta ou indiretamente, ele explora o medo da ameaça de uma guerra nuclear e a tensão constante do mundo bipolarizado. Como artista que é, Godard aponta para a poética como o elemento salvador tanto do indivíduo quanto da sociedade. De acordo esta visão, capitalismo e socialismo seriam nada mais que dois lados de uma mesma moeda, uma vez que ambos representavam, mesmo que de forma distinta, o controle exercido pela sociedade sobre o indivíduo. Na realidade paralela criada no filme, a sociedade é controlada por um super computador, o Alpha 60, que usa o raciocínio lógico para reprimir qualquer manifestação de sentimento ou humanidade e punir aqueles que subvertem as normas por ele impostas. O controle social alegorizado no filme mescla a selvageria destruidora do capitalismo ao dogmatismo comunista.
[...]
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Texto completo disponível em: http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/12/alphaville...
Uma Ficção Cientifica atemporal onde o futuro pode ser qualquer epoca.
Uma obra prima, um presente a todos os fans de Sci-Fi e Noir, Godard com grande maestrial nos apresenta Alphaville com um clima enigmático e misterioso nos entramos no Ford Galaxie/Nave espacial de Lemmy Caution.
Não considero o melhor, até porque torna-se cansativo na maioria das partes. A ressalva do filme é o paradoxo entre o período em que acontece e a técnica futurística; sem contar nas cenas instigantes em que os personagens ficam atônitos e sem reação.
O filme é maçante, mas vale a pena assistir pela técnica e temática perfeita! E Anna Karina é maravilhosa.
Scorsese e George Lucas beberam desta fonte para suas obras THX 1138 e Taxi Driver, porém, Godard, com grande maestria, entrega um filme que brinca com diversos gêneros, mas que ainda assim, não é tão simples de acompanhar ou conferir: vale pela experiência da época e suas inovações (também muito intensas para o tempo em quê foi concebido). Acredito que não é o melhor dele e também, enquanto ficção científica.
Inegavelmente um bom filme, mas film noir não é minha praia. Achava que os filmes de Godard eram muito filosóficos, mas concordo com quem disse que o grande ponto dele é na parte técnica.
Chato, mas vale a pena pela graciosidade da Anna Karina e da cena
que há entre Natasha e Lemmy no quarto.
Fotografia belíssima.
Anna Karina é a musa das musas: ainda mais agarrando paredes.
E as aparições repentinas de Léaud sempre me encantam.
Visualmente deslumbrante, porém com um andamento péssimo filme é muito previsivel.