O final da quinta temporada vale por um episódio. Não que esta em específico seja ruim, pelo contrário! Nosso protagonista indo embora de um palco - que faz alusão a toda a hipocrisia vivida naquele ambiente - em que Megan permanece atuando e maquiada pela falsidade daquilo tudo. A forma como Don se movimente e a câmera que belamente o acompanha traduz tudo o que ele representa. Um estúdio envolto de escuridão aparece enquanto Draper vira as costas e vai embora seguindo os rastros de luz que restam no set, enquanto abraça a sua personalidade dupla e dúbia. "You only live twice" como diz a música, A seguir vemos os três personagens que também seguiram vidas duplas durante essa temporada. A tentativa frustrada de Pete ter um caso "fixo", como um escapismo daquela vida vazia; Roger numa viagem de LSD fora da realidade, também tentando fugir da vida fútil em que se encontra; e finalmente Peggy que arquitetara durante boa parte dessa temporada sua saída da Sterling Cooper Draper Pryce. O desenvolvimento dos personagens da Jonie e Lane Pryce foi realmente assustador. Mad Men é muito melhor do que a maioria dos filmes de Hollywood atuais e eu sinceramente acho que deveria passar todo domingo em um segundo formato: no cinema. A série é filmada como tal. Como gostaria de ver um dos episódios dirigidos por Luiz Bruñel (se estivesse vivo) ou Scorsese - aquelas cenas no escritório ficariam mais primorosas nas suas mãos, vide "Depois de Horas".