Partindo do senhor idealista que viu seu sonho de construir um cemitério de animais ruir quando interesses de outros dos quais dependia interferiram em sua realização, Errol Morris faz, logo no início, um ótimo trabalho ao estabelecer, através da montagem, um debate entre o sentimentalismo do Sr. McClure e o racionalismo do dono de uma fábrica que recicla restos de animais mortos.
Mais notória é a maneira como o diretor produziu todo o documentário a partir das respostas e depoimentos dos entrevistados, sem qualquer interferência direta ou narração informativa, dispensando até mesmo letreiros de identificação para apresentar cada um deles, o que indica sua competência, pois em nenhum momento o espectador fica perdido quanto à relação dos entrevistados.
Embora cometa algumas digressões, como, por exemplo, dar espaço demais para que alguns dos entrevistados falem mais sobre suas próprias vidas, do que sobre sua relação com o tema central, o diretor conseguiu explorá-lo amplamente, abordando tanto o ofício da família Harberts, quanto as crenças religiosas de alguns dos donos de animais enterrados em seu cemitério, tudo de maneira muito respeitosa.
Senti falta apenas de um pouco mais de sentimento. Ao evitar relatos mais emocionados e chorosos, o diretor impediu um maior envolvimento com os entrevistados, o que faria bem para um documentário que aborda um tema tão delicado e com tanto potencial para tocar mais fundo o espectador.