Assista aqui : http://cinemaeprosaonline.blogspot.com.br/2013/05/setembr...
Ciranda de amor e ódio recalcados ameaça relacionamentos aparentemente amistosos num fim de semana de um grupo de família/amigos numa casa de campo.
Aquela imagem da vela parece aos meus olhos imortalizar o sentido de discussão existencial que o filme desejava propor. Contundente e atormentado. A luz não parece por mais abrangente que possa ser iluminar o caminho de seus indivíduos e no escuro se deparam com a própria existência desorientada. Contudo, a direção de Woody Allen em SETEMBRO parece potencializar menos a dramaturgia, se comparada ao seu trabalho noutros filmes como INTERIORES e MARIDOS & ESPOSAS. Falta um trabalho de construção dos personagens que dê razão para a deslocada protagonista de Mia Farrow ser brilhante como indica seu potencial, falta um estética em congruência com essa dor.
Escrevi um pouco sobre o filme no meu blog, um dos meus preferidos de Alllen...,mas ironicamente, o filme que me encantou pela proposta cenográfica e pelos diálogos é um dos mais rejeitados e esquecidos do diretor.
Um filme bem parado e com falta do humor irônico do Allen, é verdade. Mas com um teor dramático dos maiores que eu já vi no cinema. Estão nesse filme expostos os diferentes conflitos, duvidas e angústias que cada ser humano tem sobre a vida, felicidade, amor e sobre o futuro.
Mia Farrow está brilhante e ao lado de Stritch fazem as melhores atuações do filme. Num filme rodado em somente um cenário, podemos ver a dualidade e profundidade dos diferentes tipos de pessoas e o jeito com o qual cada um lida com suas prioridades e inseguranças.
"September" nada mais é que um breve ensaio sobre a vida em si. Woody Allen sendo genial. De novo.
Woody Allen é brilhante como comediante, mas Woody Allen como filósofo existencialista é completamente magistral, mesmo que este não seja o melhor dos seus dramas/dramédias.
No mais, o que salta aos olhos é a caracterização da subestimada Mia Farrow, que para mim sempre foi a melhor das atrizes nos filmes do diretor. Sua interpretação como a depressiva Lane é tão convincente que chega a ser irritante em alguns momentos.
Do início ao fim o filme é bem nostalgico, mas tudo isso é esquecido quando nos prendemos naquele roteiro incrível, que diálogos maravilhosos! Senti vontade de anotar tudo. O único cenário aonde o filme se passa é muito bonito também.
Pode não ser maravilhoso, mas é inegável que os dialogos são incriveis. Eu quotaria cada frase desse triste roteiro pro resto da vida.
Woody Allen é Woody Allen, mas isso não quer dizer que toda manifestação existencial-filosófica do cineasta resulte em filmes excepcionais, como bem comprova o drama intimista Setembro. Apesar de ter uma premissa interessante, que lida com temas caros ao autor, como traição, dúvidas amorosas, relacionamentos familiares conturbados, mágoas e falta de rumo e direcionamento de vida, é certo que o desenvolvimento destes no contexto da trama fílmica é lento e um tanto superficial, tendo uma cara excessivamente teatral, mesmo que o trabalho de composição de Mia Farrow (Hannah e suas Irmãs) traga um pouco de luz ao cinza que se mostra Setembro.
Leia mais: http://www.cinemografia.com/2013/01/setembro-september-eu...
Mas ai é que está a questão: Woody Allen é sempre teatral! por isso vc já sabe de cara quando um filme é dele só de analisar as atuações...
Eu gosto disso nele.
Sim, Lívia. Posso ter dado a impressão errada quando falei excessivamente teatral, pois aprecio bastante os trabalhos de Woody Allen, mas ao meu ver Setembro não se encontra entre seus grandes filmes, acho que faltou equilíbrio e sobrou pretensão.
Não é tão bom quanto Interiores e, pela primeira vez, percebi no Woody Allen uma tentativa descarada de imitar o Bergman.
''Imitar'' é uma palavra forte. Eu diria que o Allen se apropriou de algumas características do cinema de Bergman para homenagear o ídolo.
Allen é fã congênito de Bergman. Assim como o Pip disse,deve ser interpretado como uma "homenagem" e não um plágio. Em Interiores tem muito Bergman também.
Revi este filme com o coração titubeando na boca: apesar de o roteiro ser melancólico e devastador, formalmente o filme é monocórdio, paralisado... Se no conteúdo ele se equipara muito bem ao universo bergmaniano, na forma, ele fica muito aquém das inovações, sutis ou evidentes, do genial diretor sueco. Mas, para além deste problema "qualitativo", o filme é impactante e digníssimo, daqueles que dilaceram qualquer ser apaixonado. A personagem de Elaine Stritch é excelente: impossível não se identificar com qualquer dos atormentados e/ou desolados personagens... (WPC>(
Um círculo doloroso de amores, dúvidas, culpas. Um Woody diferente do convencional, talvez pela abordagem mais pesada ou pela técnica que lembra um teatro filmado, mas mantém o brilho e o estilo de seus melhores diálogos. Mia Farrow está monstruosa (no bom sentido) e Dianne Wiest rouba a cena (acho até que seja seu melhor momento, e olha que sou apaixonado por sua Helen Sinclair).
Howard amava Lane, que amava Peter, que amava Stephanie, que amava muito mais seus filhos do que Peter. E, claro, todos eram infelizes. Na TV:
18/10 16:50 Telecine Cult
20/10 07:50 Telecine Cult
Achei arrastado, triste e a Steffie não me convenceu com aquela voz meiguinha e tal. Mó pilantra! Hahahaha
A atriz que faz a Lane está ótima, muito boa a atuação. A tristeza dela é quase palpável!
Achei médios.
Aqui Allen faz uso de uma das maiores citações de Bergman num documentário sobre 'A Hora do Lobo', a forma como ele faz uso da narrativa minimalista se assemelha muito com 'Sonata de Outono', os confrontos entre mãe e filha, ainda que aqui sejam muito menos sutis e mais estereotipadas.
Incrível ver também como o finalzinho da década de 80 pro Allen foi prolífica para seus dramas que variavam do regular bom até o ótimo/excelente, nada abaixo da sua média pessoal.
E em 'Setembro' não é diferente, entendo que muita gente possa não gostar porque é realmente incômodo assistir, gera um desconforto, uma espécia de coceira mental onde somos confrontados por nossa própria inércia e incapacitade de mudar o destino de nossas vidas.
Mas mais importante ainda, e o que me remete diretamente à uma frase e Bergman, é a forma como Allen demonstra a crueldade e frieza, às vezes inconsciente, às vezes premeditada, com que as pessoas usam umas às outras, de maneira a preencher o vazio existencial interior de cada um, de suprir deficiências, carências e necessidades pessoais, sem se importar com os sentimentos e dores alheias. Como o ser humano pode ser egoísta e mesquinho.
É sim um filme difícil e bastante pessoal, mas recompensador.
Um dos mais tristes do Woody que vi até agora, mas ainda sim com as brilhantes piadas na cara de uma senhora de meia idade. Gostaria de ver mais filmes do estilo.
"[...] meu problema sempre foi esse. eu sempre quis viver".
ah, que frase antológica para ser sentida numa madrugada insone! digna de muitos elogios!
Curiosidade bizarra: “Setembro” foi filmado duas vezes, contando com um elenco distinto em ambas as versões. A intenção de Woody Allen aqui era fazer um filme passado em um único cenário e com um elenco e equipe minúsculos. A primeira versão o desagradou e fazer ‘Setembro” outra vez lhe custou a saída de atores como Maureen O’Sullivan, Charles Durning e Sam Shepard (que já estava substituindo Christopher Walken) e o seu maior fracasso de bilheteria. Ainda assim, o resultado é bem acima da média e a sensação de teatro filmado é rapidamente esquecida graças a dedicação do elenco. E qualquer semelhança com a vida da atriz Lana Turner (Mia Farrow faz uma mulher traumatizada por ter sido responsabilizada pela morte de um mau elemento com quem sua mãe se relacionava) pode não ser mera coincidência.
http://blogcineresenhas.wordpress.com/2012/08/20/diretor-...
Da pra sentir uma grande influência berganiana ai!
Muito bom!
Dá para se distrair vendo, mas eu prefiro outros filmes do diretor.
Mia Farrow muito boa, contagiando a todos com sua depressão.
minha unica resalva e sobre aquela amiga dela que ama o Peter, ele e um porre, muito dramatica e tambem nao me conveceu.
O "Sonata de Outono" de Woody Allen. Algumas cenas são emulações fantásticas dessa obra-prima de Bergman.
Melodramático, depressivo e tão romântico que contagia.
Tudo muito intenso: as personagens, os amores, suas tristezas individuais...
Mas o maior destaque mesmo é a sensacional Rosemary Murphy. A mãe da Lane é tão absurda, convincente, excêntrica, despojada, sem vergonha e sem noção que, dentre todas, é a que mais se aproxima do espectador. Ela dá show!
Outro ponto (extremamente) positivo é a correta duração do filme. Se fosse maior, destruiria o enredo e o transformaria em uma experiência maçante e desinteressante.
Mas o cara sabe o que faz, e muito bem!
"Os Richmonds debaixo d'água, acabou a luz. Deus está nos testando. E eu vou me preparar. Onde está a vodka?"
Passei o filme inteiro pensando que fosse setembro, e no final descubro que é agosto.
Imagine sua vida no espaço de tempo um ano... suponha que estejamos próximo de setembro, certo tempo de experiência desde o nascimento, e um pouco mais próximos do nosso fim. E você, depois dessa alerta de Wood Allen, terá a chance de parar e refletir sobre tudo que já viveu até essa véspera de setembro, de usar tudo que já experienciou como ensinamento, e não encarar a vida como algo aleatório, encontre-se!
Supere dramas passados, supere o fato de ter sido usado, seja capaz de ser fotógrafo do mundo e ver tudo dos mais variados ângulos a fim de compreendê-lo melhor.
Não use os outros como justificativa do seu fracasso, que nada mais é que resultado da sua inércia. Escreva sua própria história, não se julgue incapaz disso, já nos foi dado a chance de escrever, basta empenho próprio.Prove a si mesmo o potencial que a todos nós é inerente, descubra-o.
Às vezes a escuridão nos dá a chance de enxergar mais nitidamente, pena que muitos preferem permanecer no breu, enquanto a luz está ao seu alcance. Abandone a depressão interior, saia da fossa e prepare-se pra viver fora dos limites de uma casa. Aceite o desafio de viver e vença-o!
Não gostei do filme quando o vi. Sua crítica me fez repensar. Vou reve-lo. Estou no meu outono e talvez o veja com esses olhos que vc propõe.
Definitivamente prefiro W.Allen nas comédias. A depressão da personagem foi tão real que me deixou deprimida também.
A depressão da personagem é real e contagiante demais! Mia Farrow mandou muito bem.
Não é dos melhores de Allen, mas não é ruim, ele já fez coisa bem pior. Com um pouco de paciência, o filme rola bem. Gostei dessa coisa de ele se passar só em uma casa com vários personagens quando falta luz, é uma situação interessante.
Do que eu assisti, produzido e dirigido pelo Woody Allen, gostei de dois filmes. Setembro é um deles. O ritmo inicial do filme não é dos mais atrativos (para o meu gosto) mas vai adquirindo um tom empático ao longo da trama e parece que naturalmente se encaixa sem grandes esforços num drama que é difícil não mergulhar.
As personagens foram muito bem construídas, principalmente as femininas. Palmas para Dianne Wiest, Mia Farrow e Rosemary Murphy!!
Não importa o tamanho da dor no momento, q não tenhamos vontade de acordar, q td a volta é vazio e cheio de traições, desamparo e tristeza... Setembro vai chegar e td se fará novo, é o q torna a vida interessante, recomeçar.
Howard amava Lane, que amava Peter, que amava Stephanie, que amava mais seus filhos do que Peter. E, claro, todos eram infelizes. Drama de Woody Allen que certamente não agrada a todos os públicos. A história se passa durante dois dias em uma casa de campo durante o verão. O bom roteiro de Allen praticamente se resume a excelentes diálogos que vão desvendando os traumas e as inseguranças de cada personagem e revelando pouca esperança no amanhã . A idéia de Allen foi desenvolver uma peça de teatro capturada numa filmagem. Com isso as tomadas são longas com muito pouco close up. Excelentes interpretações, notadamente a de Dianne Wiest, provavelmente em seu melhor momento no cinema. Os personagens foram bem definidos e são muito convincentes. A música interpretada por Art Tatum e Ben Webster é bem intimista. Allen decidiu refazer toda a filmagem durante a edição por ter odiado a primeira versão. Teve que substituir alguns atores e, com tudo isso, os custos superaram em muito o orçamento original e o filme deu um grande prejuízo. Um filme para um público maduro que aprecia dramas realistas, bons roteiros e boas interpretações.
Adorei a sua crítica, e muito legal o comecinho, lembrando o poema de Drummond
Filme injustiçado...
Achei lindo, sensível e verdadeiro.
Há muito destaque para a personagem da Dianne Wiest e falta tempo para se aprofundar no drama da Lane (Mia Farrow)e sua mãe. Ainda assim é um ótimo filme e que me remeteu rapidamente à "Sonata de Outono" de Bergman.
Eu fiquei agoniada, a emoção do personagem da Mia é tão sincera que teve um momento em que eu me peguei chorando por ela não saber o que fazer.
Pra mim, é um dos melhores dele.
A personagem da Dianne Wiest era a mais insuportável possível.
Mais um belo e sensível filme de Woody Allen, como era de praxe nos anos 80, a fase mais produtiva e genial de sua carreira na minha opinião. Como destaque, a trilha sonora perfeita sempre meticulosamente escolhida pelo próprio diretor e, novamente, grandes atuações de Mia Farrow e Dianne Wiest e a Elaine Stritch. Existe um diálogo que me marcou muito no filme que provavelmente nunca esquecerei, dita pela personagem de Mia Farrow em resposta a personagem de Dianne Wiest: "Eu nao quero morrer! Meu problema sempre foi esse... Eu sempre quis viver!".