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Data de lançamento
26 Set. 2016Duração
Kevin (James McAvoy) possui 23 personalidades distintas e consegue alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar.
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Fragmentado é sequência de Corpo Fechado que apresenta o misterioso Kevin Wendell Crumb ( James McAvoy ), um homem que possui transtorno dissociativo de identidade ou conhecida como transtorno de múltiplas personalidades. O indivíduo que é diagnosticado com este transtorno demonstra características de duas ou mais personalidades e no caso do Kevin, ele convive com 23 personalidades diferentes. Algumas dessas personalidades têm mais poder de assumir o controle do corpo de Kevin do que as outras personalidades.
Fragmentado é o grande responsável por revelar a ligação com Corpo Fechado. Não vou revelar os detalhes para não estragar a experiência de quem ainda não assistiu Fragmentado, mas achei muito gratificante descobrir todos os segredos do filme. Cada descoberta deixou a sensação de está vivenciando um clima claustrofóbico dentro do cativeiro com as três jovens. Principalmente quando Casey consegue fazer amizade com Hedwig para manipulá-lo e tirar proveito da situação para obter ajuda escapar do local. Aliás, entre as três moças, Casey é a única que realmente sabe lidar com a situação que elas estão vivendo.
Através dos flashbacks, o passado de Casey é revelado com momentos sombrios proporcionando um clima ainda mais forte ao filme. O momento alto e considero forte no filme é quando Casey, durante sua infância, perdeu seu pai e passa morar com seu tio. Não vou dar spoilers dos acontecimentos, antes e depois deste fato, mas ali é o começo do pesadelo dela. Casey é tão importante no enredo quanto Kevin e suas personalidades. Outro ponto que considero forte do filme é a interpretação de James McAvoy em cada personalidade. O cara é simplesmente incrível no papel. Ele conseguiu dar vida e convencer fabulosamente, mostrando a diferença de cada personalidade de Kevin.
Enfim, o segundo capítulo da Trilogia Eastrail 177 é simplesmente extraordinário e bem construído. Dos três filmes, Fragmentado é o meu preferido, onde mostra como as pessoas são muito mais do que apresentam rapidamente, independente do que a sociedade acha que é correto ou errado. Tenho vontade de fazer um post comentando mais sobre as personalidades de Kevin. Quem sabe futuramente, eu faça.
meu deus. que filme é esse? sou apaixonada por filmes de remakes antigos principalmente quando está mais do que claro que sabem o que estão fazendo! amo os 3 filmes que foram feitos!
Quem é você? Você realmente sabe quem é quando se olha no espelho? E desculpa perguntar. Você sofre?
"Nós somos gloriosos! Não teremos mais medo. Somente através da dor você pode alcançar a sua glória. Os impuros continuam intocados! Os não queimados, os não mortos! Aqueles que nunca foram rasgados não têm valor algum e nenhum lugar neste mundo! Eles estão adormecidos."
Essa não é apenas a pregação aterrorizante que ecoa nos momentos finais de "Fragmentado"; é a chave psicológica de toda a obra. Quando a infância de uma criança é violada pelo abuso e pelo terror constante, a psique humana busca formas desesperadas de não sucumbir. Ela constrói trincheiras, ergue muros e cria mecanismos de defesa extremos. Foi exatamente isso o que aconteceu com Kevin Wendell Crumb. Para não ser destruído pela dor, a sua mente fraturou-se em 23 partes diferentes da consciência pra tentar proteger aquele garoto machucado que ficou preso no passado.
M. Night Shyamalan explora como ninguém essa ideia e cria uma tese fascinante e perturbadora sobre o personagem: se o cérebro humano for levado ao limite do trauma, seria ele capaz de alterar a própria biologia física do corpo? No filme, o sofrimento não é tratado como fraqueza que incapacita, mas como um catalisador biológico de transformação. A dor altera a química do corpo, a densidade muscular e a pele. O trauma deixa de ser apenas uma cicatriz invisível na alma e se transforma em carne, garra e força sobre-humana. A Besta — a lendária 24ª personalidade — não nasce de um acidente de laboratório ou de uma picada de inseto radioativo; ela é a materialização física de anos de sofrimento represado, um grito mudo que o corpo sente, o coração para, mas a mente transforma.
James McAvoy traduz essa fratura psíquica humana com uma maestria nunca vista antes. A sua atuação é uma verdadeira aula visceral de dramaturgia. Sem o uso de maquiagens, próteses ou efeitos digitais, McAvoy transita entre personalidades em questão de segundos, mudando a postura da coluna, o tom de voz, o olhar e o ritmo respiratório, dando vida a cada uma de suas personas. Ele vai do medo ingênuo e infantil do pequeno Hedwig à elegância fria de Patricia e à obsessão rígida de Dennis. É uma performance monumental, e na minha opinião a sua ausência nas grandes premiações do cinema permanece como uma das maiores injustiças do cinema.
Em meio a esse terror subterrâneo, a presença de Anya Taylor-Joy (Casey) é o contraponto perfeito de Kevin. Ela não é a típica vítima indefesa de filmes de sequestro. Casey carrega suas próprias marcas de um passado abusivo e silencioso. E justamente por ser uma pessoa "queimada" e "rasgada" pela vida é que ela consegue decodificar a mente do seu captor. A sobrevivência dela não vem da força bruta, mas da empatia trágica de quem reconhece o reflexo da própria dor no olhar do outro.
"Fragmentado" começa como um sufocante filme de cativeiro, escala para um thriller de suspense psicológico, flerta com o terror biológico e, no seu último suspiro, deságua de forma extraordinária no mundo dos quadrinhos. A revelação final numa lanchonete qualquer, com a aparição de Bruce Willis como David Dunn, não foi apenas uma reviravolta brilhante; foi a certidão de nascimento de um universo de quadrinhos intimista, realista e sombrio, conectado dezesseis anos depois ao clássico "Corpo Fechado".
Shyamalan nos entrega um filme provocativo e perturbador que nos faz olhar para a mente humana com temor e fascínio. Ele nos obriga a perguntar se as nossas maiores cicatrizes são marcas de fraqueza ou se, de alguma forma sombria, são elas que nos tornam inquebráveis.
Epílogo:
Todos nós já fomos crianças um dia. Todos carregamos nossas marcas, nossos medos e as fraturas do passado. Os maiores monstros não nasceram prontos; eles habitaram, antes de tudo, no silêncio de mentes traumatizadas que decidiram que o mundo deveria pagar por sua dor. O trauma é uma encruzilhada existencial: enquanto alguns deixam que a ferida os transforme em bestas destruidoras, outros — como a própria Casey, e tantos heróis anônimos escondidos na vida real — vencem o abismo dentro de si e escolhem não replicar a dor que os criou.
O filme também faz uma observação curiosa sobre vulnerabilidade. Em muitos thrillers, a força aparece ligada ao poder físico ou à capacidade de dominar situações. Aqui, a resistência surge justamente de quem aprendeu a sobreviver a dor. É uma visão sombria, mas emocionalmente poderosa.
Que filme perfeito! Roteiro incrível, direção perfeita. Não vejo um filme assim há muito tempo.