é a reificação da própria vida (socorro)
Queysanne filma um personagem desloca- do da ordem social, seu isolamento e perambulação por Paris. Pouco a pouco ele entra num estado de letargia, de neutralidade, onde não há necessidade de escolhas, onde inexistem a dor e o prazer. Au- sente de si mesmo, preso, porém, de inexplicáveis fantasmas que deformam a realidade, ele se vê na iminência de perder-se por completo. Baseado no livro homônimo de Georges Perec.
A sinopse me lembrou muito o niilismo de Memórias do Subsolo...
Fotografia e sequências ótimas.
Só esperava um final diferente.
Enfim.
"(...)pq a legenda(a narração) descreve tudo, as imagens perdem seu caráter de multiplicidade de significados e se tornam unívocas, é horrível, q lindo seria se o filme fosse só imagens, sem a mulher narrando"
e não somos nós oriundos da nossa depressão concreta, concreta cidade, estado, dúvida, noite, luz, som, temor, que horror, viver em descrença das fronteiras físicas corpóreas, ensimesmados cultivando o ócio. Filme espetacular! longo para incautos, curto para os solitários, perfeito para a história e estória dos filmes imersivos.
ps: este filme cai bem com um vinho merlot e queijos minas padrão.
fumantes: não temam a fumaça, esse filme pede altas doses de nicotina.
Acho que fiquei quase todo o filme com a boca aberta, hipnotizado e imóvel. Aí chegaram as cenas finais e eu fiquei inquieto, não conseguia parar de me mexer e roer as unhas. E então quando o filme acabou eu senti como se eu tivesse ''voltado para a realidade'', me senti mais vivo. Foi como se nesses 78 minutos eu tivesse sido o personagem do filme... que sensação incrível. Isso é com certeza uma grande obra de arte.
Fizeram um filme sobre a minha vida antes mesmo de eu nascer. Estranho isso.
Essa vida monótona quase me fez dormir, embora tenha considerado esse pesado comodismo narrativo como algo necessário pro final, de todas as cenas, o final é a melhor. Devo dizer-lhes que em minha vista, toda essa transparência de como esse ser humano é "visto" decorre de muito se pensar pelo imenso tempo em que as gotas caem, e o homem se torna parte do quarto, paralítico, quase imóvel, se não fosse pelo coração que bate sem apelos sentimentais. Definiria esse filme da seguinte fora: Uma pessoa perdida, tormentos pelo tédio, o ócio de não viver e somente vegetar e outros cruzamentos de boulevards em Paris.
Não sei por que demorei tanto tempo de ver esse filme através de uma indicação, mas antes tarde do que nunca.
Caiu como uma luva e fez com que eu me identificasse na forma com que vejo a vida que por vezes passa despercebidamente e eu pouco me importo sentindo-me avulsa de quase tudo e mesmo com toda essa indiferença, o nada e a vida à toa do protagonista. Faz pensar que até o vazio é profundo, mais até do que o sentir intensamente. E que nada tem lá a sua importância. Impossível não parar e refletir sobre as coisas vagas que se viu e o conteúdo que se leu no filme, seria desperdício não o fazer.
"Mas os ratos não passam horas tentando dormir.
Mas os ratos não acordam tomados pelo pânico, banhados em suor. Mas ratos não sonham. E o que você pode fazer para se proteger dos seus sonhos? Mas os ratos não roem as unhas, pelo menos não por horas, até que suas garras se tornem uma imensa ferida"
A autenticidade desse filme toca, pousa e disseca todo o nosso interior, caramba!
esse é o filme que passa na minha cabeça todos os dias, paralelamente à minha vida real
Existir: As horas mortas. O desejo de permanecer em silêncio e inerte. Solidão. Ruas vazias. Luzes frias. Rostos mudos que você olha sem ver. Labirintos impiedosos. Gestos autômatos. Indiferença. A chuva constante. Você só continua, espera e esquece.
Em Un Homme qui Dort, acompanhamos intrinsecamente a vida de um jovem ausentar-se de qualquer tipo de sentimento, seja ele dor ou prazer, alegria ou tristeza. Caminhando em rumo à total perda de si mesmo, o jovem, totalmente deslocado de qualquer tipo de ordem social, apenas filosofa e vê seu mero tédio transforma-se em um completo vazio existencial, repleto de medos e incertezas, disfarçados de uma ilusão de tranquilidade. O deutagonista da história é a própria cidade de Paris, por onde o Homem perambula sem destino. Um retrato da solidão urbana, inspirado pelos trabalhos de Franz Kafka, e onde também podemos enxergar paralelos com A Náusea, de Sartre.
Análise completa: http://moonflux.com/film-un-homme-qui-dort/
Te faz sentir um vazio, uma melancolia, porém de um modo bom. Desconheço as palavras ideais para descrever.
Em minha opinião, o fato de ser em preto e branco foi, diferente de muitos filmes, algo bom, que muito contribuiu para a sensação que o filme quer passar. Não só quer como consegue!
Não diria que o personagem é meu retrato perfeito, porém não pude evitar de me identificar com a maioria de seus sentimentos e com a vontade de andar, com nada como companhia, simplesmente andar...
Algo que também me chamou muito a atenção foi a fotografia, Paris é esplêndida e, desse mesmo modo foi retratada!!
Este filme nos faz sentir sucessivamente o tédio, a ilusão de tranquilidade, o medo pânico e a miserável lucidez por que passa o protagonista. Ele caminha, e nós com ele caminhamos. Seguimos-lhe o caminho na dimensão de um presente sem rumo, sem norte, sem sentido - presente deserto, que desertifica passado e futuro, tornando-os também um eterno e angustiante presente. Queysanne retrata neste filme a angústia fundamental do homem contemporâneo - ser sem raízes, sem esperança e, portanto, carente de sentido.
"Você vive em um parêntese feliz, em um vazio cheio de promessas, do qual você não espera nada." Fantástico!
"Num universo repentinamente privado de ilusões ou luzes, o homem sente-se um estrangeiro".
"Quantas vezes você já repetiu o mesmo gesto mutilado, o mesmo trajeto que não leva a nada?"
olha, eu poderia falar várias coisas sobre o filme, ou nada falar, para que "o silêncio respondesse", mas vou falar da minha reação diante deste filme: os 78 min. mais angustiantes e abissais da minha vida diante de um filme que me que provocou fundas rachaduras na minha existência! chorei, delirei, estremeci, afundei num abismo sem fundo. desde os 6 primeiros minutos de puro silêncio (êxtase de silêncio) ao delírio final..
Não conhecia esta obra de Perec e já tratei de comprar. sabe aquele texto que te corta, que te desmonta, que joga de cabeça para baixo, que "parece que é a fotografia de sua vida", que faz você gritar: porra, o texto que eu sempre sonhei em escrever"? este é o texto de Perec!
muito mais que favoritado. quero rever o máximo de vezes possível!
p.s: deus, que imagens!
"A armadilha: a perigosa ilusão de ser impenetrável, de não oferecer risco ao mundo lá fora, de sumir, deslizar, apenas dois olhos abertos, olhando para frente, percebendo tudo, sem reter nada."
“Seu despertador toca, você permanece em seu quarto, fecha os olhos de novo.
Não é uma ação premeditada, ou melhor, nem sequer é uma ação...
Você não se move, você não se moverá. Outra pessoa, seu irmão gêmeo, sua consciência dupla, talvez...acabe fazendo em seu lugar movimento por movimento.
As ações que têm evitado...”
Assim começa a ininterrupta narrativa do filme, esse primeiro parágrafo resume o que veremos adiante, um homem adormecido, uma descrição precisa do caráter único de um homem de 25 anos isolado do mundo, selado por sua consciência. É natural se identificar com o personagem, até mesmo porque a narrativa em segunda pessoa funciona quase como uma hipnose, eu ainda não alcancei o grau de neutralidade do personagem, mas perpetuo da sua insatisfação com a realidade, assim como ele sinto que não existo, que não pertenço a esta existência, a indiferença me assola permanentemente, observo atentamente cada elemento da realidade tentando decifrá-los, o silêncio, as rachaduras do teto, o meu reflexo no espelho quebrado, é no meu quarto que também encontro o meu abrigo, é o centro do meu mundo. Mesmo não sendo, não pertencendo ao universo criado por Georger Perec, a identificação me fez delirar com o filme, são 78 minutos de imagens, de introspecção, de poesia mais intensos que já vi e vivi!
Releitura niilismo-na-veia da já tradicional introspecção na literatura de viagem. Perec transforma o quarto de Maistre (Voyage autour de ma chambre) em uma Paris desertificada e, ao mesmo tempo, cheia de gente. Vazio, vazio, vazio tão grande que chega a derramar.
A proporção de tristeza aqui se iguala a de beleza.
Maira
Tomei a liberdade de utilizar este seu comentário no POST deste filme na minha página do Facebook "Crítica Livre de Cinema", citando a fonte obviamenteÇ
http://www.facebook.com/criticalivredecinema
Oi Manoel, fique a vontade! Pena que não encontrei o post... rs
Boa iniciativa a sua página! Abraços!
Eu poderia agora tentar poetizar sobre o impacto. Elaborar dois ou três parágrafos pretensamente rebuscados, mas a verdade é que há uma única frase que parece resumir tudo que eu poderia dizer sobre esse filme:
que tijolada na cabeça!
desgraçadamente bom.
O filme que mais se aproxima da minha vida.(2)
Um filme que vai do nada a lugar nenhum. Mas que te faz refletir sobre suas atitudes de uma forma tão dura e chocante que chega a machucar.
Um dos filmes mais densos e existenciais que já assisti. Com o decorrer do filme fui sentindo um nó na garganta, um sentimento de profunda semelhança do personagem comigo mesmo. Ele consegue colocar em xeque todas as questões que aterroriza algumas pessoas, como o existir ou não-existir. Toda o confusão mental do personagem baseada em preceitos existenciais é extremamente bem feita, afinal devemos questionar nossa existência. Percebi certa semelhança do protagonista do filme com Antoine Roquentin, personagem do livro "A Náusea" de Jean Paul Sartre. Ambos passam por essa náusea, essa dor de existir.
Só pela ousadia técnica de não possuir falas, apenas a narração, já deveria ganhar nosso respeito. Um trabalho de fotografia em preto e branco muito bem realizado.
É um filme para sentir e se identificar e não para achar maravilhoso ou entediante. Se você não sentí-lo com toda certeza será muito entediante e chato.
Nesse filme, que deve ser visto de um só fôlego, numa única "sentada" (embora seja demasiado cansativo em um certo momento) Queysanne filma o século XXI, a modernidade tardia sem herança de referências e/ou heróis, demonstrando o que seria de um jovem sem "Norte": ao mesmo tempo em que é despossuído de qualquer ideologia, crença, fé ou religião; não se concentra emaranhado entre grifes, reality show, álcool ou música sem nenhuma qualidade. Muito mais uma árvore que ser humano, uma mistura híbrida de planta e fantasma, como diria Zaratustra...
"Un Homme Qui Dort" é um filme que deveria nos provocar uma profunda reflexão sobre a vida, porém, sabe-se lá como, a inteligente e perturbadora escrita de Perec tomou ares meio "aclichezados" - e chatos! - nesse longa.
" Você estava só, e queria queimar as pontes entre você e o mundo. "
Esse filme mexeu profundamente comigo ... preciso muito ler o livro !
Tão impressionante quanto o livro.
[spoiler]
Apresentado em uma das narrativas mais marcantes que já tive o prazer de ver.
Um homem que dorme revira a cabeça do telespectador até as extremidades da solidão de um ser humano; de sua letargia rodeada de uma Paris cinza, vazia, inebriante. Cada pincelada de reflexões; de pensamentos é apresentada por um personagem que vagueia aparentemente sem rumo por uma cidade que situa sua inexistência. Baseado em um dos livros que anseio muito em ler. Um homem que dorme é um filme feito para ser analisado em cada parâmetro. Inevitavelmente necessário, para quem aprecia um bom diálogo psicológico sobre as razões do ser, não ser, dor viver e do vazio existencial decorrente do tempo em sociedade.
Georges Perec é brilhante. Considero um dos melhores filmes baseados em livro que já tive o prazer de ver! :]