Últimas opiniões enviadas
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Eis a questão central de "Vase de Noces": até que ponto o ser humano é diferente dos outros animais? Ou até que ponto os outros animais diferem dos seres humanos? Ver este filme e deixar que tais questionamentos sejam eclipsados por temas como a zoofilia e a coprofagia é tão equivocado quanto ler "Lolita" e, focado na pedofilia, ignorar a paixão deslumbrante que jorra do texto de Nabokov.
No decorrer da obra, o espectador mais sensível vivencia uma organicidade quase palpável. Seu clima estranhamente onírico é ressaltado por uma trilha sonora dialética. A fotografia, de um preto e branco muito bonito, trabalha com todos os elementos em cena, que parecem escolhidos a dedo: cenário, figurino e até a cor dos bichos contribuem na criação de uma fugaz harmonia quase tátil. Os enquadramentos, muitas vezes de uma simetria encantadora na interação com o ambiente do filme, são belos e representativos; dentre outras coisas, extremamente eficazes em certos objetivos, como a "humanização animal", por meio de "closes". No mais, a interpretação do protagonista é muito boa, provocando a imersão de quem o acompanha em seu mundo particular, onde hábitos se fundem aos instintos.
"Vase de Noces" trabalha a dicotomia homem/animal de forma tão poética que seu desfecho leva à outra questão: seria o homem o pior dos bichos? E mais: seria a solidão humana fruto da tamanha maldade que lhe é natural? Diante disso, nem é paradoxal que um exercício cinematográfico tão válido se utilize de crueldade real contra animais para seus fins.
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Uma vez subi no palco em uma apresentação de Chuck Berry no intuito de tocar em sua mão. Depois que consegui, dois brutamontes saídos das sombras me empurraram de um altura de 3 metros. Ao assitir a este documentário, me senti tão incertamente energizado como quando caía daquele palco.
Bem, não é exatamente uma novidade o fato da música de Chuck bater em seus ouvintes como uma onda e, infalivelmente, carregá-los numa soca de comoções extasiantes. E o show registrado no "Fox Theatre" de "St. Louis", que conta com o "Stone" Keith Richards liderando a banda de apoio, e participações valiosas como as de Etta James e Eric Clapton, sublinha tal afirmação.
O lado humano do trovador também é abordado no processo de elaboração do show e em algumas entrevistas. "Chuck Berry - O Mito do Rock" mostra ao espectador a pessoa de temperamento extremamente difícil, ultra-empreendedora e canastrona, no jeito em que procura esconder polêmicas passadas em sua vida, por trás do genial "entertainer" e músico.
De resto, depoimentos acerca de Chuck de gente como Jerry Lee Lewis, John Lennon, Roy Orbison e uma cena antológica com Bo Diddley, Little Richard e o próprio Chuck Berry conversando num mesmo cômodo. Dá pra perder? Roqueiros de todo mundo, uni-vos por este filme! Hail! Hail! Chuck Berry!
Ok. A recorrência constante à música de contorno oriental, às vezes, dá no saco; e se a narração em off e captação de imagens parecem datar o filme, por outro lado remetem à possível caracterização de formatos documentais cuja a pseudo-veracidade tanto fascinava os espectadores/voyeurs dos anos 60. Dito isto, "White Slave of Chinatown", primeiro filme da "série Olga", pode ser considerado a pedra fundamental dos "kinkies", vertente do exploitation mais centrada no caráter fetichista de libertinos em seu jogo sexual de dominação sadomasoquista. A obra de Mawra estabelece clichês que iriam marcar boa parte das posteriores produções conhecidas como w.i.p. (women in prision) e suas variações, muitas vezes exemplificadas pelos nazi e nunsploitation. É História.