Cate vive na periferia de Cagliari, na Sardenha, com seus irmãos, irmãs e um pai que não presta para muita coisa. Ela quer sair dali, seguir seus sonhos e tornar-se cantora. Não quer seguir o exemplo de sua irmã, Mandarina, grávida aos 13 anos. Gigi, seu vizinho, é o único rapaz digno do seu amor. Mas hoje, dia 3 de agosto, a vida de Gigi está em perigo. Um dos irmãos de Cate, Tonio, quer matá-lo. Enquanto isso, Cate e sua melhor amiga Luna vivem o dia mais longo de suas vidas em meio à vizinhança barulhenta, o mar e as ruas do centro da cidade.
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Cate (Sara Podda) tem a consciência de ser uma personagem de cinema ou, ao menos de estar tendo sua história documentada à câmera invisível, superando a quarta barreira, a que separa a telona da plateia, tão logo surja a primeira cena. Este recurso serve para oferecer o ponto de vista da adolescente de 13 anos sobre sua numerosa família, os amigos e amores e, por fim, si própria, o que naturalmente produziria uma opinião inconfundivelmente imatura, acentuada ainda por cima pela sua narração in off e domínio da cronologia narrativa. Isto não significa, no entanto, que o filme de Salvatore Mereu precise compartilhar cegamente a visão míope e despreparada da protagonista.
Julgando engraçado os comentários, sobretudo sexuais, acerca de praticamente todos os que convivem com ela - pai, mãe, irmãos, amigos, vizinhos, etc - Salvatore também não enxerga a contradição de Cate saber o desfecho da sua história e mesmo assim, expondo isto ao público diretamente, agir como se estivesse surpresa. Porém, de que maneira ele poderia saber, se estava preocupado demais em retornar à adolescência?