O filme foca na situação de dez órfãos de guerra provenientes de diferentes cidades em todo o Japão. Com nenhum lugar para ir, eles rodeiam estações de trem, arranhando uma existência por meio de trabalho no mercado negro para um vagabundo de uma perna evitando ser apanhado pela polícia por vagabundagem. No entanto, eles encontram um modelo mais inspirador na figura de um soldado sem nome repatriado após a guerra. Também órfão, o soldado não tem uma casa para voltar, então percorre todo o país com as crianças em busca de trabalho.
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Shimizu há tempos já vinha trabalhando com o universo infantil e sua relação com o mundo adulto. Mas nesse, pelo contexto do pós-guerra, todo o drama das crianças parece mais pungente. Logo de início o filme faz referência a outro filme do diretor, filmado durante a guerra em 1941, chamado Mikaheri no Tou (Instrospection Tower), que lidada com crianças problemáticas tentando se adaptar a vida em um reformatório, e a história girava em torno desse contexto de socialização e entendimento da importância do companheirismo, tendo adultos como guias dessa jornada. Aqui o adulto mais importante é um ex-combatente que, voltando a sua terra devastada, observa a vida desregrada de crianças orfãs e sem amparo, precisando ele mesmo encontrar seu caminho, além de, por iniciativa própria, tentar direcionar essas crianças para um futuro mais digno. Há muitos paralelos com o neorrealismo italiano, tanto pelo modo como lida com o espaço físico e sua relação com os personagens (a relação com o mar, a montanha, e os escombros das cidades), como pelo profundo humanismo que perpassa todo o filme.