Como é o cotidiano das infâncias indígenas? O que revelam meninos e meninas que vivem longe dos ritmos urbanos, aprendem com a natureza e convivem em harmonia com suas comunidades e tradições?
Para muitos povos indígenas, a criança não é vista apenas como um ser em formação, mas como alguém que participa ativamente da vida comunitária. Desde cedo, ela é reconhecida como sujeito de direitos e responsabilidades, aprendendo com o cotidiano por meio da observação, da imitação e da convivência.
Entre os Guarani, por exemplo, a infância é o tempo do nhanhembo’é, período de aprendizado espiritual e formação integral, em que corpo, mente e espírito se desenvolvem em harmonia com a comunidade e a natureza.
A câmera dos diretores Renata Meirelles e David Vêluz atua como um personagem invisível, registrando com delicadeza e sem interferências o som noturno da floresta, o fluir dos rios, as brincadeiras das crianças e os rituais sagrados dos povos Guarani Kaiowá, Guarani Nhandeva, Baniwa e Kĩsêdjê. A filmagem mostra como a infância floresce em cada território. O filme integra o projeto Território do Brincar, uma iniciativa do Instituto Alana.
Quatro povos, quatro modos de viver a infância:
Guarani Kaiowá – vivem no sul do Mato Grosso do Sul, em municípios como Dourados e Amambai, próximos à fronteira com o Paraguai. Enfrentam há décadas conflitos fundiários e a perda de territórios tradicionais.
Guarani Nhandeva (ou Ñandeva) – localizados também no Mato Grosso do Sul, com comunidades no Paraná, São Paulo e no litoral sul e sudeste. Compartilham laços culturais e linguísticos com os Kaiowá e Mbya.
Baniwa – habitantes do noroeste do Amazonas, nas margens do rio Içana, afluente do Rio Negro, especialmente em São Gabriel da Cachoeira. Integram a Terra Indígena Alto Rio Negro, uma das mais preservadas do país.
Kĩsêdjê (ou Suyá) – vivem no Parque Indígena do Xingu, no norte do Mato Grosso, às margens do rio Suiá-Missu. Falam uma língua da família Jê e são reconhecidos por sua tradição musical, seus rituais de canto e dança e por uma relação profunda com a floresta e os ciclos naturais.
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