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Outros títulos
Pigtails - Estados Unidos da América
Pigtails - Estados Unidos da América
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Sinopse
Em março de 2011, a terra do Japão tremeu e o mar bramiu violentamente. Em uma pequena e isolada casa à beira-mar, uma garota de cabelos trançados vive sozinha desde aquele dia fatídico, nutrindo esperanças de renascimento após o desastre.
Há toda uma progressão do sombrio, nessa história fabulesca, que a torna ainda mais bonita. Uma escalada que, cada vez mais, vai evadindo o tom inicial do filme, mas, surpreendentemente, no seu auge, retorna ao princípio. O que não significa desmerecer tudo o que foi construído, significa fechar um ciclo, perpassar por uma visão panorâmica antes de concluir seu ponto.
Toda essa cascata que menciono, se refere ao crescendo da gravidade e obscuridade da experiência. Mesmo num princípio muito agradável, com uma discussão de pregadores, o cenário e até o quê sugestivamente violento dos objetos já denunciam uma contradição que vai permanecer na obra, um polo extremamente confortável, bonitinho, fofo, que parece querer jogar tudo que há de ruim para fora do campo de visão.
Claro, essa alienação vai se tornando cada vez mais explícita, e esse é um dos auges do curta. Os traços delicados, a música suave e, fundamentalmente, a fábula dos objetos falantes e dos humanos mudos vai se tornando discrepante se contrastada ao cenário pós-apocalíptico de contornos bizarros. Ele joga com seus elementos expressivos tal como uma enxurrada de animes também faz, na maioria das vezes de modo hediondo (bem longe de conseguirem ser um Meu Amigo Totoro), usar a estética para maximizar a sensação do mundo colorido e delicado, mas, aqui, descontruindo a si mesmo, explicitando cada vez mais esse pendor à demência que a estética traz e acaba por rimar com a temática de alienação da protagonista.
Todavia, muito mais do que simplesmente querer abalar as estruturas daquele bonitinho universo particular mostrando a "verdade" (como a TV portátil diz repetidamente), o autor, de repente, inverte os valores das coisas. O lado de fora deixa de ser uma visão de horror, a "verdade" do objeto quase quebrado se torna a única música diegética e do além muralha surgem balões coloridos. É como se, ao tentar investigar o medonho mundo externo, descobrisse-se que o verdadeiro terror das coisas está no interno, ali mesmo, no universo isolado da casinha fabulesca. A famosa história de Platão, um dos mitos do âmago da humanidade.
O que já funciona muitíssimo bem, com tamanha singularidade, mesmo que reproduzindo um dos arquétipos mais retratados. Porém, o que se conta ao final é praticamente um plot twist discursivo, mais uma grande surpresa de uma experiência de menos de meia hora. É quando se fecha o ciclo inesperadamente, quando a voz dos objetos se torna maior que nunca através das decisões da protagonista humana que nega a liberdade. Um caminho reverso ao que se construíra até então? Bem, na verdade, nem tão reverso assim, além do mais, se íamos conhecendo mais do lado de fora era graças aqueles que nasceram sem a opção de liberdade: os objetos.
Dizem que é possível se fazer um poema bonito até falando de gangrena e acredito que Mitsuami no kamisama é a maior prova da asserção, com seu belo final que basicamente nos diz, "há certa dignidade em se viver como gado".
Você tá lá assistindo um filme bonitinho, mas cheio de mistérios que vão sendo revelados. E as sensações vão se revirando, pq mostram diferentes perspectivas da situação. Uma bela reflexão.
Itazu, roteirista Miho Maruo e o elenco e equipe fazem um trabalho fantástico ao criar um yin-yang de doce fantasia que tem uma semente de horror por dentro e vice-versa ao longo do filme. Também é impressionante como o que parece ser um momento inteligente, mas menor, nos minutos iniciais do filme, e o faz de uma maneira que não é apenas ironia grosseira ou reafirmação óbvia de um tema, mas um comentário intrigante sobre como às vezes, e não necessariamente ficando insensíveis a algo terrível, nós da platéia podemos concordar com isso desde o início, simplesmente dependentes de nossa definição de personalidade.
Há toda uma progressão do sombrio, nessa história fabulesca, que a torna ainda mais bonita. Uma escalada que, cada vez mais, vai evadindo o tom inicial do filme, mas, surpreendentemente, no seu auge, retorna ao princípio. O que não significa desmerecer tudo o que foi construído, significa fechar um ciclo, perpassar por uma visão panorâmica antes de concluir seu ponto.
Toda essa cascata que menciono, se refere ao crescendo da gravidade e obscuridade da experiência. Mesmo num princípio muito agradável, com uma discussão de pregadores, o cenário e até o quê sugestivamente violento dos objetos já denunciam uma contradição que vai permanecer na obra, um polo extremamente confortável, bonitinho, fofo, que parece querer jogar tudo que há de ruim para fora do campo de visão.
Claro, essa alienação vai se tornando cada vez mais explícita, e esse é um dos auges do curta. Os traços delicados, a música suave e, fundamentalmente, a fábula dos objetos falantes e dos humanos mudos vai se tornando discrepante se contrastada ao cenário pós-apocalíptico de contornos bizarros. Ele joga com seus elementos expressivos tal como uma enxurrada de animes também faz, na maioria das vezes de modo hediondo (bem longe de conseguirem ser um Meu Amigo Totoro), usar a estética para maximizar a sensação do mundo colorido e delicado, mas, aqui, descontruindo a si mesmo, explicitando cada vez mais esse pendor à demência que a estética traz e acaba por rimar com a temática de alienação da protagonista.
Todavia, muito mais do que simplesmente querer abalar as estruturas daquele bonitinho universo particular mostrando a "verdade" (como a TV portátil diz repetidamente), o autor, de repente, inverte os valores das coisas. O lado de fora deixa de ser uma visão de horror, a "verdade" do objeto quase quebrado se torna a única música diegética e do além muralha surgem balões coloridos. É como se, ao tentar investigar o medonho mundo externo, descobrisse-se que o verdadeiro terror das coisas está no interno, ali mesmo, no universo isolado da casinha fabulesca. A famosa história de Platão, um dos mitos do âmago da humanidade.
O que já funciona muitíssimo bem, com tamanha singularidade, mesmo que reproduzindo um dos arquétipos mais retratados. Porém, o que se conta ao final é praticamente um plot twist discursivo, mais uma grande surpresa de uma experiência de menos de meia hora. É quando se fecha o ciclo inesperadamente, quando a voz dos objetos se torna maior que nunca através das decisões da protagonista humana que nega a liberdade. Um caminho reverso ao que se construíra até então? Bem, na verdade, nem tão reverso assim, além do mais, se íamos conhecendo mais do lado de fora era graças aqueles que nasceram sem a opção de liberdade: os objetos.
Dizem que é possível se fazer um poema bonito até falando de gangrena e acredito que Mitsuami no kamisama é a maior prova da asserção, com seu belo final que basicamente nos diz, "há certa dignidade em se viver como gado".
Você tá lá assistindo um filme bonitinho, mas cheio de mistérios que vão sendo revelados. E as sensações vão se revirando, pq mostram diferentes perspectivas da situação. Uma bela reflexão.
Itazu, roteirista Miho Maruo e o elenco e equipe fazem um trabalho fantástico ao criar um yin-yang de doce fantasia que tem uma semente de horror por dentro e vice-versa ao longo do filme. Também é impressionante como o que parece ser um momento inteligente, mas menor, nos minutos iniciais do filme, e o faz de uma maneira que não é apenas ironia grosseira ou reafirmação óbvia de um tema, mas um comentário intrigante sobre como às vezes, e não necessariamente ficando insensíveis a algo terrível, nós da platéia podemos concordar com isso desde o início, simplesmente dependentes de nossa definição de personalidade.
gostei bastante da leveza dos traços do filme
O que aconteceria se...
o filme "A Ilha" fosse um anime.