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Data de lançamento
18 Out. 1966Duração
Alma, uma enfermeira, deve cuidar de Elisabeth Vogler, uma atriz que está com a saúde muito boa mas se recusa a falar de qualquer jeito. Com a convivência, Alma fala a Elisabeth o tempo todo, inclusive sobre alguns de seus segredos, nunca recebendo resposta. Logo, Alma percebe que sua personalidade está sendo submergida na pessoa de Elisabeth.
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Quando a persona cai, a alma fica exposta.
*Persona* (1966), de Ingmar Bergman, transcende o mero drama psicológico ao funcionar como uma implacável radiografia das patologias da sociedade moderna. Por trás do isolamento à beira-mar e do silêncio de sua protagonista, o filme expõe a profunda falência da comunicação nas relações humanas, onde o diálogo cede lugar à performance e à alienação. A obra revela como vivemos cercados por máscaras sociais a persona que o título evoca —, obrigando o indivíduo a sufocar sua autenticidade para se adequar às exigências de um mundo espetacularizado e superficial.
Nesse sentido, a relação de poder e simbiose entre a atriz e a enfermeira serve como uma metáfora afiada para as divisões de classe, as neuroses coletivas e a culpa institucionalizada da civilização contemporânea. Bergman denuncia a crueldade de uma estrutura social que esvazia o sujeito, transformando o outro em um mero espelho utilitário ou em um reflexo descartável de nossas próprias frustrações. É uma crítica contundente à incapacidade de empatia genuína em uma sociedade que mercantilizou até os afetos e as dores da alma.
Confesso que já cansei de filmes que é necessário conhecimento médio/avançado em uma área específica (nesse caso a psicologia) pra entender todas as nuances e interpretações possíveis. Não é um problema do filme, é um problema meu, mas não vou falar que amei só pra fingir uma intelectualidade que eu não tenho.
Mas essa tradução do título, que bela de uma porcaria, rs.
Filme complicado onde cada um terá a sua tese
Sou muito cadelinha do Bergman.