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Data de lançamento
18 Out. 1966Duração
Alma, uma enfermeira, deve cuidar de Elisabeth Vogler, uma atriz que está com a saúde muito boa mas se recusa a falar de qualquer jeito. Com a convivência, Alma fala a Elisabeth o tempo todo, inclusive sobre alguns de seus segredos, nunca recebendo resposta. Logo, Alma percebe que sua personalidade está sendo submergida na pessoa de Elisabeth.
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“Persona” ainda continua a ser um dos grandes filmes do cinema e um dos mais importantes de Bergman, mesmo passados 60 anos de sua produção. Após tê-lo visto já por algumas vezes, acho que não é mais o caso de comentar a direção primorosa e revolucionária de Bergman, a fotografia primorosa em sombras de Nykvist ou a interpretação colossal das duas protagonistas (Anderson e Ullman). Quero mudar o foco para a filosofia discutida por Bergman na película que é o foco principal de sua profundidade ainda hoje. A exploração da filosofia da identidade, da máscara social e da dissolução do "eu” é que o tornam único em seu momento temporal. É aí que está sua ousadia: questionar se o ser humano possui uma essência verdadeira ou se é apenas uma soma de papéis e aparências.
Elisabet decide emudecer porque percebe a falsidade da linguagem e da representação cotidiana, de sua persona criada para a sociedade. É um ato de resistência ética a toda a falsidade que transmite por suas palavras, em uma profunda crise de autenticidade.
Mais ainda: em sua convivência isolada com Alma na solidão da casa de praia (e aí a importância do trabalho de cena de Bergman e da fotografia de Sven Nykvist) inicia-se um processo de espelhamento e transfusão de personalidades entre as duas personagens, conforme Alma vai se abrindo para Elisabet. Tão ao gosto da psicanálise Junguiana admirada por Bergman (conceito do duplo), onde elas deixam de ser indivíduos separados e se tornam uma única consciência fragmentada.
Tudo permeado por outros conceitos tão caros a Bergman que são o pecado e a culpa (sempre presente em suas obras devido a sua formação luterana extremamente rígida), a vulnerabilidade do ser humano e seus desejos inconfessáveis quando as máscaras das personas desabam. Ou seja, uma obra única em toda sua profundidade.
Persona 7.5/10
O subtítulo brasileiro, somado ao pôster mais difundido no Brasil, pode tentar induzir a algo que o filme não necessariamente se propõe. Em contrapartida, o título original carrega o poder que a obra do famoso Ingmar Bergman tem, de vestir máscaras e parecer outra coisa. Isso acontece também com o filme, que engana, em alguns momentos joga objetos e “coisas” na tela e simula uma projeção com defeito.
A história de Persona, de uma enfermeira inicialmente amorosa e “certinha” que cuida de uma atriz que, por algum motivo, mesmo que sua saúde esteja plena, não consegue mais falar, se mistura numa espécie de thriller psicológico quando suas vidas vão colidindo e vamos descobrindo segredos do passado que começam a reverberar. A confusão e o choque do que é real, além da dependência que esse relacionamento cria de forma instantânea, são o trunfo do diretor para nos manter hipnotizados durante a projeção de seu provavelmente mais famoso filme. Persona ainda conta com uma fotografia belíssima, que entrega frames eternizados na história do cinema e que ajudam a construir sua narrativa.
Dito tudo isso, é preciso reconhecer o poder do filme e reconhecer que ele às vezes pode não funcionar completamente para você. Com Persona, aconteceu isso comigo.
Famoso Quem fala de mais da bom dia a cavalo
Para mim, esse filme é um experimento.
A fotografia, aliás todo o filme, é de uma beleza absurda, e por que não, transcendental. Além disso, senti-me tragado pela atmosfera do filme, não sei se onírica , surreal ou absurda.
Liv Ullmann, naturalmente, já exerce esse poder sobre mim desde "Face a Face".
Aqui, Bergman mostra que é um grão mestre da luz: os efeitos são de outro planeta - e pensar que é um filme de 1966!
que filme bem feito, juro! a fotografia, o jogo de câmeras, os diálogos e toda a beleza impressionam, mesmo 6 décadas mais tarde. poucos filmes possuem tamanha qualidade.