Kyung-Soo (Kim Sang-Kyung) trabalha como ator, mas seu último filme foi um fracasso e ele acaba por não conseguir nenhum novo papel. Decepcionado e enojado, ele embarca em uma viagem para visitar um amigo e encontra duas mulheres muito diferentes, Myung-Suk (Ye Ji-Won) e Sun-Young (Chu-Mi).
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Ainda que eu não me considere um grande conhecedor do cinema do Sang-soo este Turning Gate foi o filme do coreano que mais me remeteu aos conflitos amorosos do Rohmer. Tem uma toada simplista onde o que vale é a afeição entre os personagens e seus diálogos. Não chega a ter uma trama tão elaborada quanto menos discute algo com muita contundência, é somente uma crônica agradável sobre romances imperfeitos.
Dos que vi do diretor, foi o mais lento até agora. Ainda assim gostei. Um personagem solitário e suas desventuras. A cena da leitura da sorte foi de rachar o bico. No entanto, não consegui conectar a lenda antiga a história. Acho que é porque assisti fracionado.
Assistir um filme do Hong Sang-soo pra mim é o mesmo que ser abraçada por alguém me dizendo: "Vai ficar tudo bem."
Um filme sobre conflitos.
"Kyungsoo, mesmo sendo difícil ser um humano não vamos nos transformar em monstros, ok?"
O caminho que Kyungsoo percorre para não se tornar o monstro que suas frustrações querem o transformar é longo e tortuoso, assim como é o caminho de cada personagem que na tela surge (não são poucos, visto que falamos de Sang-Soo). Seu amigo Sungwoo não tem aptidão alguma para relações, está preso num aborto de homem moderno, além de ter sua herança de família comandada por sua prima. Os dois se conflituam, este tem como motivação um afastamento passado e a frustração com a vida que ambos carregam, conflitos que se intensificam com a chegada Myung-Suk, se a primeira vista, ela, parece um equilíbrio para a relação dos dois (uma mulher aparentemente dona de toda sua vida "Eu bebo porque eu gosto do sabor") ao decorrer do filme ficará claro que assim como os outros ela luta contra as próprias frustrações; importante notar que na personagem de Myung talvez resida o problema chave do filme, em momentos a personalidade dela torna-se INcrível, ao que parece para reforçar a ideia de frustração que gera o "monstro", porém com essa inconsistência Sang-Soo relega a mulher Myung um papel injusto (e até estereotipado de forma sexista - a mulher que é obsessiva pelo amor de um homem).
Kyungsoo foge, foge da obsessão de Myung, foge do amigo que deixou/decepcionou novamente e segue ruma seu regresso. O tom de nostalgia impera em Kyung, lembra-se do colegial, das jovens do colegial (um tempo em que era fácil ser humano?), acha suas memórias em Sun-Young, a induz ao adultério, sem pestanejar diz que a ama e a obsedia; afinal vê nela suas memórias, o tempo em que havia inocência e pureza; mas não é tão simples, com Sun há uma família, há a tradição, o casamento. Novamente o conflito, novamente a dificuldade e o monstro. As portas fechadas.
"Eu não quero mais sexo, apenas morrer puro e inocente", Kyung se vê como a cobra que regressa pelo portal como um monstro de tradições antigas.
Ao se ater a esse ponto de discussão do filme, negligencio outras possíveis discussões como o conflito entre Tradição X Modernidade, a construção sexista das personagens femininas ou as pequenas peculiaridades na poética do diretor que não são comuns em sua filmografia. Não é o melhor filme de Hong Sang-Soo, ele parece não dominar o roteiro com tanta maestria como geralmente o faz e uma visão tradicional e pouco complexa de alguns personagens prejudicam a obra. Sang-Soo é um cineasta que provoca debate, repetidamente (como são seus filmes).