Shame é um filme intenso sobre a dor, solidão e o peso de viver. Michael Fassbender vive Brendon, um homem na casa dos 30 anos imerso na típica vida de um adulto ``bem-sucedido´´. Possui um apartamento em Manhattan, um bom emprego e vida própria. Brendon, contudo, é assolado pelo tédio. Como denunciado nas primeiras cenas do filme, seus dias são absurdamente parecidos. Acordar pela manhã, ignorar os telefonemas da irmã problemática, ir para o trabalho e sair com seus colegas para a noite de Nova York. Tudo monótono. Tudo cinzento, como a fotografia da película se faz supor. Nosso protagonista acha consolo da mediocridade do seu cotidiano no sexo com prostitutas ou garotas casuais. Ou mesmo de horas abusando do uso de pornografia na Internet. O ser humano busca, inconscientemente, formas de dar sentido e sabor à própria vida. Inclusive um pouco de ilusão ou de sonho seria saudável, porque não necessário, para prosseguirmos em frente. Não é à toa que as religiões e as pseudociências detém tamanho poder, mesmo nos tempos contemporâneos. O abuso de drogas e os outros vícios da modernidade também se originam da necessidade do ser humano de confrontar sua vida medíocre e rotineira. Brendon encontra seu conforto, vício e mecanismo de fuga no sexo. Todavia, de maneira doentia e exagerada. Nota-se, inclusive, a incapacidade do personagem de associar sexualidade com amor. A maioria de suas relações ocorre com desconhecida ou mesmo com meretrizes. Quando ele começa a ter encontros com sua colega de trabalho, conversando sobre trivialidades e conhecendo um ao outro. Seria mais um jovem casal se formando. Mas tudo vai abaixo em sua primeira noite juntos. Brendon não consegue sentir desejo pela parceira. Ele já a considerava alguém próxima e amável. Sabe-se isso que é um problema sério entre ninfomaníacos. Basta o amor começar para a paixão cessar. Nesse sentido, o filme tem seu mérito em mostrar a solidão de Brendon. Michael Fassbender é um ótimo ator, e consegue, com pequenos gestos e atuações comedidas, mostrar todo o desespero do personagem. Preso nos confortos da vida diária. A rotina e o conformismo são seus cárceres. A direção também é digna de nota, e é incrível como a trilha sonora, ora triste, ora inexpressiva, com seus belos arranjos de violino e piano, casam perfeitamente com as cenas da película. Infelizmente, nem tudo são flores. A direção e a trilha sonora não bastam para esconder os defeitos do filme. Achei algumas cenas rasas, sem um apelo emocional necessário. A atuação de Fassbender compensa, e muito, mas são muitas as vezes que o vemos chorando ou se lamentando sem razão nenhuma. Após um tempo, isso ficou repetitivo e banal. Sua relação com a irmã Sissy é legal para abordar os sentimentos do personagem, mas faltou maior aprofundamento, parecendo quasetotalmente descartável no contexto geral do filme. Digo quase pois o final envolvendo Sissy é chocante e tenebroso. Fez total sentido no contexto do filme. Considero que ninfomaníaca fez um melhor trabalho em abordar esse filme tão polêmico, mas Shame ainda merece ser visto.
Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.
Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade
Shame
3.6 2,0K Assista AgoraShame é um filme intenso sobre a dor, solidão e o peso de viver. Michael Fassbender vive Brendon, um homem na casa dos 30 anos imerso na típica vida de um adulto ``bem-sucedido´´. Possui um apartamento em Manhattan, um bom emprego e vida própria.
Brendon, contudo, é assolado pelo tédio. Como denunciado nas primeiras cenas do filme, seus dias são absurdamente parecidos. Acordar pela manhã, ignorar os telefonemas da irmã problemática, ir para o trabalho e sair com seus colegas para a noite de Nova York. Tudo monótono. Tudo cinzento, como a fotografia da película se faz supor. Nosso protagonista acha consolo da mediocridade do seu cotidiano no sexo com prostitutas ou garotas casuais. Ou mesmo de horas abusando do uso de pornografia na Internet.
O ser humano busca, inconscientemente, formas de dar sentido e sabor à própria vida. Inclusive um pouco de ilusão ou de sonho seria saudável, porque não necessário, para prosseguirmos em frente. Não é à toa que as religiões e as pseudociências detém tamanho poder, mesmo nos tempos contemporâneos. O abuso de drogas e os outros vícios da modernidade também se originam da necessidade do ser humano de confrontar sua vida medíocre e rotineira. Brendon encontra seu conforto, vício e mecanismo de fuga no sexo. Todavia, de maneira doentia e exagerada.
Nota-se, inclusive, a incapacidade do personagem de associar sexualidade com amor. A maioria de suas relações ocorre com desconhecida ou mesmo com meretrizes. Quando ele começa a ter encontros com sua colega de trabalho, conversando sobre trivialidades e conhecendo um ao outro. Seria mais um jovem casal se formando. Mas tudo vai abaixo em sua primeira noite juntos. Brendon não consegue sentir desejo pela parceira. Ele já a considerava alguém próxima e amável. Sabe-se isso que é um problema sério entre ninfomaníacos. Basta o amor começar para a paixão cessar.
Nesse sentido, o filme tem seu mérito em mostrar a solidão de Brendon. Michael Fassbender é um ótimo ator, e consegue, com pequenos gestos e atuações comedidas, mostrar todo o desespero do personagem. Preso nos confortos da vida diária. A rotina e o conformismo são seus cárceres. A direção também é digna de nota, e é incrível como a trilha sonora, ora triste, ora inexpressiva, com seus belos arranjos de violino e piano, casam perfeitamente com as cenas da película.
Infelizmente, nem tudo são flores. A direção e a trilha sonora não bastam para esconder os defeitos do filme. Achei algumas cenas rasas, sem um apelo emocional necessário. A atuação de Fassbender compensa, e muito, mas são muitas as vezes que o vemos chorando ou se lamentando sem razão nenhuma. Após um tempo, isso ficou repetitivo e banal.
Sua relação com a irmã Sissy é legal para abordar os sentimentos do personagem, mas faltou maior aprofundamento, parecendo quasetotalmente descartável no contexto geral do filme. Digo quase pois o final envolvendo Sissy é chocante e tenebroso. Fez total sentido no contexto do filme.
Considero que ninfomaníaca fez um melhor trabalho em abordar esse filme tão polêmico, mas Shame ainda merece ser visto.