Love & Mercy é pouco para apresentar a complexidade de forças e agentes na tragédia pessoal e nas décadas perdidas de Brian Wilson. “É o biopic da Ms. Wilson”, ironiza o parceiro Van Dyke Parks, referindo-se ao imaculado retrato que o filme pinta da mulher de Brian. O roteiro, apesar de opções inteligentes na alternância entre os anos 60 e 80, perde ao centralizar o conflito entre Melinda, o amor maduro do compositor – que tem cinco filhos com ela - e o Dr. Eugene Landy. Landy é o psiquiatra pirado que, mal ou bem, com métodos heterodoxos e segundas intenções, conseguiu tirar o gênio dos Beach Boys de dois anos vegetando na cama (e o fazer produzir obras-primas como a canção que dá título ao filme). Paul Giamatti, quase sempre ótimo, exagera nas caricaturas de vilão e infantiliza o filme. É muito difícil interpretar alguém com sutileza, por isso dá para entender porque John Cusack se perde em certos maneirismos. Li muitos elogios à atuação dele, mas não me convenceu. De qualquer modo (e todas as resenhas que li concordam), Cusack fica muito abaixo de Paul Dano, espetacular como o Brian Wilson menino grande dos vinte e poucos anos. A reconstituição em super-8 e nas texturas alteradas é brilhante, assim como a edição de áudio e as cenas com instrumentistas de verdade recriando algumas das gravações mais importantes da história do pop. Mas nada importa tanto – e aí está um dos méritos do filme – quanto a música de Brian Wilson. É ela que, tal qual um personagem, emociona o tempo todo em Love & Mercy. Perdi a conta das vezes em que lacrimejei.
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Vício Inerente
3.5 568 Assista AgoraO melhor filme que já vi sobre o fim do sonho Hippie e a ascensão dos conservadores e Neoliberais, na Califórnia de 1970.
The Beach Boys: Uma História de Sucesso
3.9 169 Assista AgoraLove & Mercy é pouco para apresentar a complexidade de forças e agentes na tragédia pessoal e nas décadas perdidas de Brian Wilson. “É o biopic da Ms. Wilson”, ironiza o parceiro Van Dyke Parks, referindo-se ao imaculado retrato que o filme pinta da mulher de Brian. O roteiro, apesar de opções inteligentes na alternância entre os anos 60 e 80, perde ao centralizar o conflito entre Melinda, o amor maduro do compositor – que tem cinco filhos com ela - e o Dr. Eugene Landy.
Landy é o psiquiatra pirado que, mal ou bem, com métodos heterodoxos e segundas intenções, conseguiu tirar o gênio dos Beach Boys de dois anos vegetando na cama (e o fazer produzir obras-primas como a canção que dá título ao filme). Paul Giamatti, quase sempre ótimo, exagera nas caricaturas de vilão e infantiliza o filme.
É muito difícil interpretar alguém com sutileza, por isso dá para entender porque John Cusack se perde em certos maneirismos. Li muitos elogios à atuação dele, mas não me convenceu.
De qualquer modo (e todas as resenhas que li concordam), Cusack fica muito abaixo de Paul Dano, espetacular como o Brian Wilson menino grande dos vinte e poucos anos.
A reconstituição em super-8 e nas texturas alteradas é brilhante, assim como a edição de áudio e as cenas com instrumentistas de verdade recriando algumas das gravações mais importantes da história do pop. Mas nada importa tanto – e aí está um dos méritos do filme – quanto a música de Brian Wilson. É ela que, tal qual um personagem, emociona o tempo todo em Love & Mercy.
Perdi a conta das vezes em que lacrimejei.