Hoje marca 1 semana desde que eu encontrei meu pai. Essa é a primeira obra audiovisual que eu vejo desde então. Foi numa quarta feira. Ele deve ter falecido domingo. O socorrista disse que foi infarto. A última vez que eu o vi com vida foi na sexta feira, ele estava trabalhando e sorrindo comigo. Sentou pra conversar sobre alguma dívida no banco. Apertou minha mão antes de eu sair, do mesmo jeito de sempre. Não teve nada especial que indicasse que aquela seria a última vez que eu veria ele respirando. Esse curta fala sobre culpa, de uma forma bem própria, mas ainda assim culpa. Eu não sei descrever o auto ódio que embalsa a situação de encontrar alguem tão próximo morto, sem poder fazer nada. E pior, pensar que se vc estivesse por perto, poderia ter feito alguma coisa. Independentemente da situação, quando alguem que você ama morre você se culpa. Você arruma alguma coisa pra se culpar. Apagar a última filmagem da mãe sem querer, mesmo que não altere o fato dela estar morta, deve doer em Yuval. Esse curta me fez lembrar do fato de que eu nunca filmei meu pai. Por ter crescido sendo uma fissurada nata por cinema, eu tinha um pequeno sonho de crescer e filmar meu pai. Produzir um longa ou um curta da história dele, que ele mesmo sabia que era uma grande história. Eu cheguei a entrevistar ele, coletar detalhes, juntar papeis e documentos. Mas não cheguei a produzir nada por falta de material e não me achar técnica o suficiente pra isso. Nem precisava ser algo produzido, eu nunca filmei meu pai. As unicas imagens não estáticas dele estão na gaveta de vhs da familia. No meu celular com uma imagem ruim e 16gb de memória, eu só tenho fotos. Isso dói. Dói saber que em algum momento eu posso esquecer a risada dele. Assim como dói em Yuval saber que a tentativa de relembrar a última filmagem da mãe nunca vai ser exatamente igual a filmagem em si. Eu deveria ter filmado você. Nunca vou me perdoar por isso.
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I Think This is the Closest to How the Footage …
4.4 2Hoje marca 1 semana desde que eu encontrei meu pai. Essa é a primeira obra audiovisual que eu vejo desde então. Foi numa quarta feira. Ele deve ter falecido domingo. O socorrista disse que foi infarto. A última vez que eu o vi com vida foi na sexta feira, ele estava trabalhando e sorrindo comigo. Sentou pra conversar sobre alguma dívida no banco. Apertou minha mão antes de eu sair, do mesmo jeito de sempre. Não teve nada especial que indicasse que aquela seria a última vez que eu veria ele respirando. Esse curta fala sobre culpa, de uma forma bem própria, mas ainda assim culpa. Eu não sei descrever o auto ódio que embalsa a situação de encontrar alguem tão próximo morto, sem poder fazer nada. E pior, pensar que se vc estivesse por perto, poderia ter feito alguma coisa. Independentemente da situação, quando alguem que você ama morre você se culpa. Você arruma alguma coisa pra se culpar. Apagar a última filmagem da mãe sem querer, mesmo que não altere o fato dela estar morta, deve doer em Yuval. Esse curta me fez lembrar do fato de que eu nunca filmei meu pai. Por ter crescido sendo uma fissurada nata por cinema, eu tinha um pequeno sonho de crescer e filmar meu pai. Produzir um longa ou um curta da história dele, que ele mesmo sabia que era uma grande história. Eu cheguei a entrevistar ele, coletar detalhes, juntar papeis e documentos. Mas não cheguei a produzir nada por falta de material e não me achar técnica o suficiente pra isso. Nem precisava ser algo produzido, eu nunca filmei meu pai. As unicas imagens não estáticas dele estão na gaveta de vhs da familia. No meu celular com uma imagem ruim e 16gb de memória, eu só tenho fotos. Isso dói. Dói saber que em algum momento eu posso esquecer a risada dele. Assim como dói em Yuval saber que a tentativa de relembrar a última filmagem da mãe nunca vai ser exatamente igual a filmagem em si. Eu deveria ter filmado você. Nunca vou me perdoar por isso.