colocar em evidência o valor da amizade e inserir alguns pontos de crítica social por meio do horror é uma das boas coisas que essa série faz. o protagonismo das crianças nos faz lembrar das coisas que deixamos pra trás quando envelhecemos, dentre elas a cumplicidade pueril e o engajamento no jogo, que em grande parte não conseguimos experienciar como adultos. em meio a famílias distantes e violentas, as crianças forjam entre si redes de apoio e de ação conjunta no desvendar dos mistérios de Derry, de forma muito mais coesa e implicada em relação aos adultos que as cercam, quase sempre perdidos demais em suas próprias preocupações e egolatrias.
a abertura da série, cuja animação é inclusive de um surrealismo muito apropriado, me remete ao Parábola de Stanley, jogo que se inicia numa empresa de visual burocrático aparentemente vazia da qual emanam ordens misteriosas
dois pontos a serem destacados: - a simbiose entre a narrativa e a trilha sonora - a calma com que o roteiro é desenvolvido
a progressão da história é muito pontual, não há falas/cenas soltas. cada uma serve a um propósito aparentemente bem estabelecido. embora eu desejasse, ao fim, ter visto mais, talvez o formato em poucos episódios tenha favorecido a proposta da série: ela é objetiva, mas não exatamente simples.
quando um dos personagens reitera a pergunta "não seria fantástico se pudéssemos voltar e viver tudo de novo e de novo e de novo?" senti que talvez a pergunta também pudesse ser "não seria fantástico se, apesar de tudo que acontece contra a nossa vontade, nos sentíssemos à vontade na vida apenas por estarmos vivos?"
sinto que mudei junto com os personagens desde a primeira temporada e que de certa forma eles se tornaram tão familiares que é como se o fim da série significasse a morte de alguém querido.
deixo six feet com a sensação de ter atravessado uma experiência avassaladora e terna, na medida em que é possível conciliar características aparentemente tão inconciliáveis.
tão conciliavelmente inconciliáveis quanto vida e morte.
interessante como o trabalho de ocultar deformações dos cadáveres na série se liga, a nível subjetivo, à forma como os fisher (e tantas outras famílias) se relacionam a princípio: esquivando-se dos próprios sentimentos, de forma que, aparentemente, quanto mais ocultos, melhor. o esfacelamento e a recriação dos laços enquanto um trabalho de crítica é um dos temas já vistos em outra obra do diretor Alan Ball: beleza americana. aqui temos essa premissa elaborada de forma igualmente precisa e atrativa. six feet é um encanto.
me incomodava a insistência dos flashbacks até me dar conta de que a partir deles a série produz um sentido único, a despeito de quão excessivamente dramática a narrativa se desdobre.
a partir dela passei a prestar mais atenção na forma com que o meu passado e até mesmo situações das quais já nem me recordo interferem nas escolhas que tomo hoje.
acho que this is us deixa essa ideia de que o tempo não é consecutivo. personagens que morrem no curso da história não deixam de continuar aparecendo.
nada se perde quando falamos de memória.
Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.
Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade
It: Bem-Vindos a Derry (1ª Temporada)
4.1 362 Assista Agoracolocar em evidência o valor da amizade e inserir alguns pontos de crítica social por meio do horror é uma das boas coisas que essa série faz. o protagonismo das crianças nos faz lembrar das coisas que deixamos pra trás quando envelhecemos, dentre elas a cumplicidade pueril e o engajamento no jogo, que em grande parte não conseguimos experienciar como adultos. em meio a famílias distantes e violentas, as crianças forjam entre si redes de apoio e de ação conjunta no desvendar dos mistérios de Derry, de forma muito mais coesa e implicada em relação aos adultos que as cercam, quase sempre perdidos demais em suas próprias preocupações e egolatrias.
Ruptura (1ª Temporada)
4.5 870 Assista Agoraa abertura da série, cuja animação é inclusive de um surrealismo muito apropriado, me remete ao Parábola de Stanley, jogo que se inicia numa empresa de visual burocrático aparentemente vazia da qual emanam ordens misteriosas
Life After Life
3.8 1dois pontos a serem destacados:
- a simbiose entre a narrativa e a trilha sonora
- a calma com que o roteiro é desenvolvido
a progressão da história é muito pontual, não há falas/cenas soltas. cada uma serve a um propósito aparentemente bem estabelecido. embora eu desejasse, ao fim, ter visto mais, talvez o formato em poucos episódios tenha favorecido a proposta da série: ela é objetiva, mas não exatamente simples.
quando um dos personagens reitera a pergunta "não seria fantástico se pudéssemos voltar e viver tudo de novo e de novo e de novo?" senti que talvez a pergunta também pudesse ser "não seria fantástico se, apesar de tudo que acontece contra a nossa vontade, nos sentíssemos à vontade na vida apenas por estarmos vivos?"
A Sete Palmos (5ª Temporada)
4.8 501 Assista Agorasinto que mudei junto com os personagens desde a primeira temporada e que de certa forma eles se tornaram tão familiares que é como se o fim da série significasse a morte de alguém querido.
deixo six feet com a sensação de ter atravessado uma experiência avassaladora e terna, na medida em que é possível conciliar características aparentemente tão inconciliáveis.
tão conciliavelmente inconciliáveis quanto vida e morte.
que surpresa fantástica!
A Sete Palmos (1ª Temporada)
4.5 411 Assista Agorainteressante como o trabalho de ocultar deformações dos cadáveres na série se liga, a nível subjetivo, à forma como os fisher (e tantas outras famílias) se relacionam a princípio: esquivando-se dos próprios sentimentos, de forma que, aparentemente, quanto mais ocultos, melhor. o esfacelamento e a recriação dos laços enquanto um trabalho de crítica é um dos temas já vistos em outra obra do diretor Alan Ball: beleza americana. aqui temos essa premissa elaborada de forma igualmente precisa e atrativa. six feet é um encanto.
This Is Us (1ª Temporada)
4.7 778 Assista Agorame incomodava a insistência dos flashbacks até me dar conta de que a partir deles a série produz um sentido único, a despeito de quão excessivamente dramática a narrativa se desdobre.
a partir dela passei a prestar mais atenção na forma com que o meu passado e até mesmo situações das quais já nem me recordo interferem nas escolhas que tomo hoje.
acho que this is us deixa essa ideia de que o tempo não é consecutivo. personagens que morrem no curso da história não deixam de continuar aparecendo.
nada se perde quando falamos de memória.