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Laure está em mudança para morar com seu namorado. Ela entra no carro e fica presa no trânsito por horas. Mas, Laure se sente bem dentro do carro: é o único lugar onde pode ficar só. Sem pressa, ela observa o caos da cidade de Paris e oferece carona para um estranho, Jean, com quem vai passar uma noite.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Caos, buzinas, brigas, faróis, gente indo, ou tentando ir , Helen hunt francesa resolve seguir os conselhos do radio (impressão que isso não daria muito certo no Brasil) e da carona para o Oliver frances (sim aquele do teste de fidelidade do joão kleber)...ai...
Os franceses de novo vem com sua magia, e transformam algo fútil, cotidiano das grandes cidades, em uma noite cheia de nuances e envolvimentos, onde acontece quase nada e tudo ao mesmo tempo, uma viagem sensorial...
Bom, confesso que não é bem meu tipo de filme, tanto que me de sono vendo, ou seja, não me fez emergir, achei algo tão simplório e estático, feito somente para quem se permite algo mais sensível a ideia...para mim não deu.
Esse filme é um carinho.
Por que esse filme tão simples está me fazendo passar trabalho para organizar os mil sentimentos que ele me trouxe? Não sei, mas aqui estou, analizando demais e escrevendo delírios mais uma vez.
Sou uma iniciante em Claire Denis, esse é o segundo longa que assisto dela e já amo esse lirismo aconchegante que ela constrói.
O filme inicia mostrando os pertences empacotados de Laure, a rotina carregada do que são os últimos momentos dela no apartamento e, então, o chaveiro que diz " 'Nossa casa' amanhã - François". Esses momentos são alternados com paisagens, construções e telhados de Paris, junto de notas musicais melancólicas, que transmitem uma rigidez frigida e, de certa forma, opressora ao ambiente.
Laure então se destina a um jantar com amigos, mas devido a uma greve nos transportes públicos, o trânsito está parado. Mais uma vez, sentimos o exterior pesando sobre a protagonista. É então que ela ouve no rádio o que movimenta o filme: "A cidade está sufocando, todos estão exaustos. Em tempos como este, precisamos ser caridosos uns com os outros, experimente dar carona".
Não muito depois, Laure encontra Jean. Ele não se importa com onde a carona vai o levar, pouco nos é dito sobre sua personalidade e nada sobre sua vida, mas sua segurança quebra a atmosfera insípida que se mantinha até então. Laure decide ligar para avisar a amiga que não irá ao jantar, Jean parece ter sumido com o carro, para então surgir e levar Laure em uma imprudente corrida no carro. Essa substituição brusca da monotonia amedronta-a, ela pede para que Jean pare e ele vai embora.
A ameaça da perda como geradora de determinação é um clássico, e nem por isso se torna menos verdade. Ela encontra Jean novamente.
Agora, é firmeza e antecipação que substituiem a quietude da solidão. Solidão que existe para Laure mesmo na companhia. O chaveiro e a ideia de "nossa casa" parecem um tipo de opressão diferente, e ao mesmo tempo, tão igual ao isolamento. Enquanto com Jean ela se oferece em busca de uma companhia que realmente a tire da quietude, mesmo que temporariamente.
Os próximos momentos são pura inquietação, a trilha é mais vibrante e a montagem traz o efeito fragmentador da antecipação: uma troca de chave na mão, pés na escada, números de quartos, texturas, olhares, o ligar e desligar de um interruptor, tudo sem nenhum enquadramento amplo; não há serenidade para nor permitir ver o todo.
O filme também me fez contemplar um paradoxo: de um lado, o desconforto absoluto da incerteza de ser querida; do outro, a busca de um efêmero amparo... a incerteza é necessária para gerar a excitação ansiosa que culmina no amparo. Amparo que é efêmero, porque, quando demais, pode transfigurar-se em um "nosso lar" aprisionante.
Sobre isso, reflito ainda, que me parece fútil analisar se existiu verdade em um encontro depois que ele já ocorreu. Antes do encontro, alguma dúvida alimenta o desejo; durante, a entrega vem de acreditar que há essa verdade; e depois... depois não importa mais. Isso pode se tornar ciclico, ou parar aí.
Laure vestindo as roupas de Jean, enfim assumindo uma posição de maior domínio, e vendo a cidade em um tom menos melancólico pela primeira vez no filme, me foi bastante belo. Não sabemos se foram tiradas lições desse episódio ou o que a protagonista fará a partir daí. Mas algum peso foi liberto. Dela, e de mim.
Gosto da forma como Denis da vida à cidade. A cidade como um organismo vivo e a personagem central entregando-se à sedução desse organismo! Mas n me cativou muito n.
Às vezes é preciso diminuir a marcha de uma cidade grande para que possamos diminuir a nossa própria.
Não diria que este é um filme menor de Claire Denis mas é o mais estranho deles. Estranho porque justamente não há nada de diferente no roteiro. Tudo pode ser justificado facilmente, ou pelo menos penso que pode.
Aqui dois personagens se encontram durante uma noite de trânsito e caos na cidade, e vão se permitir as mais simples intimidades no decorrer dela. É mais ou menos como se o mundo fosse acabar amanhã e você tivesse a chance de olhar as possibilidades ao redor e vivenciar pequenos momentos na noite anterior. Claro que tudo se desenrola com aquela sensorialidade impressionante.
E o mais incrível é que quanto mais eu conheço as obras da cineasta mais eu me apaixono por ela