E esqueci de citar no comentário anterior: começo do filme com Elis Regina cantando Chico Buarque enquanto mostra a dor da Júlia refletida no
fogo que queima as fotos
Júlia (Ana Paula Arosio) é uma professora universitária de 36 anos que perde o grande amor da sua vida depois de mais de dez anos de relacionamento.
Acostumada a viver numa espécie de “torre de marfim”, Júlia se vê obrigada a voltar a interagir com as pessoas, o que havia deixado de praticar por ter um temperamento autocentrado e por ter acreditado, nos anos de relacionamento, que sua vida se resumia ao casamento com a parceira, Antonia.
Sem o suporte financeiro do ex-amor, Júlia recebe apoio do melhor amigo, Hugo. Juntos, eles partem para uma nova empreitada, o aluguel de uma casa em Pedra de Guaratiba, praia mais afastada do centro do Rio.
A renda de Júlia e Hugo não é suficiente para cobrir os custos da casa. Hugo, então, convida a amiga Lisa. Sem opção, Júlia tem de aceitar a solução do amigo.
Júlia, Hugo e Lisa passam a morar juntos. Com o passar do tempo, os três compõem uma espécie de nova família composta por três personalidades singulares. A chegada de Helena, prima de Lisa, que mora no exterior, traz Júlia de volta ao campo dos sentimentos, dos afetos.
Júlia, que carrega as características de uma mulher difícil, que não sabe conviver, que não sabe ser gentil, sofre uma série de transformações a partir dos encontros com outras pessoas que também estão vivendo, cada uma a seu modo, a experiência de ter perdido algo muito importante em suas vidas.
E esqueci de citar no comentário anterior: começo do filme com Elis Regina cantando Chico Buarque enquanto mostra a dor da Júlia refletida no
fogo que queima as fotos
Simples, intenso, melancólico e belo. Os diálogos, as poesias, os atores. A combinação inteira foi muito boa. O filme é sobre amor, e não sobre a homossexualidade. É bem diferente da produção habitual dos filmes brasileiros.
“Talvez eu me arrependa, Helena… Mas agora eu preciso descobrir o que sobrou de mim mesma. Não posso te arrastar para uma vida de comparações. Você merece coisa melhor do que alguém acampado numa encruzilhada tentando enxergar o caminho, qualquer caminho. O amor exige muito e eu tenho muito pouco pra dar. Nem sei se com este pouco se faz vida. As emoções escorrem, nada penetra. Talvez eu me arrependa, Helena, talvez.”
“Qual é o contrário do amor? Pra maioria, o contrário do amor é o ódio. Não, muito óbvio. Cheguei à conclusão de que o contrário do amor é o estado de perplexidade. Uma perplexidade ferida, que te prende numa armadilha, de onde você só vai conseguir escapar, com a ajuda de quem te abandonou.”
Bateu saudade desse filme, da pureza e de como ele é "cru". Sem rodeios. Sem faz-de-conta.
A interpretação de Ana Paula Arósio é sensacional e me deixou marcas, acho que eu comecei a ver algumas coisas com outros olhos. E até mesmo as pessoas.
Como não se identificar? esse filme parece que foi feito pra mim.
Eu sou a Júlia caminhando no final do filme. E se não sou, tou quase lá.
Filme sobre perdas/ganhos e meus olhos mataram as saudades da Ana Paula Arósio.
Gostei bastante. Como dialoga com literatura, achei que tem uma conexão significativa com um conto do Hemingway" Cat in the rain" em um aspecto específico, inclusive no que diz respeito a interpretação do desfecho da história.
Eu costumo só gostar muito de um filme se eu me identificar com algum personagem, mas nesse filme não consegui, não me identifiquei com nenhum, no entanto adorei do mesmo jeito. É tocante, é lindo. Vale muito a pena ver. Ana Paula Arosio estava excelente.
O filme é ótimo,algumas interpretações chegam a ser surpreendente, como a do Murilo Rosa. História bem contada, extremamente poética, vale muito a pena ser visto.
Não sei se me encontro em condições de comentar e criticar este filme, entretanto sinto a necessidade de fazê-lo e dizer que a simplicidade, a estética, o roteiro e o estudo de base para criar a produção foi muito boa.
É o cinema brasileiro mostrando que pode ser mais do que os rostos internacionalizados da televisão e mais do que a guerra destrutiva quanto a realidade das favelas do Rio, porque afinal deixemos essa realidade de lado, já existem muitos para falar sobre ela, enquanto podemos falar sobre coisas melhores de nós mesmos.
Dei o "play" pensando como seria mal adaptado um filme tão narrativo assim, só que me arrependi disso, porque é a narrativa que faz da arte cinematográfica um poema aqui. É assim que vejo, acima de tudo, um poema.
Como já disseram o filme é melancólico, intenso, bonito, amargo e ímpar.
Só discordo de que seja triste, porque ele mostra a vida e essa se dá pelo sofrimento que vem e depois termina na felicidade. Talvez nostalgico seja mais conveniente. Se reassistisse o filme tenho certeza que arrumaria mil e uma citações que são maravilhosas e valem a pena de ser feitas, mas para mim estas servirão como memorias de um passado que ensina o futuro e não necessariamente o muda.
Achei magnífico o ar melancólico que o filme tem. Em certas parte me veio o filme As horas (2002) na cabeça. Nunca tinha visto um filme nacional que me prendesse tanto a atenção como esse. Agora me pergunto Como Esquecer esse filme?
"Dos trópicos, eu só tenho a tristeza, o resto, aqui, é tudo escandinavo."
Amooo esse filme, é mt perfeito, eu sinto mt orgulho do cinema brasileiro assitindo a ele. totalmente incrivel, e faz vc refletir sobre várias questões, e vc fica mergulhado na história de um modo ... , adoro a Ana Paula Arósio!
Filme bonito, amargo, seco, ímpar e direto ao ponto.Um dos melhores filmes que já vi.E que me deixou contente com o cinema brasileiro.Ana Paula Arósio é uma ótima atriz.
Como esquecer (?)... Essa é a pergunta que fica. Os fantasmas são as coisas mais reais que existe...
Você é perfeita. Você é P-E-R-F-E-I-T-A!!!
Quem não desmorona com o fim do amor, nunca amou. Transformamo-nos em atores de uma peça sem platéia, nosso grito não sai pela boca, escorre por dentro, Júlia demonstra isso.
Não sou fã do cinema nacional, porque infelizmente não temos outros filmes como esse, seco, direto, angustiante, e por ser assim, não é um filme para o grande público( o que é uma pena)
Júlia chegou a me quebrar o coração certas vezes, com toda a sua amargura de pessoa com o coração aos cacos. É muito sincero o filme e muito angustiante ter que ver todo ao sofrimento e reclusão em que Júlia vive.
Os outros filmes brasileiros bem que podiam ser feitos assim. O filme não é sobre homossexualidade, é sobre amor e, talvez, sobre a dor da perda, pelo menos foi assim que eu o enxerguei.
Uma das características mais marcantes pode ser vista logo ali, no pôster: ele não é tendencioso - pode-se ver três pessoas bem diferentes, sofrendo a mesma dor de alguém que se foi, independentemente de como, e foi isso que me deixou bem pasmo, visto que a maioria dos filmes nacionais, e até internacionais, seguem sempre uma linha que acaba sendo, de uma forma ou de outra, preconceituosa, colocando um tipo de relacionamento acima do outro, pondo de lado os sentimentos envolvidos.
Os diálogos são bem bolados, apesar de não serem aqueles rápidos aos quais estou começando a me acostumar, e cada frase dita, principalmente pela Julia narradora, transpira poesia e filosofia. É verdade que, em algumas partes, essas soam um pouco pseudo-intelectuais por não serem complexas, mas, sim, óbvias; entretanto, mesmo essas (poucas, diga-se de passagem), de tão simples, acabam sendo belas e te levam a refletir.
Outro fator bastante interessante é, ao que me pareceu, a presença de Godard no filme (é o único que, no momento, me vem a mente), já que o mesmo começa não pelo começo chato e típico: começa pelo meio - nós sabemos de poucas coisas que aconteceram antes do que é retratado no filme; afinal, como era o relacionamento de Julia com Antonia? Por que Antonia terminou com ela? É verdade que pode-se supor uma resposta, mas isso seria apelar para o óbvio, o que não tem nada a ver com a obra. A forma como a câmera é colocada em algumas partes também me lembra muito dele.
A trilha sonora poderia ter sido mais bem explorada e blá, blá, blá, mas acho que acabaria estragando esse silêncio ensurdecedor que o filme tem. Falando nisso, o silêncio lhe dá tanto charme quanto os diálogos lhe dão um ar reflexivo.
A Ana Paula Arósio merece ser aplaudida de pé por sua atuação; o Murilo merece ser aplaudido sentado, muito provavelmente porque eu olhava pra ele e imaginava sempre o Dinho Ouro-Preto, e essa foi a imagem que ele (não o Hugo) me passou. O resto, é resto.
Enfim, Como Esquecer é, para mim, uma obra-prima do cinema brasileiro, pelo menos até agora, visto que não sou um cinéfilo, ainda mais no que se refere ao cinema nacional, e vai além disso: é um exemplo que deve ser seguido, independente de se tratar ou não de um filme LGBT (odeio esse termo). Um crítico disse que é um "drama morno", quando na verdade morno é a única coisa que ele não é.
P.s.: comédia tem que ser tratada exatamente assim, de forma leve, natural e pessoal, sem excessos.
Filme de uma beleza ímpar. Fala de amor [e do amor subitamente interrompido]com tanta poesia e com tanta verdade que é [quase] impossível não se identificar. O texto é o ponto alto do filme, não apenas nas frases de efeito como também nos diálogos mais banais. Não achei as atuações em geral muito brilhantes, exceção feita à Ana Paula que parece ter nascido para ser Julia. E a Fotografia é acima da média em se tratando de filmes nacionais [embora tenha melhorado infinitamente nos últimos anos]. Não achei arrastado, o ritmo do filme lembra obras como "O Carteiro e o Poeta", as coisas acontecem devagar pois é assim que devem acontecer...
Outro ponto que ao menos para mim é muitíssimo positivo: A protagonista [e boa parte dos personagens] é gay, mas o filme divaga sobre os males da alma, e não sobre orientação sexual. Não que os filmes que se propõem claramente a levantar uma bandeira e falar sobre o preconceito estejam errados, de maneira alguma. A questão é que muitas vezes isso acaba limitando a história, algo que em momento algum acontece com "Como Esquecer".
Confesso que eu esperava bem mais desse filme, mas não deixa de ser bom. Verdadeiro mas completamente triste e angustiante (pro lado ruim da coisa).
eu já fui uma júlia só que menos trouxa com as pessoas ao meu redor, triste.
Muito bem feito. A angustia retratada da forma mais coerente e bonita em poesia. Cada detalhe e cada passo da Júlia, mostra o caminho pro esquecimento. Ótimo drama. Antes de taxarem a Júlia como chata, deveriam levar em conta, que todos passamos por isso um dia, de forma mais intensa ou não. Belíssimo.
Esperava beeem mais desse filme... É um triste angustiado, mas não achei tão poético, nem 'tão' triste que me envolvesse de fato com a trama...
as produções nacionais com temáticas GLBTS estão cada vez melhores. esse filme é um grande exemplo disso, desde os diálogos até a fotografia. o elenco também está de parabéns (destaque para Natália Lage e Bianca Comparato). está na lista do meus favoritos.
Eu gostei, mas ainda estou tentando achar um melhor sentido para a minha interpretação :3
É bom saber que o cinema nacional consegue fazer um filme onde não tenha CARNAVAL, CORRUPÇÃO E BANDIDOS! :)
A coisa que mais ficou presente na minha cabeça é que, dizendo frases legais ou não, a Júlia é uma tremenda de uma chata.
Refaço minha avaliação do filme simplesmente porque pensei muito nele depois, principalmente os diálogos e a essa narrativa lenta, que faz a gente entrar em depressão junto com a protagonista, depois levantar, seguir. Gostoso.
Tem youtube tb mas a imagem não é essas coisas http://www.youtube.com/watch?v=rAbkSWRu1RA.
Dava pra aprofundar mais, mas os diálogos são intensos, e só quem vive pra entender a decisão da Julia no final. Um bom filme brasileiro q trata com bastante naturalidade a homossexualidade.
Seria excelente, mas não chega a tanto porque a atuação do elenco é fraca.
Nível de atuação: novelas globais.
Fora isso, o filme é lindo e tem muitos diálogos e frases legais.
Concordo, acho que a Ana Paula até conseguiu dar uma disfarçada, mas o resto do elenco tava muito no estilo novela global mesmo...o filme não chega a ser ruim por causa disso, mas essa atuação fraca, junto com diálogos rasos (pra não dizer malfeitos) e personagens pouco convincetes, impediu de ser algo mais.