Dada a recente enxurrada de filmes de super-heróis que chegam aos cinemas, parece natural a paródia ao gênero, fazendo-se os seus excessos e misturando os elementos mais tolos.
Defendor é um filme que tem ambições, e enquanto avança, torna-se mais evidente de que não se trata de uma mera paródia. Com o passar das cenas, a narrativa de Defendor torna-se cada vez mais envolvente, estabelecendo-se em um tom lançado a meio caminho entre o um thriller de mistério e o estudo de um comovente personagem, onde o espectador é levado a questionar a estabilidade mental de Defendor, e até mesmo a ética da sua guerra desequilibrada contra a injustiça. Embora essa transição entre os tons ser um perigoso terreno, Stebbings tem o cuidado de distinguir entre seus temas os momentos mais obscuros e, claro, os momentos de leveza.
Stebbings não perde o caminho por nennhum período, chegando ao clímax, serpenteando um pouco, mas sem perder o ritmo. A trama desenvolvida serve como uma reflexão sobre as raízes e a importância de heroísmo que, na verdade, surge surpreendentemente elegante e funcional, adicionando mais nuance e complexidade ao filme (sem ser excessivamente pretensioso). Completando o pacote, temos a triha sonora. A pontuação musical é maravilhosamente orquestrada por John Rowley, conseguindo abranger perfeitamente cada turno tonal. E, Woody Harrelson, em uma atuação muito dramática, mostra um carisma naturalmente maluco, que exemplifica a essência do filme.
Seria fácil comparar Defendor como um filme de seu protagonista: um pouco pesado e propenso a tropeçar às vezes, mas inteligente e com autoconhecimento. Mesmo se tomado como uma paródia de super-heróis, ou apenas como um estudo de personagem, Defendor prova ser um filme altamente agradável, que vale a pena assistir.