Perturbador. Tem ótimas cenas, mas achei um pouco arrastado.
Um das obras centrais da filmografia de Ingmar Bergman, O Silêncio é o desfecho da "Trilogia do Silêncio", formada ainda por Através de um Espelho e Luz de Inverno.
Duas irmãs com dificuldades de relacionamento, Esther e Anna, e o filho desta, viajam para a Suécia. Porém, no meio da jornada, são obrigadas a parar num país estrangeiro, onde se hospedam num hotel quase deserto. Neste local, elas se defrontam com o vazio existencial de suas vidas.
Meu favorito da trilogia.
O sofrimento causado pelo silêncio é gritante, ensurdecedor para a alma - sempre causando dúvidas e deixando as pessoas desoladas, perdidas numa falsa ideia de conforto.
A avaliação pode ser um pouco injusta porque é anacrônica. De todo modo, me parece provável que o filme, hoje, com o fato de um monte de noções próprias da psicanálise terem se tornado quase senso comum, seja menos impactante que ao lançamento. Vale a pena ver, mas não espere o inusitado.
Muito bom enquanto filme em si, mas para um "Bergman" fiquei com uma impressão de mediano, sei lá...
O menos interessante- para mim- da trilogia do silêncio. O que não quer dizer que seja ruim, muito pelo contrário.
A relação das duas irmãs, aquele clima hostil que existe entre ambas, uma delas com problemas respiratórios- ironicamente, as vias da fala-, uma em busca de aventuras sexuais enquanto seu filho fica a mercê e muita coisa sendo dita de forma silenciosa.
Este "O Silêncio" de Bergman segue com os temas dos 2 últimos filmes abordados, só que aqui a questão da relação como forma de preenchimento do vazio não tem um final que sugira isso como 'salvação' da solidão. O mundo 'sem Deus' aqui está mais que claro, e a falta de comunicação entre as pessoas se mostra como, exatamente, o elemento crítico para que o amor nunca possa se aflorar e para que o ódio nunca cesse de expandir.
o Johan deve ter crescido um adulto sequelado e traumatizado HUEUAEHUAE é o que Ester disse :"não adianta discutir a solidão, é perca de tempo."
"Eu não aceitaria o meu miserável papel. Mas agora estou demasiado só. Tentamos as nossas atitudes e descobrimos que são todas inúteis. As forças são demasiado poderosas. Quero dizer, as forças...as horríveis forças. Tem que ver por onde anda entre todos os fantasmas e recordações. Toda esta conversa não tem necessidade de falar da solidão. É uma perda de tempo."
Nem vou escrever nada, pois é impossível elogiar essa obra prima sem gastar mil caracteres.
QUE OBRA INCRÍVEL! QUE FILME GENIAL! Uma atmosfera sensualíssima e de um sofrimento feminino único! O filme todo é envolto de sexualidade e morte... Assistir esse filme é quase uma experiência sado-masoquista! Cenas e cenas que te causam um êxtase imenso! Um orgasmo cinematográfico!
"Mãe! Estou doente!"
O filme mais sutil e difícil de toda a trilogia exatamente por mostrar algo que existe nos outros dois, mas que não era o foco: a incomunicabilidade expressa em imagens.
E a trilogia do silêncio termina em silêncio.
Se formos atribuir algum tipo de rótulo à trilogia de Bergman e que foi finalizada com O Silêncio, seria este mesmo silêncio. Ora o silêncio de deus, aqui vemos o silêncio ensurdecedor entre duas irmãs, que nada falam e ainda assim dizem tanto de maneira dolorosa. A esperança para estas duas está perdida, muito foi vivido e vemos apenas altercações na dicotomia retratada pelas irmãs. Bergman aqui opta por uma linha de condução simples, ainda que seja necessariamente complexa a relação entre Esther e Anna, sem mencionar outros personagens presentes que acrescentam muito pra densidade da narrativa. Se por um lado a simplicidade existe num aspecto do filme, podemos também dizer que ele é um amplo campo para reflexões sobre o turbulento fim de semana vivido por essa gama de personagens num quarto de hotel, preferencialmente claustrofóbico e que aprisiona espectros tão conturbados.
O prólogo no vagão de trem estabelece a ótica pela qual vamos assistir o filme, o pequeno menino acorda, sente a imagem pela janela, o que se registra, sua textura, a natureza, ele a sente. Somos situados no ponto de vista e lembrados de que vemos a imagem de uma fita que deve ser antes de tudo sentido, interatividade total e imersão, embora através dos olhos de uma criança, naturalmente ingênua e perdida nos labirintos pelo qual vaga, uma clara amostra da sutileza que vemos no retrato da comunicação (ou falta de) entre Esther e Anna. É um conflito interno psicológico constante, onde cada personagem é desnuda até o cerne de si, até aquilo que lhe aflige mais, de uma forma tão sutil e tão bela, e capaz de conferir tantas reflexões para um mesmo indivíduo, que mostra o quão genial Bergman é.
É um dos filmes mais sexuais e excitantes do diretor, impressionante. São nuances de cada curva, de um seio, de boca, de mãos, toques, lençóis penetrações, masturbação, tudo filmado por um enquadramento que preza sempre por um toque de classe característico e que é aprimorado pela fotografia espetacular de Sven Nykvist.
Vemos sinais de uma relação incestuosa entre as duas irmãs, de forma ainda mais clara que a vista em Através de um Espelho, um amor reprimido, de forma espiritual da parte de Esther, que tem uma inibição clara de seu sexo, uma dominação psicológica sobre Anna, que tem claros rastros de um passado trágico e fatídico que viria a definir o comportamento sexual das duas. Anna por outro lado, libertina e frívola, pressiona Esther com sua promiscuidade e atividade sexual, faz pouco do amor sentido pela irmã, a humilha ao vulgarizar seu sexo, mesmo que isso custe tanto à alma da própria, pelo menos há o escape de uma realidade conturbada pelo prazer.
Dependendo da interpretação de cada um, podemos ver também uma sexualidade latente entre Anna e o filho, que aceita que apenas a mãe lhe toque, embora haja uma clara disfunção emocional entre os dois, um rejeito claro sofrido pela criança, que tem sua inocência violad aao ver a mãe em uma atitude suspeita. Aí então, sua relação com a tia toma um novo aspecto, o rejeito pela proximidade da mulher torna-se cumplicidade e abre espaço para confiança e contato humano.
Lembro uma vez de ver uma entrevista do Woody Allen onde ele diz que apesar da opressão mental característica dos filmes do Bergman, aquela melancolia e desesperança latentes, no final percebemos um momento emocional de felicidade, seja um passo em direção à salvação. Como mesmo diz o diretor, "O que mais importa na vida é conseguir fazer esse contato com outro ser humano. Do contrário você está morto, como muitas pessoas hoje estão mortas. Mas se você puder dar esse primeiro passo em direção à comunicação, em direção à compreensão, em direção ao amor, então não importa o quanto o futuro possa ser difícil – e não tenha ilusões, mesmo com todo amor do mundo, viver pode ser diabólicamente difícil – então você está salvo. Isso é tudo que importa, não é?”
E vemos isso quando Johan lê a carta deixada pela tia, ali vimos uma ligação criada por duas pessoas perdidas. Algo muito valoroso.
Com sutileza, Bergman faz um filme absurdamente sexual. A falta de comunicação entre os personagens e sua origem desconhecida só aumentam o poder da narrativa, que se torna capaz de gerar as mais absurdas interpretações.
Eu, por exemplo, enxerguei com clareza ali: incesto, homossexualismo e ninfomania.
Achei o melhor!
Muitas palmas para a atuação de Lindblom, Thulin e Lindström.
alguém aqui tem link pra "o silêncio" que não seja torrent? obrigada =)
Um filme estranhamento bom. Estranhamente engraçado e estranhamente triste. E um vazio e frieza desoladores.
Concluindo a linha de raciocínio da trilogia, somos apresentados, aqui, à ausência de Deus já estabelecida e com uma simbologia muito rica.
Gosto mais das atuações que do roteiro em si! Ingrid Trulin numa interpretação agonizante, perfeita, e Gunnel Lindblom sensual e totalmente entregue. É um belísssimo filme, fotografia magnífica como sempre, mas não conseguiu me tirar o fôlego!
A música de Bach como única forma de comunicação e compreensão entre os personagens. Um Bergman inspirado e extremamente cruel.
O próprio Bergman dizia que não era uma trilogia propriamente dita, que isto teria sido inventado pelos norte americanos, talvez porque quase simultaneamente o Antonioni fazia sua já cultuada Trilogia da Incomunicabilidade.
Então, a tal 'trilogia do Silêncio de Deus' não foi confirmada pelo próprio Bergman, que dizia que os três filmes não eram conectados plenamente.
O Silêncio fecha com chave de ouro uma trilogia de filmes insuportavelmente chatos.
Se eu achava que Através de um Espelho era um comprimido pra dormir, Silêncio é um mata-leão injetável. A trilogia do silêncio de Bergman é muito chata, com exceção de Luz do Inverno (que nem é tão bom assim).
Passei o filme inteiro sem entender nada do que vi, sem captar nada, uso excessivo de metalinguagem que confunde qualquer tipo de mensagem que o filme tenta passar. E um enredo muito cansativo. Sou fã do Bergman, mas pra mim, sua trilogia é intragável, sobretudo por este filme.
Uma conclusão nada agradável da trilogia do silêncio, inciada pelo ótimo "Através do Espelho", seguida do excelente "Luz de Inverno" e agora, finalizada com o apenas mediano "O Silêncio". Aqui, Bergman aborda, além da questão religiosa, a falta de comunicabilidade entre os membros de uma família constituída por duas irmãs e o filho de uma delas, basta notar que o camareiro do hotel onde as duas se hospedam, que não fala a mesma língua delas, acaba se comunicando mais com uma das mulheres do que a própria irmã da mesma, que fala o mesmo idioma. Esta abordagem tinha tudo para dar certo, mas, infelizmente, comigo não funcionou. Constantemente Ingmar perde o ritmo do filme, talvez por ter trabalhado com um roteiro desfocado. Além disso, fotografia é ótima, porém não me conquistou. Todavia, não pense que, por ser Bergman, os tabus serão apresentados de forma implícita e metafórica, até porque me surpreendi ao vê-lo filmando cenas de
masturbação e sexo de forma muito, muito, muito mais explícita que de costume.
Oi Luiz! Pois é, não funcionou comigo, mas assistir a trilogia do silêncio foi fantástico! Valeu muito a pena, e estou pensando em qual lugar vou colocá-lo na lista desse mês do Cinebulição! Eu fiquei pasmo quando vi as cenas de sexo e masturbação no filme, não porque eram muito explícitas, mas porque eram do Bergman! Nunca imaginei que um dia veria erotismo explícito em um de seus filmes. E eu adorei esse erotismo, porém o resto do filme não me cativou, achei o roteiro bem desfocado mesmo, não pelo erotismo, mas por alguns personagens que não precisavam existir, como os anões, entre outros pecadilhos.
Concluindo a Trilogia do Silêncio, com este filme homônimo Bergman cria uma atmosfera em que impera obviamente a falta comunicação e paradoxalmente, as personagens se comunicam melhor com aqueles que não partilham de seu idioma do que entre si. Bom filme, mas indiscutivelmente inferior a Luz de Inverno.
confesso que, no começo, estava achando o filme bastante monótono, mas esse final... o Bergman sempre consegue nos impactar com seus finais!
Li excelentes comentários por aqui: andré seiji, deriland, mário ribeiro. O q eu mais gostei, no entanto, foi o da cássia t.. Atingiu a perfeição, confesso q depois de ler o q ela disse, minhas palavras se esgotaram, não sobrando mais nada para comentar acerca do filme, apenas elogiar os comentários q vi por aqui, o dela, em especial. Faço minhas as suas palavras, cássia. Parabéns!
Me lembrou muito Gritos e Sussurros. Repressão e Liberdade, Intelectualidade e Erotismo se confrontando e se destruindo de maneira magistral por Bergman. Mesmo assim, achei o mais fraco da trilogia, porém ainda é um filme denso.
Ingmar Bergman enreda neste último capítulo da "Trilogia do Silêncio" uma densa e pouco comunicativa relação familiar que inibe qualquer indiferença por parte do espectador, tamanho o seu poder de impressionar e provocar sensações. Estabelecendo em sua trama uma hostilidade psicológica imprudente entre duas de suas personagens (as irmãs), que se contrasta com a inocência de outro (o filho de uma delas), "Tystnaden" (ou "O Silêncio) ainda investe em uma estética cinematográfica adulativa e sensível, a todo o momento evocando a sensualidade e o erotismo dos personagens da trama - algo que desperta imediatamente o cunho sexual recalcado do seu subtexto, determinando forma e embates psicológicos profundos, embora nunca aprofundados no filme, apenas no sentido de que "sempre há algo mais acontecendo". É com essa sutiliza, que, no entanto, nunca se abstém de chocar; com a cinematografia que faz ser deslumbrante e prazeroso a simplicidade de suas imagens; e com esse material para análise psicológica que “O Silêncio” se destaca e se mostra como uma obra rica em termos visuais e rica por sua dramaticidade condensada. A solidão, os ressentimentos familiares, os complexos... Tudo é desenhado por Bergman em forma de belíssimas e sugestivas imagens. Um filme excepcional.
Comparando com os demais da trilogia, foi o que mais me embeveceu! Tecnicamente falando, o Bergman o distingue dos demais. "O estilo das imagens nos filmes Através de um espelho e Luz de inverno foi austero, para não dizer casto. (...) Em O Silêncio, Sven Nykvist e eu decidimos ser absolutamente tudo menos castos".
Mas ainda assim, é de fato uma árdua tarefa tentar transpor em palavras as emoções proporcionadas pelos filmes do Bergman.
Intensamente conflitante com o requinte das curvas de Gunnel Lindblom. Sem contar o circo dos anões, Bergman é foda.
7 anões, jazz, bach, tanques de guerra, incomunicabilidade e Gunnel Lindblom sexy ao extremo. Não é o melhor da trilogia, mas também é espetacular. Á escolha do nome do filme foi perfeita.
Talvez o integrante da trilogia do silêncio que mais tem o silêncio absoluto. Uma história do vazio e da dor entre duas irmãs, beirando muito o eroticismo, mas sem aquele elemento que o torne memorável ou momentaneamente inesquecível.
Tem a importancia história de ter superado alguns tabus sexuais à época, mencionando o incesto, insinuando o complexo de Édipo, e com a sutileza de, contado em um País estrangeiro, ofereceu material suficiente para que entendamos o nível de prisão mental que um personagem se coloca quando não consegue desenvolver além do silêncio.
Leia mais críticas em http://cinemacomcritica.blogspot.com
Entre o melhor da trilogia, fico dividido entre este e Luz de Inverno. Difícil escolher.
Fechei a trilogia. Esse foi o filme mais erótico do Bergman que vi (não que tenha visto muitos). A relação entre mãe e filho, irmã e irmã, a deliciosa cena em que Ingrid Thulin se masturba, a moeda caindo no chão... Mas o mais visceral é o silêncio mesmo. A falta de comunicação entre os personagens é extrema. Paradoxalmente, se comunicam melhor com aqueles que não partilham de seu idioma do que entre si. Embora, tenha gostado muito deste O Silêncio, confesso que gosto mais dos outros dois.
Puxa, vi os outros dois filmes da trilogia mas ainda não vi esse. Me arrependi de entrar aqui, acabei sabendo quase tudo o q acontece no filme pelo seu comentário. Me esqueço q existem pessoas desagradáveis e desatentas que não marcam o comentario como spoiler.
Eu duvido muito, mas muito mesmo, que eu tenha conseguido nessas poucas linhas falar de quase tudo o que se passa no filme. Se você conseguir fazer uma sinopse bem estruturada do filme com base no que eu falei, te dou um prêmio. Apenas citei algumas cenas que, sinto muito, pra quem não viu o filme, devem significar bem pouco. Se você vai deixar de ver o filme porque agora sabe que há uma cena em que Ingrid Thulin se masturba, então o problema está com você. Essa é uma cena bastante citada na filmografia de Bergman, é até meio que de "domínio público".
E outra, meu caro, falar de spoiler em se tratando de um filme do Bergman é meio estranho. Bergman não escreve historinhas que dependem de eventos bombásticos/isolados para fazerem sentido ou terem graça.
Suas palavras não tornaram seu comentário anterior menos desagradável. Não vou conseguir fazer uma "sinopse bem estruturada" deste ou de qualquer outro filme por que não tenho esse objetivo e esse espaço não se destina a isso. E nunca deixaria de ver o filme por causa do comentário de um infeliz. Aos poucos estou me acostumando com esse péssimo hábito de alguns usuários dessa rede. De pombos e pedantes verborrágicos o mundo está cheio. Seu comentário sobre a obra de Bergman tambem foi totalmente desnecessário, pois não acrescenta nada sobre o que eu penso sobre esse diretor.
Se aqui tem tanta verborragia, comentários inúteis e tal, então a questão é: por que você frequenta o site? Acho engraçado essa galera neurótica com spoiler, deviam se trancar dentro de uma bolha e não ler mais nada. O mundo virtual está cheio de opiniões sobre tudo e se você vem a uma página de uma filme, obviamente quer saber mais sobre ele. Aqui praticamente todo mundo fez comentários mais ou menos semelhantes ao meu. Certamente porque entendem que esses detalhes do roteiro tão importantes em filmes cuja força está numa história redondinha não alteram a experiência de ver este filme. Talvez até ajudem.
Sem falar que acho essa obsessão com spoiler tão equivocada. Cinema não é só enredo.
A forma como os filmes do Bergman atingem a gente é tão inexplicável! Eu tento encontrar palavras mas não consigo.
É sempre tão bom assistir ao Bergman. Seu cinema reflexivo, com suas enigmáticas mulheres, nos transporta para dentro de nós mesmos. É tudo tão introspectivo e intenso.
Destaque também para a sempre fantástica fotografia do mestre Sven Nykvist.