O diretor Michael Apted revisita o mesmo grupo de adultos britânicos após um intervalo de 7 anos. Eles são entrevistados quanto às mudanças ocorridas em suas vidas no período. Nono documentário da série, iniciada em 1964.
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Já que o próximo demorará mais 6 anos pra sair, vou aproveitar a página desse filme pro review do projeto como um todo. A Up Series surge com uma premissa até que fraca pro modo como pensava em sustentar sua tese.
A proposta era analisar as opções e caminhos de vida de pessoas comuns da Inglaterra que perteciam a classes sociais diferentes e, por isso, analisaríamos como cada classe possibilita vidas diferentes e também se há mobilidade de classes na Inglaterra dos anos 60 em diante. Arrisco a dizer que com o passar dos anos, os próprios criadores entenderam que a dinâmica de voltar a cada 7 anos para fazer algumas perguntas e pontuar como estava a vida de seus participantes não era o modo mais efetivo de obter as nuances das diferenças de classe, pois há na vida uma infinitude de escolhas e dificuldades que o projeto não consegue captar por existirem na elipse entre um filme e outro. Justamente nessa fraqueza que a série encontra um olhar e uma análise muito mais instigante e que sustenta tudo até essa edição 56 anos depois. Nicholas, um dos participantes, parece ser dos únicos que realmente entendem porque as pessoas se interessam pela proposta. É claro que criamos vínculos com alguns deles, temos nosso preferidos e alguns que soam indiferentes, mas o que mais fisga nosso olhar é a simples passagem do tempo. É o corte seco entre um plano do filme anterior e a "revelação" de como está o entrevistado nos dias atuais. O "choque" que a passagem do tempo traz na montagem chega a ser tão revelador quanto as perguntas feitas por Michael depois que a câmera nos apresenta ao entrevistado da vez. A força da Up Series está em contar histórias banais, talvez parecidas com as nossas, ou não, mas que captam a simples existência de pessoas. Está mais distante de um voyeur e mais próximo de um Boyhood talvez. O filme ganha ao evidenciar o tempo da maneira mais simples possível: a comparação de planos de épocas diferentes.
Não interessa tanto se a personagem rica se rebelou e depois voltou a vida de alto padrão ou se o jovem do campo virou doutor em Física e se mudou, o que dá força a Up Series é encontrar pessoas que se disponibilizam a serem "cobaias" do simples registro de seus envelhecimentos, "cobaias" de uma curiosidade quase que inexplicável que temos pela vida alheia. As perguntas de Apted reforçam como o interesse é muito mais pelo banal e comum do que pelo específico de cada pessoa. Pouco se pergunta sobre suas opiniões políticas ou assuntos datados do momento presente, o interesse se direciona muito mais a questionamentos de "você quer ter filhos?", "seus pais já morreram?", "você está ficando doente?" etc. pois são vivências quase que inerentes a vida de qualquer pessoa de nossa sociedade e é justamente as mudanças de opiniões, os acasos e as surpresas que nos atraem. É voltando a vidas comuns que lembramos de tudo que já sabemos, mas que vistos periodicamente nos forçam a enfrentar: você envelhece e o acaso sempre vence.
Por fim, uma pena o formato ser tão quadrado e encaixado para funcionar como programa de TV. Tantas as possibilidades que um projeto duradouro desse carrega, mas a necessidade em sempre voltar aos programas anteriores e seguir a mesma fórmula por mais de 50 anos é um tanto quanto frustrante.