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Meu ponto de vista:
FREUD E O CASTOR
"O pior inimigo que existe no mundo é sempre você mesmo”. A frase que abre este texto é uma daquelas que podemos classificar como “clichês”, tão presente em livros de autoajuda, livros estes merecidamente criticados no filme The Beaver (em português, Um Novo Despertar). Pois bem, se a frase é manjada, a forma de expressá-la foi extremamente original no desenrolar do filme, mas não estamos aqui para falar de autoajuda, estamos aqui para falar de um castor, nem que seja um fantoche de castor, e um homem em depressão.
Em determinada cena do filme, Walter (Mil Gibson) está prestes a cometer suicídio, parado na sacada de um prédio a um centímetro de se livrar da depressão da pior maneira possível, mas um fantoche (sim, um fantoche!) controlado por ele mesmo o impede de realizar tamanha asneira. Ora, se Freud estivesse vivo ele descreveria a cena da seguinte maneira: na sacada de um prédio encontrava-se um homem, que, para aliviar a tensão e e satisfazer sua necessidade de acabar com a depressão, estava sob a ação do “id”, prestes a pular quando, de repente, o “ego” entra em ação transvestido de fantoche, mais especificamente, um fofinho fantoche de castor. Conscientizando-o da realidade, “falando para Walter” (aspas porque aqui todo mundo sabe quem fala com quem!) que o fracasso é algo terrível, sim, ele é, mas que é possível superar, e com a ajuda “dele”, Walter irá reconquistar tudo o que perdeu.
Pode parecer uma ideia maluca para um filme dirigido por Jodie Foster, ou historinha de “Sessão da Tarde”, mas esta simples fórmula – família + trabalho + psicologia – apresenta excelentes resultados! Durante o filme a terapia é constantemente lembrada como algo “essencial” (basta lembrar de todas as cenas em que a esposa de Walter pergunta como andam os encontros com o psicólogo), mas na prática ela é menosprezada; toda vez que o homenzinho com um fantoche na mão mente sobre sua terapia, um psicologo se remexe na cadeira do cinema! Não precisa ser especialista para saber que estas constantes mentiras e mudanças tão radicais durante o filme logo acabariam em uma tragédia.
Dito e feito, como que se Freud quisesse mais uma vez narrar a sétima arte, o “superego” entra em ação e faz com que o iludido homem interpretado por Mel Gibson se desse conta de que o fantoche era apenas um fantoche, e todo o problema psicológico pertencia a ele e mais ninguém. Para acabar de vez com a agonia de não conseguir se controlar, o “superego” faz com que o nosso protagonista decepe a própria mão, matando assim, o castor (tá, tá, o fantoche de castor) e a depressão. Medidas radicais para problemas complexos muitas vezes podem ajudar a resolver problemas que somente nós tivemos a oportunidade de criá-los e temos a chance de encerrá-los, esta é a mensagem passada pelo filme quando, no final, uma atitude extremada muda todo o rumo da história.
Por fim, não podemos deixar de tecer alguns poucos comentários técnicos; tem-se que elogiar as excelentes atuações de Mel Gibson, Jodie Foster, Anton Yelchin, Cherry Jones, Riley Thomas Stewart, Zachary Booth, Michael Rivera. Já a atuação de Jennifer Lawrence nós podemos dar uma segunda chance em um outro filme (mas só porque é bonitinha!)...Ah, e é claro, não podemos nos esquecer da “mais completa” (com a licença do pleonasmo) mudança psicológica de Walter (e belíssima atuação de Mel Gibson), o sotaque britânico!
P.S. Se você assistiu ao filme dublado, desculpe-me, mas tenho que lhe avisar: você perdeu um dos traços mais profundos na mudança psicológica do protagonista; o sotaque do castor, e que sotaque!
Por: Fábio Esteves
Medianeiras: um filme sobre solidão
Já pensou em colocar paixão, internet, amor, reclusão, solidão, Wally (da série “onde está o Wally?”), nerds, prédios e uma narrativa simples dentro de um liquidificador, o que sairia dalí? Posso responder, com muita firmeza, que o resultado deste “mix” seria um filme com o nome de “Medianeiras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual”.
O filme, como se pode deduzir através de seu título, foi produzido pelos nossos hermanos, e possui uma história tão simples e rotineira que é justamente aí onde se encontra o encanto, a magia da película. Com uma história comum, sobre dois sujeitos ainda mais comuns, Medianeiras coloca o telespectador como um mero observador dos desencontros de dois jovens reclusos.
Ele (Martin) cria sites para internet, não sai de casa por motivo algum (até mesmo suas compras são feitas pela internet). Possui mais bonecos de ação do que amigos. Na verdade, sua única companhia é um cachorro, largado em seu apartamento pela ex-namorada. Enquanto não está trabalhando em seu computador, aventura-se em jogos eletrônicos. Nos raros momentos em que pisa para fora de seu apartamento, leva consigo uma mochila que ele sabe exatamente o peso que tem, afinal, lá dentro estão seus objetos úteis para o dia-a-dia em meio aos prédios que, segundo Martin, servem apenas para afastar uma pessoa da outra através de suas “medianeiras”: paredes brutas e cegas dos edifícios, estruturas de concreto sem portas e janelas. Para matar a solidão, conversa com mulheres tão atípicas quanto ele em sites de relacionamentos.
Ela (Mariana) é arquiteta, mas trabalha como vitrinista. Após sair de um monótono relacionamento, as suas companhias resumem-se aos manequins que leva para casa para poder consertá-los e limpá-los. Apaixonada pelos edifícios de Buenos Aires, divide seu tempo livre entre admirá-los, entrar em bate-papos na internet e procurar o Wally em um dos seus livros da série “Onde está o Wally”. Apesar de morar em um prédio, tem pavor de elevadores. Também não sai muito de casa e gosta de pensar que um dia alguém irá olhar para uma de suas vitrines e acabará se apaixonado por ela. Pensamento tolo?
O que estes dois personagens têm em comum além da solidão e reclusão quase ao extremo? A vizinhança. Eles são praticamente vizinhos, mas uma “medianeira” encontra-se entre eles, e das poucas vezes que saem de seus lares, cruzam-se, mas não se notam. Uma barreira de concreto evita que o amor floresça entre duas pessoas caseiras e introspectivas, e assim continuaria a ser se os dois personagens, angustiados de tanta reclusão, não resolvessem abrir janelas em suas brutas paredes. E é exatamente aí, com a quebra dos tijolos e a abertura das janelas, que a luz, ao mesmo tempo em que penetra em apartamentos tímidos e escuros, também ilumina os corações de dois jovens solitários.
Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Minha opinião (marquei como spoiler apenas para não ficar muito grande)
Após assistir ao trailer, com certeza você está com um destes pensamentos em mente: “ué, acho que já vi isto antes…” ou “isso daí é plágio!”. Pois é, não é Déjà vu e muito menos plágio, explico: existe uma polêmica rolando pela internet dizendo que O Candidato Honesto não passa de um plágio abrasileirado do filme O Mentiroso (Liar Liar), com Jim Carrey. Ontem fui ao cinema assistir o “então plágio” e me surpreendi com o que vi: o filme é bom e não pode ser classificado como “uma cópia”, mas, vá lá, houve sim uma grande inspiração em O Curioso – principalmente nas “caras e bocas” protagonizadas por Leandro Hassum.
Aliás, este que vos escreve é muito suspeito para falar sobre Leandro Hassum; eu simplesmente não suporto este ator, mas, com muita sinceridade, afirmo que a atuação dele em O Candidato Honesto é muito boa.
Pois bem, falemos do filme. Cercado de clichês, tal película trata sobre um político mentiroso, corrupto e sem escrúpulos que está disputando o segundo turno para presidente da República e possui enorme aprovação do povo brasileiro, teria tudo para ser algo entediante com no máximo um risinho aqui e acolá. Surpresa! É justamente o contrário!
Com infinitas peculiaridades e “lugares comuns” com os brasileiros, o filme consegue se aproximar do espectador de uma forma que o mesmo simplesmente não vai acreditar que está achando graça no que se passa à sua frente. Eu mesmo nunca imaginei que iria chorar de tanto rir com uma imitação extremamente grotesca do Louro José (aquele ‘passarinho’ irritante daquele programa ainda mais irritante da Ana Maria Braga) – Ah, fiquem tranquilos, ela não aparece em nenhuma cena.
Ainda sobre a proximidade do filme para com os espectadores, não posso deixar de lançar o desafio aos críticos da película aqui resenhada: apontem-me um filme que faça piadas tão atuais com os assuntos políticos do Brasil (corrupção, José Dirceu, Sarney, PSDB, PT, eleições, segundo turno, imprensa impiedosa etc.) e eu lhes darei razão. É justamente este o ponto forte do filme, o timing mais que perfeito de seu lançamento e exibição nos cinemas por todo o Brasil. Confesso que, talvez, fora do atual contexto político que vivemos, o filme nem tenha tanta graça assim.
Portanto, fica aqui a minha sugestão: se quer tirar o máximo proveito e graça do filme O Candidato Honesto, assista nos cinemas antes do dia 26 de outubro – que é quando ocorrerá o segundo turno da eleição que estamos vivendo, esta, aliás, não tem graça alguma.
Em tempo: uma situação bizarra aconteceu enquanto eu estava no cinema; em determinado momento, quando o protagonista faz um lindo discurso anticorrupção e trata sobre a ética, um sujeito extremamente sem noção resolve gritar, lá do fundo da sala: VIVA A DILMAAA! Não consegui entender se foi ironia ou se ele realmente é um sujeito fanático pelo PT, mas, por favor, não façam igual ao desmiolado: sala de cinema não é palanque.
Publicado originalmente em: http://dablioww.wordpress.com/2014/10/08/o-candidato-honesto/