Um Canto no Trigo

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Um Canto no Trigo (1909)
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Média do filme: 3.9 de 5 — baseado em 99 votos
MÉDIAFILMOW
3.9
99 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por D.W. Griffith (I)
Data de lançamento 13 Dez. 1909 Outras datas
Duração 14 min None
Status Streaming

Dirigido por

Data de lançamento

13 Dez. 1909

Duração

14 minutos
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Sinopse

Um magnata ganancioso tenta enriquecer no mercado mundial de trigo destruindo as vidas das pessoas que não podem pagar para comprar pão.

Este é o primeiro filme em que Griffith realiza tentativas de comentário social. O cenário é semelhante aos problemas dos agricultores pobres e as relações de um malfadado "rei do trigo". Baseado no romance "The Pit", de Frank Norris.

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A Bola Preta | Trailer Legendado

A Bola Preta

Comentários 0
amigos querem ver
herich
H3r1ch
½
1 ano atrás

D.W. Griffith é o pai do cinema americano, para o bem e para o mal. Conseguiu criar obras que ficaram marcadas para a história. E aqui temos um dos seus primeiros projetos, que é um curta. O filme é um dos primeiros exemplos de cinema socialmente engajado, abordando as desigualdades econômicas e os impactos do capitalismo desenfreado.

O filme expõe desigualdades sociais sem recorrer a cortes ou intervenções formais, construindo contrastes visuais entre o campo e a cidade, entre o trabalhador e o magnata, apenas pela força do enquadramento e da mise-en-scène. D.W. Griffith se revelando o mestre da montagem e do enquadramento neste curta.

O desfecho do filme é gratificante, mostrando o resultado final da ganância desenfreada.

vitorazevedo
Vítor
5 anos atrás

Eis aqui a força capaz de confundir e desmascarar o espectador de hoje, aquele momento que o olhar contemporâneo se encontra com o olhar de seus antepassados. Isto, porque assistir os primeiros anos de um Griffith cineasta, neófito da Biograph, acabam por comprovar o viés raso que essa história do cinema tem sido revisitada por cinéfilos e críticos.

O que mais há hoje em dia — depois da imensidão de "amantes do cinema" que só encostam nos anos 50 para pescar um Hitchcock ou um Orson Welles, graças a alguma lista da Sight and Sound (se é que chegam até aí) — é uma incessante procura de revoluções formais em prol de (re)validar clássicos. Uma espécie de vício ainda advindo daquela Cahiers do Rivette ansioso que sua geração seja a do CinemaScope, a era dos “metteurs en scène finalmente dignos desse título”. Ou seja, a compulsão de assistir Cidadão Kane só pra confirmar que estavam certos sobre a profundidade de campo naquela cena com o garoto Charles ao lado de fora da janela ou, ainda, assistir Acossado somente pelo momento que Michel Poiccard vá se virar para a câmera e soltar uma piadinha pro espectador. Montar um panteão da história do cinema se tornou uma questão anacrônica de busca pelo “moderno”.

Claro, as diversas “modernidades” têm toda uma importância dentro da arte, basta conferir A Regra do Jogo: as melhores revoluções não são temporais, pelo contrário, são acrônicas. Entretanto, para além dessa revolução que, aparentemente, ocorreu todos os meses, a maior problemática desse monóculo de só uma imagem — que apenas vê beleza através da transgressão formal, do superautor e da modernice — é sobre ignorar muito mais do que só UMA arte (ao mesmo tempo que se aplaude Psicose por mostrar uma privada).

Diante de tudo isso que Griffith urge. Essa figura indispensável, horrorosa, antitética, paradoxal e manancial — essencialmente, a aporia máxima de todo o cinema — é a maior força contra pensamentos unívocos. Se o autor de O Nascimento de uma Nação é impregnado pela controvérsia acredito que isso não se deve apenas pelo filme citado, pelo contrário, penso que sua maior controvérsia está, justamente, em ser um autor além deste axioma racista. O diretor não precisa de ineditismos ou inaugurações, antes de ter a própria produtora ele já era um grande artista do cinematógrafo.

Se normalmente denomina-se O Nascimento de Uma Nação como um ascendente clássico, devido toda a abertura de um poderoso sistema formal orgânico que se eternizou em Hollywood, para A Corner in Wheat eu nomearia esse “clássico” por outras vias, mesmo que tão somente como uma fachada do filme. O classicismo de concepção mourletiana (ou ao menos a metonímia de seu conceito) que utiliza de todo um sistema já conhecido rumo aos seus valores absolutos — o que, talvez, outros de seus filmes da Biograph possam corresponder mais diretamente a esses valores, considerando toda confiança no poder do corpo diante da encenação de um The Unchanging Sea — considerando que, diante das convenções formais desse primeiro momento, o realizador não queria clamar por idiossincrasia, nem mesmo indireta: é sobre utilizar do que se dispõe para alçar alguma excelência.

Simples, se Griffith já está inscrito na história como o demiurgo da montagem, aqui, podemos reivindicar sua maestria da composição de cena. Uma locação é igual a somente um plano, e um plano significa um mesmo enquadramento: o plano geral. Essa é a regra invisível, mas disso mesmo que se extrai ouro. É sobre como se dialetiza o espaço para alcançar o auge de sua potência, pois se uma cena é sinônimo daquela mesmíssima imagem, então é nesse quadro que se coagula todas as suas forças possíveis.

Daí, uma cena incrível que não encontra a miséria no desespero da fome que alguma família passe em sua casa, mas a encontra num mercadinho que teve que subir seus preços, perpetuando toda a lógica de acompanhar a cadeia econômica. Realizando-o através de um velho jogo cênico de três — o rapaz, a mocinha e a mãe com sua criança que passarão pelo vendedor de pão para receber as más notícias — ao lado da contração das formas, isso é, a placa ao fundo que tenta desculpabilizar os vendedores e, essencialmente, a que está logo a frente, servindo como um espelho distorcido de mote dramático, feito apenas para que os rostos se agachem, olhem para aquele objeto posto para estar, propositalmente, o tempo todo, de cara com o espectador e, assim, retornem ao seus cotidianos com um outro semblante.

E que não me venham falar de cortes, planos detalhes ou inserts, pois, aqui, pouco me importa a imagem da carta posta como um intertítulo ou mesmo o vai e vem do mortal buraco de trigo, o que me interessa é como seus contrastes se concretizam pela ausência da montagem de intervenções, tão cara ao que ainda viria na carreira do diretor. Contraposições que não se fazem pelo formalismo da conectividade direta, pelo contrário, as antíteses se manifestam por uma sutileza virtual. Só há o embate do camponês versus o magnata através da máxima plástica de cada plano individual, ou seja, confeccionar o olhar do campo através da imensidão do quadro vazio, do cavalo que vêm vagarosamente à câmera e dos dois homens que o acompanham, logo que a sucessão natural da narrativa nos fará presenciar o antônimo através das dúzias de figurantes agitados, das roupas suntuosas e do espaço interno. A “mensagem” vêm muito mais daí do que de seu movimento narrativo moralista que mata o ricaço.

Tudo isso é o suficiente para redescobrirmos o que se precisa para realizar um discurso social, uma imagem dramática e uma excelência formal, isso é, um único plano pra uma única cena. Sendo assim, há de surgir uma breve questão sobre D.W. Griffith: ele só é um grande autor graças aos seus filmes da década de 10 ou por já ser um grande artista que ele chegou nestas obras?

Bem, para mim, a resposta só depende se você usa ou não usa o monóculo da modernice.

facescar
Lucas
13 anos atrás

E ficou por isso mesmo. :(

lucas_sacul
Lucas
13 anos atrás

Que curta maravilhoso! Os minutos finais são soberbos.

yurihcpr
Yuri
13 anos atrás

esse curta do Griffith acho realmente muito bom

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