Esse documentário é um barato, especialmente por causa de Rodney Hyden, que aceitou não apenas contar a própria história, que é daquelas que são incríveis demais que apenas podem ser verdade, como também reconstituí-la como se fosse um ator contratado. Aliás, o documentarista Theo Love está de parabéns em obter depoimentos da maioria dos envolvidos no caso espetacular do empreiteiro que perdeu tudo na crise econômica e viajou até uma ilhota de Porto Rico para desenterrar 32 quilos de cocaína, escondidos como um tesouro secreto.
A produção é uma coletânea farta de exemplos sobre o tal do sonho americano e o estilo de vida daquele povo: Rodney é o gringo típico, alienado e fanfarrão, para quem ter e ter bens e mais bens materiais significa uma vida próspera e bem-sucedida, ou que enxerga no Tony Montana vivido por Al Pacino em 'Scarface' alguém a ser idealizado. A caricatura encaixa no molde com tamanha perfeição que impressiona que o comentário mais lúcido venha, ao final, de um traficante que manteve o rosto escondido durante a narrativa. Que é também representativa sobre o funcionamento da justiça norte-americana, seus valores, e a importância de juízes praticarem justiça para coibir excessos (o que não acontece há um bom tempo). Além disto, a trama ainda deixa uma ponta de teoria da conspiração para quem ama mistérios divertidos iguais a este.
Visite o @cinemacomcritica no Instagram - www.bit.ly/igcinemacomcritica
É uma boa história, bem contada e cheia de reviravoltas. Faço algumas considerações: - é um típico caso de flagrante preparado, onde não há crime algum, pois a atuação da polícia não deixou qualquer possibilidade de o Rodney pegar a droga, levá-la aos EUA e revendê-la. Ou seja, até a intervenção policial, houve mera cogitação, que não é punível. - como quis dizer o pequeno traficante, o sonho americano consiste em você fazer acontecer, tirar a bunda do sofá, ter uma ideia e ir atrás, pois, desde o nascimento dos EUA, este país incentiva e recompensa o empreendedorismo. E isto é muito louvável e produtivo, mas o que ocorre é que, sem uma carga ética, valores, senso de direção, esta qualidade pode perder uma boa parte do seu sentido. - enfim, enriquecer não seria tão bom assim ao protagonista, que já foi rico, não soube poupar e perdeu tudo, gastando mais do que tinha, o que provavelmente aconteceria de novo caso seu plano desse certo. Assim, talvez o fato de ter de cumprir a sua pena ajudando os outros tenha sido mais benéfico para ele do que o dinheiro em si, o que seria bom para sua mulher também, que parece não ter muito com o que se ocupar da vida.
tanta ostentação que cansa... isso é mais um arquivo pessoal.
roteiro brilhantemente falha.
Bom documentário !
Esse documentário é um barato, especialmente por causa de Rodney Hyden, que aceitou não apenas contar a própria história, que é daquelas que são incríveis demais que apenas podem ser verdade, como também reconstituí-la como se fosse um ator contratado. Aliás, o documentarista Theo Love está de parabéns em obter depoimentos da maioria dos envolvidos no caso espetacular do empreiteiro que perdeu tudo na crise econômica e viajou até uma ilhota de Porto Rico para desenterrar 32 quilos de cocaína, escondidos como um tesouro secreto.
A produção é uma coletânea farta de exemplos sobre o tal do sonho americano e o estilo de vida daquele povo: Rodney é o gringo típico, alienado e fanfarrão, para quem ter e ter bens e mais bens materiais significa uma vida próspera e bem-sucedida, ou que enxerga no Tony Montana vivido por Al Pacino em 'Scarface' alguém a ser idealizado. A caricatura encaixa no molde com tamanha perfeição que impressiona que o comentário mais lúcido venha, ao final, de um traficante que manteve o rosto escondido durante a narrativa. Que é também representativa sobre o funcionamento da justiça norte-americana, seus valores, e a importância de juízes praticarem justiça para coibir excessos (o que não acontece há um bom tempo). Além disto, a trama ainda deixa uma ponta de teoria da conspiração para quem ama mistérios divertidos iguais a este.
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É uma boa história, bem contada e cheia de reviravoltas. Faço algumas considerações:
- é um típico caso de flagrante preparado, onde não há crime algum, pois a atuação da polícia não deixou qualquer possibilidade de o Rodney pegar a droga, levá-la aos EUA e revendê-la. Ou seja, até a intervenção policial, houve mera cogitação, que não é punível.
- como quis dizer o pequeno traficante, o sonho americano consiste em você fazer acontecer, tirar a bunda do sofá, ter uma ideia e ir atrás, pois, desde o nascimento dos EUA, este país incentiva e recompensa o empreendedorismo. E isto é muito louvável e produtivo, mas o que ocorre é que, sem uma carga ética, valores, senso de direção, esta qualidade pode perder uma boa parte do seu sentido.
- enfim, enriquecer não seria tão bom assim ao protagonista, que já foi rico, não soube poupar e perdeu tudo, gastando mais do que tinha, o que provavelmente aconteceria de novo caso seu plano desse certo. Assim, talvez o fato de ter de cumprir a sua pena ajudando os outros tenha sido mais benéfico para ele do que o dinheiro em si, o que seria bom para sua mulher também, que parece não ter muito com o que se ocupar da vida.
Muito bem dirigido e ótima trilha sonora, gostei demais.