Em 29 de junho de 1941, os judeus da cidade de Iasi, na Romênia, foram presos e agredidos, tiveram suas lojas e casas saqueadas e a maioria dos homens foram alvejados ou amontoados em trens, onde morreram asfixiados. Enquanto os alemães participaram desse massacre étnico, a maior parte dos perpetradores eram policiais, militares e civis romenos. Com uma abordagem radical e reduzida, o filme lista os nomes daqueles que morreram, ilustrando-os com fotos de passaportes e álbuns de família, enquanto relatos são ouvidos através de uma narração. Por meio da repetição, do acúmulo e da variação, os cineastas tornam palpável a escala da atrocidade e dão forma concreta ao número de vítimas.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Admiro muito a coragem em edificar o documentário utilizando apenas as fotografias das vitimas do massacre e de imagens da época, acho que a proposta diferenciada e original faz jus ao que acompanhamos nas quase 3h de duração. Mas, essa proposta perde a força em determinado ponto, e mesmo que exista a compreensão de que aquilo tem um propósito, não anula o fato de que em partes soe como um teste de paciência, perde uns pontos nesse sentido.
Mas, apesar dos problemas de ritmo, o saldo é positivo. “A Saída dos Trens” expõe o holocausto de uma forma nunca antes vista; ao invés de fortes imagens daquelas atrocidades, vemos os rostos de cada vítima, os olhares felizes, corpos cheios de vida, cheios de esperança. E ao final, conhecemos da pior forma o que realmente aconteceu naquele lugar. E é completamente desolador pensar na dor e no sofrimento que cada uma daquelas pessoas teve que suportar. O silêncio que ecoa nesse documentário é ensurdecedor.