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Duração
No primeiro longa de Sohrab Shahid-Saless, A Simple Event (1973), o diretor descreve, em tom quase documental, a vida quotidiana de uma vida menino de dez anos de idade, em uma cidade pequena com uma mãe doente e um pai lutando para sobreviver através do contrabando de peixes vivos.
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Além de serem filmados da mesma maneira, os percursos são vistos repetidamente durante o filme, obedecendo a rotina estruturada do protagonista. Todo dia o menino transita entre a escola, sua casa, as margens do Mar Cáspio, um armazém e um bar. Encontra-se certamente com o professor, a mãe e o pai nestes espaços. Seria então um filme que trabalha com a ideia de imutabilidade da vida em uma pequena aldeia no norte do Irã, certo? Errado. Essa distensão do tempo e espaço e a repetição são cruciais justamente para ressaltar as mudanças que ocorrem na narrativa. Não se tratam de eventos climáticos, mas sim acontecimentos que se interpõem nessa rotina esquematizada podendo ocorrer a qualquer momento. Justamente por isso seja aqui tão importante filmar um trajeto da maneira mais integral possível.
Não é por menos que o filme termine em um percurso, pai e filho lado a lado, retomando a vida, tentando reencontrar a normalidade depois de um simples evento, a morte.
Um filme simples, como sua proposta. Dizem que este filme que influenciou a new wave iraniana de ter filmes com protagonistas infantis. E é verdade. Não apenas por este detalhe, mas pelas cenas repetitivas, ritmo lento, a importância da educação, tudo isso que passaram a priorizar alguns anos depois no cinema persa, existe em "A simple event". O mais interessante na minha opinião, foi mostrar a imensa pobreza que havia no período do xá, não que após a revolução isso tenha mudado, mas o país ostentava fama de evolução e influência "positiva" ocidental. Doce engano. Com exceção da cena das enfermeiras com roupas formais para nossa cultura, os posteres na casa da personagem e as diversas cenas do "bar", sim, bar de bebidas, não uma Casa de xá, difere o filme/período atual do Irã. De resto, o Irã parece não ter mudado muito, mesmo com as tentativas inúteis do manipulado xá de ocidentalizar esta terra milenar.