Dirigido por
Duração
Filme proibido por mais de uma década por sua crítica aberta ao sistema comunista do pós-guerra na Hungria, A Testemunha, de Péter Bacsó, alcançou a estatura de filme cult em seu país de origem, ganhando a fama de uma das melhores sátiras sobre o regime comunista. A Testemunha consiste numa obra clássica da filmografia húngara, cuja repercussão também se deu no exterior quando finalmente foi lançado anos depois, inclusive com ampla aceitação no Festival de Cannes de 1981.
O filme se passa durante a era política de Rákosi, quando o comunismo magiar se espelhava no regime Stalinista, seguindo a vida do pacato encarregado do dique local, József Pelikán, que é processado pelo Estado por matar ilegalmente seu porco (nesse tempo, as políticas de racionalização e coletivização dos recursos exigiam o controle sobre os alimentos). Preso por seu delito, em meio a absurdas idas e vindas burocráticas, Pelikán recebe do sistema uma segunda chance caso testemunhe – diga-se, minta – contra um suposto inimigo de estado. Impagável.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
29.04.1996
Antes de tudo: primeira exibição do filme em público no Brasil. Obrigado Sesc.
Comédia que me remeteu bastante ao modo Jacques Tati de fazer humor, criando suas situações pela repetição, pelos movimentos corporais caricatos e o pouco interesse da fala para chegar a essa catarse. Com seu texto voltado a crítica do comunismo húngaro, utiliza de algumas esquetes meio óbvias do assunto, como a excessiva burocratização de qualquer ação e processo no país e a desmistificação do líder supremo como alguém destrambelhado.
Porém, funciona bem quando Bacsó se interessa em desmontar a frase marxiana para a realidade de seu país: "De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades." Seu personagem em diversas situações gera o cômico justamente por não estar onde conseguiria ajudar seu povo, enquanto seu aviso sobre o Danúbio era ignorado. A catástrofe era inevitável.
Que comédia maravilhosa! do meu tipo preferido, crítica bem forte com situações beirando o nonsense, demonstrando como a realidade é bizarra, mais do que nós imaginamos. Esse tipo de abordagem me fez lembrar de Buñuel, porém mais sutil.
Cada vez mais o cinema húngaro tem me provado o quanto é forte. Essa é uma pérola que recomendo a todos que apreciam uma comédia fora dos padrões.
Esse filme é muito bom! Os filmes do pós guerra húngaros que comumente vejo tem uma abordagem dramática derrotista ou triste, mas esperançosa. Esse não, ele faz uma comédia delicada e inteligente que a gente acaba rindo das situações. Altamente recomendado.
Usuário temporariamente bloqueado por infringir os termos de uso do Filmow.