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A série A última guerra do prata traz um novo olhar sobre a polêmica Guerra do Paraguai, um trágico conflito em que morreram mais de 350 mil pessoas. A partir de visitas aos locais que sediaram campos de batalha, análises de historiadores e consultas a documentos e fotografias raras, a série revela os interesses geopolíticos que conduziram ao conflito, o cotidiano de homens e mulheres que estiveram no teatro de guerra e ainda a influência que a Guerra do Paraguai teve na formação das nações que hoje integram o Mercosul. (TV Escola / Digitallcine)
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Que documentário bom! Me surpreendeu demais pela qualidade, o trabalho com as fontes, os historiadores participantes...realmente um show de documentário.
Recentemente, tenho me interessado em descobrir e entender a Guerra do Paraguai (1864-1870). Pra essa finalidade, o documentário em alguns episódios produzido pela TV Escola ajuda a compreender o que foi aquele conflito, suas motivações, os erros e acertos táticos de cada lado e, melhor ainda, tem uma parte final bastante pertinente que busca enfatizar especificamente qual foi o legado do imediato pós-guerra para todos os países envolvidos.
No tocante a esse último ponto, foi interessante observar como o Uruguai e sobretudo a Argentina (que unificou o país sob a tutela do governo portenho e faturou de modo irreversível o território de Corrientes) saíram da guerra mais fortes do que entraram, ao passo que não só no caso óbvio de 'terra arrasada' do Paraguai, mas também no caso do Brasil existiu um saldo francamente negativo, com o império tendo dificuldade em honrar os compromissos prévios com os soldados, atolado numa dívida gigantesca e nenhuma melhoria de infra-estrutura acarretada pelo desenvolvimento do conflito.
Também é interessante notar como o Paraguai, isolado, sem saída para o mar, conseguiu resistir muito mais que o esperado e levou o que deveria ser uma guerra-relâmpago a uma série de batalhas extenuantes para as forças brasileiras. Um punhado de baixas era por fome ou doenças nos acampamentos - até mais do que nas batalhas. A figura em si de Francisco Solano Lopez, apesar de tudo o que tem de megalomaníaco e até de estrategicamente tacanho (não era óbvio que se meter a invadir o Rio Grande do Sul, por causa de uma contenda até então somente entre Brasil e Uruguai, ao mesmo tempo que invadia a região de Corrientes, era uma aposta quase suicida?) desperta curiosidade e intriga por ter conseguido escapar tantas vezes da morte certa, inclusive um pouco depois da tomada de Assunción e da saída do Duque de Caxias, sob fogo contínuo de todos os lados.
O maior acerto da série documental é sem dúvidas o fato de terem não só entrevistado vários historiadores de todos os quatro países (e mais um estadunidense), como ainda terem visitado os locais da guerra e os museus/arquivos pessoalmente, mostrando onde acontecia as batalhas e quais eram as dificuldades geográficas para o exército do império brasileiro avançar.
Pena que o entrevistador seja um sujeito que a todo momento quer posar de deslumbradinho (proferindo frases do tipo "nossa, esse navio marcou época!", "nossa, essa garrafa foi usada por um cavaleiro!", etc), ao invés de se limitar a narrar os fatos. Também senti falta de uma contextualização e aprofundamento maior especificamente no tocante à reação do Partido Colorado no Uruguai, no momento que foi o ponto de partida para a guerra ser declarada. Mas pra um documentário feito pra TV, do tipo que é passado em aulas de história, tá de ótima tamanho e vale perfeitamente o quanto pesa, até superando minhas expectativas.
www.youtube.
com/watch?v=p63oMrdltas