Martín é um jovem de 17 anos, que vive na cidade de Ushuaia, sul da Argentina. Abandona a terra natal em busca de seu pai, um arqueólogo que havia abandonado sua mãe. Sem avisá-la, foge, em uma viagem que lhe proporciona um conhecimento enriquecedor ao longo da América Latina.
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Incrível como este lindo e envelhecido filme se mostra tão atual! 😳😳😳
Aparentemente, na sua concepção original, um filme esquerdista, que por isso parte da tese russoniana de que o homem é bom, mas é o "sistema" que o corrompe. Assim, critica as experiências econômico sociais latino americanas de uma perspectiva vitimizada: somos todos ótimos, mas o capitalismo selvagem, a dívida externa, o neoliberalismo, as injustiças, etc., nos impõem o inferno aqui na terra. 😟😟😟
Só que não! 🤷🏻♂️🤷🏻♂️🤷🏻♂️
Trinta anos depois, especialmente a Argentina, com muita intervenção governamental, está realmente afundada, sem uma moeda própria com o mínimo de credibilidade, finanças públicas falidas, fora do mercado internacional de crédito, etc. 🤦🏻♂️🤦🏻♂️🤦🏻♂️
Desse modo, confrontando as críticas de então com a realidade atual da América Latina, poderia dizer que o filme envelheceu... 🤷🏻♂️🤷🏻♂️🤷🏻♂️
Afinal, a ladainha esquerdista não cola mais, exceto quando "reempacotada" em governos populistas, ou experiências autoritárias. 😳😳😳
Contudo, considerando o infantil e delirante protagonista, com suas equivocadas percepções da realidade (do pai, e dos países por onde ele viajou), ironica e involuntariamente atualizou o enredo.
Assim, tomando o delírio do protagonista como nosso delírio dos anos 80 do século passado, podemos entender o filme como uma crítica àquelas ultrapassadas crenças... 😅😅😅
Como um clássico como esse só possui apenas 16 votos e um comentário?
O cinema argentino nunca foi meu forte, talvez nunca será. Me interessei por Solanas após saber que o trabalho dele contrapõe em partes o Cinema Novo por ser mais direto. Que bela surpresa tive logo no primeiro filme deste grande diretor.
Uma mescla de neo-realismo italiano e Buñuel. O caráter documental, especialmente no Brasil é lindo. Uma das coisas mais incríveis já filmadas por aqui. A metáfora do desastre do governo Collor, as minas do Amazonas, a miséria e a ótima participação de Ângela Correa.
Amo road movies e este só foi mais um que me agradou. Ainda mais com uma trilha sonora tão encantadora. Talvez "Diários de motocicletas" tenha sofrido alguma influência de "A viagem", embora a história de Martín seja o ponto mais baixo do filme, porém necessária para ligar a narrativa. Recomendadíssimo!
"não se esqueça, mesmo submergido, outro país é possível"