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"Vem de “SuperOutro” (1989), no grito de explosão do personagem que profere as palavras “Abaixo a Gravidade”, o título do novo filme do cineasta baiano Edgard Navarro, que traz agora, através de personagem vivido por Everaldo Pontes, o grito em forma de transcedência. O protagonista irá lutar contra toda mazela que aflige o ser humano, com sua compaixão e bondade."
Fonte: Revista de Cinema
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Uma fotografia que passeia pelas belezas do Vale do Capão e pelas vistas de Salvador já é meio caminho andado para qualquer filme. Mas a obra de Edgar Navarro vai além. Um de seus melhores filmes.
Quem conhece Edgard Navarro sabe que ele não é de muita conversa mole em seus filmes. As imagens escolhidas por ele falam por si e na maioria das vezes isso basta. Este é exatamente como seu filme anterior "O homem que não dormia" embora seja menos bizarro e mais lúdico na apresentação das ideias. Tem muita coisa no filme que parece mal encaixada mas com certeza é uma obra que carrega a liberdade de filmar mais do que qualquer outra coisa rotulada. E isso eu apoio demais.
Tenho problema com filmes do Edgar Navarro desde a bizonha escolha dele em expor o garotinho se masturbando explicitamente em "Eu me lembro", parecia que eu tava vendo um filme do Larry Clark com atores infantis retirados das profundezas da Deep Web, já peguei raiva dele pq não tinha aquela necessidade de colocar um "pornô infantil" no filme. Nem sei pq gastei tempo e dinheiro nesse abaixo a gravidade. Outro filme confuso com prepotência poética
Bené é um senhor na terceira idade que leva uma vida minimalista na zona rural da Bahia, plantando e colhendo seu alimento, praticando yoga e se dedicando à sua vida de curandeiro, enfim, despido de quaisquer amarras da cidade grande, a não ser por um notebook onde coloca suas memórias.
Com a chegada de uma vizinha grávida ele logo se vê envolvido em uma amizade que mexe com ele. Quando Letícia (Rita Carelli) decide voltar para Salvador, já com o filho nascido, Bené a acompanha para tratar da saúde que não vai nada bem e embarca em um turbilhão de sensações que o deixarão vivendo em transe.
É uma pena que as ideias de Edgard Navarro não tenham ficado claras pra mim, o personagem Bené se atordoa e se frustra com a vida na cidade - que ele já sabia como era - e encara diversas situações incomuns as quais não dá para entender se são sintomas de senilidade, efeitos do remédio que está tomando - que já lhe traz uma disfunção erétil - ou tentativas do diretor de dar a Abaixo a Gravidade um discurso que emula aspectos da obra de Glauber Rocha, repleta de simbolismos e discursos à frente de seu tempo (o que passa longe aqui), estes momentos de viagem vão se tornando cada vez mais banais e aleatórios, com constantes quebras na narrativa, colocando um psicanalista e seu paciente em diálogos prolixos que não conversam com o arco de Bené e dando ao protagonista uma tara pintada como paixão que não convence e faz do "herói" somente um velho tarado. E no começo ele parecia tão simpático.
Pode ser ruim o quanto for, e é realmente bem ruinzinho, mas grita do início ao fim uma marca: é facilmente um filme A CARA do Edgard Navarro.