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Mais de 23 milhões de americanos são viciados em produtos nocivos à saúde e apenas 10% desse total recebe tratamento. Em nove partes, este documentário mostra as experiências de alguns dependentes e entrevistas com especialistas.
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No geral, o filme é bastante irregular e eu até admito que a minha cotação para ele para alta, mas a minha relação com a moralidade cientificizada do documentário é longeva, de modo que cabe analisar cada segmento individualmente:
• “Noite de Sábado em um Pronto-Socorro de Dallas” (Jon Alpert): me impressionou por ser direto, pelo estilo cru, pela fidedignidade ao seu título, muito bom!
• “O Desespero de uma Mãe” (Susan Froemke & Albert Maysles): ótimo e emocionante, tudo a ver com o que o Albert Maysles nos apresentou em GREY GARDENS, por exemplo. Maravilhoso desfecho!
• “A Ciência da Recaída” (Eugene Jarecki & Susan Froemke): Meu favorito, o que mais me tocou e emocionou. A declaração final do protagonista –
que diz “talvez eu seja um dependente para sempre, mas prefiro ser um dependente que não se droga”
• “O Adolescente Viciado” (Kate Davis & David Heilbroner): na teoria, tem um ótimo ponto de partida, mas, na prática, se desperdiça no que tem de mais ousado: a exposição do garoto viciado de 15 anos. Mas Ted, o rapazola de 17 anos que também se confessa toxicômano chamou a minha atenção por outros motivos (risos).
• “Representação Cerebral” (Liz Garbus & Rory Kennedy): quiçá o segmento mais clínico do documentário, achei-o técnico e funcional. Bom!
• “Dependência de Opiáceos: Uma Nova Medicação” (D. A. Pennebaker & Chris Hegedus): apesar do imponente crédito directivo, é um segmento bastante convencional. O final apelativo sobre o percentual de jovens estadunidenses que não possuem plano de saúde me desagradou, mas é leve e bem-intencionado;
• “Topiramato: uma Tentativa Clínica para o Alcoolismo” (Alan Raymond & Susan Raymond): clínico e subserviente, foi o segmento que eu menos gostei. Mediano. Não conseguiu prender a minha atenção;
• “Sindicato Local de Encanadores nº 638” (Barbara Kopple): divertido e muito simpático, fica melhor quando termina, pois o tempo de reflexão assegura a honestidade da proposta;
• e, por fim, “Mágoas com o Plano de Saúde” (Susan Froemke): sobre as batalhas judiciais de mães que tiveram negados os direitos de cuidares de seus filhos narcodependentes em instituições médicas privadas. Emociona! Susan Froemke sabe do que está falando...
No geral, é isso: posso ter exagerado em minha apreciação entusiástica, mas tenho motivos para tal, asseguro-lhes! (WPC>)
Alguns diretores absolutamente seminais do documentário anglofílico assinam segmentos deste filme: ansiosíssimo pelo início da sessão... (WPC>)