Últimas opiniões enviadas
É muito complicado estabelecer uma distinção entre averiguação estética e reconhecimento da urgência discursiva, quando desgostamos de uma obra e admitimos que ela é uma importante ferramenta de convencimento, mas precisarei prestar-me a este papel, aqui: tenho problemas antigos com o Jan Komasa. Acho a sua 'mise-en-scène' simplista, totalmente aprisionada ao pretendido choque de seus enredos sob irrupção de violência no comportamento de seus protagonista e alguma possibilidade de redenção concedia a eles. Considero BOM GAROTO uma válida exceção, mas, em todos os seus demais filmes a que tive acesso, a fórmula é a mesma. Neste trabalho tão celebrado, o arco narrativo é invertido (começa-se com a festa titular, mergulha-se num terror progressivo a partir daí), mas a estrutura tramática é assaz mastigada, negligenciando algo que deveria ser central, o desenvolvimento dos personagens, já que há um flerte tangencial com a lógica de filme-painel. Trata-se de um filme urgente, entretanto, e que, para nosso choque, consegue ser verossímil, dado que os arremedos hodiernos de fascistas tendem às caricaturas. É o caso aqui e na realidade também: de maneira descarada, o enredo expõe o que já está em curso em diversos países (EUA trumpista, Argentina, etc.) e que pode também assolar o Brasil, caso o filho do pseudo-"imbrochável" seja eleito. Diane Lane esforça-se para dotar a sua personagem de credibilidade, mas a sua interpretação é automática, sem a intensidade ansiada (exceto em fidelidade ao que prega, em cariz defensivamente dogmático). Minha mãe viu o filme ao meu lado, e ficou atordoada, mas, por mais que a sinopse seja promissora, o deslindar das situações não é (vide, sobretudo, a má composição da personagem de McKenna Grace). Enquanto eu via o filme, porém, chegaram SMS recomendando-o. Fiz o mesmo assim que terminada a sessão: não gostei do filme, mas ele comunica algo. Pessoalmente, acho que ele imita algo que foi melhor explorado na minissérie britânica "Years and Years". Que o pior não ocorra... Se acontecer, que tenhamos alguém ao nosso lado, nas trincheiras! (WPC>)
O título do filme, por si, é mais que encantatório; a proposta sinóptica, idem. Pensei nos filmes do Eugène Green, pelo modo como se dão os encontros e diálogos, com forte verve intelectual, mas também obedecendo a algumas convenções românticas: é como se Nora Ephron filmasse um roteiro do casal Straub (ou vice-versa). A voz de Roger Koza é sedutora e confortadora, não obstante sua companheira de cena insistir em trazer à tona as preocupações quanto a uma conjuntura em que figuras nojosas como Javier Milei (ou, esperamos que não, Flávio Bolsonaro) conseguem se eleger, por vias democráticas, a partir da vontade de uma parcela considerável da população. O que desencadeou isso? Adianta ainda dedicar aos estudos e pesquisas? A partir de atravessamos biograficamente tangenciais referentes à vida de um dos precursores do direito laboral latino-americano, o roteiro entrega-se à labuta responsiva, às entrevistas com trabalhadores migrantes, a uma visita ao túmulo de Karl Marx, à música protestante de Atahualpa Yupanqui, ao amor enquanto sentimento-mor. Um filme que nos acalenta e instiga em diversas vias simultâneas: é romântico, mas não alienado; melancólico, mas não paralisante; extremamente político, mas também esteta. Trabalho magistral, um dos melhores do ano, desde já! (WPC>)
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Bons filmes!
Equipe Filmow
E aí, jovem, como é que tu tá?
Te agradeço, pois gosto muito do filmow. Não uso Letterboxd.
Horror, horror, horror... Diante de filmes ultrajantes como este, infelizmente conseguimos entender o porquê de o fascismo estar instaurando-se de maneira célere e destrutiva pelo mundo: aqui, o fiapo de trama serve apenas como sub-pretexto para que pessoas (ás vezes, desconhecidas) sejam torturadas diante da tela, de modo que, antes que conheçamos os personagens centrais, anzóis rasgam os olhos de alguém, um rio coze os peixes e um mergulhador forçado, etc. Quando a narrativa se estabelece, esta vem acompanhada de um sobejo de teleologia que não convence, relacionada a minúcias da maldição que assola aquela família, e que converte-se numa justificativa canhestra para o machismo estrutural. É tudo exagerado, mas destinado ao gozo sádico do espectador, descumprindo uma cláusula pétrea do terror, que é a abordagem discursiva de como lidaríamos com a ausência de moral, na urgência pela sobrevivência. Para além de toda a minha insatisfação discursiva, o ritmo do filme é ruim, a duração é fraca, os movimentos de câmera são exibicionistas e desnecessários, o encadeamento roteirístico é canhestro, tudo neste filme só confirma e apregoa o pior da humanidade, enquanto torcida, enquanto projeto de malevolência. Horroroso em âmbito colossal - e ainda tem uma seqüência absolutamente insuportável de assassinato canino, glupt! (WPC>)