Jean encontra uma vidente na madrugada. Sara vai ao velório de Irene. Verónica interpreta uma guerrilheira em uma peça de teatro. No submundo do centro de uma metrópole, fragmentos de histórias de amor, delírios e separações cintilam durante a noite.
A CIDADE DOS ABISMOS já tinha deixando-me encantado. e esta nova empreitada da dupla, com elenco 'all star', conformou o fascínio: viciado na estrutura hollywoodiana de filmes-painel, torci para que aqueles fragmentos de enredos noturnos se encontrassem, mas isto ocorre de maneira apenas transversal, no Vértice do Pântano: gostei muito da encarnação genetiana do Silvero pereira, da aparição mendicante e cheia de amor da Helena Ignez, da placidez fantasmática da musa Helena Albergaria, das aparições sorridentes de um enlutado Carlos Francisco, em seu melhor papel... Tudo neste filme é brilho, redefinição artística das dores, fome e abandono. Amei a escolha das canções, tive medo do personagem de Renan Rovida (que reativou-me traumas íntimos), exultei na assunção teatral do dilema prisional da personagem Divina, cantei junto com As Frenéticas... Trabalho de mestres, filme sublime: que fotografia esplêndida! Lindo, lindo, lindo, lindo. Amei! Pessoal e intimamente contemplado por esta jóia, que tem muito a ver com ANJOS DA NOITE, do Wilson Barros, e evoca a vanguarda cinematográfica paulistana oitentista (Chico Botelho e afins). Já nasceu 'cult', uau! (WPC>)