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159Número de Fãs

Nascimento: 23 de Maio de 1942 (75 years)

Salvador - Brasil

Helena Ignez é uma atriz brasileira.

Helena nem imaginava ser atriz, quando, já em seu segundo ano do curso de Direito, assistiu a uma peça teatral e encantou-se com a atuação de um grupo de jovens atores. Vislumbrou, então, a possibilidade de dar novos rumos à sua vida. Para desespero de sua família, abandonou a faculdade e matriculou-se no curso de Arte Dramática da Universidade Federal da Bahia.

Surgiu no teatro baiano em um momento extremamente vanguardista, de rompimento total com a parte mais provinciana do teatro brasileiro. Trabalhou com diversos mestres das artes cênicas, até mesmo com diretores da Broadway. Tudo isso representava uma grande inovação para a época e, logo em sua primeira aparição no cinema, ela foi dirigida por Glauber Rocha - que dispensa observações a respeito do quesito "vanguarda".

Falar do Cinema Marginal sem falar de Helena Ignez seria o mesmo que ignorar a importância de Rogério Sganzerla ou Júlio Bressane no movimento. Helena Ignez é um ícone do Cinema Marginal tão importante quanto os demais pioneiros do movimento. Helena Ignez criou um novo estilo de atuar: debochado, extravagante, a violência feminina. Antes de A mulher de todos, possivelmente, não havia um outro filme que apresentasse com uma força tão grande a presença da mulher.

Helena conheceu Glauber na UFBA, onde ele cursava Direito. Viram-se pela primeira vez quando ele debochava da atuação de um ator que interpretava Castro Alves. Conheceram-se pessoalmente quando Helena foi buscar um par de brincos de jade que ganhara de um banqueiro, como prêmio por vencer o concurso de Glamour Girl. Nesse primeiro contato, acabou encontrando o jovem que queria fazer cinema. O tal banqueiro prometeu patrocinar o filme e entrou com a quantia de dez mil dólares. Foi a estréia tanto de Glauber quanto de Helena no cinema, com o curta-metragem O pátio, de 1959.

Helena e Glauber se casaram e tiverem uma filha, a atriz Paloma Rocha, mas se separaram poucos anos depois.

Depois de participar de filmes de sucesso como A grande feira (1961), Assalto ao trem pagador (1962) e O padre e a moça (1966), foi a São Paulo interpretar "Janete Jane", em O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla. A partir de então, Helena Ignez passa a ser uma personalidade essencial para o Cinema Marginal - tanto na frente quanto por trás das câmeras - tendo contribuído financeiramente com as produções da Belair, produtora fundada em parceria com Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, que concebeu importantes filmes do udigrudi.

Helena e Rogério se casaram e tiveram dois filhos, a compositora Sinai Sganzerla e a atriz Djin Sganzerla. Talvez, essa união seja uma das mais importantes para o cinema nacional. Como afirma o crítico de cinema Ruy Gardnier, "tudo o que o corpo-de-atriz Helena Ignez esperava para se tornar deparou-se com tudo que o gesto-de-diretor de Sganzerla gostaria de exprimir, e nasceu daí uma parceria artística e existencial decisiva". A partir de então, praticamente todos os filmes dirigidos por Sganzerla contaram com a participação de sua esposa.

De 1968 a 1970, chegou a fazer de dez a doze filmes. Em 1972, ocorreu uma guinada na sua vida e ela foi filmar na Europa, Estados Unidos e África, onde fez um super-8 sem título. Nesse período, Helena viajou muito e chegou a morar em um templo, mas não se afastou do teatro. Dava aula, dirigia e se apresentava tanto fora quanto dentro do Brasil.

Da atuação de gestos simples, contidos de O padre e a moça à anarquia corporal de A mulher de todos, considerado pelo crítico Jean-Claude Bernadet o melhor filme brasileiro, Helena Ignez sempre estudou e coreografou suas atuações. "Ângela Carne e Osso" – seu personagem mais parecido com Helena segundo ela mesma – chuta, dança, pragueja contra seus homens à medida que os ama, nunca se limitando apenas a uma presença sedutora. Helena Ignez inaugurou um novo estilo de interpretação feminina, seguida por atrizes como Adriana Prieto e Anecy Rocha.

Com a morte do marido Rogério Sganzerla, há sete anos, vítima de um tumor cerebral,assumiu o texto, a produção de "Luz nas Trevas – a Volta do Bandido da Luz Vermelha" (2010), retomando a continuação que Sganzerla havia escrito para "O Bandido da Luz Vermelha", clássico de 1968. Dividiu a direção com o diretor Ícaro Martins, e colocou no mundo o filho do bandido de 1968, com Djin Sganzerla (filha de Helena e Rogério), André Guerreiro Lopes e o cantor Ney Matogrosso no elenco.