Após 40 anos preso, Zé do Caixão (José Mojica Marins) enfim é libertado. De volta às ruas, ele está decidido a cumprir sua missão: encontrar uma mulher que possa gerar seu filho perfeito. Caminhando pela cidade de São Paulo ele enfrenta leis não naturais e crendices populares, deixando um rastro de sangue por onde passa.
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Às vezes um pouco repetitivo, mas foi um encerramento digno para o personagem e tem cenas ótimas de gore.
É realmente abaixo dos outros filmes do Mojica (e principalmente da trilogia), mas não vejo como poderia ser diferente.
O Zé do Caixão era parte da cultura popular, apareceu até na Praça é nossa. Não tem como ser o mesmo personagem assustador e sério dos anos 1960.
De todo modo, diverte bastante, vai pra um caminho mais gore, diferente dos outros também. Não me agrada muito nesse sentido, mas tudo bem.
O Mojica teve apoio do governo do estado pra falar mal da PM. Tem que respeitar.
Para quem gosta do velho, recomendo Finis Hominis. A meu ver é o menos citado dele (entre os que mais gosto), e é coisa fina demais.
Um dos melhores filmes do Zé do Caixão!
“Horror, medo e desespero.”
⚰️ Somos almas condenadas, misóginas, banhadas em obscurantismo, pois apenas o sangue carrega os segredos da vida. Crenças que não possuem medo, Zé do Caixão carrega uma sujeira batizada em blasfêmias.
⚰️ Carniceiros, elixir para entorpecer almas etílicas. Servos de Satanás, pois as ratazanas foram acionadas. Defuntos atormentados, pois o inferno parece estar cheio. A luta eterna entre luz e trevas, a busca pelo filho perfeito continua a pleno vapor. A raça superior tem tons fascistas, para não dizer outra coisa. A loucura tem alta calibre, linhagem pura dentro de uma realidade que perfura um delírio que continua gritando sem direção.
⚰️ A polícia do mal é cúmplice de um estado falido. Falsos poetas da lei e dos bons costumes. Hipocrisia inflamada e entupida até o ralo. A merda é jogada no ventilador, ficamos amarrados, de mãos atadas, pois a corrupção já faz parte do nosso sangue. O terceiro mundo é enlatado, viva o fanatismo! Crenças vazias, vocês se utilizam delas para varrer selvageria e morte. Justificando a raiz do maligno que está em você. São Cipriano já mostrou o caminho antes.
“O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência!”
⚰️ Zé do Caixão se despede das telas com um Show de Horrores, um subconsciente altamente insalubre e amaldiçoado. Visões do horripilante em Visagens do além mundo. Um passado cortante que carrega vibrações negativas de condenação. Bruxaria, Feitiçaria, Misticismo, a realidade precisa ser exorcizada. Dedetização com alho e capim santo.
⚰️ É lindo e emocionante ver uma obra do Mojica com um pouco mais de orçamento. Quem teve a oportunidade de ler sua Biografia (Maldito, 1998) sabe que isso sempre foi um dos problemas em seus projetos (cinema de guerrilha). Abarrotado de exageros e estripulias, as cenas do banho de sangue e a descida ao purgatório crava tudo que estou tentando relinchar aqui. Injeção na bunda, o horror incondicionado é feroz e teimoso. Aqui um ser humano nasce de um porco.
⚰️ Delírios de um Anormal - Saudades do Zé Caixão!
Uma fantástica obra-prima do cinema de terror brasileiro! Tudo é sensacional, desde as atuações, a fotografia, ambientações, e principalmente o gore, fazia tempo que não assistia cenas que causavam tanto repulso.
Encarnação do Demônio finalmente encerra a trilogia que se iniciou em 1963 com À Meia-Noite Levarei sua Alma. Na saga, Zé do Caixão busca a mulher que ideal, que poderá gerar seu filho perfeito, para que assim ele possa se tornar imortal através da proliferação da sua linhagem de sangue. O mais interessante da produção de Mojica é que, apesar do nome, a história não tem nada de sobrenatural. Muito pelo contrário, desde o começo, Zé do Caixão deixa bem claro que não acredita em nenhuma crendice e nem em Deus. Até existem algumas cenas com fantasmas, mas todas são alucinações induzidas pelo cachimbo do coveiro.
O personagem Zé do Caixão não se limita apenas a zombar das crenças no misticismo, mas também caçoa da crença nas leis e na sociedade brasileira. Logo no começo ele está na cadeia, mas a mesma lei que o prendeu, agora o coloca de volta nas ruas e ele sai zombando do sistema carcerário.
Mas o grande diferencial do filme é que, ao contrário da maioria das produções hollywoodianas, as cenas não são recheadas de computação gráfica. Quando você vê uma mulher tendo a cabeça afundada em um tonel cheio de baratas, são baratas de verdade que estão ali. Quando Zé do Caixão tem uma alucinação que o leva ao purgatório, ele observa uma garota ter a boca suturada. A jovem em questão é Milze, cujos lábios foram costurados pela primeira vez no filme, sem usar nenhum tipo de anestésico. Mas ela conta que tem uma tolerância à dor maior que o normal, conquistada após inúmeras perfurações no próprio corpo.
- A cena foi filmada uma única vez, sem cortes. Na hora foi totalmente natural e intuitivo. Não interpretei a dor - conta Milze, honrada por ter trabalhado com Mojica.
Em outra cena de tortura de policiais, um deles é pendurado no teto por ganchos enfiados nas costas. Esta é a cena mais chocante feita por Freak Garcia, que já teve seu corpo suspenso desta maneira mais de 20 vezes. Todo o processo para a filmagem da cena, desde a colocação dos ganchos sob a pele, até a suspensão, levou 4 horas.
Para ele, não foi nada demais. O pior, diz Garcia, foi enfrentar 4 horas de maquiagem para cobrir todas as suas tatuagens. E o que o deixa orgulhoso foi a oportunidade de ter trabalhado com Mojica e contracenado com Jece Valadão, que também interpreta um policial no filme. "Encarnação do demônio" foi o último filme de Valadão, que morreu em novembro de 2006.
Para os fãs do gênero torture porn, Encarnação do Demônio é um prato cheio, pois Zé do Caixão é sádico ao extremo. Enquanto Jigsaw faz com que suas vítimas se torturem, Zé do Caixão faz questão de torturar a todos que captura. E José Mojica Marins faz terror à moda antiga, com mulheres nuas aparecendo pra todo lado.