Últimas opiniões enviadas
“O 1º caso de hidrofobia foi registrado em 2300 A.C. Animais infectados ficam literalmente loucos ao ver água. Se não forem tratados em 48h, não há chance de cura. A hidrofobia é mais conhecida pela palavra em latim para loucura: “Raiva”.
🐒 O Primata é aquele típico misto quente quando você está com dúvida do que pedir dentre inúmeras opções. Jogar dentro das regras, degustar os mesmos sabores, caminhar pelas mesmas ruas. Entretenimento clássico, o circo não chega a pegar fogo, não temos mortes criativas, o suspense também fica no banho Maria. Mas às vezes é exatamente disso que você precisa.
🐒 E você, acredita que nós evoluímos do Macaco? Beleza, mais uma película de ataque animal para os amantes do absurdo. Confesso e vejo que muitos telespectadores já entram nesse tipo de experiência torcendo pelo lado mais selvagem, não ligando e não dando a mínima para os personagens. Esperando pelas mortes morridas que vão ser executadas.
🐒 Juventude e inconsequências! Aqui não temos isso, pois a bactéria da raiva vai levar a culpa dessa vez. Destino ou maldição? Não sei. O Primata pode ser avaliado por duas direções. Comparando ele com outros filmes do gênero ou apenas ele por ele mesmo. Não tenho faculdades mentais suficientes para tal missão. Assista e tire as suas próprias conclusões.
🐒 O Primata Ben ficou nervoso, se estressou, amigos se tornaram inimigos, a irracionalidade sendo o norte. Ben foi humano, fazendo-nos lembrar que a selvageria corre solto a cada amanhecer, fazendo aquele dia normal se tornar o nosso pior pesadelo.
“Que isso Toinho, brigar por mulher? Não vale a pena”
🚬 Aqui Mojica abandona o horror explícito para observar a realidade crua. Sim, o tal do cotidiano normal, só que estamos dentro do Brasil, e esse tal “normal” ganha proporções tortas e sujas. Situações essas que dariam boas manchetes sensacionalistas, e nada mais covarde e contraditório, pois uns ainda intitulam essa realidade de sádia. O cúmulo do absurdo. O cenário da Boca do Lixo e sua lente suja, o casamento perfeito para tal crítica social.
“Porque a Deus? Porque a o Diabo? Se tudo é igual”
🚬 Doideira absoluta, uma produção esquizofrênica, Mojica mostra suas qualidades, pois o mundo moderno transforma desejo em mercado. Trabalho, fuga e alienação, bem vindos ao Brasil, terra do Carnaval. Uma briga de bar, um reflexo frio de como é viver no terceiro mundo. Bala perdida, preciso de algo que saia do comum, isso já é clichê. A banalidade do mal, pois somos assassinos por natureza.
“A cidade como organismo cansado”
🚬 Não há monstros sobrenaturais aqui, apenas o cotidiano. Micro eventos, situações de insalubridade e adultério. A câmera vagueia como um corpo sem destino pelas margens urbanas, atravessando quartos baratos, corredores apertados e olhares cansados. Não existe narrativa clássica porque não há promessa de transformação. Nada evolui; tudo apenas continua. A São Paulo retratada não é monumental nem moderna. É uma cidade fatigada, feita de sobreviventes. Não há glamour urbano, pois o Capitalismo vai te matar.
🚬 Vejo alguns problemas no quesito montagem. Muitas cenas apelativas poderiam facilmente ser cortadas. Mas entendo que as mesmas servem para dar corpo ao filme, fazendo com sua metragem se aproxime de um longa. Essas partes técnicas, tudo aqui é compreensivo, pois sabemos as trincheiras que Mojica enfrentou para entregar seus projetos. Sinônimo de Cinema e de Guerrilha. O cinema, então, torna-se espelho involuntário.
Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
“Fiz tudo como negócio.”
🌵 Adaptando de maneira brilhante o incrível livro escrito por Graciliano Ramos, São Bernardo é uma pérola do cinema nacional. Um reflexo amargo e bastante fiel de tempos malucos que mais parecia distopia. Mal sabe Graciliano que ainda estamos à beira do mesmo abismo que esse imaginou. Os agentes do caos, os donos do mundo continuam ativos. Exploração, ambição e paranoia, uma coivara existencial que vai nos colocar em estado de choque.
"A culpa foi minha"
🌵 A realidade em São Bernardo é crua! Coronelismo, o amor não existe, o que nos resta são relações negociadas. Você tem um preço e vai ser explorado de qualquer maneira. Uma mulher sem religião é um perigo, pois o comunismo está à solta. Política, religião, dinheiro, estamos amaldiçoados, essa realidade é da muléstia. O Brasil continua doente, tentando estancar uma ferida que ainda não possui medicamentos para tal cura.
🌵 E o que falar da linguagem desse negócio! Da poesia e da selvageria dos diálogos. Claro que o livro vai ser mais didático em relação á isso, pois a cabeça de Paulo Honório está entrando em estágio de ferrugem. A relação de poder, a contradição de comportamento e principalmente de pensamento, exposto de modo febril.
🌵 A direção de Leon Hirszman é coisa fina. A minoria que não curte o filme, acha que o seu defeito é ser muito fiel ao livro, tirando um eventual senso de criatividade e originalidade na qual a linguagem do cinema poderia construir e adicionar a história. Eu concordo e discordo, no caso acho que o filme conseguiu capturar a essência do livro, mostrando de maneira direta a mensagem na qual Graciliano propôs.