“E aí Gary, você quer transar ou não quer? Eu prefiro sair com o Maguila do que com ela!”
💔 Os efervescentes anos 80 não estavam para brincadeira. O Último Americano Virgem consegue dar check in eu quase todos os estereótipos dessa década, pois todos nós sabemos que ser adolescente é uma das paradas mais complexas que existem. E já posso afirmar que não se fazem mais “comédia adolescente” como antigamente.
💔 São tantos absurdos, que ao mesmo tempo está tudo certo, e na virada da página, ou melhor, do frame, está tudo errado. Isso é arte meus amigos, isso é cinema. E o que falar dessa trilha sonora? Bons tempos, de onde a melodia de imediato nos coloca em uma espécie de máquina do tempo. Hoje vemos o uso de certos momentos apenas para nos pegar pela nostalgia, não se deixe enganar.
💔 Talvez Curtindo a Vida Adoidado (1986) seja o carro chefe quando lembramos dessa proposta de cinema, mas logo após conferir O Último Americano Virgem notei que existem pérolas perdidas desse meio e que vale o resgate, pois conferir essas películas em pleno o ano de 2026 vai fazer você refletir sobre o quanto a nossa realidade estar carreta e principalmente, sem senso de humor. Talvez o politicamente correto está destruindo algumas arestas da arte.
💔 Possuindo um dos finais mais acachapantes de todos os tempos, O Último Americano Virgem pincela bons temas em meio a sua comédia de “erros”. Em tempos de RED PILL, BLUE PILL, BETA, ALPHA, FRIENDZONE e seus derivados, dentre todas as dificuldades de arranjar uma transa ou coisa do tipo, esse filme Abraça festas e aquele niilismo de uma fase confusa, onde tudo é curtição e status social. Enquanto você for virgem, parece que você está vestindo um manto de invisibilidade. Nesse meio tempo, você anda em círculos, apenas esperando tirar tal lacre e saber que a vida vai continuar vazia.
🦠 Claro que fui conferir o novo filme do diretor Yeon Sang-Yo, conhecido pela película (Train to Busan, 2018). Pelo ou menos em premissa, notei que o diretor tem outros títulos interessantes, vale a pena dar uma chance, o cara parece ter uma visão diferente.
🦠 Em Colony (Zona Zero), temos um bom filme de Zumbi. Estamos diante de um subgênero mega difícil de se trabalhar nos dias atuais, tenho uma leve impressão de que tudo já foi feito, e quase sempre vamos nos apegar ao clichê ao invés de ideias originais. Shopping, excelente homenagem ao mestre George Romero, temos também um pouco de Resident Evil e The Last of Us nas entrelinhas do seu roteiro.
🦠 Zona Zero consegue até certo ponto equilibrar sua proposta, ficamos à frente de ideias interessantes, pois os zumbis vão evoluindo, simulando uma rede de transmissão neural. Os minutos vão passando, e a bagaceira vai ficando cada vez mais intrincada, pois é, aqui não temos um fiapo de roteiro, o bagulho parece um anime ou mangá bizarro na qual compramos por ler três linhas de sinopse. O tal isolamento do prédio trás um conflito de urgência à trama. Tal premissa vai nos lembrar um video game de sobrevivência, o tal isolamento realmente deixa as coisas tensas.
🦠 Apesar da boa produção, estamos dentro de um trash movie, o filme se leva a sério na sua grande maioria. Claro que vamos encontrar conflitos internos, pois o ser humano ainda continua sendo a maior ameaça. Alerta de sobrevivência, organismos vivos, mortais e insalubres. Uma colmeia de insanidade, tudo fica peçonhento, a inteligência precisa ser compartilhada, pois somos uma espécie de bando, sozinho não somos nada, compartilhando conhecimento científico, e principalmente, a insanidade de uma realidade bizarra.
🍔 Talvez em alguma realidade paralela os diretores Zack Snyder e Michael Bay sejam os melhores diretores de todos os tempos. Bad Boys é o longa de estreia do amigo Michael Bay na direção, o típico filme enlatado norte americano e se adicionarmos os anos 90 nisso, pronto, prato completo (Bife com Batata frita). Feito para divertir as grandes massas, Bad Boys se utiliza de personagens carismáticos dentro de uma situação insalubre.
🍔 Corrupção, muita droga envolvida, tudo está fora do controle, a realidade parece está em erupção. Até agora não me dei com os protagonistas, não sei, muita coisa funciona, outras nem tanto. As cenas de pancadaria não são boas, e as de tiroteio também são bem qualquer coisa quando comparamos a outras obras do mesmo. O tal do alívio cômico é tão exagerado que acaba perdendo o sentido.
🍔 E a câmera lenta hein? Bad Boys é o típico filme sessão da tarde, tela quente, pipoca no sofá. Colando uma risada enquanto algumas cenas de tiroteios acontecem. No meio do filme, já tinha esquecido dos quilos de heroína que aquela galera tinha assaltado. As ruas estão sujas, mas não são notadas, a violência está nas calçadas, mas tudo é deixado de lado porque a gente acompanha uma tentativa de desenvolvimento de personagens que apenas não funciona.
🍔 Não sei, Bad Boys mira em Tango e Cash e Máquina Mortífera e acaba errando em ambos. Bad Boys é divertido, apenas isso. Hollywood na sua forma mais genérica quando falamos de cinema policial e suspense investigativo. Outra coisa, filmes com essa proposta deveria ser crime passar de 1H e 30Min. Depois de Bad Boys (1995), Michael Bay adentra em A ROCHA (1996), de onde já podemos ver seus maneirismos narrativos bem mais escancarados.
👽 Viemos visitá-los em paz e boa vontade! Conferir esses clássicos da Ficção Científica é simplesmente fascinante. Estou fazendo esse revisionismo histórico não só no cinema, mas também na literatura. O gênero Sci-Fi é uma mina de ouro de grandes ideias, e O Dia Em Que a Terra Parou (1951) é mais uma prova disso.
👽 Escrevo em 2026, tensões de dimensões atômicas ainda se fazem presentes no dia-a-dia da classificada raça humana. A tal da guerra fria ainda se faz presente, acordos de paz, que mais parecem pactos zilionários, pois a desconfiança que alguém está lucrando com esse medo, não é mais uma teoria da conspiração.
👽 Urânio, O Dia Em Que a Terra Parou carrega consigo uma mensagem que não envelheceu. Sua mensagem pacifista e crítica é brilhante. A destruição faz parte do nosso DNA, pois tenho certeza que se um ser Alienígena resolver visitar nossa comunidade terra e fazer uma tour por aqui, esse vai zarpar e avisar para seus amigos interplanetários que essa budega não tem jeito mesmo.
👽 Perante ao cosmo, nosso comportamento é bem estranho, somos mesquinhos, nosso ego é inflado, não temos senso de humor, se achamos a última bolacha do pacote, e se você tem uma Bomba Atômica em seu quintal, podemos classificá-lo como “Deus”. O dinheiro comanda, a religião é de maneira usurpada, o tal sentido da vida fica sendo algumas latinhas de cevada ou algum entorpecente que faça esquecer onde estou.
👽 O Dia Em Que a Terra Parou é clássico do cinema Sci-Fi. Uma das películas mais importantes da fascinante era atômica no cinema. A ótima direção de Robert Wise deixa as coisas ainda mais interessantes. O filme é baseado no conto: Adeus ao Mestre (1940) escrito por Harry Bates.
🧨 Logo após o término de Eles Vão Te Matar (2026), dei uma vasculhada na interweb para puxar a ficha do diretor dessa estripulia. O nome da figura, um tal de Kirill Sokolov, de categoria Russa. Mesmo com todos os conflitos e guerra fria atual, entrei em contato com o diretor para que o mesmo me enviasse pelos correios seus outros 2 longas, Por Que Você Não Morre? (2018) e Quem Vai Ficar com Masha (2021). E posso afirmar sem nenhum receio, Kirill Sokolov é ABSOLUTE CINEMA.
🧨 Em sua produção, um vínculo poético e selvagem, aqui temos 1001 motivos para afirmar que o cinema de Ação Bagaceira Alternativo não pode morrer, é simplesmente impressionante. Loucura, insanidade e bastante doideira, uma trama que se passa em praticamente um cômodo. A situação vai escalando e ganhando contornos pontiagudos. Quem está certo? Mentiras e Verdades se contradizem em um quebra osso violento.
🧨 Maldição! Uma teia de ocasiões labirínticas vão contornando uma tragédia/comédia de erros. Um moedor de gente, corrupções de almas e te instituições. O Capitalismo vai matar todo mundo, está sugando o que resta de nossas carcaças. Aqui o amor não vai vencer. Acrescente também: Humor ácido e uma ironia azeda.
🧨 Bagaceira da melhor qualidade. Insalubridade por todos os lados, uma corrupção bandida que vai nos colocando contra a parede. Personagens críveis e dúbios, de onde não devemos confiar em seu ninguém. Taquicardia, o que tem do outro lado da vida? Tiros e ossos depenados! Por que Você Não Morre? é mais uma prova que você deve sair da bolha do catálogo de Streams e passar a mandar EMAILS para os diretores enviarem cópias de seus filmes.
“Quando o pobre dá ao Rico, até o Diabo ri.” - (Benvenuto Cellini)”
🔪 Filmes como Eles Vão te Matar já tem aos montes. Porém, o que devemos julgar aqui é se essa salada mista já servida de fato é bem temperada, ou melhor, se tem algum elemento que diferencia ele dos demais pratos já expostos à mesa. E sim, o que temos aqui é uma roda gigante da mais pura diversão. Eles Vão Te Matar não tem medo de experimentar e ousar.
🔪 As cenas de ação são muito estilizadas, um dos pontos altos desse negócio. O gore desce sem medo de ser feliz, uma bagaceira que até passa da dose. Isso é muito bacana nos dias de hoje, de onde parece que estamos entrando numa espécie de freio de mão (Ação + Horror + Gore), o que não é o caso aqui.
🔪 Pactos fáusticos! Gente Rica e seus fetiches, inferno de Dante, camadas sobre o abismo e comportamento humano. Somos a decadência, e no meio disso tudo, golpes de facão e alguns tiros de calibre dose. Uma britadeira de cenas que elevam o absurdo. Blaxploitation, a cada novo plano esse negócio vai deixando inúmeras homenagens em sua montagem não linear, e isso é um golpe certeiro. Mas o filme não fica apenas em referências, essa bagaceira possui toques bem legais e pessoais que vão abraçar os mais fetichistas de plantão.
“Esse prédio é um templo a Satanás!”
🔪 Se você dúvida que os milionários tem que vender a alma ao diabo para permanecerem no topo, você é um deles! Classe social, escala 7x0, salário mínimo, capitalismo tardio, ambiente familiar tóxico, racismo, o pobre não parece estar seguro. Eles Vão Te Matar é até o momento a película mais divertida de 2026. Já podemos fazer uma petição para que isso também se transforme em uma história em quadrinhos. Já está tudo arquitetado para tal mídia.
🍄 Começo dizendo que a obra FRANKENSTEIN (Mary Shelley, 1818) está entre os meus livros favoritos. Um universo pra lá de interessante e bizarro que continua influenciando a cultura pop como um todo. Em falar em “universo”, aqui temos uma camada interessante que é adicionada no filme de 1935 dirigido por James Whale, ou melhor dizendo, uma releitura.
🍄 Aqui temos um começo bem legal, de onde temos acesso às ideias da figura de Mary Shelley. Jogando tais conceitos para os dias atuais a partir do subconsciente da protagonista. Mostrando que aquela sociedade (O filme se passa na década de 30) ainda continua com os seus problemas e preconceitos. seu enredo consegue discutir inúmeras ideias, que confesso não ter capacidade para discutir todos.
🍄 Outra qualidade que achei interessante é quando a trama se junta com uma perspectiva policial noir (Febre naquele período) Gostei dos exageros da produção, acho que seu conceito e mensagem combinam com tal proposta. Entender um pouco do período da Mary Shelley e o seu processo de produção da obra, talvez faça esse filme ganhar um pouco mais de relevância. Vendo que muitos não estão conseguindo se conectar com o mesmo. E tá tudo bem, pois não temos espaço suficiente para discutir tais fatos.
🍄 Um grande clipe da Lady Gaga? Cultura Woke? Tais exageros em que o filme navega pode chegar a incomodar, eu fiquei em meio termo, pois aqui temos um caos de referências, dá pra pescar homenagens aos montes: sua mensagem anarquista, feminista e libertadora, vai culminar em uma amor bandido que vai nos remeter a Bonnie & Clayde e a nova Hollywood. Posso estar viajando nas ideias, mas há sim um liquidificador de conceitos.
🍄 Acredito que Frankenstein ao lado de Drácula, são duas criaturas que mais devem ter adaptações por esse meio. Porém, essa parte da mitologia sobre a “Companheira / Noiva” da criatura não foi explorada até onde eu sei. Aqui temos uma oportunidade para acompanhar tal loucura.
🍄 Outro filme que vai na mesma pegada desse é o excelente Pobres Criaturas (Yorgos Lanthimos, 2023)
🦠 Alerta Apocalipse é aquela típica visita ao self-service de onde você sai colocando de tudo um pouco: arroz, feijão de corda, feijão mulatinho, baião, macarrão, vatapá, cuscuz, farofa de porco, carne de porco, frango, boi, lasanha, miojo, escondidinho, batata frita, linguiça, buchada, fígado acebolado, pirão de peixe, 2 cabeças de peixe e uma panelada por cima! Nada de salada, pois faz mal. O tempero pode ser aquele molho de pimenta que tem data de vencimento beirando ao primitivismo selvagem.
🦠 Mofo viscoso, com uma bela homenagem aos clássicos filmes B e a querida obra Invasores de Corpos (Jack Finney, 1954). Somos cobaias mentais de algo maior, meros organismos enferrujados de um simbionte do além mundo. Uma viagem de ácido, pois Alerta Apocalipse viaja em seu conceito, extrapolando o no-sense, e talvez aqui esteja o caminho do seu sucesso. O tom de comédia emprega-se, combinando de maneira fluída com a proposta do enredo.
“Zumbis não são reais”
🦠 Não natural, a cena da câmera na barata é ABSOLUTE CINEMA em estado febril. Não podemos esquecer do clichê militarista que esses filmes carregam. Como um grande fã de histórias pulps esquecidas, sou suspeito de falar o quanto Alerta Apocalipse é Caótico e criativo, pois o mesmo me lembra algo que saiu absolutamente desse meio. Malditos fungos alienígenas do mal.
🦠 Um fio de membrana de Lovecraft, não podemos esquecer do maldito do Lovecraft.
🕹️ Com uma das aberturas mais cavalares da história do cinema, A Guerra dos Mundos é um desbunde cinematográfico, conseguindo escavar o seu interesse não só para os fãs da Ficção Científica. Não é para menos, pois o seu argumento escancara muitas nuances, que vão desde paranoia ao capitalismo desenfreado que percorre as veias do empreendedorismo americano.
🕹️ Geiger, pulsos de radioatividade e campos eletromagnéticos. Aqui os Americanos são pacíficos, abertos a conversa, se trocarmos os marcianos pelos “Comunistas”, aí sim vamos ter um caldeirão de boas drogas para se entorpecer. Na última fileira do cinema alguém grita: “Tirem política do meu filme”. O clima fica magnetizado, ondas de radiação, raios nucleares de altíssimo calibre. Infelizmente vamos ter que jogar o jogo deles. Pólvora, armas em punhos, tanques de guerra e porta aviões, graças a Deus, pois nisso somos os melhores.
🕹️ Os marcianos chegaram à terra à procura não só de refúgio, mas também pelos nossos recursos naturais. Recentemente Elon Musk disse que está querendo colonizar Marte, com o objetivo de estabelecer uma colônia auto sustentável com pelo menos 1 milhão de pessoas em Marte. A ficção científica acertando em cheio mais uma vez. A vida imitando a arte, pois a megalomania humana é fácil de rastrear, essa nunca muda. Pelos mesmos motivos, podemos estar diante de uma guerra dos mundos do nosso tempo.
🕹️ Os campos Militar, Religioso e Científico se unem para tentar entender esses seres de outro mundo. São esses pequenos detalhes que fazem de A Guerra dos Mundos ser um dos artefatos mais incríveis desse meio. Não esquecemos do detalhes de uma invasão alienígena sendo narrada via rádio, isso é simplesmente genial. Não é difícil imaginar que talvez a 4º Guerra Mundial seja munida apenas por paus e pedras.
🕹️ Sou um grande fã da literatura de H.G. Wells, e aqui temos um tributo realmente à altura de sua obra. Nas entrelinhas, a Inglaterra sente na pele o domínio imperialista de outro alguém que possui uma fonte de poder maior do que a sua. Filmaço, doideira absoluta., com um dos finais mais icônicos da história da cultura pop.
⚰️ Eu não sei vocês, mas se existe um negócio de onde eu não subestimo são lendas antigas. Do nada, podemos estar em volta de uma espécie de Maldição terrível, daí você vai jogar culpa no azar, mas não, foi o seu desrespeito com a cultura alheia, pois o deus Amon-Rá já vagou por essa realidade muito antes de nós meros mortais pensamos de existir.
⚰️ Sarcófagos e pós vida, o que transforma A Múmia em um filme acima da média é a injeção violenta de conceitos e teorias ancestrais que permeiam o seu roteiro. De onde são jorrados nomes que fazem parte da mitologia egípcia. Um tal de Imhotep é invocado, daí mais uma vez me fez lembrar de algum conto febril de H. P. Lovecraft.
⚰️ Nas entrelinhas de seu enredo, doses de Ciências Ocultas deixam esse negócio uma delícia maluca. Seu enredo não menospreza o telespectador, o que faz o enredo de A Múmia (1932) não envelhecer nada. Daí eu te pergunto: Múmias são imortais? Tenho a impressão que o espírito dessa galera ainda perambula por aí. Catacumbas mentais, transes existenciais, somos prisioneiros de hieróglifos malditos.
Você estaria pronto para enfrentar o terror em busca em troca do amor eterno?
⚰️ Com uma produção, fotografia e atuações muito acima da média, assistir a esses clássicos da Universal é como estar lendo algum pulp fiction desse período, é impressionante como esses filmes carregam tal atmosfera. O que era considerado baixa cultura, hoje se encontra um mar de criatividade intelectual e imaginativa.
⚰️ E o que falar da presença / atuação do amigo Boris Karloff? Fantasmagórico, estranho e misterioso, entrincheirando tudo que o terror permite. A Múmia é mais um filme muito interessante dos tempos de ouro do Studio Universal, fazendo força ao lado dos mais conhecidos Drácula e Frankenstein.
👾 Mais uma película que carrega uma premissa interessantíssima. Um meteorito de identidade alienígena risca os céus de alguma localidade americana. A partir daí somos ratos presos em uma ratoeira, será que esses invasores são realmente uma ameaça para a raça humana? Paranóia e desconfiança, o clima desértico abraça lindamente a atmosfera do filme. A direção de Jack Arnold novamente é de tirar o chapéu. Sempre apresentando perspectivas criativas e um olhar diferente.
“o ser humano destroi o que ele não compreende”
👾 Sobre a não compreensão de algo, o ser humano precisa da racionalidade, dos sentimentos e da lógica, para fazer o “seu meio” ter sentido. H. P. Lovecraft eleva esse conceito quando ele coloca nossa racionalidade de frente com a irracionalidade dos nossos sentidos. Aqui a ficção científica ganha outros contornos, pisando em tons filosóficos.
👾 Ao rever a filmografia de Jack Arnold, percebe-se que It Came from Outer Space antecipa temas que ele desenvolveria em: Creature from the Black Lagoon (1954), Tarantula (1955), e The Incredible Shrinking Man (1957). Arnold frequentemente sugere que o verdadeiro perigo não é o monstro, mas a incapacidade humana de compreender aquilo que é diferente.
👾 A Ameaça Veio do Espaço vai lembrar em premissa o grande clássico sobre ameaças alienígenas, Guerra dos Mundos, que também teve lançamento no mesmo ano. O que fica a dica de fazer uma espécie de sessão dupla, o que vai acrescentar e muito seus conceitos sobre paranoia e a fascinante era atômica no cinema.
🔍 Estamos diante de um dos filmes mais marcantes da inusitada Fase Atômica no Cinema (1945-1968 mais ou menos). Aqui nesse período uma paranoia rondava o imaginário norte americano, outros se utilizavam desse período para criticar o comportamento agressivo e apreensivo que rondava a realidade.
🔍 Tons de mistério, O Incrível Homem que Encolheu se inicia exatamente com essa atmosfera, algo simplesmente inexplicável se aflora diante do ser humano. A partir disso vamos acompanhar o drama do protagonista que a cada dia diminui sua estatura. Temos aqui uma aula de direção do amigo Jack Arnold com todo os seus maneirismo e recursos incríveis que se transformaram em marcos para o cinema. Confira esse negócio e tire as suas próprias conclusões.
“O que eu era?”
🔍 Seu humor vai sendo afetado, uma crise existencial começa a abraçá-lo. Porque continua vivo? A vida perdeu sentido, pois estou diante de uma situação que não me permite mais ser quem eu era. O filme vai de drama há filme de sobrevivência, ficamos na torcida para que aquele ser micro sobreviva, queremos saber mais. Um universo que faz a gente refletir por outros ângulos nosso lugar não só na terra, mas perante ao cosmo.
🔍 Em O Incrível Homem Que Encolheu vamos encontrar aquele toque intrigante e misterioso, nos fazendo lembrar de algum episódio da série clássica Além da Imaginação. Em falar no seriado, há um nome importante envolvido nesse projeto, o maluco Richard Matheson, figura por trás do lendário livro Eu Sou a Lenda e de inúmeros roteiros para a série Além da Imaginação, sendo o segundo roteirista mais prolífico da série original (1959–1964), atrás apenas do criador Rod Serling.
🕷️ A vibe preto e branco dessa película me deixa altamente elétrico. Que coisa Linda! Mais uma historieta que poderia facilmente ter saído de uma pulp fiction. Novamente ressalto, o diretor Jack Arnold tem uma cadeira cativa relacionado ao cinema fantástico desse período: Horror, Ficção Científica, Thriller Noir, Faroeste, uma filmografia invejável e muito acima da média.
🕷️ Quando o assunto são filmes com a temática Ficção Científica e Terror Animal, Tarântula está entre os meus favoritos. Os anos 50 e 60 foram terrenos férteis para esse estilo de cinema. Doses de paranoia e Guerra Fria se fazia presente no tal cinema norte americano, o que de fato não podemos negar, saiu grandes pérolas.
🕷️ Aqui em Tarântula (1955) já podemos ver um início experimental em relação aos efeitos práticos que iria alcançar o seu auge dois anos depois em: O Incrível Homem Que Encolheu (1957). Claro que nesse tipo de película alguns sensos de descrença precisam ser ativados. Como o fato de ter uma aranha de 500 metros passeando por aí e praticamente ninguém pôr os olhos nela.
“A acromegalia é uma doença rara caracterizada pela produção excessiva do hormônio do crescimento”
🕷️ Tarantula ainda dá tempo de construir um argumento super atual em relação ao aumento desenfreado da população e a escassez de alimento para essa. E claro que não poderia faltar a figura do “cientista louco” por trás de tal missão. Afinal, louco ou gênio? Assista e assine o seu veredito!
🕷️ Chegamos ao terceiro filme do mítico O MONSTRO DA LAGOA NEGRA. A trama se entrelaça entre a caça à criatura e uma crise de relacionamento do doutor com a sua amada. Essa segunda parte faz a gente se perguntar o porquê ela estar aqui nesse filme, logo logo vamos ser surpreendidos com uma correlação relacionado ao comportamento do doutor.
🕷️ Organismo e mutações. Teorias sobre o estudo da Biologia e suas derivações vão ser acionadas. Humanos e sua obsessão, pois aqui as pesquisas e o grau de curiosidade continuam para saber a natureza do bicho. Ser o mesmo é ou não uma derivação da raça humana. A loucura ganha contornos inusitados, fazendo o filme dar uma guinada bastante diferente, nos pegando pela culatra.
🕷️ Sobre avanços tecnológicos, aqui a galera da expedição usa uma espécie de radar / sonar para detectar fontes de vida no fundo do mar. Brinquedo mais que útil nessa missão. Já a tal criatura, a mesma parece está vacinada em relação a instinto predador humano, fazendo suas atitudes serem mais violentas em comparação aos outros filmes.
“Animal ou Humano?”
🕷️ Para amortecer o seus sentidos, a galera está usando um negócio chamado “Rotenona”: um inseticida / pesticida natural derivado das raízes de plantas tropicais, como o timbó. Altamente tóxica, ela atua bloqueando a respiração celular em insetos e peixes. Vimos que esse mesmo veneno foi utilizado no segundo filme.
🕷️ A Caça do Monstro (1956) é surpreendentemente tão interessante quanto o primeiro. Graças às camadas psicológicas que são costuradas durante a sua trama. Um estudo de comportamento é ativado, uma briga intelectual e ciumenta entra em jogo. E isso aqui se transforma em um liquidificador. Depois de conferir a trilogia, fiquei pensando sobre os pontos fracos da franquia. E notei um elemento que está presente nos três filmes: O Ritmo e suas cenas repetidas sobre mergulhos, acho que essas se estendem.
👹 Depois de conferir o clássico O Monstro da Lagoa Negra (1954), fui explorar mais o universo dessa criatura fascinante. Notei que nesse período o mesmo ganhou duas continuações: A Revanche do Monstro, dirigida pelo o mesmo Jack Arnold (1955). Da galera presente no primeiro filme, temos o capitão do barco Rita. Aqui vamos acompanhar uma galera Americana que é enviada novamente ao lago negro para tentar pescar a tal criatura.
👹 Só que os tais Americanos vieram bem mais equipados e tecnológicos do que a galera do primeiro filme. Carregando mais pólvora e materiais explosivos. Após capturá-lo, um estudo de personagem (ciência do comportamento) e origem da criatura entre em jogo. Só que o bicho está fora do seu habitat, E logo os seres humanos transformam o bicho em atração turística. Um comportamento típico dos americanos que de alguma forma, transformam tudo em atração que gera de certa forma, lucro.
👹 Assim como no primeiro filme, temos que pontuar um argumento que fica apenas implícito em relação ao comportamento da criatura. O bicho meio que se sente atraído por “fêmeas Humanas”, entendendo que ele é o último da sua espécie e a solidão está gritando. É um fato! É químico! É elétrico! Nosso organismo é atraído por conexão, por carinho e empatia. O Monstro da Lagoa Negra que apenas AMAR!
👹 Imperialismo americano? A criatura vira atração, jornais, tvs e civis querem saber mais sobre essa criatura que está além da identidade humana. O filme carrega uma identidade pulp, isso é ótimo, apesar de termos uma leve sensação dele está deslocado dos seus outros amigos do Studio Universal, que vieram vinte anos atrás.
👹 A Revanche do Monstro não é tão interessante como o primeiro filme, acho que ele perde no que diz respeito à profundidade narrativa. Mas ele carrega a responsabilidade de abrir mais a mitologia deste “micro-universo”, não sendo de se jogar fora. Nesse período, quase todos os filmes com essa pegada Sci-Monster-Guerra-Fria tem alguns problemas de ritmo, o que pode tirar o civil médio de boas experiências desse mesmo período.
🐡 Podemos afirmar que dos monstros dos estúdios da Universal: Drácula, Frankenstein, Múmia, Homem Invisível, Lobisomem, O Fantasma da Ópera, uns claro vão ter mais visibilidade do que outros. Mas depois de conferir O Monstro da Lagoa Negra (1956), posso considerar e afirmar que temos aqui a criatura mais subestimada desse microcosmo.
🐡 O Monstro da Lagoa Negra traz consigo uma premissa fascinante, sua história costura e vai desde a criação do mundo, até a simbiose entre humano e anfíbios. Os mistérios da humanidade estão à solta, e aqui vale lembrar de H. P. Lovecraft, que desde sempre nos alertou sobre o desconhecido universo dos mares e seus segredos obscuros.
🐡 O filme se passa na Amazônia, e aqui temos um ponto importante. Pois acredite, os Americanos enxergam e classificam os brasileiros como Selvagens! Dá pra acreditar num absurdo como esse? O homem sendo posto como explorador, mas ao mesmo tempo como invasor, isso é importante pontuar. Estamos fora do nosso habitat natural, heróis passam a ser vistos como vilões, o filme constroi muito bem essa nuances.
🐡 Sem falar do visual icônico da criatura. Sua história também vai lembrar outro grande monstrengo da cultura pop, o tal Monstro do Pantano. Sua fisionomia e estrutura bípede faz nossa consciência ferver em conceitos que chegam em abismos cósmicos. Mesmo sendo um filme típico de aventura e exploração, O Monstro da Lagoa Negra se sobressai dos demais de seu tempo exatamente por tais conceitos que a ele se impregnou, não fazendo seu enredo envelhecer.
🐡 Vale lembrar que esse universo teve duas continuações: A Revanche do Monstro (Jack Arnold, 1955) e A Caça do Monstro (John Sherwood, 1956). O diretor Jack Arnold é uma figura muito importante para esse período do cinema. Sua filmografia possui uma avalanche de filmes acima da média. Sua contribuição para o cinema fantástico é o que podemos chamar de ABSOLUTE CINEMA!
🦴 Tive sentimentos mistos nesse novo experimento de Sam Raimi para as telas. Em alguns momentos seus maneirismos vão saltar aos olhos. Com uma boa produção e com zoom’s que podemos classificar como “aparato técnico”. Sam Raimi navega no raso e apresenta um banquete pop. Daí cabe a quem está assistindo julgar tais artifícios como bons ou nem tanto.
🦴 Há um liquidificador de referências, que vão desde Robinson Crusoé ao clássico A Lagoa Azul. Seu argumento costura uma crítica social e divide suas classes. Sanguessugas no ambiente de trabalho, personalidades que conseguem ser escrotas até quando não tem espaço e situação para isso. A trama vai se desenrolando e tudo vai nos conectando com algum filme que em algum momento vai estar sendo transmitido em alguma sessão da tarde.
🦴 Relacionamentos tóxicos, comédia romântica, sobrevivencialismo e classes sociais. Uma das qualidades do filme é ele não se levar a sério, mas, suas reviravoltas conectam clichês safados e pasteurizados que me fizeram desconectar. Uma experiência que vai decaindo a cada camada que ele tenta nos mostrar. Confesso que consigo encontrar justificativas para que esse tipo de filme exista, tem todos os elementos que vai agradar a grande maioria. O velho e descompromissado entretenimento rasteiro.
🦠Germes, ácido ribonucleico e mitocôndrias. O futuro do cinema sempre esteve dentro de uma cápsula. No ventre dela, o cinema underground alternativo que expulsa ideias viscosas de extremo mal gosto. A começar citando o tal rótulo clássico visto nessas penumbras, “O Cientista Louco”, o tal do Projeto X: A Máquina de Matar Mais Astuta Que a Humanidade já Viu. É isso que acontece quando o homem brinca desse negócio de Deus. Abraço Frankenstein.
🦠 Bueiros, esgoto, bombeiro hidráulico e alguns germes. Piadas ruins e um humor estranho, Scared Shitkess é o típico filme B alternativo que faz um tributo maldito aos clássicos da Ficção Cientifica e Terror dos anos 50/60. Algo aqui lembra horror cósmico, talvez David Cronenberg, Aliens e por aí vai. Criaturas e conceitos do além mundo, quanto menos sabermos desses detalhes melhor.
🦠 Esse tipo de cinema tem o seu público, não é qualquer um que vai escorregar por aqui e se beneficiar com tal mensagem. Tem que saber apreciar o "Ridículo", "o Feio", "O Mal Diagramado", "O Indizível", pois há espaço para todos.
🦠 Bactericida! Ao mesmo tempo, nada e tudo faz sentido. Poesia, de alguma forma esse tipo de cinema tem que existir. Scared Shitless coloca mais iogurte estragado no encanamento cinéfilo daqueles que são apaixonados pelos Trash Movies.
🧟 Se você está em busca de um filme de zumbi tradicional, talvez Enterramos os Mortos não seja uma parada muito interessante. No lugar da ação bagaceira, encontramos aqui uma espécie de “Drama Emocional Apocalíptico”. Você gostando ou não, Enterramos os Mortos tenta uma perspectiva diferente dentro do sub gênero Zumbi. Mas será mesmo que esse tal drama dá certo? <br/><br/>🧟 Lá fora, há uma hecatombe que grita. Não sabemos suas motivações, a realidade de alguma forma conseguiu ficar mais enferrujada. O exército tem sua maneira de limpar / resolver as coisas! Na base da pólvora e do tamanho do calibre. Talvez haja uma fina camada crítica em relação a isso, não sei, há algo ali talvez. Mas aí eu pergunto ao grupo dos humanistas: O que fazer diante de um pandemônio como esse? <br/><br/>🧟 O poster desse filme engana, então baixe as expectativas. Não assisto trailers, mas acredito que ele deve vender gato por lebre. Olhando da perspectiva correta, talvez Enterramos os Mortos tenha os seus momentos, apesar de ter algumas situações que servem como perigo gratuito. Apenas o delírio, nada mais que isso. <br/><br/>🧟 No ato final, entendemos mais ou menos o que o filme que mascarar. Relacionamentos Tóxicos? O Homem Sempre vai Ser o Culpado da Relação? Sacrifícios e Testes Químicos, pois os Americanos atacam novamente, pois temos urânio no almoço, na merenda da tarde e na janta. Apesar da sua boa produção, boa maquiagem e tomadas aéreas de drones acima da média, Enterramos os Mortos contém boas ideias, caminha para uma direção diferente, mas ainda assim, falta alguma coisa. Não sei dizer exatamente o que, mas o tempero não está completo.
💀 A saga Extermínio tem início em 2002, um filme sujo e rasteiro, mostrando que a realidade foi para o saco. Extermínio acabou sendo uma espécie de divisor de águas quando o assunto é filme de “Apocalipse Zumbi”, já que na virada do século era um “Subgênero” que estava ficando cansado. Assim chegamos em 2026, e eis que a franquia já possui quatro longas para chamar de seu.
💀 Confesso que essa nova repaginada da franquia que começou em 2025 não é de se jogar fora, mas também não é essa pepsi-cola toda que alguns estão dizendo por aí. Extermínio, Templo de Ossos simplesmente não amplia o seu universo. Fiquei com a sensação de rodar em ciclo. A turma dos Teletubbies não se justificou, apesar das camadas satânicas que são jogadas assim como milho para galinhas.
“Quem não lembra o passado, está condenado a repeti-lo”
💀 A busca da cura, ativação da memória, pois está aí um negócio mega complexo e infalível, a Lembrança. Quem é você se ninguém lembrar de você? Filosofia de boteco, mas os filmes de zumbis são alegorias críticas em relação ao nosso comportamento perante ao todo. Lembra que o subgênero de zumbi apocalipse estava cansado? Pois é, Extermínio não é de se jogar fora, mas o que abriu portas para uma nova visão sobre tais assuntos, acaba ficando no mais do mesmo, apesar da boa produção.
💀 Eu vou continuar na missão em busca de novos ares em relação a essa temática. Zumbi é uma parada atual, sempre foi e sempre será! Pois fazemos parte do mesmo plano alienígena que continua nos controlando feito: ZUMBIS!
“O ouro muda a alma de um Homem. Ele vira outra pessoa depois de achá-lo.”
🪙 A primeira camada do filme se abre mostrando uma rotina traiçoeira na cidade de Tampico, no México. De onde nossos protagonistas estão bolando a vida, tentando sobreviver há uma miséria na qual a vida rejeita a da oportunidade. Mendigos? Algo parecido!
🪙 No sistema capitalista, dinheiro é sinônimo de felicidade. E é aqui que o filme ganha em complexidade. Construindo personagens profundos, nossos amigos têm que apelar para o mundo do “Garimpo”. Caçar ouro, pois o sucesso está logo ali. Depois de muita peleja, estamos dentro de um sonho, mas tal sonho vem com gosto de delírio e uma desconfiança das relações humanas.
“Cuidado! Pois falar sozinho não é bom sinal.”
🪙 Aqui começamos a escavar uma crítica ao materialismo desenfreado. A queda do mito do “sucesso fácil”. Se trocarmos o “Ouro” pelo “Dinheiro Papel” ou pelo “Jogo do Tigrinho”, o negócio fica bastante atual, pois o sistema capitalista continua fazendo suas vítimas. O ouro não traz riqueza, mas também traz paranoia. A busca por sentido é substituída por obsessão, pois a civilização é uma camada fina que se rompe facilmente.
🪙 A tal da confiança e amizade vai até a página dois. Quando se envolve “dinheiro”, a parada ganha outras proporções e significados. Níveis de “Ganância”, contornos de “Paranoia”, e aqui, O Tesouro de Sierra Madre consegue traduzir a sociedade através dos tempos. Em algum determinado momento, do nada, me lembrei do personagem das histórias em quadrinhos TEX. Aqui temos uma aventura que se encaixa facilmente em uma de suas aventuras.
🪙 Possuindo uma fotografia incrível, a direção de John Huston escava a alma Norte Americana em um dos filmes mais impressionantes do seu tempo. Influenciando filmes como Sangue Negro (2007) e Onde os Fracos Não tem Vez (2007) quando o assunto é obsessão e ganancia com estripulias.
“Eu vim aqui para caçar Baleias. E não por vinganças pessoais.”
🐳 Uma das minhas maiores e melhores experiências diante da literatura, foi com o livro MOBY DICK. O escritor Herman Melville nos joga dentro de uma aventura física e espiritual. Tenho que ser sincero, não é uma leitura simples, pois ao longo dessa jornada temos uma narrativa altamente técnica e detalhadas sobre o universo da “Cetologia” e a cultura de caça às baleias.
🐳 Temos algumas adaptações para o cinema, e a que mais me chamou a atenção foi essa dirigida por John Huston. E confesso que esse negócio é incrível, principalmente se notarmos o seu ano de lançamento. Huston simplesmente consegue condensar os momentos mais marcantes da obra de Melville, fatiando em 2 horas o destino daqueles homens.
“Essa é uma viagem maldita, rapazes.”
🐳 O Capitão Ahab (interpretado por Gregory Peck) parece se mover por “instinto”, assim como aquele animal, Moby Dick. Uma vingança cega, uma blasfêmia contra a própria natureza que parece que foi tomada pela irracionalidade. A audácia de Ahab desafia os céus. Há infinitas interpretações sobre a obra Moby Dick. Uma das vias, são religiosas, pois as atitudes de Ahab vão na contramão de certas atitudes cristãs. Sua individualidade e obsessão acaba sendo castigada pelas forças da natureza, ou melhor, por Leviatã.
“Eu vejo Loucos gerando mais Loucos.”
🐳 Com excelentes atuações, o filme captura ótimas passagens poéticas do argumento do livro, Gregory Peck tem uma atuação provocativa e arbitrária. Manipulando aquele navio como uma espécie de seita. Sei que encarar o livro Moby Dick não é uma tarefa simples, então fica a indicação desse pequeno cataclisma que é a história sobre a caça de Moby Dick e a loucura insana que percorre aquele pedaço de madeira em cima de um universo de águas.
🌵 Adaptando de maneira brilhante o incrível livro escrito por Graciliano Ramos, São Bernardo é uma pérola do cinema nacional. Um reflexo amargo e bastante fiel de tempos malucos que mais parecia distopia. Mal sabe Graciliano que ainda estamos à beira do mesmo abismo que esse imaginou. Os agentes do caos, os donos do mundo continuam ativos. Exploração, ambição e paranoia, uma coivara existencial que vai nos colocar em estado de choque.
"A culpa foi minha"
🌵 A realidade em São Bernardo é crua! Coronelismo, o amor não existe, o que nos resta são relações negociadas. Você tem um preço e vai ser explorado de qualquer maneira. Uma mulher sem religião é um perigo, pois o comunismo está à solta. Política, religião, dinheiro, estamos amaldiçoados, essa realidade é da muléstia. O Brasil continua doente, tentando estancar uma ferida que ainda não possui medicamentos para tal cura.
🌵 E o que falar da linguagem desse negócio! Da poesia e da selvageria dos diálogos. Claro que o livro vai ser mais didático em relação á isso, pois a cabeça de Paulo Honório está entrando em estágio de ferrugem. A relação de poder, a contradição de comportamento e principalmente de pensamento, exposto de modo febril.
🌵 A direção de Leon Hirszman é coisa fina. A minoria que não curte o filme, acha que o seu defeito é ser muito fiel ao livro, tirando um eventual senso de criatividade e originalidade na qual a linguagem do cinema poderia construir e adicionar a história. Eu concordo e discordo, no caso acho que o filme conseguiu capturar a essência do livro, mostrando de maneira direta a mensagem na qual Graciliano propôs.
“O 1º caso de hidrofobia foi registrado em 2300 A.C. Animais infectados ficam literalmente loucos ao ver água. Se não forem tratados em 48h, não há chance de cura. A hidrofobia é mais conhecida pela palavra em latim para loucura: “Raiva”.
🐒 O Primata é aquele típico misto quente quando você está com dúvida do que pedir dentre inúmeras opções. Jogar dentro das regras, degustar os mesmos sabores, caminhar pelas mesmas ruas. Entretenimento clássico, o circo não chega a pegar fogo, não temos mortes criativas, o suspense também fica no banho Maria. Mas às vezes é exatamente disso que você precisa.
🐒 E você, acredita que nós evoluímos do Macaco? Beleza, mais uma película de ataque animal para os amantes do absurdo. Confesso e vejo que muitos telespectadores já entram nesse tipo de experiência torcendo pelo lado mais selvagem, não ligando e não dando a mínima para os personagens. Esperando pelas mortes morridas que vão ser executadas.
🐒 Juventude e inconsequências! Aqui não temos isso, pois a bactéria da raiva vai levar a culpa dessa vez. Destino ou maldição? Não sei. O Primata pode ser avaliado por duas direções. Comparando ele com outros filmes do gênero ou apenas ele por ele mesmo. Não tenho faculdades mentais suficientes para tal missão. Assista e tire as suas próprias conclusões.
🐒 O Primata Ben ficou nervoso, se estressou, amigos se tornaram inimigos, a irracionalidade sendo o norte. Ben foi humano, fazendo-nos lembrar que a selvageria corre solto a cada amanhecer, fazendo aquele dia normal se tornar o nosso pior pesadelo.
O Último Americano Virgem
3.2 209“E aí Gary, você quer transar ou não quer? Eu prefiro sair com o Maguila do que com ela!”
💔 Os efervescentes anos 80 não estavam para brincadeira. O Último Americano Virgem consegue dar check in eu quase todos os estereótipos dessa década, pois todos nós sabemos que ser adolescente é uma das paradas mais complexas que existem. E já posso afirmar que não se fazem mais “comédia adolescente” como antigamente.
💔 São tantos absurdos, que ao mesmo tempo está tudo certo, e na virada da página, ou melhor, do frame, está tudo errado. Isso é arte meus amigos, isso é cinema. E o que falar dessa trilha sonora? Bons tempos, de onde a melodia de imediato nos coloca em uma espécie de máquina do tempo. Hoje vemos o uso de certos momentos apenas para nos pegar pela nostalgia, não se deixe enganar.
💔 Talvez Curtindo a Vida Adoidado (1986) seja o carro chefe quando lembramos dessa proposta de cinema, mas logo após conferir O Último Americano Virgem notei que existem pérolas perdidas desse meio e que vale o resgate, pois conferir essas películas em pleno o ano de 2026 vai fazer você refletir sobre o quanto a nossa realidade estar carreta e principalmente, sem senso de humor. Talvez o politicamente correto está destruindo algumas arestas da arte.
💔 Possuindo um dos finais mais acachapantes de todos os tempos, O Último Americano Virgem pincela bons temas em meio a sua comédia de “erros”. Em tempos de RED PILL, BLUE PILL, BETA, ALPHA, FRIENDZONE e seus derivados, dentre todas as dificuldades de arranjar uma transa ou coisa do tipo, esse filme Abraça festas e aquele niilismo de uma fase confusa, onde tudo é curtição e status social. Enquanto você for virgem, parece que você está vestindo um manto de invisibilidade. Nesse meio tempo, você anda em círculos, apenas esperando tirar tal lacre e saber que a vida vai continuar vazia.
Zona Zero
3.3 50“Um ataque bioterrorista altamente contagioso”
🦠 Claro que fui conferir o novo filme do diretor Yeon Sang-Yo, conhecido pela película (Train to Busan, 2018). Pelo ou menos em premissa, notei que o diretor tem outros títulos interessantes, vale a pena dar uma chance, o cara parece ter uma visão diferente.
🦠 Em Colony (Zona Zero), temos um bom filme de Zumbi. Estamos diante de um subgênero mega difícil de se trabalhar nos dias atuais, tenho uma leve impressão de que tudo já foi feito, e quase sempre vamos nos apegar ao clichê ao invés de ideias originais. Shopping, excelente homenagem ao mestre George Romero, temos também um pouco de Resident Evil e The Last of Us nas entrelinhas do seu roteiro.
🦠 Zona Zero consegue até certo ponto equilibrar sua proposta, ficamos à frente de ideias interessantes, pois os zumbis vão evoluindo, simulando uma rede de transmissão neural. Os minutos vão passando, e a bagaceira vai ficando cada vez mais intrincada, pois é, aqui não temos um fiapo de roteiro, o bagulho parece um anime ou mangá bizarro na qual compramos por ler três linhas de sinopse. O tal isolamento do prédio trás um conflito de urgência à trama. Tal premissa vai nos lembrar um video game de sobrevivência, o tal isolamento realmente deixa as coisas tensas.
🦠 Apesar da boa produção, estamos dentro de um trash movie, o filme se leva a sério na sua grande maioria. Claro que vamos encontrar conflitos internos, pois o ser humano ainda continua sendo a maior ameaça. Alerta de sobrevivência, organismos vivos, mortais e insalubres. Uma colmeia de insanidade, tudo fica peçonhento, a inteligência precisa ser compartilhada, pois somos uma espécie de bando, sozinho não somos nada, compartilhando conhecimento científico, e principalmente, a insanidade de uma realidade bizarra.
Os Bad Boys
3.2 305 Assista Agora🍔 Talvez em alguma realidade paralela os diretores Zack Snyder e Michael Bay sejam os melhores diretores de todos os tempos. Bad Boys é o longa de estreia do amigo Michael Bay na direção, o típico filme enlatado norte americano e se adicionarmos os anos 90 nisso, pronto, prato completo (Bife com Batata frita). Feito para divertir as grandes massas, Bad Boys se utiliza de personagens carismáticos dentro de uma situação insalubre.
🍔 Corrupção, muita droga envolvida, tudo está fora do controle, a realidade parece está em erupção. Até agora não me dei com os protagonistas, não sei, muita coisa funciona, outras nem tanto. As cenas de pancadaria não são boas, e as de tiroteio também são bem qualquer coisa quando comparamos a outras obras do mesmo. O tal do alívio cômico é tão exagerado que acaba perdendo o sentido.
🍔 E a câmera lenta hein? Bad Boys é o típico filme sessão da tarde, tela quente, pipoca no sofá. Colando uma risada enquanto algumas cenas de tiroteios acontecem. No meio do filme, já tinha esquecido dos quilos de heroína que aquela galera tinha assaltado. As ruas estão sujas, mas não são notadas, a violência está nas calçadas, mas tudo é deixado de lado porque a gente acompanha uma tentativa de desenvolvimento de personagens que apenas não funciona.
🍔 Não sei, Bad Boys mira em Tango e Cash e Máquina Mortífera e acaba errando em ambos. Bad Boys é divertido, apenas isso. Hollywood na sua forma mais genérica quando falamos de cinema policial e suspense investigativo. Outra coisa, filmes com essa proposta deveria ser crime passar de 1H e 30Min. Depois de Bad Boys (1995), Michael Bay adentra em A ROCHA (1996), de onde já podemos ver seus maneirismos narrativos bem mais escancarados.
O Dia Em Que A Terra Parou
3.9 178 Assista Agora“Eles chegaram!”
👽 Viemos visitá-los em paz e boa vontade! Conferir esses clássicos da Ficção Científica é simplesmente fascinante. Estou fazendo esse revisionismo histórico não só no cinema, mas também na literatura. O gênero Sci-Fi é uma mina de ouro de grandes ideias, e O Dia Em Que a Terra Parou (1951) é mais uma prova disso.
👽 Escrevo em 2026, tensões de dimensões atômicas ainda se fazem presentes no dia-a-dia da classificada raça humana. A tal da guerra fria ainda se faz presente, acordos de paz, que mais parecem pactos zilionários, pois a desconfiança que alguém está lucrando com esse medo, não é mais uma teoria da conspiração.
👽 Urânio, O Dia Em Que a Terra Parou carrega consigo uma mensagem que não envelheceu. Sua mensagem pacifista e crítica é brilhante. A destruição faz parte do nosso DNA, pois tenho certeza que se um ser Alienígena resolver visitar nossa comunidade terra e fazer uma tour por aqui, esse vai zarpar e avisar para seus amigos interplanetários que essa budega não tem jeito mesmo.
👽 Perante ao cosmo, nosso comportamento é bem estranho, somos mesquinhos, nosso ego é inflado, não temos senso de humor, se achamos a última bolacha do pacote, e se você tem uma Bomba Atômica em seu quintal, podemos classificá-lo como “Deus”. O dinheiro comanda, a religião é de maneira usurpada, o tal sentido da vida fica sendo algumas latinhas de cevada ou algum entorpecente que faça esquecer onde estou.
👽 O Dia Em Que a Terra Parou é clássico do cinema Sci-Fi. Uma das películas mais importantes da fascinante era atômica no cinema. A ótima direção de Robert Wise deixa as coisas ainda mais interessantes. O filme é baseado no conto: Adeus ao Mestre (1940) escrito por Harry Bates.
Por Que Você Não Morre?
3.6 25 Assista Agora🧨 Logo após o término de Eles Vão Te Matar (2026), dei uma vasculhada na interweb para puxar a ficha do diretor dessa estripulia. O nome da figura, um tal de Kirill Sokolov, de categoria Russa. Mesmo com todos os conflitos e guerra fria atual, entrei em contato com o diretor para que o mesmo me enviasse pelos correios seus outros 2 longas, Por Que Você Não Morre? (2018) e Quem Vai Ficar com Masha (2021). E posso afirmar sem nenhum receio, Kirill Sokolov é ABSOLUTE CINEMA.
🧨 Em sua produção, um vínculo poético e selvagem, aqui temos 1001 motivos para afirmar que o cinema de Ação Bagaceira Alternativo não pode morrer, é simplesmente impressionante. Loucura, insanidade e bastante doideira, uma trama que se passa em praticamente um cômodo. A situação vai escalando e ganhando contornos pontiagudos. Quem está certo? Mentiras e Verdades se contradizem em um quebra osso violento.
🧨 Maldição! Uma teia de ocasiões labirínticas vão contornando uma tragédia/comédia de erros. Um moedor de gente, corrupções de almas e te instituições. O Capitalismo vai matar todo mundo, está sugando o que resta de nossas carcaças. Aqui o amor não vai vencer. Acrescente também: Humor ácido e uma ironia azeda.
🧨 Bagaceira da melhor qualidade. Insalubridade por todos os lados, uma corrupção bandida que vai nos colocando contra a parede. Personagens críveis e dúbios, de onde não devemos confiar em seu ninguém. Taquicardia, o que tem do outro lado da vida? Tiros e ossos depenados! Por que Você Não Morre? é mais uma prova que você deve sair da bolha do catálogo de Streams e passar a mandar EMAILS para os diretores enviarem cópias de seus filmes.
Eles Vão Te Matar
3.1 274 Assista Agora“Quando o pobre dá ao Rico, até o Diabo ri.” - (Benvenuto Cellini)”
🔪 Filmes como Eles Vão te Matar já tem aos montes. Porém, o que devemos julgar aqui é se essa salada mista já servida de fato é bem temperada, ou melhor, se tem algum elemento que diferencia ele dos demais pratos já expostos à mesa. E sim, o que temos aqui é uma roda gigante da mais pura diversão. Eles Vão Te Matar não tem medo de experimentar e ousar.
🔪 As cenas de ação são muito estilizadas, um dos pontos altos desse negócio. O gore desce sem medo de ser feliz, uma bagaceira que até passa da dose. Isso é muito bacana nos dias de hoje, de onde parece que estamos entrando numa espécie de freio de mão (Ação + Horror + Gore), o que não é o caso aqui.
🔪 Pactos fáusticos! Gente Rica e seus fetiches, inferno de Dante, camadas sobre o abismo e comportamento humano. Somos a decadência, e no meio disso tudo, golpes de facão e alguns tiros de calibre dose. Uma britadeira de cenas que elevam o absurdo. Blaxploitation, a cada novo plano esse negócio vai deixando inúmeras homenagens em sua montagem não linear, e isso é um golpe certeiro. Mas o filme não fica apenas em referências, essa bagaceira possui toques bem legais e pessoais que vão abraçar os mais fetichistas de plantão.
“Esse prédio é um templo a Satanás!”
🔪 Se você dúvida que os milionários tem que vender a alma ao diabo para permanecerem no topo, você é um deles! Classe social, escala 7x0, salário mínimo, capitalismo tardio, ambiente familiar tóxico, racismo, o pobre não parece estar seguro. Eles Vão Te Matar é até o momento a película mais divertida de 2026. Já podemos fazer uma petição para que isso também se transforme em uma história em quadrinhos. Já está tudo arquitetado para tal mídia.
A Noiva!
3.0 161“Amor é para os tolos!”
🍄 Começo dizendo que a obra FRANKENSTEIN (Mary Shelley, 1818) está entre os meus livros favoritos. Um universo pra lá de interessante e bizarro que continua influenciando a cultura pop como um todo. Em falar em “universo”, aqui temos uma camada interessante que é adicionada no filme de 1935 dirigido por James Whale, ou melhor dizendo, uma releitura.
🍄 Aqui temos um começo bem legal, de onde temos acesso às ideias da figura de Mary Shelley. Jogando tais conceitos para os dias atuais a partir do subconsciente da protagonista. Mostrando que aquela sociedade (O filme se passa na década de 30) ainda continua com os seus problemas e preconceitos. seu enredo consegue discutir inúmeras ideias, que confesso não ter capacidade para discutir todos.
🍄 Outra qualidade que achei interessante é quando a trama se junta com uma perspectiva policial noir (Febre naquele período) Gostei dos exageros da produção, acho que seu conceito e mensagem combinam com tal proposta. Entender um pouco do período da Mary Shelley e o seu processo de produção da obra, talvez faça esse filme ganhar um pouco mais de relevância. Vendo que muitos não estão conseguindo se conectar com o mesmo. E tá tudo bem, pois não temos espaço suficiente para discutir tais fatos.
🍄 Um grande clipe da Lady Gaga? Cultura Woke? Tais exageros em que o filme navega pode chegar a incomodar, eu fiquei em meio termo, pois aqui temos um caos de referências, dá pra pescar homenagens aos montes: sua mensagem anarquista, feminista e libertadora, vai culminar em uma amor bandido que vai nos remeter a Bonnie & Clayde e a nova Hollywood. Posso estar viajando nas ideias, mas há sim um liquidificador de conceitos.
🍄 Acredito que Frankenstein ao lado de Drácula, são duas criaturas que mais devem ter adaptações por esse meio. Porém, essa parte da mitologia sobre a “Companheira / Noiva” da criatura não foi explorada até onde eu sei. Aqui temos uma oportunidade para acompanhar tal loucura.
🍄 Outro filme que vai na mesma pegada desse é o excelente Pobres Criaturas (Yorgos Lanthimos, 2023)
Alerta Apocalipse
2.6 70 Assista Agora“Alguém me diga o que diabos aconteceu!”
🦠 Alerta Apocalipse é aquela típica visita ao self-service de onde você sai colocando de tudo um pouco: arroz, feijão de corda, feijão mulatinho, baião, macarrão, vatapá, cuscuz, farofa de porco, carne de porco, frango, boi, lasanha, miojo, escondidinho, batata frita, linguiça, buchada, fígado acebolado, pirão de peixe, 2 cabeças de peixe e uma panelada por cima! Nada de salada, pois faz mal. O tempero pode ser aquele molho de pimenta que tem data de vencimento beirando ao primitivismo selvagem.
🦠 Mofo viscoso, com uma bela homenagem aos clássicos filmes B e a querida obra Invasores de Corpos (Jack Finney, 1954). Somos cobaias mentais de algo maior, meros organismos enferrujados de um simbionte do além mundo. Uma viagem de ácido, pois Alerta Apocalipse viaja em seu conceito, extrapolando o no-sense, e talvez aqui esteja o caminho do seu sucesso. O tom de comédia emprega-se, combinando de maneira fluída com a proposta do enredo.
“Zumbis não são reais”
🦠 Não natural, a cena da câmera na barata é ABSOLUTE CINEMA em estado febril. Não podemos esquecer do clichê militarista que esses filmes carregam. Como um grande fã de histórias pulps esquecidas, sou suspeito de falar o quanto Alerta Apocalipse é Caótico e criativo, pois o mesmo me lembra algo que saiu absolutamente desse meio. Malditos fungos alienígenas do mal.
🦠 Um fio de membrana de Lovecraft, não podemos esquecer do maldito do Lovecraft.
A Guerra dos Mundos
3.5 119“Quem? De onde vieram?”
🕹️ Com uma das aberturas mais cavalares da história do cinema, A Guerra dos Mundos é um desbunde cinematográfico, conseguindo escavar o seu interesse não só para os fãs da Ficção Científica. Não é para menos, pois o seu argumento escancara muitas nuances, que vão desde paranoia ao capitalismo desenfreado que percorre as veias do empreendedorismo americano.
🕹️ Geiger, pulsos de radioatividade e campos eletromagnéticos. Aqui os Americanos são pacíficos, abertos a conversa, se trocarmos os marcianos pelos “Comunistas”, aí sim vamos ter um caldeirão de boas drogas para se entorpecer. Na última fileira do cinema alguém grita: “Tirem política do meu filme”. O clima fica magnetizado, ondas de radiação, raios nucleares de altíssimo calibre. Infelizmente vamos ter que jogar o jogo deles. Pólvora, armas em punhos, tanques de guerra e porta aviões, graças a Deus, pois nisso somos os melhores.
🕹️ Os marcianos chegaram à terra à procura não só de refúgio, mas também pelos nossos recursos naturais. Recentemente Elon Musk disse que está querendo colonizar Marte, com o objetivo de estabelecer uma colônia auto sustentável com pelo menos 1 milhão de pessoas em Marte. A ficção científica acertando em cheio mais uma vez. A vida imitando a arte, pois a megalomania humana é fácil de rastrear, essa nunca muda. Pelos mesmos motivos, podemos estar diante de uma guerra dos mundos do nosso tempo.
🕹️ Os campos Militar, Religioso e Científico se unem para tentar entender esses seres de outro mundo. São esses pequenos detalhes que fazem de A Guerra dos Mundos ser um dos artefatos mais incríveis desse meio. Não esquecemos do detalhes de uma invasão alienígena sendo narrada via rádio, isso é simplesmente genial. Não é difícil imaginar que talvez a 4º Guerra Mundial seja munida apenas por paus e pedras.
🕹️ Sou um grande fã da literatura de H.G. Wells, e aqui temos um tributo realmente à altura de sua obra. Nas entrelinhas, a Inglaterra sente na pele o domínio imperialista de outro alguém que possui uma fonte de poder maior do que a sua. Filmaço, doideira absoluta., com um dos finais mais icônicos da história da cultura pop.
A Múmia
3.5 104 Assista Agora“A Morte é apenas o portão para uma nova vida”
⚰️ Eu não sei vocês, mas se existe um negócio de onde eu não subestimo são lendas antigas. Do nada, podemos estar em volta de uma espécie de Maldição terrível, daí você vai jogar culpa no azar, mas não, foi o seu desrespeito com a cultura alheia, pois o deus Amon-Rá já vagou por essa realidade muito antes de nós meros mortais pensamos de existir.
⚰️ Sarcófagos e pós vida, o que transforma A Múmia em um filme acima da média é a injeção violenta de conceitos e teorias ancestrais que permeiam o seu roteiro. De onde são jorrados nomes que fazem parte da mitologia egípcia. Um tal de Imhotep é invocado, daí mais uma vez me fez lembrar de algum conto febril de H. P. Lovecraft.
⚰️ Nas entrelinhas de seu enredo, doses de Ciências Ocultas deixam esse negócio uma delícia maluca. Seu enredo não menospreza o telespectador, o que faz o enredo de A Múmia (1932) não envelhecer nada. Daí eu te pergunto: Múmias são imortais? Tenho a impressão que o espírito dessa galera ainda perambula por aí. Catacumbas mentais, transes existenciais, somos prisioneiros de hieróglifos malditos.
Você estaria pronto para enfrentar o terror em busca em troca do amor eterno?
⚰️ Com uma produção, fotografia e atuações muito acima da média, assistir a esses clássicos da Universal é como estar lendo algum pulp fiction desse período, é impressionante como esses filmes carregam tal atmosfera. O que era considerado baixa cultura, hoje se encontra um mar de criatividade intelectual e imaginativa.
⚰️ E o que falar da presença / atuação do amigo Boris Karloff? Fantasmagórico, estranho e misterioso, entrincheirando tudo que o terror permite. A Múmia é mais um filme muito interessante dos tempos de ouro do Studio Universal, fazendo força ao lado dos mais conhecidos Drácula e Frankenstein.
A Ameaça Que Veio do Espaço
3.4 53 Assista Agora“É o maior evento de nosso tempo?”
👾 Mais uma película que carrega uma premissa interessantíssima. Um meteorito de identidade alienígena risca os céus de alguma localidade americana. A partir daí somos ratos presos em uma ratoeira, será que esses invasores são realmente uma ameaça para a raça humana? Paranóia e desconfiança, o clima desértico abraça lindamente a atmosfera do filme. A direção de Jack Arnold novamente é de tirar o chapéu. Sempre apresentando perspectivas criativas e um olhar diferente.
“o ser humano destroi o que ele não compreende”
👾 Sobre a não compreensão de algo, o ser humano precisa da racionalidade, dos sentimentos e da lógica, para fazer o “seu meio” ter sentido. H. P. Lovecraft eleva esse conceito quando ele coloca nossa racionalidade de frente com a irracionalidade dos nossos sentidos. Aqui a ficção científica ganha outros contornos, pisando em tons filosóficos.
👾 Ao rever a filmografia de Jack Arnold, percebe-se que It Came from Outer Space antecipa temas que ele desenvolveria em: Creature from the Black Lagoon (1954), Tarantula (1955), e The Incredible Shrinking Man (1957). Arnold frequentemente sugere que o verdadeiro perigo não é o monstro, mas a incapacidade humana de compreender aquilo que é diferente.
👾 A Ameaça Veio do Espaço vai lembrar em premissa o grande clássico sobre ameaças alienígenas, Guerra dos Mundos, que também teve lançamento no mesmo ano. O que fica a dica de fazer uma espécie de sessão dupla, o que vai acrescentar e muito seus conceitos sobre paranoia e a fascinante era atômica no cinema.
O Incrível Homem Que Encolheu
4.1 123“Continuava diminuindo, convertendo… em que?”
🔍 Estamos diante de um dos filmes mais marcantes da inusitada Fase Atômica no Cinema (1945-1968 mais ou menos). Aqui nesse período uma paranoia rondava o imaginário norte americano, outros se utilizavam desse período para criticar o comportamento agressivo e apreensivo que rondava a realidade.
🔍 Tons de mistério, O Incrível Homem que Encolheu se inicia exatamente com essa atmosfera, algo simplesmente inexplicável se aflora diante do ser humano. A partir disso vamos acompanhar o drama do protagonista que a cada dia diminui sua estatura. Temos aqui uma aula de direção do amigo Jack Arnold com todo os seus maneirismo e recursos incríveis que se transformaram em marcos para o cinema. Confira esse negócio e tire as suas próprias conclusões.
“O que eu era?”
🔍 Seu humor vai sendo afetado, uma crise existencial começa a abraçá-lo. Porque continua vivo? A vida perdeu sentido, pois estou diante de uma situação que não me permite mais ser quem eu era. O filme vai de drama há filme de sobrevivência, ficamos na torcida para que aquele ser micro sobreviva, queremos saber mais. Um universo que faz a gente refletir por outros ângulos nosso lugar não só na terra, mas perante ao cosmo.
🔍 Em O Incrível Homem Que Encolheu vamos encontrar aquele toque intrigante e misterioso, nos fazendo lembrar de algum episódio da série clássica Além da Imaginação. Em falar no seriado, há um nome importante envolvido nesse projeto, o maluco Richard Matheson, figura por trás do lendário livro Eu Sou a Lenda e de inúmeros roteiros para a série Além da Imaginação, sendo o segundo roteirista mais prolífico da série original (1959–1964), atrás apenas do criador Rod Serling.
Tarântula
3.1 51“Sabe, acho que todo Americano é louco”
🕷️ A vibe preto e branco dessa película me deixa altamente elétrico. Que coisa Linda! Mais uma historieta que poderia facilmente ter saído de uma pulp fiction. Novamente ressalto, o diretor Jack Arnold tem uma cadeira cativa relacionado ao cinema fantástico desse período: Horror, Ficção Científica, Thriller Noir, Faroeste, uma filmografia invejável e muito acima da média.
🕷️ Quando o assunto são filmes com a temática Ficção Científica e Terror Animal, Tarântula está entre os meus favoritos. Os anos 50 e 60 foram terrenos férteis para esse estilo de cinema. Doses de paranoia e Guerra Fria se fazia presente no tal cinema norte americano, o que de fato não podemos negar, saiu grandes pérolas.
🕷️ Aqui em Tarântula (1955) já podemos ver um início experimental em relação aos efeitos práticos que iria alcançar o seu auge dois anos depois em: O Incrível Homem Que Encolheu (1957). Claro que nesse tipo de película alguns sensos de descrença precisam ser ativados. Como o fato de ter uma aranha de 500 metros passeando por aí e praticamente ninguém pôr os olhos nela.
“A acromegalia é uma doença rara caracterizada pela produção excessiva do hormônio do crescimento”
🕷️ Tarantula ainda dá tempo de construir um argumento super atual em relação ao aumento desenfreado da população e a escassez de alimento para essa. E claro que não poderia faltar a figura do “cientista louco” por trás de tal missão. Afinal, louco ou gênio? Assista e assine o seu veredito!
À Caça do Monstro
2.9 14“Tem medo do Desconhecido?”
🕷️ Chegamos ao terceiro filme do mítico O MONSTRO DA LAGOA NEGRA. A trama se entrelaça entre a caça à criatura e uma crise de relacionamento do doutor com a sua amada. Essa segunda parte faz a gente se perguntar o porquê ela estar aqui nesse filme, logo logo vamos ser surpreendidos com uma correlação relacionado ao comportamento do doutor.
🕷️ Organismo e mutações. Teorias sobre o estudo da Biologia e suas derivações vão ser acionadas. Humanos e sua obsessão, pois aqui as pesquisas e o grau de curiosidade continuam para saber a natureza do bicho. Ser o mesmo é ou não uma derivação da raça humana. A loucura ganha contornos inusitados, fazendo o filme dar uma guinada bastante diferente, nos pegando pela culatra.
🕷️ Sobre avanços tecnológicos, aqui a galera da expedição usa uma espécie de radar / sonar para detectar fontes de vida no fundo do mar. Brinquedo mais que útil nessa missão. Já a tal criatura, a mesma parece está vacinada em relação a instinto predador humano, fazendo suas atitudes serem mais violentas em comparação aos outros filmes.
“Animal ou Humano?”
🕷️ Para amortecer o seus sentidos, a galera está usando um negócio chamado “Rotenona”: um inseticida / pesticida natural derivado das raízes de plantas tropicais, como o timbó. Altamente tóxica, ela atua bloqueando a respiração celular em insetos e peixes. Vimos que esse mesmo veneno foi utilizado no segundo filme.
🕷️ A Caça do Monstro (1956) é surpreendentemente tão interessante quanto o primeiro. Graças às camadas psicológicas que são costuradas durante a sua trama. Um estudo de comportamento é ativado, uma briga intelectual e ciumenta entra em jogo. E isso aqui se transforma em um liquidificador. Depois de conferir a trilogia, fiquei pensando sobre os pontos fracos da franquia. E notei um elemento que está presente nos três filmes: O Ritmo e suas cenas repetidas sobre mergulhos, acho que essas se estendem.
A Revanche do Monstro
3.1 27“Sabe, acho que todo Americano é louco”
👹 Depois de conferir o clássico O Monstro da Lagoa Negra (1954), fui explorar mais o universo dessa criatura fascinante. Notei que nesse período o mesmo ganhou duas continuações: A Revanche do Monstro, dirigida pelo o mesmo Jack Arnold (1955). Da galera presente no primeiro filme, temos o capitão do barco Rita. Aqui vamos acompanhar uma galera Americana que é enviada novamente ao lago negro para tentar pescar a tal criatura.
👹 Só que os tais Americanos vieram bem mais equipados e tecnológicos do que a galera do primeiro filme. Carregando mais pólvora e materiais explosivos. Após capturá-lo, um estudo de personagem (ciência do comportamento) e origem da criatura entre em jogo. Só que o bicho está fora do seu habitat, E logo os seres humanos transformam o bicho em atração turística. Um comportamento típico dos americanos que de alguma forma, transformam tudo em atração que gera de certa forma, lucro.
👹 Assim como no primeiro filme, temos que pontuar um argumento que fica apenas implícito em relação ao comportamento da criatura. O bicho meio que se sente atraído por “fêmeas Humanas”, entendendo que ele é o último da sua espécie e a solidão está gritando. É um fato! É químico! É elétrico! Nosso organismo é atraído por conexão, por carinho e empatia. O Monstro da Lagoa Negra que apenas AMAR!
👹 Imperialismo americano? A criatura vira atração, jornais, tvs e civis querem saber mais sobre essa criatura que está além da identidade humana. O filme carrega uma identidade pulp, isso é ótimo, apesar de termos uma leve sensação dele está deslocado dos seus outros amigos do Studio Universal, que vieram vinte anos atrás.
👹 A Revanche do Monstro não é tão interessante como o primeiro filme, acho que ele perde no que diz respeito à profundidade narrativa. Mas ele carrega a responsabilidade de abrir mais a mitologia deste “micro-universo”, não sendo de se jogar fora. Nesse período, quase todos os filmes com essa pegada Sci-Monster-Guerra-Fria tem alguns problemas de ritmo, o que pode tirar o civil médio de boas experiências desse mesmo período.
O Monstro da Lagoa Negra
3.6 134“O desconhecido sempre parece inacreditável”
🐡 Podemos afirmar que dos monstros dos estúdios da Universal: Drácula, Frankenstein, Múmia, Homem Invisível, Lobisomem, O Fantasma da Ópera, uns claro vão ter mais visibilidade do que outros. Mas depois de conferir O Monstro da Lagoa Negra (1956), posso considerar e afirmar que temos aqui a criatura mais subestimada desse microcosmo.
🐡 O Monstro da Lagoa Negra traz consigo uma premissa fascinante, sua história costura e vai desde a criação do mundo, até a simbiose entre humano e anfíbios. Os mistérios da humanidade estão à solta, e aqui vale lembrar de H. P. Lovecraft, que desde sempre nos alertou sobre o desconhecido universo dos mares e seus segredos obscuros.
🐡 O filme se passa na Amazônia, e aqui temos um ponto importante. Pois acredite, os Americanos enxergam e classificam os brasileiros como Selvagens! Dá pra acreditar num absurdo como esse? O homem sendo posto como explorador, mas ao mesmo tempo como invasor, isso é importante pontuar. Estamos fora do nosso habitat natural, heróis passam a ser vistos como vilões, o filme constroi muito bem essa nuances.
🐡 Sem falar do visual icônico da criatura. Sua história também vai lembrar outro grande monstrengo da cultura pop, o tal Monstro do Pantano. Sua fisionomia e estrutura bípede faz nossa consciência ferver em conceitos que chegam em abismos cósmicos. Mesmo sendo um filme típico de aventura e exploração, O Monstro da Lagoa Negra se sobressai dos demais de seu tempo exatamente por tais conceitos que a ele se impregnou, não fazendo seu enredo envelhecer.
🐡 Vale lembrar que esse universo teve duas continuações: A Revanche do Monstro (Jack Arnold, 1955) e A Caça do Monstro (John Sherwood, 1956). O diretor Jack Arnold é uma figura muito importante para esse período do cinema. Sua filmografia possui uma avalanche de filmes acima da média. Sua contribuição para o cinema fantástico é o que podemos chamar de ABSOLUTE CINEMA!
Socorro!
3.2 427 Assista Agora🦴 Tive sentimentos mistos nesse novo experimento de Sam Raimi para as telas. Em alguns momentos seus maneirismos vão saltar aos olhos. Com uma boa produção e com zoom’s que podemos classificar como “aparato técnico”. Sam Raimi navega no raso e apresenta um banquete pop. Daí cabe a quem está assistindo julgar tais artifícios como bons ou nem tanto.
🦴 Há um liquidificador de referências, que vão desde Robinson Crusoé ao clássico A Lagoa Azul. Seu argumento costura uma crítica social e divide suas classes. Sanguessugas no ambiente de trabalho, personalidades que conseguem ser escrotas até quando não tem espaço e situação para isso. A trama vai se desenrolando e tudo vai nos conectando com algum filme que em algum momento vai estar sendo transmitido em alguma sessão da tarde.
🦴 Relacionamentos tóxicos, comédia romântica, sobrevivencialismo e classes sociais. Uma das qualidades do filme é ele não se levar a sério, mas, suas reviravoltas conectam clichês safados e pasteurizados que me fizeram desconectar. Uma experiência que vai decaindo a cada camada que ele tenta nos mostrar. Confesso que consigo encontrar justificativas para que esse tipo de filme exista, tem todos os elementos que vai agradar a grande maioria. O velho e descompromissado entretenimento rasteiro.
Scared Shitless
2.8 6“Merda! Merda!”
🦠Germes, ácido ribonucleico e mitocôndrias. O futuro do cinema sempre esteve dentro de uma cápsula. No ventre dela, o cinema underground alternativo que expulsa ideias viscosas de extremo mal gosto. A começar citando o tal rótulo clássico visto nessas penumbras, “O Cientista Louco”, o tal do Projeto X: A Máquina de Matar Mais Astuta Que a Humanidade já Viu. É isso que acontece quando o homem brinca desse negócio de Deus. Abraço Frankenstein.
🦠 Bueiros, esgoto, bombeiro hidráulico e alguns germes. Piadas ruins e um humor estranho, Scared Shitkess é o típico filme B alternativo que faz um tributo maldito aos clássicos da Ficção Cientifica e Terror dos anos 50/60. Algo aqui lembra horror cósmico, talvez David Cronenberg, Aliens e por aí vai. Criaturas e conceitos do além mundo, quanto menos sabermos desses detalhes melhor.
🦠 Esse tipo de cinema tem o seu público, não é qualquer um que vai escorregar por aqui e se beneficiar com tal mensagem. Tem que saber apreciar o "Ridículo", "o Feio", "O Mal Diagramado", "O Indizível", pois há espaço para todos.
🦠 Bactericida! Ao mesmo tempo, nada e tudo faz sentido. Poesia, de alguma forma esse tipo de cinema tem que existir. Scared Shitless coloca mais iogurte estragado no encanamento cinéfilo daqueles que são apaixonados pelos Trash Movies.
Enterrando os Mortos
2.5 67 Assista Agora🧟 Se você está em busca de um filme de zumbi tradicional, talvez Enterramos os Mortos não seja uma parada muito interessante. No lugar da ação bagaceira, encontramos aqui uma espécie de “Drama Emocional Apocalíptico”. Você gostando ou não, Enterramos os Mortos tenta uma perspectiva diferente dentro do sub gênero Zumbi. Mas será mesmo que esse tal drama dá certo? <br/><br/>🧟 Lá fora, há uma hecatombe que grita. Não sabemos suas motivações, a realidade de alguma forma conseguiu ficar mais enferrujada. O exército tem sua maneira de limpar / resolver as coisas! Na base da pólvora e do tamanho do calibre. Talvez haja uma fina camada crítica em relação a isso, não sei, há algo ali talvez. Mas aí eu pergunto ao grupo dos humanistas: O que fazer diante de um pandemônio como esse? <br/><br/>🧟 O poster desse filme engana, então baixe as expectativas. Não assisto trailers, mas acredito que ele deve vender gato por lebre. Olhando da perspectiva correta, talvez Enterramos os Mortos tenha os seus momentos, apesar de ter algumas situações que servem como perigo gratuito. Apenas o delírio, nada mais que isso. <br/><br/>🧟 No ato final, entendemos mais ou menos o que o filme que mascarar. Relacionamentos Tóxicos? O Homem Sempre vai Ser o Culpado da Relação? Sacrifícios e Testes Químicos, pois os Americanos atacam novamente, pois temos urânio no almoço, na merenda da tarde e na janta. Apesar da sua boa produção, boa maquiagem e tomadas aéreas de drones acima da média, Enterramos os Mortos contém boas ideias, caminha para uma direção diferente, mas ainda assim, falta alguma coisa. Não sei dizer exatamente o que, mas o tempero não está completo.
Extermínio: O Templo dos Ossos
3.3 271 Assista Agora“Eu não sou Satanás!”
💀 A saga Extermínio tem início em 2002, um filme sujo e rasteiro, mostrando que a realidade foi para o saco. Extermínio acabou sendo uma espécie de divisor de águas quando o assunto é filme de “Apocalipse Zumbi”, já que na virada do século era um “Subgênero” que estava ficando cansado. Assim chegamos em 2026, e eis que a franquia já possui quatro longas para chamar de seu.
💀 Confesso que essa nova repaginada da franquia que começou em 2025 não é de se jogar fora, mas também não é essa pepsi-cola toda que alguns estão dizendo por aí. Extermínio, Templo de Ossos simplesmente não amplia o seu universo. Fiquei com a sensação de rodar em ciclo. A turma dos Teletubbies não se justificou, apesar das camadas satânicas que são jogadas assim como milho para galinhas.
“Quem não lembra o passado, está condenado a repeti-lo”
💀 A busca da cura, ativação da memória, pois está aí um negócio mega complexo e infalível, a Lembrança. Quem é você se ninguém lembrar de você? Filosofia de boteco, mas os filmes de zumbis são alegorias críticas em relação ao nosso comportamento perante ao todo. Lembra que o subgênero de zumbi apocalipse estava cansado? Pois é, Extermínio não é de se jogar fora, mas o que abriu portas para uma nova visão sobre tais assuntos, acaba ficando no mais do mesmo, apesar da boa produção.
💀 Eu vou continuar na missão em busca de novos ares em relação a essa temática. Zumbi é uma parada atual, sempre foi e sempre será! Pois fazemos parte do mesmo plano alienígena que continua nos controlando feito: ZUMBIS!
O Tesouro de Sierra Madre
4.4 179 Assista Agora“O ouro muda a alma de um Homem. Ele vira outra pessoa depois de achá-lo.”
🪙 A primeira camada do filme se abre mostrando uma rotina traiçoeira na cidade de Tampico, no México. De onde nossos protagonistas estão bolando a vida, tentando sobreviver há uma miséria na qual a vida rejeita a da oportunidade. Mendigos? Algo parecido!
🪙 No sistema capitalista, dinheiro é sinônimo de felicidade. E é aqui que o filme ganha em complexidade. Construindo personagens profundos, nossos amigos têm que apelar para o mundo do “Garimpo”. Caçar ouro, pois o sucesso está logo ali. Depois de muita peleja, estamos dentro de um sonho, mas tal sonho vem com gosto de delírio e uma desconfiança das relações humanas.
“Cuidado! Pois falar sozinho não é bom sinal.”
🪙 Aqui começamos a escavar uma crítica ao materialismo desenfreado. A queda do mito do “sucesso fácil”. Se trocarmos o “Ouro” pelo “Dinheiro Papel” ou pelo “Jogo do Tigrinho”, o negócio fica bastante atual, pois o sistema capitalista continua fazendo suas vítimas. O ouro não traz riqueza, mas também traz paranoia. A busca por sentido é substituída por obsessão, pois a civilização é uma camada fina que se rompe facilmente.
🪙 A tal da confiança e amizade vai até a página dois. Quando se envolve “dinheiro”, a parada ganha outras proporções e significados. Níveis de “Ganância”, contornos de “Paranoia”, e aqui, O Tesouro de Sierra Madre consegue traduzir a sociedade através dos tempos. Em algum determinado momento, do nada, me lembrei do personagem das histórias em quadrinhos TEX. Aqui temos uma aventura que se encaixa facilmente em uma de suas aventuras.
🪙 Possuindo uma fotografia incrível, a direção de John Huston escava a alma Norte Americana em um dos filmes mais impressionantes do seu tempo. Influenciando filmes como Sangue Negro (2007) e Onde os Fracos Não tem Vez (2007) quando o assunto é obsessão e ganancia com estripulias.
Moby Dick
3.7 99 Assista Agora“Eu vim aqui para caçar Baleias. E não por vinganças pessoais.”
🐳 Uma das minhas maiores e melhores experiências diante da literatura, foi com o livro MOBY DICK. O escritor Herman Melville nos joga dentro de uma aventura física e espiritual. Tenho que ser sincero, não é uma leitura simples, pois ao longo dessa jornada temos uma narrativa altamente técnica e detalhadas sobre o universo da “Cetologia” e a cultura de caça às baleias.
🐳 Temos algumas adaptações para o cinema, e a que mais me chamou a atenção foi essa dirigida por John Huston. E confesso que esse negócio é incrível, principalmente se notarmos o seu ano de lançamento. Huston simplesmente consegue condensar os momentos mais marcantes da obra de Melville, fatiando em 2 horas o destino daqueles homens.
“Essa é uma viagem maldita, rapazes.”
🐳 O Capitão Ahab (interpretado por Gregory Peck) parece se mover por “instinto”, assim como aquele animal, Moby Dick. Uma vingança cega, uma blasfêmia contra a própria natureza que parece que foi tomada pela irracionalidade. A audácia de Ahab desafia os céus. Há infinitas interpretações sobre a obra Moby Dick. Uma das vias, são religiosas, pois as atitudes de Ahab vão na contramão de certas atitudes cristãs. Sua individualidade e obsessão acaba sendo castigada pelas forças da natureza, ou melhor, por Leviatã.
“Eu vejo Loucos gerando mais Loucos.”
🐳 Com excelentes atuações, o filme captura ótimas passagens poéticas do argumento do livro, Gregory Peck tem uma atuação provocativa e arbitrária. Manipulando aquele navio como uma espécie de seita. Sei que encarar o livro Moby Dick não é uma tarefa simples, então fica a indicação desse pequeno cataclisma que é a história sobre a caça de Moby Dick e a loucura insana que percorre aquele pedaço de madeira em cima de um universo de águas.
São Bernardo
4.1 74 Assista Agora“Fiz tudo como negócio.”
🌵 Adaptando de maneira brilhante o incrível livro escrito por Graciliano Ramos, São Bernardo é uma pérola do cinema nacional. Um reflexo amargo e bastante fiel de tempos malucos que mais parecia distopia. Mal sabe Graciliano que ainda estamos à beira do mesmo abismo que esse imaginou. Os agentes do caos, os donos do mundo continuam ativos. Exploração, ambição e paranoia, uma coivara existencial que vai nos colocar em estado de choque.
"A culpa foi minha"
🌵 A realidade em São Bernardo é crua! Coronelismo, o amor não existe, o que nos resta são relações negociadas. Você tem um preço e vai ser explorado de qualquer maneira. Uma mulher sem religião é um perigo, pois o comunismo está à solta. Política, religião, dinheiro, estamos amaldiçoados, essa realidade é da muléstia. O Brasil continua doente, tentando estancar uma ferida que ainda não possui medicamentos para tal cura.
🌵 E o que falar da linguagem desse negócio! Da poesia e da selvageria dos diálogos. Claro que o livro vai ser mais didático em relação á isso, pois a cabeça de Paulo Honório está entrando em estágio de ferrugem. A relação de poder, a contradição de comportamento e principalmente de pensamento, exposto de modo febril.
🌵 A direção de Leon Hirszman é coisa fina. A minoria que não curte o filme, acha que o seu defeito é ser muito fiel ao livro, tirando um eventual senso de criatividade e originalidade na qual a linguagem do cinema poderia construir e adicionar a história. Eu concordo e discordo, no caso acho que o filme conseguiu capturar a essência do livro, mostrando de maneira direta a mensagem na qual Graciliano propôs.
O Primata
2.7 186 Assista Agora“O 1º caso de hidrofobia foi registrado em 2300 A.C. Animais infectados ficam literalmente loucos ao ver água. Se não forem tratados em 48h, não há chance de cura. A hidrofobia é mais conhecida pela palavra em latim para loucura: “Raiva”.
🐒 O Primata é aquele típico misto quente quando você está com dúvida do que pedir dentre inúmeras opções. Jogar dentro das regras, degustar os mesmos sabores, caminhar pelas mesmas ruas. Entretenimento clássico, o circo não chega a pegar fogo, não temos mortes criativas, o suspense também fica no banho Maria. Mas às vezes é exatamente disso que você precisa.
🐒 E você, acredita que nós evoluímos do Macaco? Beleza, mais uma película de ataque animal para os amantes do absurdo. Confesso e vejo que muitos telespectadores já entram nesse tipo de experiência torcendo pelo lado mais selvagem, não ligando e não dando a mínima para os personagens. Esperando pelas mortes morridas que vão ser executadas.
🐒 Juventude e inconsequências! Aqui não temos isso, pois a bactéria da raiva vai levar a culpa dessa vez. Destino ou maldição? Não sei. O Primata pode ser avaliado por duas direções. Comparando ele com outros filmes do gênero ou apenas ele por ele mesmo. Não tenho faculdades mentais suficientes para tal missão. Assista e tire as suas próprias conclusões.
🐒 O Primata Ben ficou nervoso, se estressou, amigos se tornaram inimigos, a irracionalidade sendo o norte. Ben foi humano, fazendo-nos lembrar que a selvageria corre solto a cada amanhecer, fazendo aquele dia normal se tornar o nosso pior pesadelo.