Na Amazônia Brasileira Carl Maia (Antonio Moreno), um pesquisador, fotografa o que parece ser a nadadeira de um anfíbio que talvez estivesse extinto. Mas o que ninguém nota é a presença discreta de uma criatura com o mesmo tipo de nadadeira, que está bem viva e próxima a eles. Carl viaja para mostrar sua descoberta e obter apoio financeiro. Ao retornar com outros pesquisadores, vê horrorizado que foram mortos dois funcionários deles, Thomas (Perry Lopez) e Louis (Rodd Redwing), que ficaram no acampamento. Achando que podem ter mais sorte em outro local, eles rumam para a Lagoa Negra. Lá acham uma misteriosa criatura anfíbia, que pode ser o elo perdido entre duas espécies (uma aquática, outra terrestre). A criatura se mostra muito hostil, atacando sempre que possível os membros da expedição.
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“O desconhecido sempre parece inacreditável”
🐡 Podemos afirmar que dos monstros dos estúdios da Universal: Drácula, Frankenstein, Múmia, Homem Invisível, Lobisomem, O Fantasma da Ópera, uns claro vão ter mais visibilidade do que outros. Mas depois de conferir O Monstro da Lagoa Negra (1956), posso considerar e afirmar que temos aqui a criatura mais subestimada desse microcosmo.
🐡 O Monstro da Lagoa Negra traz consigo uma premissa fascinante, sua história costura e vai desde a criação do mundo, até a simbiose entre humano e anfíbios. Os mistérios da humanidade estão à solta, e aqui vale lembrar de H. P. Lovecraft, que desde sempre nos alertou sobre o desconhecido universo dos mares e seus segredos obscuros.
🐡 O filme se passa na Amazônia, e aqui temos um ponto importante. Pois acredite, os Americanos enxergam e classificam os brasileiros como Selvagens! Dá pra acreditar num absurdo como esse? O homem sendo posto como explorador, mas ao mesmo tempo como invasor, isso é importante pontuar. Estamos fora do nosso habitat natural, heróis passam a ser vistos como vilões, o filme constroi muito bem essa nuances.
🐡 Sem falar do visual icônico da criatura. Sua história também vai lembrar outro grande monstrengo da cultura pop, o tal Monstro do Pantano. Sua fisionomia e estrutura bípede faz nossa consciência ferver em conceitos que chegam em abismos cósmicos. Mesmo sendo um filme típico de aventura e exploração, O Monstro da Lagoa Negra se sobressai dos demais de seu tempo exatamente por tais conceitos que a ele se impregnou, não fazendo seu enredo envelhecer.
🐡 Vale lembrar que esse universo teve duas continuações: A Revanche do Monstro (Jack Arnold, 1955) e A Caça do Monstro (John Sherwood, 1956). O diretor Jack Arnold é uma figura muito importante para esse período do cinema. Sua filmografia possui uma avalanche de filmes acima da média. Sua contribuição para o cinema fantástico é o que podemos chamar de ABSOLUTE CINEMA!
Achei O Monstro da Lagoa Negra um clássico que envelheceu melhor do que parece. A criatura é marcante e o clima de suspense funciona muito bem, principalmente nas cenas subaquáticas. Claro que os efeitos são datados, e as imagens perfeitas pra década de 50 mas isso faz parte do charme.
Grata surpresa, para um filme da década de 50 ele não deve em nada para os filmes mais recentes e com mais recursos no sentiso de transmitir tensão/suspense
Creature from the Black Lagoon é um desses filmes que lembram o prazer de se aventurar por águas antigas — aquelas em que o cinema ainda tateava o desconhecido com curiosidade, e não somente com efeitos digitais. A trama abre com um discurso científico sobre a origem da vida, mas é só mergulhar um pouco pra perceber que o que está em jogo é outra coisa: o fascínio — e a vaidade — humana diante do que não se entende.
Há algo curioso nesses filmes de monstros antigos. Eles sempre nascem entre tubos de ensaio e teorias evolutivas, mas o que realmente os move é o medo do desconhecido. Aqui, esse medo ganha corpo: uma criatura anfíbia, meio peixe, meio homem, que parece ter escapado de um estágio esquecido da criação. Ela vive nas profundezas do Amazonas — ou, melhor dizendo, na versão hollywoodiana do Amazonas — e se torna o centro da obsessão de um grupo de cientistas. De um lado, o Dr. David Reed, o homem sensato, que vê na descoberta um convite à cautela. Do outro, o Dr. Mark Williams, ambicioso, incapaz de conter o brilho nos olhos diante da glória. E no meio, Kay Lawrence (Julie Adams), a beldade que a câmera idolatra — e que o pôster eternizou. São personagens de papel fino, mas que cumprem um papel simbólico: instinto, razão e desejo navegando no mesmo barco.
Como muitos filmes de monstros da época, os personagens carecem de carne: o vínculo é protocolar, o conflito previsível, a emoção rasa. Faltam as zonas cinzentas que dariam mais profundidade a essa lagoa — o cientista sensato poderia se deixar contaminar pela ambição, a beldade poderia ter mais voz que o olhar que a observa e até o monstro merecia mais tempo para existir além do instinto. Mas o que falta em sutileza, sobra em atmosfera. Creature from the Black Lagoon é um espetáculo de imagens líquidas, dessas que parecem suspensas no tempo. O preto e branco dá textura à água, faz brilhar cada bolha, cada rastro de luz entre as algas. Há algo de hipnótico na sequência em que Kay mergulha — ela desliza na superfície enquanto, logo abaixo, o monstro a observa. Dois seres separados por centímetros e por espécies. É uma das cenas mais belas que o terror já filmou.
Sim, o filme envelheceu em algumas costuras. Falta calor entre os personagens, falta pavor genuíno, sobra aquele didatismo científico tão típico dos anos 50. Mas há um encanto que o tempo não levou: a sensação de ver um mito sendo esculpido à mão, dentro d’água, com mais imaginação do que orçamento. Há uma força primitiva ali — um fascínio pelo mistério que os blockbusters atuais já não sabem mais filmar.
Ver Creature from the Black Lagoon hoje é lembrar que o medo também pode ser belo. E talvez por isso o filme ainda mereça um novo mergulho — quem sabe até um remake brasileiro, nas águas verdadeiras da Amazônia, onde o desconhecido ainda se esconde. Porque, no fim, não é só sobre um monstro: é sobre o espanto de encarar o que ainda não entendemos.
Lançado em 1954, "O Monstro da Lagoa Negra" (Creature From The Black Lagoon) é um clássico do terror. Surpreende ao apresentar cenas subaquáticas bem executadas para a época, algo raro e tecnicamente ousado no cinema daquele período. Outra curiosidade é que, apesar da história se passar nos rios da Amazônia brasileira, as filmagens aquáticas foram feitas na Flórida e as de terra firme, na Califórnia.
A trama é envolvente e consegue manter um clima de mistério e tensão durante todo o tempo. A principal falha no enredo é que alguns fatos relevantes caem no esquecimento - por exemplo, o fóssil descoberto logo no início do filme é considerado insuficiente para o reconhecimento científico e ninguém mais fala dele; também não há qualquer fato sobre a criatura, que parece ser a última da espécie.
"O Monstro da Lagoa Negra" permanece relevante, quase uma referência do quanto o cinema de terror evoluiu em termos de técnica, narrativa e efeitos visuais. Por fim, um comentário sobre a caracterização do monstro: o traje era uma fantasia de borracha, com design precário e limitações de mobilidade, especialmente se analisado com o olhar crítico de hoje. Ainda assim, aquele visual exótico traz um charme nostálgico para a produção.