Penelope

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Estes são os meus filmes e séries favoritos

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12 Homens e Uma Sentença (12 Angry Men) 1,2K 4.6

12 Homens e Uma Sentença

  • Penelope
    11 horas atrás

    O cinema já ergueu impérios, incendiou cidades e atravessou galáxias. Ainda assim, uma de suas maiores batalhas não acontece em campos de guerra, mas entre quatro paredes, ao redor de uma mesa onde o suor escorre e as certezas começam a morrer.

    Do lado de fora, é só mais um dia comum. Do lado de dentro, doze homens decidem a vida de alguém, e apenas um deles parece lembrar que essa vida merece mais que cinco minutos. Sempre me impressiona que 12 Angry Men precise de tão pouco para fazer tanto: pega uma sala comum e faz dela um mundo inteiro. Ali existem climas próprios, terremotos de ego, tempestades de raiva e raros ventos de lucidez. Não há para onde correr ali dentro, nenhum grande espetáculo que distraia, nenhum cenário que alivie a tensão. Restam apenas vozes se elevando, cadeiras se movendo e a paciência evaporando no calor. E, ao trancar doze homens tão diferentes no mesmo espaço, o filme revela algo incômodo: muitos estão mais preocupados consigo mesmos — com seus compromissos, rancores e certezas — do que com o garoto ausente cujo destino repousa sobre aquela mesa.

    E talvez o maior triunfo do filme seja esse: cada homem naquela mesa respira de um jeito diferente. Um só pensa no jogo de beisebol. Um velho carrega a solidão nos olhos. Há os burocratas que rabiscam papéis enquanto a cadeira elétrica espera por alguém. Há os que já condenaram o garoto antes mesmo de sentar. E há um homem tomado por uma raiva que não pertence ao caso, mas ao filho que ele nunca conseguiu amar sem violência. Nenhum deles é só “jurado número tal”. Todos entram em cena carregando uma vida inteira nas costas.

    No centro daquele calor infernal está Henry Fonda, e o mais admirável é que, enquanto os outros chegam vestidos de certezas, ele comparece apenas com a dúvida. Sua arma é a calma. Sua coragem é dizer “não sei”. Num ambiente onde todos confundem convicção com volume, ele prova que, às vezes, a postura mais firme está justamente na recusa em decidir depressa. Talvez seja isso que torne sua figura tão marcante: ele luta contra a velocidade com que as pessoas se acostumam a decidir o destino dos outros. Contra os que preferem o jogo de beisebol ao peso de uma consciência limpa. Contra os que querem voltar ao trabalho antes mesmo de encarar a dúvida. E, por mais que 12 Angry Men não seja um filme construído para escolher lados como numa torcida, eu sempre me pego torcendo por ele. Porque há algo profundamente humano em torcer por quem, cercado de indiferença, insiste apenas no direito de pensar melhor antes de condenar.

    E quando as provas começam a ruir, ruem como colunas podres. A faca rara deixa de ser rara. O velho já não parece capaz de ouvir ou atravessar a casa no tempo que jurava. A mulher talvez nem pudesse enxergar com a nitidez que afirmava possuir. São suposições, claro. Sim, muita gente dirá que um júri de verdade não funcionaria assim, que o juiz barraria metade da discussão, que tudo terminaria em cinco minutos. Talvez terminasse mesmo. E daí? 12 Angry Men nunca me interessou como simulação jurídica, e sim como drama moral. O filme entende que, antes de qualquer tecnicalidade, existe algo maior: a vida de alguém não deveria depender de homens cansados demais para duvidar.

    Rever 12 Angry Men é perceber como um mesmo filme pode nos encontrar de maneiras diferentes. Na primeira vez em que assisti, a reação foi imediata: torci pelo homem sozinho contra onze, torci pelo garoto cuja vida repousava sobre uma mesa cercada de impaciência, torci por aquele único sujeito disposto a atrasar o relógio dos outros em nome de algo tão básico quanto prudência. Mas voltar ao filme depois é uma experiência mais rica. Quando já não estamos presos apenas ao destino do veredito, os olhos se aguçam para tudo o que estava ao redor dele. Passamos a notar quem aqueles homens realmente são: os tiques nervosos, os resfriados, os silêncios atravessados, as pequenas explosões de ego, os preconceitos que escapam em frases banais, a maneira como cada personalidade contamina sua ideia de justiça.

    Os diálogos, então, ganham outro sabor. A discussão sobre alguém dizer que vai matar e isso significar literalidade ou apenas fúria passageira. A forma como Henry Fonda, sem elevar a voz, conduz um homem ao próprio descontrole até que ele revele mais sobre si do que sobre o caso. O jurado vivido por Lee J. Cobb, sempre com o rosto endurecido pela raiva, projetando naquele garoto tudo o que nunca resolveu com o próprio filho. E o outro homem que termina reduzido ao vazio de suas convicções, ignorado por todos enquanto continua falando sozinho, como se finalmente escutasse o eco miserável das próprias palavras. E há ainda o prazer renovado de observar como o filme encena tudo isso. As votações filmadas em close. A sequência em que vemos apenas as mãos erguidas, como se a derrota já estivesse decretada, até que uma nova mão surge e, só depois, o enquadramento revela um novo rosto mudando o rumo da sala. Na primeira vez, eu torcia pelo que aconteceria. Hoje, me encanto sobretudo com a forma como acontece.

    No fim, talvez a maior batalha de 12 Angry Men não seja entre inocência e culpa, mas entre consciência e comodidade. O impressionante não é que um homem mude onze votos; é que onze quase acabem com uma vida sem hesitar. O calor aperta as paredes, mas o que as torna irrespiráveis é o preconceito vestido de certeza.

  • Em Busca do Ouro (The Gold Rush) 288 4.4

    Em Busca do Ouro

  • Penelope
    3 dias atrás

    Chaplin sempre me pareceu um cineasta que entendeu uma coisa antes de muita gente: antes de o cinema aprender a falar, ele precisou aprender a se mover. E em The Gold Rush isso fica cristalino. O que mais gosto no filme — e no Chaplin em geral — é como tudo soa como desenho animado feito de carne e osso.

    Décadas antes de um coiote despencar de penhascos ou de Tom perseguir Jerry por corredores impossíveis, ele já dobrava a realidade. Sério: em que outro filme eu veria um homem com tanta fome que começa a enxergar o companheiro como uma galinha? Em que outro uma arma aponta para um sujeito com a fidelidade de um girassol ao sol, acompanhando cada passo dele como se tivesse vontade própria? Se vai para o lado, ela vai junto. Se se abaixa, ela se abaixa também. Sei que isso não é realista — e ainda bem que não é.

    Às vezes sinto falta disso no cinema de hoje. Parece que tudo precisa pedir licença para parecer plausível, tudo quer convencer que poderia acontecer de verdade. Chaplin não quer convencer ninguém. Ele quer divertir. Quer pegar as leis da física e dobrá-las no meio. O vento entra por uma porta e Charlie brinca com a correnteza. O desastre vira coreografia.

    A parte da cabana concentra tudo isso como se fosse a pepita mais pura do filme. Quando a história se fecha naquele espaço com homens famintos, neve lá fora e desespero lá dentro, The Gold Rush encontra ouro de verdade. Ali está o tipo de humor que mais me diverte: o corpo lutando contra o ambiente, um sapato virando refeição, a cabana ganhando vida própria — ela range, balança, arranca o chapéu de Charlie, ameaça engolir todo mundo. Depois, quando amanhece pendurada no abismo — metade na montanha, metade no nada — o filme alcança algo raro. Muita gente lembra da dança dos pãezinhos, e com razão, mas para mim é aqui que grita gênio. Suspense e gargalhada dividem o mesmo espaço. Cada passo muda o equilíbrio da casa. O chão inclina, a câmera acompanha, o perigo cresce e a graça cresce junto. Chaplin anda para um lado e parece que o mundo inteiro escorrega com ele. Anda para o outro e a cabana responde como uma balança enlouquecida. É catástrofe transformada em brincadeira. Sinceramente, nem sei como filmaram isso na época, e talvez parte do encanto venha daí. Há algo de mágico em truques antigos que continuam funcionando. E eu amo o som da trilha cada vez que a cabana se inclina.

    Já a parte do romance nunca me pega no mesmo nível. Entendo perfeitamente por que ela existe. Filmes daquela época também queriam oferecer ao público uma história de afeto, uma moça bonita, alguém por quem torcer. E Georgia cumpre esse papel. O problema é que, para mim, funciona mais como símbolo do que como personagem. Ela é a bela distante, a promessa de carinho, a pessoa que não enxerga Chaplin até tarde demais. Serve para reforçar a eterna tragédia cômica do Vagabundo: ele sempre ama mais do que é amado. Funciona emocionalmente, mas raramente ganha a substância que o restante do filme encontra no movimento e na imaginação. Ainda assim, não estraga nada, porque Chaplin sabe extrair melancolia até de um olhar ignorado ou de uma mesa vazia na noite de Ano-Novo. A célebre dança dos pãezinhos não é só engraçada; é um homem tentando transformar solidão em espetáculo. O riso, com Chaplin, quase sempre vem de mãos dadas com alguma tristeza.

    Talvez por isso eu releve a falta de profundidade do romance. Mesmo quando a história entra em caminhos mais convencionais, Chaplin continua sendo Chaplin. Sempre existe um gesto, um olhar, um tropeço ou uma invenção visual que lembra quem está no comando. No fim, acabo preferindo a cabana ao romance. Na cabana está o artista absoluto, livre, inventando cinema com madeira torta e gravidade frouxa. No romance está o narrador atendendo ao que se esperava de um filme popular da época. Um lado pulsa mais do que o outro.

    The Gold Rush prova que Chaplin garimpava em outro terreno. Enquanto todos buscavam ouro nas montanhas, ele procurava nas possibilidades do corpo, na fome virando galinha, na cabana pendurada, no riso surgindo do desastre. Algumas pepitas brilham por riqueza. As dele brilham porque ainda se movem cem anos depois.

    editado
  • Colossal (Colossal) 360 3.1

    Colossal

  • Penelope
    1 semana atrás

    O que mais me chamou atenção em Colossal foi a ousadia de juntar duas coisas que não costumam dividir o mesmo espaço. De um lado, há o caos de um filme de kaiju: uma mulher meio perdida, bêbada, andando sem rumo numa pracinha, faz com que, do outro lado do mundo, em Seul, um monstro gigante repita exatamente os mesmos movimentos — e a ideia praticamente se vende sozinha, porque funciona em grande escala. Um passo distraído vira destruição, um tropeço vira um prédio cedendo, um acesso de raiva vira tragédia internacional. Do outro lado, existe uma história bem mais íntima — e, para mim, bem mais interessante: aquela pessoa que chega de mansinho, educada, prestativa, quase boa demais para ser questionada, que aparece justamente quando você está no fundo do poço e parece oferecer algum tipo de conforto — até o momento em que essa presença começa a ocupar espaço demais, e o que antes era ajuda passa, aos poucos (ou nem tão aos poucos assim), a se transformar em inferno.

    O problema é que, quando o filme precisa sustentar essas duas frentes através dos personagens, ele começa a escorregar. A gente conhece a Gloria já num estado meio gasto: ela bebe demais, perde o emprego, desgasta o relacionamento com o Tim. Não é uma introdução pensada pra gerar simpatia imediata — e tudo bem. Só que o resto do filme também não me conecta com ela. O que mais me incomoda é como a bebida vira quase um atalho: ela bebe, erra, se perde — isso estabelece o ponto de partida. Mas quando a história precisa que ela avance, o alcoolismo recua junto, sem resistência. Não tem muito atrito, não tem recaída, não tem aquela sensação de luta contínua; é como se o problema existisse só enquanto é útil pro roteiro. E isso enfraquece tudo, porque um comportamento que deveria desestabilizar a personagem acaba funcionando mais como engrenagem de cena do que como algo que realmente molda quem ela é. Tem um momento que resume bem isso: quando ela escreve um pedido de desculpas no chão — e dali em diante parece que algo se reorganiza rápido demais. Não é que mudança seja impossível, é que o filme não constrói o caminho dessa mudança. Ele marca o ponto A e o ponto B, mas o trajeto entre eles fica raso. Fica a sensação de que o filme quer chegar logo no confronto dos gigantes e precisa limpar o caminho para isso — pena que não me soa convincente.

    Com o Oscar, o problema é outro — e talvez mais evidente. Ele surge como uma figura acolhedora: dono de bar, sorriso fácil, alguém que oferece ajuda quando a protagonista está à deriva. E depois… muda. O problema é que essa virada é brusca demais para ser comprada. O filme tenta justificar depois, sugere inveja, um ressentimento antigo, mas isso soa mais como explicação tardia do que como algo realmente construído. Se fosse uma obsessão mais clara, quase romântica — daquele tipo de pessoa que nunca teve sua chance e ficou presa nisso — talvez funcionasse melhor. Se ele estivesse presente desde o início, nem que fosse à distância, mantendo contato, criando esse vínculo torto aos poucos, a transformação teria outro peso. Até os diálogos poderiam ajudar mais nesse sentido — ele raramente fala de forma direta, e o que emerge soa mais como ameaça do que como revelação. Os flashbacks apontam para um passado mal resolvido, mas quase nada disso se desenvolve de fato. O conflito acaba esvaziado: afinal, o que ela tem, concretamente, que justificaria a inveja dele? Do jeito que está, ele não se revela — ele apenas muda. E o entorno piora tudo: os amigos dele estão ali há anos, convivem com ele, e ninguém estranha de verdade. Joel praticamente assiste às coisas acontecerem, não reage como alguém que vê a situação sair do controle, e o outro amigo simplesmente desaparece depois de uma briga. Fica difícil acreditar que esse comportamento sempre esteve ali sem que ninguém percebesse.

    No fim, Colossal pensa grande — enorme, na verdade. Transforma emoções confusas, ressentimentos e dependências em monstros que atravessam oceanos e derrubam cidades. Mas trata, ao mesmo tempo, os personagens que deveriam sustentar isso de forma pequena, apressada. Surge, então, um desequilíbrio: a ideia é maior do que as pessoas que deveriam carregá-la. Ainda assim, algo permanece. A imagem de alguém, sozinho numa praça vazia, movendo o corpo sem propósito — enquanto, do outro lado do mundo, um monstro repete esse gesto e deixa um rastro de destruição — é forte o suficiente para ficar.

  • Jordison 4 meses atrás

    🔥 “O drama de espionagem que todos estão chamando de a melhor série de todos os tempos — agora disponível na Netflix!” 🔥

    Se você ainda não assistiu, Homeland (Serie de TV 2011-2020) vai consumir todo o seu fim de semana. Estrelada por Claire Danes e Damian Lewis, esta série de suspense e espionagem vencedora do Emmy é uma montanha-russa de reviravoltas chocantes e traições de cair o queixo que farão você questionar a lealdade de cada personagem. Prepare-se para um drama tão envolvente que você não conseguirá desviar o olhar.

    Prepare-se para maratonar!

  • vagnerfoxx 11 meses atrás

    Amizade aceita Penélope. Seja muito bem vinda!