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O público norte-americano costuma adotar o comportamento de avestruz quando o país enfrenta crises políticas e econômicas, ou entra em guerras. Prefere enfiar a cabeça na areia do escapismo. Tanto que em períodos como a Grande Depressão, na década de 1930, ou a Segunda Guerra Mundial, nos anos 40, gêneros como o musical e a comédia quebravam recordes de bilheteria e lotavam os cinemas. Esse comportamento não mudou. Desde os ataques do 11 de setembro de 2001, várias tentativas foram feitas de discutir temas como a política externa dos EUA e as guerras no Iraque, no Afeganistão. Todas fracassaram comercialmente. Até a consagração (pela crítica) de Guerra ao Terror (2009) e A Hora Mais Escura (2012), ambos dirigidos por Kathryn Bigelow.
Quando Osama bin Laden foi declarado morto pelo governo dos EUA em 1 de Maio de 2011, eu estava na escola. Envolto em programas de informática e embebido pelo sono provocado pela aula das 7, foi um dos poucos momentos em minha vida que senti estar presenciando a História sendo feita – para bem, ou para mal. E mesmo condenando diversas práticas adotadas pelos EUA nessa questão, o ataque da Al-Qaeda em 11 de Setembro é um dos mais abomináveis e cruéis dos últimos tempos.
Agora deixando de lado minha visão política, A Hora Mais Escura faz um ótimo trabalho ao abordar esse tema tão controverso de forma corajosa e que não surja como uma propaganda pró EUA. Isso porque a diretora Kathryn Bigelow não é Michael Bay. A única mulher oscarizada no cargo (vitória adquirida com Guerra ao Terror, em 2010) oferece um tratamento quase documental, certamente fruto da experiência do roteirista Mark Boal como jornalista, e traz uma narrativa repleta de eventos e nomes; tendo início em 2003 e culminando na operação de 2011. E Bigelow felizmente não cai na alternativa de glorificar os soldados americanos e colocá-los caminhando em câmera lenta ao som de uma melodia patriota.
A primeira metade do filme é centrada na tortura. Práticas hediondas que a diretora retrata na mera função de comprovar sua existência na busca pelo terrorista – ao contrário das críticas que o filme sofreu, que o acusaram de glamourizá-la inapropriadamente – a diretora claramente as taxa como um “mal necessário” (ainda mais se levarmos em conta os minutos iniciais que trazem gravações do 11 de Setembro, em uma forma de aplicar o pensamento de que “os fins justificam os meios”) e de forma alguma as julga como positivas. Sua câmera é sempre inquieta e constante, causando um senso de tensão ao longo da projeção – mesmo que tenha escritórios da CIA e salas de reuniões como ambientes principais. E ainda que a montagem de William Goldenberg e Dylan Tichenor seja eficiente ao organizar todas as informações que levarão ao terrorista, é Jessica Chastain que carrega nas costas esse bloco inicial.
Interpretando a versão fictícia de uma agente real (mas cuja identidade é mantida em sigilo, já que esta ainda encontra-se em atividade), Chastain impressiona e provoca grande admiração por sua indestrutível persistência. Durona e não deixando sua beleza ficar à frente de sua integridade (“Eu sou a ‘motherfucker’ que achou a casa”, diz ela a seus superiores), a atriz demonstra bem o cansaço através dos olhos pesados e os cabelos bagunçados de Maya; mas que também jamais perde seu foco em completar sua tarefa (e sua insistência ao marcar um certo número de dias diariamente na janela de seu chefe é uma bela evidência de sua insatisfação).
E quando chega a “hora mais escura” que todos estavam esperando para ver, o filme se transforma. Tendo o roteiro modificado durante as filmagens (já que a produção começara em um período anterior à morte de bin Laden), a mudança de ritmo é notável e gera uma melhora significativa ao filme. Mesmo que já saibamos o desfecho, a cena da invasão é de um nível cinematográfico excepcional graças à forte condução de Bigelow (que aposta na ausência de música e em momentos de violência gráfica e duvidosa) e a fotografia de Greig Fraser; cujo uso da escuridão e de visões noturnas chega a causar arrepios.
Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama bin Laden, o filme traz de volta a questão maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.
CURIOSIDADE: Chefe da CIA minimiza tortura em filme sobre perseguição a Osama bin Laden
O diretor interino da CIA, Michael Morell, disse que o filme "A hora mais escura" (Zero Dark Thirty) sobre a perseguição a Osama bin Laden exagera a importância da informação obtida através de tortura.
O filme da diretora vencedora de um Oscar, Kathryn Bigelow, conta a história de uma longa década de busca, após 11 de setembro de 2001, que acabou em uma incursão dramática e mortal em maio, no esconderijo do líder da Al-Qaeda em Abbottabad, Paquistão.
O filme mostra oficiais norte-americanos usando técnicas, entendidas como tortura, como o "submarino"(ou water-boarding), para forçar presos a falar. A informação obtida foi crucial, de acordo com o filme, para reunir as pistas que levaram à trilha de bin Laden.
Segundo ele, múltiplas fontes da inteligência levaram os analistas da CIA a concluir que bin Laden estava escondido em Abbottabad, embora tenha reconhecido que algumas informações tenham vindo dos prisioneiros submetidos a essas técnicas, proibidas por Obama em 2009.
(Me Engana Que Eu Gosto!!!)
DICAS: Algumas das mulheres entrevistadas para esta matéria também aparecem no documentário da HBO "Manhunt", sobre a caçada a Osama bin Laden. É um documentário incrível sobre as pessoas — em sua maioria mulheres — que conduziram a busca por ele; a paixão, a determinação e a obsessão delas seriam familiares a qualquer fã de Homeland (2011-2020 Serie de TV), assim como a misoginia institucional que enfrentaram.
Não se deixe enganar pelo péssimo título American Manhunt: Osama Bin Laden (2025). Eu mesmo passei algum tempo ignorando o algoritmo que me sugeria essa minissérie da Netflix, mesmo sofrendo de uma certa fixação pelo tema do atentado às Torres Gêmeas e pela história da Al-Qaeda e Osama Bin Laden.
Como eu adorava essa série na minha adolescência! Tenho ótimas lembranças de assistir a O Mundo Perdido na TV Record. Eu já percebia naquela época que os efeitos especiais eram ruins, que algumas situações eram bastante caricatas e que certos episódios eram bem simples, bobos e até quase infantis. Mesmo assim, eu me divertia muito com aquilo.
O elenco era carismático, as histórias tinham aquele clima de aventura e dava para perceber o esforço da produção para entregar o melhor que conseguia. Era uma série feita nos anos 2000, mas com uma cara que parecia ter saído diretamente de meados dos anos 90. E provavelmente fosse justamente isso que tornasse tudo tão divertido para mim.
O Mundo Perdido foi uma série britânica de ficção científica e aventura, exibida originalmente entre 1999 e 2002, baseada no romance homônimo de Sir Arthur Conan Doyle.
A história começa quando o Professor George Edward Challenger, interpretado por Peter McCauley, tem acesso ao diário de um homem que estava morrendo na África. O documento trazia relatos sobre um lugar chamado Platô, uma região isolada onde ainda existiriam animais pré-históricos.
Convencido de que havia encontrado uma prova de suas teorias, Challenger decide organizar uma expedição para localizar o lugar e apresentar suas descobertas à comunidade científica de Londres.
Ele parte acompanhado pelo Professor Arthur Summerlee, interpretado por Michael Sinelnikoff, um cientista que não acreditava nas ideias de Challenger, mas resolveu participar da expedição.
Também faziam parte do grupo Lord John Richard Roxton, vivido por William Snow, um experiente caçador encarregado da segurança dos exploradores, e o jornalista americano Edward “Ned” T. Malone, interpretado por David Orth, que enxergava naquela viagem a oportunidade de conseguir uma grande reportagem e impressionar sua namorada.
A expedição ainda contava com Marguerite Krux, interpretada por Rachel Blakely, uma mulher rica e misteriosa que financiava a viagem, mas claramente tinha interesses que iam muito além da ciência. E havia também Veronica, personagem de Jennifer O'Dell, que se tornaria uma importante integrante do grupo.
A partir daí, a aventura começava de verdade. Perdidos em uma terra desconhecida, os personagens precisavam enfrentar dinossauros, criaturas estranhas, povos misteriosos e os perigos daquele mundo isolado.
Eu sabia que não era uma superprodução, sabia que os dinossauros não eram exatamente convincentes e que algumas histórias viajavam bastante. Mas era divertido. E isso, para mim, sempre foi o mais importante.
Hoje, quando lembro de O Mundo Perdido, lembro principalmente daquela época em que eu chegava diante da televisão e encontrava mais uma aventura para acompanhar. Era simples, às vezes boba, muitas vezes exagerada, mas fazia parte da minha adolescência e deixou boas lembranças.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Valeu pela dica.
Ah, sim, Homeland! Eu acabei vendo alguns episódios da primeira temporada, mas não terminei pois a achei muito lenta. Mas qualquer dia desses volto a vê-la.
Você é a primeira pessoa que eu vejo na internet dizendo que viu essa série, eu sempre quis ver, pois todos elogiavam, demorei anos, mas um dia sai. Kkkk
Algumas das mulheres entrevistadas para esta matéria também aparecem no documentário da HBO "Manhunt", sobre a caçada a Osama bin Laden. É um documentário incrível sobre as pessoas — em sua maioria mulheres — que conduziram a busca por ele; a paixão, a determinação e a obsessão delas seriam familiares a qualquer fã de Homeland (2011-2020 Serie de TV), assim como a misoginia institucional que enfrentaram.
Não se deixe enganar pelo péssimo título American Manhunt: Osama Bin Laden (2025). Eu mesmo passei algum tempo ignorando o algoritmo que me sugeria essa minissérie da Netflix, mesmo sofrendo de uma certa fixação pelo tema do atentado às Torres Gêmeas e pela história da Al-Qaeda e Osama Bin Laden.
CURIOSIDADE:
Aos 30 anos, Elizabeth Hanson já fazia um trabalho que pouca gente ao seu redor conseguia imaginar.
Formada em economia e com estudos em russo, ela entrou para a CIA em 2005 e passou a trabalhar como targeter, uma especialista em transformar uma quantidade enorme de informações em pistas capazes de levar aos alvos da inteligência americana. Comunicações interceptadas, imagens, relatórios e outras informações eram cruzados para descobrir onde estavam integrantes da Al-Qaeda e do Talibã.
Entre os homens que sua equipe procurava estava Osama bin Laden.
Elizabeth nasceu em Rockford, Illinois, em 1979, e estudou no Colby College, onde se formou em economia e estudou língua e literatura russas. Depois dos ataques de 11 de Setembro, seu interesse pelo mundo islâmico e pela relação entre religião e economia ajudou a direcionar sua carreira para a área de inteligência.
Na CIA, ela rapidamente chamou atenção.
Elizabeth tinha um jeito descontraído. Segundo pessoas que trabalharam com ela, costumava usar jeans e até chinelos no escritório. Mas, quando o assunto era seu trabalho, a história mudava. Ela tinha fama de ser extremamente metódica e habilidosa na análise de informações.
Em 2009, decidiu fazer algo que sua mãe não queria que ela fizesse.
Elizabeth se voluntariou para trabalhar no Afeganistão.
Chegou a Cabul em agosto daquele ano e continuou atuando como targeter, acompanhando informações sobre integrantes da Al-Qaeda e do Talibã. Também passou a ter contato mais próximo com informantes em locais protegidos. Entre seus alvos estavam alguns dos principais líderes das organizações extremistas.
Então apareceu um informante que parecia ser exatamente o tipo de oportunidade que a inteligência americana procurava.
Humam Khalil al-Balawi era um médico jordaniano que dizia ter acesso a integrantes da liderança da Al-Qaeda. As informações que fornecia pareciam tão valiosas que ele foi levado a uma base da CIA em Khost, no leste do Afeganistão, para uma reunião com agentes americanos.
Era 30 de dezembro de 2009.
Al-Balawi chegou à base e foi recebido pelos agentes. Ele não foi revistado.
Pouco depois, detonou os explosivos escondidos em seu próprio corpo.
A explosão matou sete funcionários da CIA e deixou outras pessoas feridas. Elizabeth Hanson estava entre os mortos.
Ela tinha 30 anos.
O ataque de Khost foi a maior perda de vidas da CIA desde o atentado contra a embaixada americana em Beirute, em 1983.
Elizabeth foi enterrada no Cemitério Nacional de Arlington.
O então diretor da CIA, Leon Panetta, esteve em seu funeral e anos depois contou que aquela lembrança permaneceu com ele.
Na sede da CIA, seu nome também foi preservado.
Uma das estrelas da parede memorial da agência representa Elizabeth Hanson, uma entre os funcionários mortos no cumprimento do dever.
Mas talvez a parte mais curiosa dessa história seja justamente o contraste.
Elizabeth passou os últimos anos de sua vida tentando descobrir onde estavam algumas das pessoas mais procuradas pelos Estados Unidos.
Para fazer isso, ela precisava trabalhar longe dos holofotes.
Seu rosto não aparecia nas operações.
Seu nome não podia estar nos jornais.
E, quando finalmente apareceu, foi porque ela havia morrido.
A história de Elizabeth Hanson é a história de uma profissional que passou a vida adulta procurando pessoas que não queriam ser encontradas.
Até que, em uma manhã no Afeganistão, ela própria se tornou parte da história que estava tentando investigar.