Jordison
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Últimas opiniões enviadas

  • Jordison
    7 minutos atrás

    O filme 300 retrata Xerxes como uma figura gigantesca, adornada com joias e piercings, líder de um exército de criaturas deformadas. Os persas são apresentados como bárbaros decadentes interessados em escravizar o mundo, enquanto os espartanos aparecem como defensores da liberdade. A produção foi criticada por autoridades iranianas e por diversos historiadores, que a classificaram como uma representação persofóbica. Ainda assim, grande parte do público assimilou a narrativa como uma representação fiel da história.

    Entretanto, registros históricos indicam uma realidade bastante diferente. Enquanto Esparta mantinha uma sociedade sustentada pela escravidão dos ilotas — população submetida a violência sistemática, perseguições anuais e assassinatos ritualizados praticados por jovens espartanos como rito de passagem — o Império Persa adotava práticas administrativas relativamente tolerantes para os padrões da Antiguidade. Povos conquistados frequentemente mantinham suas religiões, línguas e costumes, e havia incentivos à reconstrução de templos destruídos por conflitos anteriores.

    Grande parte dessa política é associada a Ciro, o Grande, que conquistou a Babilônia em 539 a.C. sem promover saques ou destruição em larga escala. Após assumir o controle da cidade, foi publicado o chamado Cilindro de Ciro, documento em argila no qual se registravam medidas como a libertação de povos exilados, a restauração de templos e a garantia de liberdade religiosa aos territórios conquistados. Uma das ações mais conhecidas atribuídas a Ciro foi a libertação dos judeus do cativeiro babilônico e o financiamento da reconstrução do Templo de Salomão em Jerusalém. Por isso, Ciro é citado na Bíblia como instrumento divino, apesar de não pertencer à tradição judaica.

    O Cilindro de Ciro foi posteriormente apresentado à Organização das Nações Unidas pelo governo iraniano e passou a ser frequentemente associado à ideia de uma das primeiras declarações de direitos humanos da história.

    No mesmo período, Esparta estruturava sua sociedade em torno de um rígido sistema militar. Meninos eram retirados das famílias ainda na infância para participar da agogê, treinamento estatal marcado por violência, fome e disciplina extrema. A economia espartana dependia do trabalho compulsório dos ilotas, considerados propriedade coletiva do Estado. Os éforos, magistrados espartanos, declaravam guerra formal aos ilotas anualmente, permitindo sua execução sem consequências religiosas. A cripteia consistia em expedições nas quais jovens espartanos assassinavam escravos desarmados como demonstração de maturidade e lealdade ao Estado.

    Apesar de frequentemente celebrada como símbolo de liberdade e heroísmo, a sociedade espartana possuía cidadania extremamente restrita. Apenas os espartíatas — minoria da população — participavam da vida política. A maior parte dos habitantes, formada por ilotas e periecos, não possuía direitos políticos nem proteção jurídica plena.

    Sob o reinado de Dario I, o Império Persa alcançou enorme extensão territorial, abrangendo regiões do Vale do Indo ao Egito e do Mediterrâneo à Ásia Central. O império era composto por dezenas de povos, idiomas e tradições religiosas diferentes. Sua administração baseava-se no sistema de satrapias, províncias governadas por líderes locais subordinados ao poder central persa. Essa estrutura permitia certa autonomia regional e facilitava a integração de diferentes culturas.

    A Inscrição de Behistun, gravada em três idiomas, demonstra a preocupação persa em comunicar-se com diferentes populações do império. Além disso, os persas desenvolveram uma extensa infraestrutura, como a Estrada Real, que ligava Susa a Sardes por aproximadamente 2.500 quilômetros, permitindo comunicação rápida entre regiões distantes. O sistema postal persa impressionou até mesmo Heródoto, que registrou a eficiência dos mensageiros imperiais.

    Os persas também possuíam sistemas avançados de irrigação, padronização de pesos e medidas e uma estrutura administrativa sofisticada para a época. Mesmo autores gregos, tradicionalmente adversários políticos dos persas, reconheciam aspectos da organização e eficiência do império.

    A representação de Xerxes no filme diverge significativamente das descrições históricas. Em vez de uma figura monstruosa, Xerxes I governava um Estado multicultural no qual diferentes religiões coexistiam oficialmente. O exército persa incluía tropas profissionais organizadas, como os chamados “Imortais”, descritos por Heródoto como soldados disciplinados e altamente treinados.

    Além disso, a ideia de uma Grécia completamente unida contra a invasão persa é considerada simplificada. Diversas cidades-estado gregas permaneceram neutras ou apoiaram os persas, evidenciando que o conflito envolvia alianças políticas complexas e interesses regionais variados.

    O próprio filme 300 não se apresenta como reconstrução histórica rigorosa, mas como adaptação da graphic novel de Frank Miller, cuja proposta era deliberadamente fantasiosa. A narrativa cinematográfica utiliza o ponto de vista de um narrador espartano, funcionando como propaganda de guerra dentro da própria ficção. O problema apontado por muitos críticos e historiadores é que essa representação acabou consolidando, para parte do público, uma visão distorcida tanto dos persas quanto dos espartanos.

    Historiadores como Tom Holland e Pierre Briant argumentam que a imagem ocidental dos persas como bárbaros deriva principalmente das narrativas gregas clássicas e foi perpetuada ao longo dos séculos. Estudos contemporâneos sobre o Império Persa ressaltam sua complexidade administrativa, diversidade cultural e capacidade de integração política, contrastando com a visão simplificada frequentemente reproduzida pela cultura popular.

    Dessa forma, a oposição entre “heróis defensores da liberdade” e “vilões bárbaros” apresentada pelo filme não corresponde integralmente às evidências históricas disponíveis. Embora o Império Persa também tenha realizado conquistas militares violentas e imposto tributos pesados, muitos pesquisadores consideram que, em diversos aspectos administrativos e sociais, ele demonstrava maior tolerância e flexibilidade do que a sociedade espartana da mesma época.

  • Jordison
    1 dia atrás

    Em “Os Sertões”, lançado em 1902, Euclides da Cunha eternizou um dos acontecimentos mais violentos da história do Brasil: a Guerra de Canudos.

    O conflito revelou o choque brutal entre a recém-instalada República e uma comunidade sertaneja que buscava sobreviver longe da miséria e do domínio dos grandes proprietários rurais. Liderados por Antônio Conselheiro, milhares de homens, mulheres e crianças transformaram o arraial de Canudos, no interior da Bahia, em um refúgio para excluídos e abandonados do Nordeste.

    E aquilo que começou como um movimento religioso e social logo passou a ser tratado pelo governo como uma ameaça nacional.

    Entre 1896 e 1897, o Exército brasileiro mobilizou milhares de soldados, armamentos pesados, canhões e metralhadoras para destruir o povoado. Ao longo de quatro campanhas militares, as tropas enfrentaram uma resistência inesperada no sertão baiano, sofrendo derrotas humilhantes antes da ofensiva final.

    O resultado foi devastador: estima-se que entre quinze e vinte e cinco mil pessoas morreram durante o massacre que praticamente apagou Canudos do mapa.

    A Guerra de Canudos aconteceu no Arraial de Belo Monte, conhecido como Canudos, e entrou para a história como um dos maiores episódios de resistência popular do Brasil. O massacre marcou profundamente o país e permaneceu durante décadas cercado de silêncio e controvérsia.

    NESTE CONTEÚDO, VOCÊ VAI CONHECER:

    • A trajetória de Antônio Conselheiro e o surgimento de Canudos
    • Como o arraial se tornou um símbolo de esperança para os sertanejos
    • As quatro expedições militares enviadas pelo governo
    • Os meses de cerco e destruição no sertão da Bahia
    • O desfecho trágico de 5 de outubro de 1897
    • As razões políticas e sociais que levaram à destruição de Canudos
    • O legado histórico deixado pelo conflito

    As reconstruções visuais apresentadas foram produzidas com base em fotografias históricas, registros arqueológicos, relatos de Euclides da Cunha e documentos da época. Elas não representam imagens reais dos acontecimentos, mas interpretações fundamentadas em evidências históricas.

    A Guerra de Canudos permanece como um retrato da desigualdade, da violência estatal e da luta de uma população esquecida que enfrentou o poder da República até as últimas consequências.

    📚 FONTES HISTÓRICAS:

    "Os Sertões" - Euclides da Cunha (mil novecentos e dois)
    Fotografias de Flávio de Barros (mil oitocentos e noventa e sete)
    Arquivos do Exército Brasileiro
    Pesquisas arqueológicas em Canudos
    Relatos de testemunhas oculares

  • Jordison
    1 dia atrás

    O filme Comandante é um drama de guerra italiano lançado em 2023, dirigido por Edoardo De Angelis e estrelado por Pierfrancesco Favino no papel do comandante Salvatore Todaro. O longa chamou bastante atenção porque foge daquele padrão comum de filmes de submarino focados apenas em combate, tensão claustrofóbica e heroísmo militar puro. Aqui o foco principal é humanidade, honra naval e o código moral de um oficial italiano durante a Segunda Guerra Mundial.
    A história é baseada em fatos reais e acompanha o submarino italiano Comandante Cappellini, da Regia Marina, em 1940, durante a Batalha do Atlântico. O comandante Salvatore Todaro afunda o cargueiro belga Kabalo, mas depois toma uma decisão completamente fora do padrão da guerra submarina: ele resolve salvar os sobreviventes inimigos. Isso era extremamente perigoso, porque um submarino navegando na superfície virava alvo fácil para aviões e navios inimigos. Ainda assim, Todaro insiste em rebocar e transportar os náufragos até um porto seguro nos Açores.
    O mais interessante é que o filme tenta mostrar a mentalidade naval italiana daquela época. Diferente da imagem mais “mecanizada” e fria associada aos U-boots alemães, Todaro aparece quase como um cavaleiro do mar, alguém guiado por um senso pessoal de honra. Existe até uma frase muito famosa atribuída a ele no filme e na história real:
    “Afundamos o navio, não os homens.”
    Essa visão tornou Todaro uma figura muito respeitada até entre inimigos. Alguns oficiais alemães consideravam suas atitudes imprudentes, porque colocavam o submarino inteiro em risco. Em relatos históricos, ele chegou a receber críticas indiretas do almirante alemão Karl Dönitz, justamente porque a doutrina submarina da época caminhava para uma guerra cada vez mais brutal e impessoal.
    O filme também acerta bastante na ambientação. A produção construiu uma réplica gigantesca do submarino Cappellini, com mais de 70 metros de comprimento e dezenas de toneladas. Boa parte dos cenários internos foi feita fisicamente, em vez de depender totalmente de CGI, e isso dá uma sensação muito pesada e realista aos corredores apertados, motores, tubos de torpedo e compartimentos do submarino.
    Historicamente, o filme tenta ser bem fiel visualmente à Regia Marina do início da guerra. Uniformes, boinas, equipamentos internos, linguagem naval e comportamento da tripulação foram reconstruídos com ajuda da Marinha Italiana. Há alguns pequenos erros históricos, mas nada muito grave. Um dos poucos apontados por historiadores é a presença de uma canção naval que só seria criada em 1941, enquanto o filme se passa em 1940.
    Outra coisa interessante é o tom do filme. Ele não é exatamente pró-fascista nem antifascista de maneira explícita. Na verdade, ele tenta separar a figura do marinheiro italiano comum do regime político da época. O foco está mais em valores humanos, coragem e sobrevivência no mar. Isso gerou discussões na Itália, porque muita gente viu o longa como uma tentativa de resgatar uma imagem mais honrada dos militares italianos da Segunda Guerra, sem glorificar diretamente o fascismo.
    Comparado a filmes clássicos de submarino como Das Boot ou U-571, Comandante é menos focado em suspense técnico e mais em drama humano. Ainda existem cenas de combate naval e tensão, mas o centro emocional é a convivência entre italianos e sobreviventes belgas dentro daquela situação absurda no meio do Atlântico.
    E existe também uma camada muito interessante sobre a própria Marinha Italiana na guerra. O filme mostra algo que muita gente esquece: os submarinistas italianos operaram em condições extremamente difíceis no Atlântico, longe do Mediterrâneo, enfrentando limitações técnicas, torpedos problemáticos e doutrinas nem sempre adequadas para aquele teatro de operações. Mesmo assim, alguns comandantes, como Todaro, acabaram virando figuras lendárias.

    O filme pode ser visto, atualmente, na Amazon Prime.

  • Alice 2 meses atrás

    Ah, sim, Homeland! Eu acabei vendo alguns episódios da primeira temporada, mas não terminei pois a achei muito lenta. Mas qualquer dia desses volto a vê-la.

    Você é a primeira pessoa que eu vejo na internet dizendo que viu essa série, eu sempre quis ver, pois todos elogiavam, demorei anos, mas um dia sai. Kkkk

  • LORENA SILVEIRA 3 meses atrás

    Já ouvi as boas referências. Quero assistir mas não sei se aguento Claire Danes com aquelas caras e bocas dela.

  • Alícia Lins 3 meses atrás

    eu, hein