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Acho que muita gente está subestimando a mudança que está acontecendo diante dos nossos olhos. Quando falamos sobre Hollywood, normalmente pensamos em entretenimento, estrelas de cinema e bilheteria. Mas a história mostra que o cinema sempre foi muito mais do que isso: é uma ferramenta de influência cultural, de construção de imagem e de controle de narrativas.
O fracasso de "Desert Warrior" é interessante não apenas porque foi um filme caríssimo que quase ninguém assistiu. O mais curioso é o que ele representa. Um projeto de centenas de milhões de dólares, repleto de nomes conhecidos e profissionais experientes, que parece ter sido concebido não apenas como entretenimento, mas como parte de um esforço muito maior para reposicionar a imagem da Arábia Saudita e do Oriente Médio no imaginário global.
E é aí que a discussão fica realmente interessante. Durante décadas, Hollywood ajudou a moldar a forma como o mundo enxerga países, culturas, conflitos e governos. Agora estamos vendo novos atores entrarem nesse jogo com recursos praticamente ilimitados. Não se trata apenas de produzir filmes; trata-se de investir em estúdios, eventos esportivos, festivais, plataformas de entretenimento e em tudo aquilo que influencia a percepção pública.
Alguns enxergam isso apenas como diversificação econômica. Outros veem uma estratégia de soft power, semelhante ao que os Estados Unidos fizeram durante décadas e ao que a China também buscou fazer por meio de sua crescente influência econômica e cultural. Independentemente da interpretação, é difícil negar que quem investe bilhões em cultura não está interessado apenas no retorno financeiro.
O ponto que mais me chama atenção é a aparente contradição. Hollywood frequentemente se apresenta como defensora de determinados valores políticos e sociais, mas ao mesmo tempo depende cada vez mais de investimentos e mercados ligados a governos que possuem visões muito diferentes sobre liberdade de expressão, direitos civis e participação política. Isso levanta uma questão legítima: até que ponto interesses econômicos acabam influenciando as histórias que são contadas e aquelas que deixam de ser contadas?
Talvez a verdadeira discussão nem seja sobre um filme específico. "Desert Warrior" pode ser esquecido daqui a alguns anos. O que provavelmente permanecerá é a transformação do equilíbrio de poder dentro da indústria do entretenimento. O cinema sempre refletiu disputas econômicas, culturais e políticas. A diferença é que agora essas disputas estão se tornando cada vez mais visíveis.
Por isso, o debate não deveria ser sobre gostar ou não de um filme, mas sobre quem financia as narrativas que consumimos, quais interesses estão por trás delas e como isso pode influenciar a forma como enxergamos o mundo. Afinal, quando bilhões de dólares entram em cena, raramente a história é apenas sobre cinema.
TEMPOS SOMBRIOS XI E O HOMEM DA VASSOURINHA.
O ATO INTEMPESTIVO DE JÂNIO QUADROS QUE DEU ORIGEM À DITADURA MILITAR
Qual foi o verdadeiro motivo da renúncia do presidente Jânio Quadros em 1961, atribuída por ele na ocasião às forças ocultas?
Fiz esta pergunta ao seu secretário particular na Presidência, José Aparecido de Oliveira, o mais mineiro dos Zé, na ocasião, governador do Distrito Federal.
-Foram as muriçocas do Alvorada! - respondeu o governador com cara de matuto que esconde a verdade com humor.
A condecoração do ícone da Revolução Cubana de 1959 Ernesto "Che" Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul--a mais alta honraria brasileira--ocorreu em 19 de agosto de 1961.
Uma semana depois, Jânio Quadros renunciou ao cargo de presidente, justificando o ato abrupto no Congresso com um bilhete dizendo que fora "esmagado por forças terríveis", sem, no entanto, revelar que forças eram essas.
Levou o segredo para a sepultura em fevereiro de 1992, após tentar voltar à Presidência do País em 1989, mas desistiu da eleição por problemas de saúde.
A condecoração gerou forte reação por parte de militares, conservadores e dos EUA no auge da Guerra Fria.
Corria em Brasília nos anos 1980 um boato de que a carta de renúncia de Jânio foi escrita após um porre dele com o seu garçom particular.
Diziam até que o garçom morava em Taguatinga e poderia confirmar o boato. Confesso que não fui o único repórter a correr atrás desta notícia.
Depois fiquei sabendo que esta lenda teve origem em histórias da boemia paulistana, nos anos em que Jânio frequentava o tradicional Bar Léo no centro de São Paulo.
O garçom Luiz de Oliveira (conhecido como Luizinho) era quem o atendia. Curiosamente, ao contrário da fama boêmia de Jânio, Luizinho revelou em entrevistas que o político costumava beber apenas água mineral no estabelecimento.
Pelo menos foi o que escreveu o jornalista e escritor Ruy Castro sobre o caso.
Certo é que a renúncia de Jânio Quadros deu posse ao vice João Goulart, um político malvisto pelos militares, conservadores e o governo norte-americano por suas ligações com a esquerda.
Tipo "saiu do mato e caiu na moita", era este o censo comum da direita com a troca de cadeiras no Palácio do Planalto. Não deu outra: Jango teve problemas para governar o País desde a posse e acabou sendo deposto.
Assim nasceu a Ditadura Militar que durou do Golpe de 31 de março de 1964 a 15 de março de 1985, com a posse de José Sarney que deixou o cargo em 15 de março de 1990.
Voltando ao mistério da renúncia de Jânio Quadros, o que vocês acham?
Foram mesmo as muriçocas do Alvorada, a bebedeira ou a pressão política causada pela condecoração de Chê?
Últimos recados
Ah, sim, Homeland! Eu acabei vendo alguns episódios da primeira temporada, mas não terminei pois a achei muito lenta. Mas qualquer dia desses volto a vê-la.
Você é a primeira pessoa que eu vejo na internet dizendo que viu essa série, eu sempre quis ver, pois todos elogiavam, demorei anos, mas um dia sai. Kkkk
Já ouvi as boas referências. Quero assistir mas não sei se aguento Claire Danes com aquelas caras e bocas dela.
eu, hein
Hospital New Amsterdam é uma série de drama médico americana criada por David Schulner, baseada no livro "Twelve Patients: Life and Death at Bellevue Hospital" do Dr. Eric Manheimer.
A produção acompanha o carismático Dr. Max Goodwin (Ryan Eggold, da serie Lista Negra: Redenção) enquanto ele assume a direção do hospital público mais antigo dos EUA, enfrentando a burocracia do sistema de saúde para oferecer cuidados excepcionais aos pacientes. A série está concluída e possui 5 temporadas.