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Data de lançamento
4 Março 2014Duração
Este novo capítulo da épica saga 300 traz a luta pela glória a um novo campo de batalha: o mar. O general grego Themistocles está posicionado contra as forças invasoras persas, que são comandadas pelo deus-rei Xerxes e lideradas por Artemisia, a vingativa comandante de sua marinha. Sabendo que sua única esperança para derrotar a armada persa é unir todas as cidades-estados gregas, Themistocles comanda a investida que mudará o curso da guerra.
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Conseguiram a façanha de fazer um filme que serviu tanto como prequel, história paralela e continuação de "300".
E fizeram isso de forma bastante coerente, além de manter a estilo visual e até aumentar o nível de violência gráfica em alguns momentos. A mudança dos confrontos terrestres para as batalhas navais entre triremes gregos e persas traz um diferencial interessante pra a continuação, com cenas realistas e impactantes que não deixam nada a desejar em comparação ao que foi visto anteriormente.
Infelizmente Temístocles não tem o mesmo peso, liderança e nem carisma do icônico Rei Leônidas interpretado pelo Gerard Butler. Por outro lado o Xerxes feito pelo Rodrigo Santoro ganha mais presença e relevância na história.
Outro ponto questionável foi o destaque exagerado dos personagens femininos no filme, talvez motivado por críticas pelo excesso de testosterona de "300". Apesar de Artemísia I de Caria ter sido de fato uma das poucas comandantes navais mulheres da antiguidade, é difícil levar a sério as cenas de combate onde ela facilmente supera dezenas de adversários sem nem borrar a maquiagem dos olhos. A cena onde ela convida o general rival para tentar derrotá-lo usando suas outras "armas" também é de dar vergonha alheia. E a esposa do Leônidas mesmo tendo alguma liderança política na época nunca pegou uma espada na vida real...
Ou seja, o filme anterior já não se destacava pela fidelidade histórica pelos vários exageros mas desta vez a sensação de estarmos vendo um filme de fantasia é ainda maior. De qualquer forma ainda é uma sequência muito bem produzida e que tem seu valor.
Curiosidade: Historicamente Dario não foi morto por Temístocles como retratado, ele e Xerxes nem sequer estavam presentes na Batalha de Maratona. Artemísia era uma rainha e não uma escrava órfã que sofreu abusos.
O filme 300 retrata Xerxes como uma figura gigantesca, adornada com joias e piercings, líder de um exército de criaturas deformadas. Os persas são apresentados como bárbaros decadentes interessados em escravizar o mundo, enquanto os espartanos aparecem como defensores da liberdade. A produção foi criticada por autoridades iranianas e por diversos historiadores, que a classificaram como uma representação persofóbica. Ainda assim, grande parte do público assimilou a narrativa como uma representação fiel da história.
Entretanto, registros históricos indicam uma realidade bastante diferente. Enquanto Esparta mantinha uma sociedade sustentada pela escravidão dos ilotas — população submetida a violência sistemática, perseguições anuais e assassinatos ritualizados praticados por jovens espartanos como rito de passagem — o Império Persa adotava práticas administrativas relativamente tolerantes para os padrões da Antiguidade. Povos conquistados frequentemente mantinham suas religiões, línguas e costumes, e havia incentivos à reconstrução de templos destruídos por conflitos anteriores.
Grande parte dessa política é associada a Ciro, o Grande, que conquistou a Babilônia em 539 a.C. sem promover saques ou destruição em larga escala. Após assumir o controle da cidade, foi publicado o chamado Cilindro de Ciro, documento em argila no qual se registravam medidas como a libertação de povos exilados, a restauração de templos e a garantia de liberdade religiosa aos territórios conquistados. Uma das ações mais conhecidas atribuídas a Ciro foi a libertação dos judeus do cativeiro babilônico e o financiamento da reconstrução do Templo de Salomão em Jerusalém. Por isso, Ciro é citado na Bíblia como instrumento divino, apesar de não pertencer à tradição judaica.
O Cilindro de Ciro foi posteriormente apresentado à Organização das Nações Unidas pelo governo iraniano e passou a ser frequentemente associado à ideia de uma das primeiras declarações de direitos humanos da história.
No mesmo período, Esparta estruturava sua sociedade em torno de um rígido sistema militar. Meninos eram retirados das famílias ainda na infância para participar da agogê, treinamento estatal marcado por violência, fome e disciplina extrema. A economia espartana dependia do trabalho compulsório dos ilotas, considerados propriedade coletiva do Estado. Os éforos, magistrados espartanos, declaravam guerra formal aos ilotas anualmente, permitindo sua execução sem consequências religiosas. A cripteia consistia em expedições nas quais jovens espartanos assassinavam escravos desarmados como demonstração de maturidade e lealdade ao Estado.
Apesar de frequentemente celebrada como símbolo de liberdade e heroísmo, a sociedade espartana possuía cidadania extremamente restrita. Apenas os espartíatas — minoria da população — participavam da vida política. A maior parte dos habitantes, formada por ilotas e periecos, não possuía direitos políticos nem proteção jurídica plena.
Sob o reinado de Dario I, o Império Persa alcançou enorme extensão territorial, abrangendo regiões do Vale do Indo ao Egito e do Mediterrâneo à Ásia Central. O império era composto por dezenas de povos, idiomas e tradições religiosas diferentes. Sua administração baseava-se no sistema de satrapias, províncias governadas por líderes locais subordinados ao poder central persa. Essa estrutura permitia certa autonomia regional e facilitava a integração de diferentes culturas.
A Inscrição de Behistun, gravada em três idiomas, demonstra a preocupação persa em comunicar-se com diferentes populações do império. Além disso, os persas desenvolveram uma extensa infraestrutura, como a Estrada Real, que ligava Susa a Sardes por aproximadamente 2.500 quilômetros, permitindo comunicação rápida entre regiões distantes. O sistema postal persa impressionou até mesmo Heródoto, que registrou a eficiência dos mensageiros imperiais.
Os persas também possuíam sistemas avançados de irrigação, padronização de pesos e medidas e uma estrutura administrativa sofisticada para a época. Mesmo autores gregos, tradicionalmente adversários políticos dos persas, reconheciam aspectos da organização e eficiência do império.
A representação de Xerxes no filme diverge significativamente das descrições históricas. Em vez de uma figura monstruosa, Xerxes I governava um Estado multicultural no qual diferentes religiões coexistiam oficialmente. O exército persa incluía tropas profissionais organizadas, como os chamados “Imortais”, descritos por Heródoto como soldados disciplinados e altamente treinados.
Além disso, a ideia de uma Grécia completamente unida contra a invasão persa é considerada simplificada. Diversas cidades-estado gregas permaneceram neutras ou apoiaram os persas, evidenciando que o conflito envolvia alianças políticas complexas e interesses regionais variados.
O próprio filme 300 não se apresenta como reconstrução histórica rigorosa, mas como adaptação da graphic novel de Frank Miller, cuja proposta era deliberadamente fantasiosa. A narrativa cinematográfica utiliza o ponto de vista de um narrador espartano, funcionando como propaganda de guerra dentro da própria ficção. O problema apontado por muitos críticos e historiadores é que essa representação acabou consolidando, para parte do público, uma visão distorcida tanto dos persas quanto dos espartanos.
Historiadores como Tom Holland e Pierre Briant argumentam que a imagem ocidental dos persas como bárbaros deriva principalmente das narrativas gregas clássicas e foi perpetuada ao longo dos séculos. Estudos contemporâneos sobre o Império Persa ressaltam sua complexidade administrativa, diversidade cultural e capacidade de integração política, contrastando com a visão simplificada frequentemente reproduzida pela cultura popular.
Dessa forma, a oposição entre “heróis defensores da liberdade” e “vilões bárbaros” apresentada pelo filme não corresponde integralmente às evidências históricas disponíveis. Embora o Império Persa também tenha realizado conquistas militares violentas e imposto tributos pesados, muitos pesquisadores consideram que, em diversos aspectos administrativos e sociais, ele demonstrava maior tolerância e flexibilidade do que a sociedade espartana da mesma época.
Amei muitos homes gostosos 04/04/2026
A Eva Green até tenta, tadinha, mas não dá. “300: Rise of an Empire” é uma sequência sem personalidade, dando uma sensação de uncanny valley - artificial, estranhamente familiar mas longe, muito longe de sequer lembrar seu antecessor. Estética empobrecida, uma performance broxante de Sullivan Stapleton como o general ateniense Temístocles, cenas de combate cansadas e um Xerxes com sobrancelhas de puta pobre. Tudo é abaixo do esperado, os atenienses não têm os six pack dos espartanos - tudo bem, são atenienses e não malucos por guerra como seus rivais -, Stapleton possui um olhar vazio e sem confiança, diferentemente de Leônidas e a devoção que despertava em seus soldados e espectadores, até os gritos são tímidos nesse filme pavoroso.
Pensei em dar 1 estrela por causa de Eva que realmente se esforçou em construir uma vilã minimamente interessante e intimidadora, mas ao fim da resenha só lembrei das coisas ruins (omiti algumas, inclusive) e resolvi dar meia estrela para essa imundície. Que vida de cão!
Se o primeiro 300 era uma ópera sobre honra, sangue e abdominal definido, A Ascensão do Império é o cover de uma banda que gostava da música, mas esqueceu o tom. É grandioso, violento e visualmente bonito mas com aquele brilho de repetição que parece dizer: “já vimos isso, mas agora na água.”
Noam Murro tenta continuar o mito, expandir o universo e dar um ar político à carnificina. O resultado? Um espetáculo aquático onde o discurso sobre liberdade soa mais ensaiado que inspirador. Enquanto o primeiro filme vibrava com a loucura de um ideal, esse parece um exercício de estilo tão consciente da própria estética que se esquece da alma. É um filme que tenta navegar pela história, mas acaba boiando em um mar de CGI e frases de efeito.
Sullivan Stapleton faz o impossível: tenta substituir Gerard Butler e parece saber que não vai conseguir. Seu herói é correto, bonito e absolutamente esquecível. Quem realmente comanda o navio é Eva Green, que transforma Artemísia em um furacão de fúria, sedução e sarcasmo. Ela é o filme inteiro condensado em uma só presença exagerada, teatral, mas impossível de desviar o olhar. Enquanto os homens discursam sobre glória, ela simplesmente toma o poder, como quem entendeu que o verdadeiro império é o da performance.
Visualmente, o filme é o que você teria se o mar decidisse abrir uma conta no Instagram. Cada cena parece filtrada por um sonho molhado de contraste, onde o sangue se mistura à água como tinta num quadro épico demais pra fazer sentido. Zack Snyder deixou a escola visual, e Murro segue as regras com devoção câmera lenta, enquadramentos coreográficos e um uso do 3D que beira o sagrado. É lindo, mas vazio. Como um pôster caro de um filme que ainda não existe.
No fim, A Ascensão do Império é sobre repetição o eterno retorno do espetáculo em busca de si mesmo. É um filme que tenta gritar com a mesma força do antecessor, mas acaba ecoando no vazio de sua própria grandiosidade. Ainda assim, há algo quase poético nessa tentativa: morrer tentando parecer maior do que se é. Talvez essa seja, afinal, a verdadeira glória espartana.